domingo, 29 de junho de 2008

Discurso de Che

sábado, 28 de junho de 2008

Somos todos diabos sem-terra


A decisão do Conselho de Promotores do Rio Grande do Sul de pedir a extinção do MST só encontra paralelo nas ditaduras mais sombrias. Seu entulho autoritário já serviu de base para oito ações contra os sem-terra, entre elas despejos violentos e proibição de manifestações pacíficas. Nesta terça-feira (24/6) a sede nacional do movimento, em São Paulo, foi invadida pela polícia, que levou 16 computadores e documentos importantes. São fatos inconcebíveis num Estado Democrático de Direito.

A recente ofensiva contra o MST teve início em 4 de março, quando 900 camponesas ocuparam uma fazenda ilegal da empresa Stora Enso, no Rio Grande do Sul. As trabalhadoras protestavam contra o monocultivo de eucalipto praticado nas instalações da transnacional, da mesma forma que haviam feito na Aracruz Celulose dois anos antes. A ação fez parte da Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, 60 camponesas tiveram seus corpos marcados por ferimentos causados pelas tropas da Brigada Militar e duas foram presas.

Em abril, a juíza Patrícia Rodriguez Whately, a pedido da Vale do Rio Doce, arbitrou multa de R$ 5 mil contra João Pedro Stédile a cada vez que ele se manifeste em público ou que o MST promova ocupações para denunciar a violenta exploração capitalista que coloca o Brasil entre os países mais injustos do mundo. Segundo Stédile, que não se calou, os 10% mais ricos recebem 23,5 vezes mais que os 10% mais pobres. E de tudo que é produzido, 60,9% fica com os donos do capital e 39,1% com os trabalhadores – proporção que já foi de 50% a 50% na década de 1960.

É a partir daí que devemos compreender as agressões jurídicas contra o MST. Além de alfabetizar e organizar os trabalhadores pobres, reforçando sua auto-estima e mostrando que eles são sujeitos de sua própria história – o que por si só já representa grande ameaça aos donos do poder – o Movimento dos Sem-Terra está na linha de frente da resistência contra a exploração capitalista. Foi o MST quem deu visibilidade à campanha pela anulação da privatização da Vale do Rio Doce, que pertencia ao povo brasileiro e foi entregue à iniciativa privada por um preço aviltante. É o MST quem chega e afirma que o agronegócio é inimigo da humanidade; que o latifúndio é inimigo do trabalhador; e que as corporações de mídia são sócias da violência.

Por tudo isso o MST vem sendo demonizado. Como no mito do Paraíso Perdido, de John Milton, os militantes sem-terra são identificados como Lúcifer, o anjo rebelde. No mito, Lúcifer não se torna o inimigo número 1 do poder central porque é cruel, mesmo porque em nome de Deus se fizeram as Cruzadas, cujos métodos de conquista são conhecidos pela violência desmedida; Lúcifer não é expulso do Céu em razão de ser um sádico torturador, até porque muitos juízes não se preocupam em punir torturadores, sobretudo nesse pedaço de terra chamado Brasil; por fim, o diabo não se torna inimigo por ser corrupto, essa virtude tão cara ao sistema capitalista. Lúcifer se torna o símbolo da maldade quando se recusa a obedecer a uma norma, quando desafia o poder hegemônico; diz não àquele que tudo vê, tudo sabe, tudo pode.

O mito de John Milton serve como analogia perfeita. Os militantes sem-terra são demonizados não porque supostamente violentos, baderneiros e corruptos, como afirma a mídia hegemônica. Os militantes sem-terra são enquadrados dentro do arquétipo da maldade porque ousam dizer “não”. O MST diz não à privatização da Vale do Rio Doce; diz não ao monopólio do eucalipto, diz não às sementes transgênicas, diz não ao latifúndio, diz não ao agronegócio, diz não à violência policial contra negros e jovens. Ou seja, recusa-se a aceitar o conjunto de normas que fundamenta o projeto capitalista para o Brasil.

Eis o grande crime do MST: dizer não ao sistema que tudo vê, tudo sabe, tudo pode. Pela rebeldia, enfrentará a fúria dos setores que lutam pela manutenção da exploração do povo brasileiro. Pela justeza de sua causa, receberá o apoio de milhões de brasileiros que ainda não perderam a capacidade de se indignar frente às injustiças. Seremos todos diabos sem-terra. Juntos, vamos lutar e vencer. Como disse outro diabo, o Santo Agostinho: “A esperança tem duas filhas lindas: a raiva e a coragem. A raiva do estado de coisas e a coragem para mudá-lo”.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Agora é esperar pra ver?


Agora o governo realmente apertou o cerco aos motoristas que insistem em dirigirem bêbados. No primeiro fim de semana sob o efeito da nova lei, muitos condutores foram detidos. Diversos acidentes aconteceram devido ao uso de álcool e a mídia, como sempre, mostrou aqueles casos mais graves. Com a nova legislação o motorista pode perder a habilitação tendo ingerido qualquer quantidade de álcool. Se causar um acidente sob o efeito da droga ele vai responder por crime doloso, ou seja, com intenção. A multa passa para R$ 955 e a infração é caracterizada em qualquer tipo de via e não só nas estradas. Entendo que é necessário aplicar multas e penas mais duras. Mas o problema só vai ser resolvido com a mudança de cultura das pessoas, principalmente, dos irresponsáveis que bebem e vão dirigir. Enquanto a ingestão de bebidas for amplamente divulgada pelos meios de comunicação, vai ser difícil mudar o quadro. Certamente a nova legislação terá um efeito imediato muito positivo. Muita gente vai ficar com medo de tomar uma multa ou perder a habilitação. Mas depois de um tempo e com a dificuldade das autoridades em fiscalizar, tudo volta como é. Quer ver como vai ser a fiscalização nas festas que acontecem em Santa Catarina. Principalmente na Oktoberfest. Se o poder público realmente fizer valer a lei, metade do Vale do Itajaí vai perder a habilitação. Pelo menos o governo tomou uma atitude depois de recuar na proibição da venda de bebidas alcoólicas nas estradas. Entendo que ficou pior para os comerciantes. Afinal muita gente vai pensar duas vezes antes de abrir uma latinha de cerveja porque ela pode acabar custando R$ 955,00.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Recordar é preservar a história

Da propriedade privada à pública




O direito à propriedade existiu muito antes do capitalismo, mas só neste ele assumiu a centralidade que tem, a ponto dos liberais clássicos incluírem-no entre os direitos naturais do homem, da mesma forma que os de vida, de privacidade, de circulação, de manifestação da opinião. Mas foi sempre um direito com contrapesos. Só no capitalismo tornou-se uma variável independente, praticamente critério para definir se se vive em uma sociedade livre. Liberdade e direito de propriedade tendem a identificar-se.

