domingo, 29 de junho de 2014

O Problema dos Especialistas



[Para ativar a legenda clique em CC]

► Sinopse em Português: Eles nos dizem o que comer, como votar, criar os nossos filhos, arranjar as nossas casas, comprar os nossos vinhos, interpretar os acontecimentos políticos e, até recentemente, escolher as ações certas.
Eles estão em todos os média dizendo-nos o que pensar, porque há informação a mais para que nós possamos decidir por nós mesmos. Então, muitas vezes, entregamos as nossas próprias opiniões a eles porque, bem ... eles são especialistas, têm obrigação de saber melhor do que nós. Ou não é?

Na recente crise bolsista, descobrimos que alguns dos nossos mais importantes especialistas - os nossos gurus financeiros - não sabiam muita coisa.
Então e os outros especialistas existentes? Ser especialista significa tomar melhores decisões do que as pessoas normais? Ou são apenas parte de um novo culto de especialização, uma industria em crescimento que se tornou recente na nossa nova religião?

A PARTIR DE AGORA - As jornadas de junho no Brasil - Filme Completo



Realizado a partir de entrevistas com ativistas de cinco capitais brasileiras, o material não é apenas uma ferramenta para o debate e a compreensão das Jornadas de Junho, mas também um instrumento de organização da luta política, característica marcante da militância audiovisual de Carlos Pronzato, que também dirigiu, entre outros, "O Panelaço - a rebelião argentina" (2002) e "Carlos Marighella - Quem samba fica, quem não samba vai embora" (2011).

Direção, roteiro e concepção: Carlos Pronzato
Direção de produção: Cristiane Paolinelli
Edição: Ricardo Gomes (Coletivo Das Lutas RJ)
Edição teasers e pesquisas de imagens adicionais: Richardson Pontone
Trilha: Apanhador Só - "Feliz 2014" e El Efecto - "Pedras e sonho"
Realização: Lamestiza Audiovisual

Brasil, fevereiro de 2014.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Educação Proibida | Legendado HD Brasil | Completo

 Este documentário produzido no ano de 2012, questiona a escolarização moderna e propõem um novo modelo educativo.
O atual sistema "PRUSSIANO" originado do padrão militar de educação da Prússia, no século 18, tem como objetivo gerar uma massa de pessoas obedientes e competitivas, com disposição para guerrear.
As escolas são colocadas no mesmo patamar das fábricas e dos presídios, com seus portões, grades e muros; com horários estipulados de entrada e de saída, fardamento obrigatório, intervalos e sirenes indicando o início e o fim das aulas.
Ou seja, o sistema educacional vigente acaba refletindo verdadeiras estruturas políticas ditatoriais que produzem cidadãos "adestrados" para servir ao sistema; nesses termos, qualquer metodologia educacional que busque algo diferente será "proibida".
Infelizmente, esse foi o modelo que se espalhou pela Europa e depois pelas Américas. Sua principal falha está em um projeto que não leva em consideração a natureza da aprendizagem, a liberdade de escolha ou a importância do amor e relações humanas no desenvolvimento individual e coletivo.
E aqui estamos agora, com este problema enorme nas mãos...
Assim, fracassados somos todos os que compactuamos direta ou indiretamente com esta verdadeira máquina de subjugar crianças e adolescentes inocentes.
Este documentário é o resultado de mais de 90 entrevistas realizadas em 8 países através de 45 experiências educativas não convencionais e um total de 704 co-produtores.
Um projeto completamente independente de uma magnitude sem precedentes, o que explica a necessidade latente para o crescimento e o surgimento de novas formas de educação.
Colabore você também, divulgando e compartilhando o vídeo em redes sociais, promovendo um debate no seu meio social.