Mesmo em Locke, o pai do liberalismo, esse direito tinha limitações: a propriedade da terra – o grande direito de propriedade na época – só tinha legitimidade na extensão que conseguissem trabalhá-la o proprietário e sua família. Locke pensava assim numa sociedade da pequena produção mercantil, em que todos poderiam ter acesso à terra.

Quebrar um dos grandes dogmas do pensamento único é demonstrar como a propriedade privada é anti-social, freia a expansão econômica, se choca com a democracia e com a ética. O tema dos medicamentos genéricos trouxe à superfície uma questão essencial: a saúde das pessoas, a saúde pública, o direito à vida, a luta contra as doenças, por uma longa e boa qualidade de vida não pode depender da apropriação privada, por imensos monopólios internacionais, das fórmulas dos remédios fundamentais. Estes foram pegos no contrapé, aparecem como defensores dos seus lucros como empresas, em contraposição às necessidades da grande maioria da humanidade, que não têm recursos para pagar os preços que eles cobram, mas podem ter acesso aos genéricos.

Por isso essas mega-empresas tentam burlar de todas as maneiras as políticas de genéricos, que tem que ser defendida e estendida a uma quantidade crescente de remédios. Raciocínios similares podem ser feitos ao direito à propriedade da terra, do acesso às músicas, entre tantos outros.

Porem, a questão do direito à propriedade, da chamada propriedade intelectual é muito mais abrangente e tem uma dimensão política estratégica para a construção de mundo posneoliberal, de um mundo democrático. (Veja-se a esse respeito, “Propriedade intelectual – Para uma outra ordem jurídica possível”, de Carol Proner, Editora Cortes, a melhor introdução ao tema, assim como “Comunicação digital e a construção dos commons”, de vários autores, da Perseu Abramo, para um maior desenvolvimento da questão.).

A categoria "propriedade intelectual" abarca temas muito diversos, como direitos de autor, patentes de invenção, contatos de transferência de tecnologia, saberes tradicionais (como folclore), plantas medicinais, entre outros. A defesa do “direito de autor” – de músicas, que é o caso mais em debate – parece fazer justiça a quem produz algo – seja obra de arte, nova tecnologia, etc. Mas hoje esse tema remete menos para o criador, do que para as empresas que se apropriam dos produtos e os comercializam. É o problema da democratização do acesso a patrimônios públicos. Para o que se faz necessário redefinir o conceito mesmo de propriedade.

Os chamados commons pretendem essa redefinição, procurando afirmar-se como espaços livres das restrições impostas pelo mercado, entendidas estas como filtros pelo poder de compra, pelos monopólios de tecnologia, pela apropriação privada do que é público por natureza. Os fantasmas da direita apontavam sempre a propriedade individual como esfera de defesa contra a apropriação pelo Estado de bens privados.

A construção da democracia, ao contrário, requer a superação da absolutização do direito de propriedade e a construção do direito à propriedade comum, à propriedade pública, a única que compatibiliza os direitos individuais com os direitos coletivos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

"Adib Jatene x Skaf"


Recordemos texto do Boletim H S Liberal, de 19/11/2007, com informações de Mônica Bérgamo: “O ex-ministro da Saúde Adib Jatene ganhou mais notoriedade no debate sobre a CPMF, ao passar um pito no presidente da FIESP...” À frente da poderosa entidade... Skaf “está em campanha pelo fim da CPMF”. O médico Adib, ''pai'' da CPMF, falou alto e de dedo em riste: ''No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. (...) Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. (...) Os ricos têm que pagar para distribuir renda''.

Skaf tenta rebater: ''Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!''. E Jatene: ''Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais. Por que vocês não combatem a Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões''. Skaf desconversa: ''A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF''. E Jatene, certeiro: ''É que a CPMF não dá para sonegar!''. Estava coberto de razão em seu diálogo acalorado com Skaf. Ele pôs o dedo na ferida com precisão cirúrgica.

domingo, 22 de junho de 2008

Arnaldo Antunes

Fritando geral, e agora?


Depois de varias frituras do prefeito João Rodrigues, que passou pelo atual vice Elio Cella deixando-o relegado a segundo plano fazendo-o a mudar de seu partido para outro,e passando pelo secretário de esportes que também queria a vaga mas fritou ele do mesmo modo,passando pelo papagaio de pirata que é o Nemésio Carlos da silva. Agora foi a vez do PMDB que até ontem era seu aliado politico para projetos e obras, batendo palmas para João como se fosse Deus no céu e João na terra, mas ao perceber com quem estavam tratando, e que este não dava respaudo suficiente para colocar Buligão de vice, deram um basta nessa farsa e sairam do projeto de reeleição.

Até ai tudo bem?. Se fez oquê estava na cara. O João fez seu jogo de modo que desestruturou todos a seu redor para tentar alçar seu projeto egocêntrico e particular, passando assim a ser absoluto ao ponto do próprio partido o DEM dizer que João se reelegeria sem vice.

Agora resta saber que posicionamento o PMDB tomará frente a esse desdobramento que sem sombra de dúvidas passou por uma fritura nada salutar para o projeto do PMDB

30 milhões de carteiras assinadas


Nunca antes na história deste país...

- Houve 30.000.000 vagas de trabalho com carteira assinada como agora há.

- 202.984 postos de trabalho foram abertos em maio, com destaque no setor de serviços.

1 milhão de empregos em 2008 nos 5 primeiros meses.

Foram registrados 1,052 milhão de postos formais - expansão de 3,63% - também número recorde na série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Isso não deveria dar manchete em todos os jornais?

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Justiça seja feita.


















Gostaria de compartilhar com vcs os nomes dos deputados que realmente estão a favor dos que mais precisam de saúde no nosso brasil, e em toda nossa região. Aqui vai a lista dos deputados que votaram a favor do POVO:

CARLITO MERSS PT SIM

CELSO MALDANER PMDB SIM

DÉCIO LIMA PT SIM

JÃO MATTOS PMDB SIM

JÃO PIZZOLATTI PP SIM

NELSON GOETTEN PR SIM

VALDIR COLATTO PMDB SIM

CLAUDIO VIGNATTI PT SIM


E veja agora aqueles que se apresentam a favor dos pobres e se dizem defensores da saúde, mas nada mais são que lobos vestidos em pele de cordeiro, que logo estarão na porta de sua casa se dizendo os salvadores da pátria. Vamos dar o troco nas urnas pra esses deputados demagogos que representam os grandes industriários e burgueses de plantão que não querem pagar impostos. Ai vai o nome deles:


FERNANDO CORUJA PPS NÃO

GERVÁSIO SILVA PSDB NÃO

MAURO MARIANI PMDB NÃO

PAULO BORNHAUSEN DEM NÃO

ZONTA PP NÃO

ANGELA AMIN PP NÃO

segunda-feira, 16 de junho de 2008

MST o sentido político da luta dos movimentos sociais.

Por que estamos mobilizados (10/06/2008
Queremos produzir alimentos
Contra o agronegócio e em
defesa da agricultura camponesa O atual modelo econômico, baseado no agronegócio e no capital financeiro, quer transformar os alimentos, as sementes e todos os recursos naturais em mercadoria para atender os interesses, o lucro e a ganância das grandes empresas transnacionais.

Para isso, esses grupos econômicos se apropriam de terra, águas, minerais e biodiversidade, privatizando o que é de todos. Além disso, desmatam as florestas e deterioram os solos com a monocultura. Também aumentam a exploração dos trabalhadores, precarizam, retiram e desrespeitam os direitos trabalhistas, causam desemprego, pobreza e violência.

Dessa forma, o agronegócio promove a concentração da riqueza nas mãos dos mais ricos, especialmente banqueiros e empresas transnacionais, enquanto aumenta a desigualdade e a pobreza da população. É necessário e urgente combater essa lógica opressora e destrutiva, que apresentamos nos seguintes pontos:

I - Denunciamos

Denunciamos o atual modelo agrícola porque:

1. Favorece os interesses das empresas transnacionais, que compõem aliança com os latifundiários para controlar a nossa agricultura e obter grandes lucros na produção e comercialização dos alimentos e na venda das sementes e insumos agrícolas.

2. Prioriza o monocultivo em grandes extensões de terras, que afeta o meio ambiente, deteriora os solos e exigem o uso grandes quantidades venenos.

3. Estimula a monocultura de eucalipto e pínus, que destroem a biodiversidade, causam poluição ambiental, geram desemprego e promovem a desagregação social das comunidades camponesas, indígenas e quilombolas.

4. Incentiva a produção de etanol para exportação, promovendo a ampliação do plantio da monocultura da cana-de-açúcar e, conseqüentemente, causando a elevação dos preços dos alimentos e a concentração da propriedade da terra por empresas estrangeiras.

5. Difunde o uso das sementes transgênicas, que destroem a biodiversidade, eliminam as nossas sementes nativas, podem causar danos à saúde dos camponeses e consumidores de alimentos e transfere para as transnacionais o controle político e econômico das sementes.

6. Promove o desmatamento dos nossos biomas, de modo especial da floresta amazônica e do cerrado, e a destruição dos babaçuais, através da expansão da pecuária, soja, eucalipto e cana, juntamente como a exportação de madeiras e minérios.

II- Somos contra

As transnacionais, os latifundiários e um grupo de políticos, partidos e parlamentares que defendem interesses econômicos e querem aprovar projetos que vão piorar ainda mais esse quadro e, por isso:

1. Somos contra a lei de concessão das florestas públicas, que significa a privatização da biodiversidade, e o projeto de lei nº 6.424/05, que reduz a área da reserva legal da Amazônia de 80% para 50%, de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

2. Somos contra a Medida Provisória nº 422/08, que legaliza áreas de até 1500 hectares, invadidas por latifundiários na Amazônia, quando a Constituição determina apenas até 50 hectares.

3. Somos contra a Medida Provisória que desobriga o registro em carteira até três meses de trabalho. Condenamos a existência impunemente do trabalho escravo, da exploração do trabalho infantil e da falta de garantia aos direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores rurais.

4. Somos contra o Projeto de Emenda Constitucional nº 49/06, que propõe diminuir a extensão da faixa de fronteiras para beneficiar empresas transnacionais e grupos econômicos internacionais, de autoria do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) .

5. Somos contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, que visa apenas beneficiar o hidronegócio e a produção para exportação e não atende as necessidades das populações que vivem na região do semi-árido nordestino.

6. Somos contra a privatização das águas, que passam a se monopolizadas por empresas transnacionais como Nestlé, Coca-Cola e Suez.

7. Somos contra o atual modelo energético, baseado na construção de grandes hidrelétricas - principalmente na Amazônia -, que entrega o controle da energia às grandes corporações multinacionais e favorece as grandes empresas que mais consomem energia.

III - Defendemos

Estamos mobilizados e vamos lutar para mudar essa realidade. Por isso, queremos:

1. Construir um novo modelo agrícola, baseado na agricultura camponesa, na Reforma Agrária, na distribuição de renda e fixação das pessoas no meio rural.

2. Combater a concentração da propriedade da terra e de recursos naturais, fazendo uma ampla distribuição dos latifúndios, com a definição de um tamanho máximo para a propriedade da terra.