"Todo mundo fala de paz, mas ninguém educa para a paz. As pessoas educam apenas para a competição e a competição leva à guerra."
( Pablo Lipnizky )

"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos, prestativos e responsáveis possa mudar o mundo. Na verdade, é assim que tem acontecido sempre."
( Margaret Mead )

"A liberdade real virá quando nós nos libertarmos da dominação da educação ocidental, da cultura ocidental, e do modo de vida ocidental."
( Mahatma Gandhi )

Algumas das propostas e princípios pedagógicos que sustentam "A Educação Proibida":
Método Montessori; pedagogia Waldorf (Rudolf Steiner); pedagogia Crítica; pedagogia Liberadora (Paulo Freire); método Pestalozzi; método Freinet; A Escola Livre; A Escola Ativa; pedagogia Sistêmica; educação Personalizada; pedagogia Logosófica.

CRÉDITOS
A Educação Proibida -- La Educación Prohibida
DIREÇÃO
Germán Doin
PRODUÇÃO
Verónica Guzzo
MÚSICAS
Introdução - Kokenovem - Fons Vitae - Jamendo
In the Dewdrop - de Expedizion - Guillrmo Agnese
Zoreya (Hang y Sarangi)- Mauro Ortega Zenteno
Juntos - Andrés Garcia
Huested - Matías Córdoba
Solfeggio - Matías Córdoba
Aula Vida - Matías Córdoba
New Andromeda Theory - Wasaru
Brahma - El Perez
LEGENDA
Daniel Slon - Lucia Moretzsohn
REVISÃO e SINCRONIZAÇÃO da LEGENDA
Photo Amaral
EDIÇÃO FINAL
Photo Amaral

LINKS =
Aqui você vai encontrar a lista de créditos de todas as pessoas que trabalharam na equipe de "Educação Proibida."
Link dos créditos = http://www.educacionprohibida.com/pel...
Site oficial = http://www.educacionprohibida.com/:
Link em português = http://translate.google.com.br/transl...
Reevo = http://blog.reevo.org/
Reevo português = http://translate.google.com.br/transl...




segunda-feira, 26 de maio de 2014

Economias periféricas em teto de zinco quente.

Economias periféricas em teto de zinco quente.
As economias dominantes já resolveram a maior parte dos seus problemas do último período de crise; as dominadas os acumulam cada vez mais. JOSÉ MARTINS.
O ministro brasileiro da Economia, Guido Mantega, é um economista que entende de economia. Isso é uma raridade. Bem diferente dos seus antecessores no comando da economia do país; e muito mais que os eunucos do FMI, Banco Mundial, etc. Talvez por isso a mídia imperialista não canse de pedir sua cabeça. Um homem que pensa é um homem perigoso. O problema é que ele comanda uma economia dominada na ordem imperialista mundial. Um piloto de fórmula 1 competindo com um fusquinha.
Mas vamos aos fatos. Mantega declarou recentemente que o crescimento econômico deve ser retomado, porém de forma lenta. E que a crise internacional que afetou vários países desde 2008 “está arrefecendo”, e os efeitos da melhora desse cenário que “sinaliza o início de um novo ciclo de expansão da economia mundial, principalmente para os países emergentes”, deve ocorrer a passos lentos. “Isso é um processo lento porque os países, principalmente os avançados - onde foi o epicentro da crise -, têm vários problemas para resolver. É por isso que nossas projeções para os próximos anos ainda são moderadas”, disse ele. [1]
O competente ministro faz um discurso politicamente bem articulado, mas distante da dura realidade econômica mundial dos próximos seis meses. É importante esse horizonte de curto prazo, pois dele depende as pretensões do seu governo na disputa eleitoral no mês de Outubro e, portanto, sua própria permanência no seu cargo de ministro que ocupa há mais de seis anos. Porém, mais importante que as escaramuças eleitorais das diferentes fações das classes dominantes, das quais ele é um servo fiel, são as convulsões sociais que já começam a explodir no país, como que anunciando as dores do parto de uma depressão econômica marcada para dentro de 18 a 24 meses.
Vejamos, então, importantes indicadores para uma avaliação séria dessa atual conjuntura econômica mundial e brasileira. Os indicadores antecedentes calculados mensalmente pela Organização para o Comércio e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, são importantes para antecipar a evolução da atividade econômica das principais economias mundiais. Seu conhecido relatório mensal Composite Leading Indicators foi divulgado nesta terça-feira 13 de Maio.[2] Seus números indicam aceleração contínua do crescimento para todas as economias dominantes, como EUA, Alemanha, Japão, etc. Para as maiores economias dominadas – China, Brasil, Índia e Rússia – indica enfraquecimento do crescimento econômico. As curvas abaixo ilustram essa tendência totalmente desigual para dominantes e dominadas
                                                  Economias OCDE (dominantes).                          Economia chinesa.
                                                                 Economia brasileira.
           