3. Garantir que a agricultura nacional seja controlada pelo povo brasileiro, assegurando a produção de alimentos, como uma questão de soberania popular e nacional, incentivando as agroindústrias cooperativadas e o cultivo de alimentos sadios.

4. Diversificar a produção agrícola, na forma de policulturas, respeitando o meio ambiente e usando técnicas de produção da agroecologia.

5. Preservar o meio ambiente, a biodiversidade e todas as fontes de água, com atenção especial ao Aqüífero Guarani, combatendo as causas do aquecimento global.

6. Desmatamento zero na Amazônia e nos demais biomas brasileiros, preservando a riquezas naturais e usando os recursos naturais de forma adequada e sustentável, em favor do povo. Defendemos o direito coletivo da exploração dos babaçuais.

7. Preservar, difundir, multiplicar e melhorar as sementes nativas, dos diferentes biomas, para garantir o seu acesso a todos os agricultores.

8. Lutar pela aprovação imediata da lei que determina expropriação de todas as propriedades com trabalho escravo e a instituição de pesadas multas aos latifundiários que não cumprem as leis trabalhistas e previdenciárias.

9. Exigir a implementação da política proposta pela Agência Nacional de Águas, que prevê obras e investimentos em cada município do semi-árido, necessárias para resolver o problema de água da população da região.

10. Impedir que a água se transforme em mercadoria e garantir seu gerenciamento como um bem público, acessível a toda a população.

11. Assegurar um novo modelo energético que garanta a soberania energética, que priorize o desenvolvimento de todos, utilizando o uso racional da energia hidráulica em pequenas usinas, com a produção de agrodiesel e álcool pelos pequenos agricultores e suas cooperativas.

12. O governo federal deve autorizar o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a retomar a regularização, com maior celeridade, de todas as áreas pertencentes aos quilombolas.

13. Promover a demarcação imediata de todas as áreas indígenas e expulsão de todos os fazendeiros invasores, em especial da Raposa Serra do Sol e das áreas dos guarani no Mato Grosso do Sul.

O governo Lula precisa honrar os compromissos assumidos para a realização da Reforma Agrária, cumprindo seu programa político, assinado em julho de 2002, assentando imediatamente todas as famílias acampadas e construindo no mínimo 100 mil casas por ano no campo para evitar o êxodo rural. A nossa luta é pela construção de uma sociedade justa, com igualdade e democracia, onde a riqueza é repartida com todos e todas.

Via Campesina

Vencendo pela fome.


A grande imprensa vem perdendo clientes e credibilidade. Isso é importante. No entanto, a grande imprensa ainda vence em um quesito fundamental, a formação da pauta de notícias e de debates. Isso ficou claro nos casos da invenção de crises aéreas e na transformação de um espetáculo em "movimento apolítico", o oximoro.

Para ver como a grande imprensa ainda está vencendo nesse quesito fundamental é só ler os blogs políticos em geral, não importando a tendência dos mesmos.

Para derrotar a grande imprensa é de primeira importância esvaziar as pautas por ela propostas, e isso só pode ser feito:

(1) deixando de usar a grande imprensa como fonte de informação (o que é racional, pois ela não é confiável),
(2) adotando fontes de informação confiáveis (listarei algumas abaixo) e, principalmente,
(3) produzindo a diferença, criando pautas sobre temas realmente importantes.
Sem isso a esfera pública permanecerá viciada pelas idéias oligárquicas da grande imprensa.

(1) Então vamos lá. É preciso deixar de consumir produtos da grande imprensa. Isso quer dizer não comprar a mídia (papel, sinal eletrônico etc.), e principalmente não consumir a idéia por ela apresentada. É mais importante evitar as idéias (teses, pautas, "notícias") da grande mídia do que os veículos das idéias, os quais servem para embrulhar (no caso do papel dos jornais) ou para alterar as células do nosso corpo (no caso do sinal eletrônico).

Ou seja: não leia, não ouça, não veja e principalmente não retransmita as idéias (os memes) da grande imprensa oligárquica. Assim os derrotamos pela fome, pois idéias (memes) parasitam mentes; sem mentes disponíveis, elas desaparecem.

(2) Reproduzo abaixo algumas ótimas fontes de informação confiável que são consumíveis sem risco para a ecologia mental do cidadão.

Sobre o Brasil:

- agência Carta Maior
- revista CartaCapital
- Portal do Mundo do Trabalho
- jornal Brasil de Fato
- sítio Vi O Mundo

Sobre o RS:

- blog RS Urgente
- EcoAgência

Também há formadores de opinião respeitáveis. Eis alguns:

- Mino Carta
- Alon
- Luis Nassif
- Paulo Henrique Amorim

Além disso há toda a blogosfera usualmente enlaçada por aqui e disponível para visitação aí na lateral esquerda.

(3) Por fim, é preciso produzir a diferença, criar a própria pauta, e propô-la aos outros, seja para a adoção, seja para a crítica, seja para a apropriação crítica e interpretada da mesma. Isso é o mais difícil, nem sempre dá certo, exige maturidade ante as frustrações, mas há meios de se alcançar:

só confie em fontes que deixam claro que idéias e interesses defendem, e veja se a fonte realmente defende as idéias e interesses que declara defender;

não forme uma opinião sobre um tema antes de ouvir atentamente ao menos uma fonte confiável;
desconfie de todas as informações fornecidas por uma fonte enganadora;
coloque cada notícia no seu quadro mais geral (para isso você precisará ler textos que explicam o quadro mais geral, como os de Noam Chomsky);
lembre sempre que a justiça social (mesmo segundo teorias liberais como a de John Rawls) está em distribuir mais frutos dos impostos aos cidadãos menos favorecidos, e em onerar com mais impostos os cidadãos mais favorecidos.

sábado, 14 de junho de 2008

PT na camâra de vereadores


MARCELINO CHIARELLO PEDE MELHORIAS NOS ACESSOS AOS ESPAÇOS TURÍSTICOS

A Câmara aprovou indicação de autoria do vereador Marcelino Chiarello, solicitando que a Prefeitura realize serviços de cascalhamento, tubulação e patrolamento na estrada de acesso a comunidade de São José do Capinzal, rota do Rio Uruguai e Trilha do Pitoco. Chiarello, explicou ao prefeito que é preciso valorizar e dar condições ao desenvolvimento do agroturismo, mas para isso, se faz necessário urgentemente melhorias no acesso citado, beneficiando a comunidade local e aos visitantes destes espaços turísticos.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Não sejamos indiferentes.


Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.
A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.
A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.
Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.
Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.


Texto retirado do livro Convite à Leitura de Gramsci"
Tradução: Pedro Celso Uchôa Cavalcanti.

Quase eu???


Era uma noite chuvosa, minhas roupas estavam encharcadas e a garrafa de whisky já pela metade, meu mundo girava e nada podia me acalmar, eu estava sozinho.

O que eu havia fumado antes me deu fome, por sorte encontrei um bar aberto, nunca me imaginei em um ambiente como aquele, paguei caro por um pastel que deve ter sido fritado há semanas atrás, eram as últimas moedas do salário que recebi ontem.

A primeira mordida daquele pastel putrefato pareceu-me o néctar dos deuses, por um momento lembrei do sabor dos lábios dela e tudo volta a minha mente, perdido em um devaneio sento no meio-fio, levava uma segunda mordida do pastel à boca quando vejo aquele cachorro preto na minha frente, ele olhava para o pastel com olhos famintos e suas costelas pareciam estar rasgando o seu couro.

Dei um pedaço do pastel a ele, comeu rápido, engoliu sem mastigar, então o mandei ir embora, ele me encarou triste e se aproximou cabisbaixo.

Dei mais um pedaço do pastel a ele e comecei a contar a minha história, era um ótimo ouvinte, e o melhor é que ele não tentava me dar conselhos, apenas me fazia companhia.

Acabei dando todo o resto do pastel ao cachorro, mas ele continuou ao meu lado, ficamos ali sentados, cada um com os seus problemas, por mais estúpido que possa parecer, se não fosse aquele cachorro provavelmente eu teria me matado aquela noite.

Por fim tomei coragem e joguei fora o resto do whisky, me levantei devagar, olhei para o relógio, se eu corresse ainda conseguiria tomar banho e chegar a tempo no serviço, minha vida precisava continuar.

Como se entendesse que eu estava indo embora o cachorro preto também se levantou, ele foi caminhando devagar até o meio da rua, quando ele percebeu o carro já era tarde demais, vi o cachorro ser atropelado na minha frente, a roda do carro passou sobre sua cabeça, não sobrou muito dela.

Se eu soubesse que o cachorro morreria tão cedo, não teria dado tanto pastel a ele.


“Não demorou muito para eu descobrir,
O que as pessoas querem dizer com minha destruição.
Gastou meu dinheiro, levou meu carro, começou a
Falar para os seus amigos que ela seria uma estrela.
Eu não sei mas me contaram,
Uma mulher de pernas grandes não tem alma.

Tudo que peço quando eu rezo é que
Uma mulher equilibrada entre em meu caminho.
Preciso de uma mulher para segurar minha mão,
Não me conte mentiras, me faça um homem feliz.”

quinta-feira, 12 de junho de 2008


“É engraçado, não vimos os produtos reduzirem de preço com o fim da CMPF. Parece que apenas aumentou o ganho daqueles que pagavam CPMF", disse o Presidente na abertura do 20º Fórum Nacional, na sede do BNDES.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Motivo desconhecido

Por algum motivo que ainda não descobri, os videos do blog não estão funcionando como deveriam. Por isso mil desculpas aos leitores do blog.

sábado, 7 de junho de 2008

Relator da CPI isenta ministros de Lula e cobra explicações de ex ministros de FHC


No relatório final apresentado à CPI dos Cartões Corporativos nesta terça-feira, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) isenta todos os ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusados de irregularidades no uso dos cartões de suprimentos. Por outro lado, Sérgio cobra explicações sobre despesas irregulares à CGU (Controladoria Geral da União) ou ressarcimento do montante utilizado aos cofres públicos para ex-ministros da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Sérgio afirma, no texto, que o ministro Orlando Silva (Esportes) e a ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) usaram "por engano" o cartão corporativo para o pagamento de uma tapioca e compras em um free-shop, respectivamente.

"A ex-ministra adquiriu produtos em um free-shop com o cartão de pagamento. Essa compra, no valor de R$ 461,16, segundo revelou a senhora Matilde, foi feita por engano. Ela acreditava usar o seu cartão de crédito pessoal", afirma o relator.

Em relação à tapioca de R$ 8,30 adquirida pelo ministro dos Esportes com o cartão, Sérgio argumenta que ele já havia devolvido os recursos ao governo federal em outubro de 2007, "muito antes da divulgação do fato pela imprensa".

Segundo relator, o ministro usou irregularmente o total de R$ 8.378,37 com o cartão corporativo para o pagamento de refeições e hospedagens. Como Silva devolveu aos cofres públicos cerca de R$ 34 mil, o relator sugere que o ministro seja ressarcido em R$ 26 mil.

Já em relação ao uso irregular do cartão pelo ministro Altemir Gregolin (Pesca), Sérgio afirma que ele foi vítima de um "equívoco" divulgado pela imprensa ao pagar um almoço em uma churrascaria de Brasília com o cartão corporativo.

"O caso do ministro Gregolin é singular: apenas um equívoco devido ao pagamento de um almoço a uma delegação chinesa provocou a sua vinda à CPI. Foram quase R$ 500, já devolvidos aos cofres da União", afirma Sérgio no relatório.

O relator cumpriu a determinação de não sugerir indiciamentos de nenhuma autoridade ou ministro suspeito de mau uso dos cartões corporativos.

Sérgio apenas sugere, em relação a ex-ministros da gestão Fernando Henrique Cardoso, que justifiquem suas despesas irregulares junto à CGU (Controladoria Geral da União) sob pena de devolverem os recursos aos cofres públicos --como Raul Jungmann (Reforma Agrária), Martus Tavares (Planejamento) e Pimenta da Veiga (Comunicações).