Revela-se nas radiografias acima que as economias dominantes devem acelerar acima da tendência nos próximos seis meses. As dominadas devem desacelerar abaixo. Portanto, o primeiro pecado do ministro brasileiro da Economia é não separar as diferentes perspectivas das economias dominantes e das economias dominadas. Mas, como confirmam os números da OCDE, a realidade do desenvolvimento desigual e combinado do mercado mundial se desdobra em dois blocos rigidamente organizados – o bloco das economias dominantes crescendo como uma disciplinada franco-maçonaria; o bloco das dominadas caindo como um empesteado exército de Branca Leone.
Detalhando um pouco mais a evolução para os próximos seis meses: no bloco das economias dominantes, o relatório indica estável aceleração do crescimento (stable growth momentum) para a totalidade das economias. Céu de brigadeiro! Uma excepcional aceleração mais intensa (positive change in momentum) no mesmo período é apontada apenas para a Zona do Euro e Itália.
No bloco das economias dominadas, ao contrário, registra-se um crescimento abaixo da tendência (growth below trend) para a totalidade das economias. Apertem os cintos, vamos passar zonas de alta turbulência! A mais atingida será a economia brasileira do ministro Mantega, seguida, pela ordem de turbulências, a China, a Índia e, finalmente, a Rússia. O seguindo pecado de Mantega, portanto, é não perceber que as economias dominantes já resolveram a maior parte dos seus problemas do último período de crise, enquanto as dominadas só fazem acumulá-los cada vez mais. E que as projeções para os próximos anos não são moderadas, são catastróficas.

[1] Agência Brasil – “Mantega prevê recuperação lenta do aquecimento econômico global” –  29/04/2014 http://agenciabrasil.ebc.com.br
[2] OECD – “Composite Leading Indicators (CLI), OECD, May 2014” http://www.oecd.org/


 FONTE: criticadaeconomia

“É muito difícil encontrar uma pessoa feliz entre os ricos”

“É muito difícil encontrar uma pessoa feliz entre os ricos”