Em relação ao ex-ministro Paulo Renato Souza (Educação), Sérgio sugere que os "órgãos competentes" façam a análise das contas do agora deputado tucano porque foram diagnosticadas uma série de irregularidades como o pagamento de despesas com transporte e diárias com cartão corporativo.

"A análise dos documentos em posse desta CPI indica que há diversos processos de prestação de contas aprovadas desprovidas de qualquer nota fiscal ou documento que justifique o gasto", afirma o texto de Sérgio em relação aos gastos de Paulo Renato.

No relatório final, Sérgio afirma que o ex-ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) usou o cartão corporativo em março de 2001 para comprar um "tucano de pedras de quartzo azul e quartzo verde", no valor de R$ 48,90.

O ex-ministro Raul Jungmann (Reforma Agrária), por sua vez, usou o cartão segundo o relator para o pagamento de uma massagem no valor de R$ 60,00, além do pagamento de "reparos" em oficinas mecânicas e despesas com alimentação em Brasília --o que é proibido pela administração federal.

A oposião e o sequestro do futuro


O momento é por demais expressivo para, a partir dele, não fazermos pequenas reflexões. Retroagirmos a tempos recentes e deles extrairmos lições que precisam ficar vivas na memória é um exercício obrigatório. O que assusta a direita sem programa é um futuro que se anuncia por demais promissor para que seja efetivado. O triste é saber que quem a acompanha nessa marcha se julga vanguarda quando, na verdade, faz papel de coro para a tragédia do atraso.


O que estamos presenciando no Brasil sinaliza uma dinâmica que esboça o desenho do país nos próximos anos. Os ineditismos apontam para mudanças que sedimentam novas bases para o capitalismo brasileiro. Apurar a visão para compreender que só lograremos a hegemonia se não a concebermos como sistema formal fechado, totalmente articulado e homogêneo é um belo primeiro passo. Distribuições específicas de poder, hierarquia e influência não ocorrem em um cenário vazio de contradições e processos difusos. Perscrutar mudanças moleculares é fundamental para não perdermos o foco do que desespera o conservadorismo brasileiro.


Como ignorar que a alta no preço dos alimentos no Brasil foi inferior à registrada em outros países do mundo por contas de políticas públicas de apoio à agricultura familiar? Em matéria publicada no Globo (1/6), dois agricultores são precisos: "A situação hoje é mais confortável do que há seis, sete anos. Naquele tempo, pobre não entrava em banco. Quando entrava, a liberação demorava tanto que quando saía já havíamos colhido. Agora o dinheiro sai na época certa". Do que falam os homens do campo? Que a inflação está sendo combatida com garantia de abastecimento para o mercado interno. Isso é irrelevante? Para quem? E o que dizer de uma economia estabilizada, com inflação baixa e contas externas minimamente ajustadas? Em abril, 4,18 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo tinham carteira assinada no setor privado. Isso equivale a 46,5% do total de ocupados, a maior taxa de empregos formais desde abril de 1992, quando registrou 48%. Diante de tais dados, atribuir a popularidade do presidente e os índices de sua aprovação ao seu governo exclusivamente a uma liderança carismática não revela uma indigência analítica que mescla reducionismo e má-fé?


Não bastam os erros cometidos por "ciosos analistas" no início do primeiro mandato? A manutenção de alguns preceitos econômicos do bloco político anterior não poderia, jamais, ter embaçado a visão dos analistas mais atentos. O anúncio do aumento da meta de superávit primário em 2004 de 4,25 para 4,5% do PIB brasileiro refletia a preocupação do governo Lula com ajuste fiscal e controle da inflação. E o tempo que dita a sentença relativamente a tudo, conforme o filósofo pré-socrático, mostrou a justeza do caminho escolhido. Não há nenhum compêndio que definisse tal orientação como sendo uma inclinação à direita. De fato, não há registro na história do que venha a ser uma política macroeconômica de esquerda. Repetimos o que já afirmamos em outras ocasiões: em nenhum país ocidental, um governo de extração democrático-popular logrou reformular radicalmente mecanismos regulatórios dentro dos marcos capitalistas. A ruptura clamada pelos principistas de plantão, se não for acompanhada de ampla sustentação interna e cenário exterior favorável, não leva a outro caminho que não seja o da crise institucional. Tão ansiada pela direita desde o veredicto das urnas em 2002.


Sancionados pela ''boa consciência'' e amparados por uma verdade de vulgatas marxistas, certos "críticos supostamente à esquerda" acabam por se deixar instrumentalizar pela direita que, através do comportamento inconseqüente de seus supostos opositores, consegue consagrar a ordem do capital financista como a única realmente factível. Eis o que o esquerdismo tem conseguido ao longo da história: legitimar o que pretende combater. O purismo não leva Marília ao encontro de Dirceu. Acaba por jogar Heloísa nos braços de Virgilio. Ou se preferirem, de Agripino Maia. Prudência na política cambial, avançar na reforma agrária, na administração do superávit primário e, quando for necessário e, acima de tudo possível, renegociar com organismos multilaterais a partir de uma posição de bloco regional, são imperativos históricos. E já passou da hora de reconhecer que esses passos têm sido dados com firmeza.

No entanto, urgia reconstruir a nau para a travessia desejada. São áridos os caminhos que nos levarão a conseguir defender as demandas nacionais com estratégias econômicas distintas. Tal como destacou o professor José Luiz Fiori, ''os países mais fracos só conseguirão defender os interesses do seu capitalismo, bem como os de sua população, se forem capazes de construir suas próprias estratégias comerciais, junto com políticas macroeconômicas adequadas ao seu nível de desenvolvimento e aos seus objetivos nacionais''. Para tanto, não se pediam etapismos, mas compreensão do tempo histórico. Por que o radicalismo pequeno-burguês da classe média brasileira, tão indulgente nos quatorze anos de desmonte do setor produtivo, se mostra tão irascível com um governo que mal completara três anos? Senso de urgência histórica ou arrivismo de ocasião? Deixemos claro que são alternativas que não se excluem.