 
Bauman-dia-lentrevista_ARAIMA20130328_0095_3Por Núria Escur.
Se uma pessoa no alto dos seus 90 anos comparece a uma entrevista às 8h45, é porque está em forma. Longe do seu inseparável cachimbo, este extraordinário dissidente do capitalismo e hipercrítico com o comunismo, polonês com passaporte britânico, tem aspecto de homem que sabe mais pelo que não diz do que pelo que diz. E disse muito.
Nascido em Poznan em 1925, Zygmunt Bauman (foto) é um dos intelectuais europeus vivos mais importantes, Prêmio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades 2010, junto com Alain Touraine. Acredita que a desigualdade se instalou entre nós para ficar e que a elite política há décadas não fala a mesma linguagem que as pessoas comuns. Essa chamada por ele modernidade líquida já é modernidade liquefeita e, se duvidar, evaporada…
De ascendência judaica, seus pais fugiram do país após a invasão alemã, em 1939, e se instalaram na União Soviética. Expulso em 1968 da Universidade de Varsóvia por razões políticas, Bauman retomou seu trabalho docente nas universidades de Tel Aviv e Haifa. Desde 1971 é professor emérito de Sociologia na Universidade de Leeds.
A lucidez, sua perspicácia e, talvez, acima de tudo, sua experiência de vida, fizeram-no ser uma referência mundial fundamental, um pensador a quem nada é alheio. Considera a nossa sociedade uma das mais desiguais desde que, um dia, os europeus, com o estado de bem-estar social, acreditaram ter resolvido tudo.
Eis a entrevista.
Gostaríamos de saber mais de você que de suas ideias, embora não sei se são indissociáveis. É muito ou pouco consumista?
Não se pode escapar do consumo: faz parte do seu metabolismo! O problema não é consumir; é o desejo insaciável de continuar consumindo… Desde o paleolítico os humanos perseguem a felicidade… mas os desejos são infinitos. As relações humanas são sequestradas por essa mania de apropriar-se do máximo possível de coisas.
Nas manhãs de domingo as famílias britânicas não vão à missa, mas ao centro comercial. É esse o nosso novo templo?
Sou muito cauto na hora de comparar consumismo e religião. A religião é uma transgressão, te leva para além da tua vida. Na América, antes, a tradição era que se reunisse a família ao redor da mesa para comer e conversar. Nos últimos anos, apenas 20% das famílias fazem isso!
Rompeu-se essa ideia nuclear de família?
Sim, era uma interação física. Agora, ao contrário, cada qual pega a sua comida, senta-se na frente do computador e come. O ser humano de hoje passa sete horas e meia diante de algum tipo de tela. Se a interação com alguém na rede não te interessa, aperta um botão e adeus.
Nas relações humanas não é tão fácil desconectar.
O corpo a corpo te obriga a te confrontar com a diferença. Administrá-la com os sentimentos, elaborá-la. Um efeito colateral dessa dissociação é que se perdeu a vontade do trabalho “bem feito” também nas relações. Perdemos a capacidade de nos relacionarmos com esmero.
Pertencemos à espécie do homo eligens, “o animal que escolhe”, nos recorda em A riqueza beneficia a todos? (Paidós). Se te mandam, escolhem por ti; se escolhes, renuncias. Com o que Bauman fica: mandar sobre tua vida – logo, escolher – ou obedecer?
Escolhe se te deixam. A liberdade é mais uma ideia do que um exercício – que também – porque só sou livre na medida em que posso agir sobre a minha vida sem interferir nas liberdades alheias.
Qualquer coisa que alguém escolhe modifica o contexto.
Porque resitua a liberdade de outros. O importante é ter a oportunidade de exercê-la. Neste momento, só há um grupo muito reduzido de homens livres e uma grande massa que fica fora do jogo.
As classes médias perdem terreno e parte delas estão se convertendo em proletariado, uma classe que você chamou de “precariado”.
Lamento não ter lido o último livro de Thomas Piketty antes de escrever o meu, porque cita coisas interessantes. Por exemplo, que os direitos humanos são algo que herdamos da Revolução Francesa. Nosso horizonte – que marca a distribuição da riqueza – deveria ser o bem comum. Os ricos agem com toda essa riqueza – a maioria a herdaram – com absoluta impunidade. Acreditam que eles nunca poderão falir.
As 85 pessoas mais ricas do mundo acumulam uma riqueza equivalente aos quatro bilhões de pessoas mais pobres. Qual é a pessoa pobre mais feliz que conheceu e a rica mais infeliz com que já se encontrou?
Oh! É muito difícil encontrar uma pessoa feliz entre os ricos.
Bom, então comecemos pelos que não têm nada.
Uma pessoa pobre que consegue tomar café da manhã, almoçar e, com sorte, jantar… é automaticamente feliz. Nesse dia conseguiu seu objetivo. O rico – cuja tendência obsessiva é enriquecer mais – costuma meter-se numa espiral de infelicidade enorme. A grande perversão do sistema dos ricos é que acabam sendo escravos. Nada os sacia, entram em colapso, uma catástrofe!
Diz que vivemos a “síndrome da impaciência”. Poderemos fugir do desastre com instrumentos como o movimento Slow?
O problema não está no ritmo das coisas – embora o movimento Slow me parece muito interessante –, mas em que deveríamos mudar integralmente o nosso modelo de vida. No meu país, 50% dos alimentos acabam no lixo antes de retirá-los das embalagens! Estamos acabando com a sustentabilidade do planeta, somos uns predadores.
Você participou da Segunda Guerra Mundial, combateu com o Exército polonês, trabalhou para os serviços de informação militares… Qual foi o pior momento da sua vida e como conseguiu recuperar-se?
Ao final, a vida não é um campeonato de futebol, onde podes dizer “olha, aquele jogo foi o pior”. Mas lhe responderei com uma anedota que pode parecer evasiva, mas não é. Certa vez, o grande poeta Goethe – quando tinha quase a minha idade – foi entrevistado por Eckermann. “Diga-me, você teve uma vida feliz?”, perguntou-lhe. E Goethe respondeu: “Pois, olhe, sim, tive uma vida feliz. Pois bem, não me pergunte se tive uma só semana feliz”.
Então, a felicidade não é a soma de momentos de felicidade, como dizem alguns?
Não, a felicidade é o gozo que dá ter superado os momentos de infelicidade. Ter conseguido transformar teus conflitos, porque sem conflitos as nossas vidas, a minha vida, teriam sido uma verdadeira chatice.
Terá visto tantas circunstâncias que se repetem ciclicamente – sociedades cheias de esperança, outras devastadas, as que ficam destruídas, as que logo se recuperam… Isso o tornou mais cético?
Eu prefiro identificar-me com o “homem esperançado”. Há uma dinâmica da história que te leva ao ceticismo como atitude, porque o otimista diz “estamos no melhor dos mundos” e o pessimista pensa “bom, tanto faz se o otimista tem razão”. Sobre isso, recomendo-lhes Generativi di tutto il mondo, unitevi!, de M. Magatti e Ch. Giaccardo, um manifesto publicado este ano e que nos apresenta um conceito novo: a sociedade generativa.
O que significa esse conceito que acaba de ser cunhado: sociedade generativa?
A sociedade de consumo é uma montagem que consiste em que colhas tudo o que há ao teu redor para te preencher. O manifesto gerador propõe o contrário: tudo o que tu podes dar à sociedade, é a única coisa que pode nos salvar.
Como explicaria sua “modernidade líquida” – definição perfeita da sociedade pós-moderna, consumista e banal – a uma criança?
Ensinaria isto (Bauman pega um biscoito em forma de estrela) e diria: “se isto fosse uma pedra, mesmo que eu a girasse, a virasse… não seria afetada por nada. Depois lhe mostraria este copo cheio de água e lhe diria: “isto, simplesmente decantando, vês?, se modifica”. E se agora não estivéssemos no Hotel Majestic, além disso, derramaria a água sobre a mesa…
Adiante, adiante.
Bom, bastaria para explicar a essa criança que a sociedade onde vive é flexível e extraordinariamente móvel. Antes, se você dava um soco na realidade, a realidade não se movia. Tente fazê-lo agora! Antes se sonhava poder trabalhar durante décadas na mesma fábrica, agora a Meca dos jovens é trabalhar no Vale do Silício… E, quando muito, ficam oito meses!
Quando analisa dois totalitarismos – o nazismo e o comunismo – conclui que os nazistas eram criminosos, mas não hipócritas. Executavam o que proclamavam. “O comunismo, ao contrário – acrescenta –, foi uma fortaleza de hipocrisia”. Já não é comunista, segue sendo de esquerda?
Sou socialista. Efetivamente, os nazistas eram transparentes: queriam infligir o mal e o fizeram. Sem espaço para dúvidas. O comunismo foi uma grande farsa, nos enganou. Albert Camus já chamou a atenção para esse fato: o comunismo é o mal sob slogans de ‘buenismo’. Por isso, nas fileiras comunistas surgiu a real rebelião intelectual.
O desencanto, então, foi consequência dessa grande farsa comunista?
Absolutamente. Trouxe a decepção e a dissidência. Igualdade? Bem, foram alcançadas algumas cotas. Mas, e a liberdade? Nada. E a fraternidade? Ainda menos! Essa foi sua grande contradição.
Tradução: André Langer.