Se alguém ainda insistia na tese de continuísmo entre o governo anterior e o atual, deveria perscrutar gestos que sinalizavam inequívoca inflexão. Amplamente noticiadas, pouco analisadas na sua real significação, as relações entre o Planalto e atores dos principais movimentos e entidades que lutam pela inscrição como sujeitos de direito, setores secularmente excluídos, eram sinais de uma revolução molecular que se iniciava. A forma como o governo tem interpretado greves e manifestações de várias categorias profissionais é inédita na história do país. Um movimento reivindicatório do mundo do trabalho já não era percebido como ameaça à institucionalidade. Não era subjugado em nome do conceito etéreo de governabilidade. Não era sufocado por razões de Estado ou ditames mercantis. E nada havia se alterado para quem não se dispõe a enfrentar a realidade de frente.


O que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou foge ao figurino traçado, até então, pelas elites encasteladas no aparelho de Estado. Ao invés de enxergar na paralisação dos bancários, em 2004, uma disfuncionalidade a ser corrigida, nela viu a afirmação da democracia entendida como espaço político de solução de conflitos. ''Os trabalhadores fizeram sacrifício quando tinham que fazer. E na medida em que o banco anuncia ganhos muito bons é natural que queiram recuperar suas perdas''. A essa declaração, Lula, na época, acrescentou: ''Acho o exercício da democracia fantástico''. Essa já era uma prova que o atual governo fazia, como dele se esperava, uma leitura política da economia. Ponto para um dirigente que sempre entendeu que a guerra é de posição. O que tinham a dizer os seus detratores? Nada. O pessimismo na inteligência se somado ao otimismo na ação leva Marília a Dirceu. A grita pueril de senhores que gostam de impressionar platéias estudantis termina com Heloísas no colo de Virgílio ou Agripino. O último tipo de casal não costuma gerar filhos pródigos.

Na mesma edição de O Globo, matéria de página inteira se dedica a destacar que "a cara da economia brasileira poderá mudar na próxima década, diante da possibilidade de o país dispor de reservas gigantes de petróleo". O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nélson Barbosa, afirma que "é como se a União ficasse mais rica. Ela passa a ter mais ativos. Isso aumenta as receitas de petróleo e também o primário, o que contribui para o bem e o mal". Por isso, quando lemos que "Índio da Costa pedirá indiciamento de Dilma e Aparecido" ou que o "DEM fecha questão contra CSS" não estamos, apenas, diante de chamadas que expõem a agenda eleitoreira da grande imprensa para as próximas eleições presidenciais. Mais que isso. O que está sendo orquestrado é o butim de uma herança bendita. Um seqüestro do futuro que as forças progressistas devem impedir a todo custo. Escrito por Gilson Caroni Filho - Fonte: PT

terça-feira, 3 de junho de 2008

O bixo ta pegando?


A família desonesta unida, permanece desonesta
Poucos dias depois do ex-governador Anthony Garotinho ter sua casa vistoriada pela Polícia Federal, já que foi denunciado na Operação Segurança Pública por lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção, chegou a vez de sua mulher, a também ex-governadora Rosinha Matheus, ser acusada de patifarias pela Procuradoria Regional da República, mais especificamente por de ter recebido entre os anos 2001 e 2002, juntamente com seu ex-chefe de Policia Civil, atual deputado (PMDB) Álvaro Lins, doações ilegais de quadrilhas de máquinas caça-níqueis e do jogo do bicho. Rosinha aparece como uma das maiores beneficiárias das contribuições não declaradas à Justiça, tendo recebido R$ 1,6 milhão na casa do "principal contador da máfia dos caça-níqueis e do jogo do bicho", segundo o Ministério Público Federal.

O interessante nisso tudo é que o casal se diz muito religioso, mas não dizem em que livro consta a reza que fizeram.

Aumento do número de vereadores


A Câmara dos Deputados aprovou por 419 votos a 8, e 3 abstenções a PEC 333/04 que dispõe sobre a composição, o número de vereadores para cada município, bem como, os recursos para manutenção dos mesmos. Pelo texto aprovado será aumentado de 51.748 para 59.791 o número de vereadores pelo país afora.
A PEC 333/04 corrige uma grave distorção promovida pelo TSE em 2004, o qual cortou mais de 8 mil vereadores naquele ano, no entanto não mexeu em nada nos valores repassados para as câmaras de vereadores, ou seja, apenas reduziu os vereadores sem reduzir os valores, os recursos. Na época o TSE argumentava pela redução dos vereadores para reduzir gastos, o que efetivamente não aconteceu, haja vista, que um menor número de vereadores passou a gastar mais, pois as verbas não diminuíram.


A República Federativa do Brasil constituí-se em Estado Democrático de Direito e fundamenta-se no fato de que todo o poder emana do povo e por este é exercido. O próprio povo, dono do poder, deve exercê-lo diretamente ou por seus representantes eleitos a cada quatro anos para os poderes Executivo e Legislativo. Se o poder emana do povo, devemos proporcionar ao povo maior espaço de exercício deste poder. E a maior representação do exercício deste poder são os legislativos, em especial as câmaras de vereadores, que tem por missão primordial criar leis e fiscalizar o Executivo em seus atos.
Com a aprovação da PEC 333/04, acredito que se restabelece, no caso de Chapecó e de muitos municípios brasileiros, a representação popular. A cidade de Chapecó que conta com 164.992 habitantes poderá ter até 21 vereadores. A medida amplia a representação popular e fortalece o legislativo, ampliando a pluralidade política, onde as comunidades terão maior expressão. É claro, caberá à população escolher melhor os seus representante e estes, depois de eleitos, exercerem na plenitude as suas atribuições, cumprindo o seu papel de legislador e fiscalizador, contribuindo com o debate das políticas das cidades, propondo e buscando soluções.
A PEC 333/04, no tocante às questões de moralidade e dos gastos públicos, acerta em cheio quando aumenta a representação mas diminui os repasses para as câmaras.em> Teremos mais vereadores e menos dinheiro para gastar. Aliás, para representar o povo e cumprir as funções de vereador, não é preciso fortunas e sim muita vontade, disposição e comprometimento político. Para a Câmara de Vereadores de Chapecó, será diminuído o repasse dos atuais 7% da receita anual para 2,75%. Neste caso, deverá ser revisto os subsídios dos vereadores e o custeio da casa, o que entendo ser viável e necessário para dar maior espaço de representação ao povo chapecoense.
A PEC 33/04 será votado ainda em segundo turno na Câmara dos Deputados, o que deverá ocorrer ainda hoje, (28.05) e depois seguirá para o Senado, onde será votado em dois turnos e se aprovado antes de 30 de junho, esta composição somente tem validade para as eleições de outubro. Portanto, havendo bom senso do Senado, a Cidade de Chapecó poderá contar com 21 vereadores para 2009. Aumenta-se a voz do povo e fortalecesse a democracia, ao tempo, que reduz os gastos. Por fim, ganha a democracia e o erário público

Porém gostaria de ressaltar que deve ser aumentado o número de vereadores e não os repasses para custeio dos mesmos, ai se comprovaria que os vereadores tem interesses para melhorar a vida dos habitantes do munícipio. Agora é esperar pra ver se realmente isto se confirma?.

domingo, 1 de junho de 2008

Zizi Possi vale a pena recordar????

HOSPITAL MATERNO INFANTIL JÁ.


Chapecó, no dia primeiro de junho de 2008. Muito digníssimo Prefeitú Jão Rudriduês. Pedi ao meu amigo Pau de Vento que escrevesse prá dizer melhor o que direi. Senhor Prefeitú nós elegeu o senhor e hoje se acordemos com a mutuca nas pernas. Tudo pru causa deste povo que foi na cunvérsa que o senhor disse que chapecó nunca mais seria a mesma. E fiquemo muito do triste com que o seu secretáriú disse pra nóis que saúde não era priorodade em seu guvernú. Isso num é coisa que se faça. O senhor mandar o secretáriú falar isso enquantú o senhor e o governador querem nos empurrar guela a baixo o centro eventus e reforma do estadio que nem time tem pra nois torce agora. Enquanto nós estamos com a saúde em lasca. O senhor disse, todo mundo ouviu, que achou que os ricos não eram beneficiados na outra admnistração, e o senhor ajudou muito eles porque agora todos eles querem se coligar com o Sr. . Eu achei que num foram só eles não as empreiteiras também foram ajudadas. O senhor foi ingrato com nós. Precisamos sair desta escravidão das oligarquia , da falta de hospital, da escola sem ter vaga. Sair da ganância dos ricos que nem imposto paga. Só querem ganhar e vão ganhar mais pois inté o senhor, que é do nosso meio, fez eles ganharam mais com seu governo. O senhor foi ingrato e sincero. Foi o que fez nestes anos. Só que os malvados, de rabo cheio do bom e do melhor, ganhavam tudo e não deixavam nada prá nós a precisão era destino. Mas hoje quando vem aquelas mulher cheirosa, com ar de caridade prá cima da nossa miséria, nós tem meio prá mandar elas pru lugar delas. Nós num vai deixar que o senhor continue fazendo o que fez até agora. Agora é a nossa vez. A dos ricos já passou. Senhor prefeitú quero dizer que sua confissão despertou o arrependimento do pecador e em nós o fim da penitência. O senhor já nos avisou que eles tão se aproveitando muito mais que nós e nós somos os necessitados. Agora nós já tá avisado pelo senhor. Nós vai pegar a vontade com os olhos aboticados sem ao menos nos dar ouvido....( olha o orçamente participativo)pode voltar?? Pra acabar quero dizer que minha raiva com estes ricos aumentou. Com o senhor também, mas sabemos que rico sempre querem ficar com o mel só para eles. Agora com sinceridade, seja do nosso lado. Faça do poder a picada pru onde nós vai passar. Com muito respeito, raiva e esperança. Mas pelo amur di Deus não minta mais pra nóis povú sofrido. ANTES QUE ME ESQUEÇA INAUGURA O HOSPITAL QUE ESSE SIM VAI TRAZER ALENTO AO MAIS HUMILDE.

ROQUE

Cada um com sua responsabilidade social.


Todos sabemos: se cada um abraça a sua responsabilidade social, entendendo esta como a responsabilidade que você acha ter perante a sociedade, teríamos um modelo tendente ao ideal, na solução dos problemas coletivos apresentados modernamente. Lá vem o exemplo (este não cobro nada!): Formandos das Universidades Federais com uma grade curricular que incluísse, no último ano de seus cursos, uma disciplina que envolvesse a prestação gratuita de serviços à população carente de sua localidade, por um período de um ou dois semestres. Poderíamos criá-la com o nome de “responsabilidade social prática” ou “Para você não esquecer de quem pagou seus estudos nesta Instituição!” Ora, fácil é notar a quantidade de material humano de alta qualidade que, empolgados com seus estudos e com seu ímpeto jovem, apenas fariam “muito bem” a toda uma população carente de serviços essenciais, tais como médicos e enfermeiros, dentistas e advogados, engenheiros e sociólogos, antropólogos e biólogos, músicos, filósofos e artistas, químicos e matemáticos, físicos e historiadores, etc e etc, nos mais diversos campos como ensino, atendimento ao público, pesquisa e extensão, como exemplos. O Estado entraria com os recursos garantidores dos espaços físicos adequados à consecução desses serviços, bem como todo o material e equipamentos necessários para o seu bom funcionamento (como já faz, mas 1.100 vezes melhor). Assim, de um lado os estudantes universitários pagariam com seu trabalho para aquela população que financiou seus estudos. De outro, teríamos a solução de problemas considerados crônicos em nosso país esquecido e agora vendido como neocolônia monocultora de cana-de-açúcar para o mundo inteiro. Quem sabe assim pararíamos de morrer na fila do SUS por falta de atendimento; ou receberíamos muito mais rapidamente aqueles nossos direitos trabalhistas perante justiças hoje moribundas; ou nossas crianças e jovens estariam verdadeiramente alfabetizadas; ou quem sabe, pelo menos, sorriríamos com todos os dentes na boca?

Ed Motta a seu gosto

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