domingo, 25 de maio de 2014

Brasil: Uma História Inconveniente

Além das comemorações que estão acompanhando o "Brasil 500 anos", esse momento deve ser também, uma oportunidade de reflexão histórica, principalmente por parte de setores que nesses 5 séculos se fortaleceram, em detrimento da maioria da população, ontem indígena, negra-escrava e hoje representada por uma imensa camada de miseráveis e excluídos da "democracia" e do "Estado de Direito".
Uma das principais instituições ao longo de nossa história é a Igreja Católica. Presente no Brasil desde os primórdios do período colonial, a Igreja quase sempre esteve ao lado do poder, quer na Colônia, no Império ou na República.
Os primeiros representantes da Igreja Católica, os padres jesuítas, chegaram ao Brasil em 1549, com o primeiro Governador Geral, Tomé de Souza, e fundaram o primeiro bispado na cidade de Salvador, então capital da colônia.
A expansão da Igreja acompanhou a própria expansão da colonização na medida em que, a cada nova Vila fundada, uma capela era erguida.
No entanto, a principal ação dos jesuítas deu-se frente aos indígenas, que deveriam ser catequizados como parte do movimento de Contra Reforma, que seguindo as decisões do Concílio de Trento, procurava expandir o catolicismo para os vários povos de todos os continentes. A ação de catequese junto aos índios foi possível na medida em que a
Igreja de Roma havia chegado a conclusão de que os silvícolas possuíam alma, portanto poderiam ser salvos.
A partir de então, os jesuítas preocuparam-se em levar aos povos indígenas os ensinamentos cristãos e para isso foram organizadas as missões ( ou reduções) onde os indígenas aprendiam a língua portuguesa, os costumes e a moral católica, aprendiam ainda a trabalhar com os instrumentos trazidos pela nova cultura, apresentada como superior e responsável pela desagregação de várias tribos.
A força e influência política dos jesuítas e os interesses no tráfico de escravos negros, fez com que o Estado proibisse a escravidão indígena, permanecendo porém essa possibilidade a partir da "guerra justa", responsável pela escravidão do índio, mesmo que em menor número quando comparado com a escravidão negra.
A presença do jesuíta também teve grande importância nas cidades coloniais, onde as poucas escolas que existiam eram controladas por eles. Dessa forma, os filhos dos fazendeiros eram educados pelos padres e em parte essa situação reproduzia o que ocorria na metrópole, homens que ocupariam cargos públicos, explicando a atitude do Marquês de Pombal em 1759, que expulsou os jesuítas de Portugal e de todas as suas
colônias.
Durante o Primeiro Reinado (governo de D. Pedro I entre 1822 e 1831), a Constituição outorgada de 1824, determinou o catolicismo como religião oficial, ou seja, imposta e controlada pelo Estado, sendo que esta situação foi mantida até a Proclamação da República.
No dia 20 de março o jornal Folha de São Paulo conseguiu uma cópia de um documento guardado sob sigilo pela Igreja Católica no Brasil. Trata-se de uma carta de 21 páginas que circula desde o começo de março entre os bispos que formam o episcopado brasileiro.

Belo Monte, Anúncio de uma Guerra

 Documentário independente filmado ao longo de 3 expedições à região do rio Xingu, Altamira e arredores, São Paulo e Brasília. Apresenta imagens e fatos reveladores sobre a maior e mais polêmica obra em andamento no Brasil.

A edição e finalização foram financiados por mais de 3.429 pessoas no site Catarse. 


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Reportagem Especial - Movimentos Sociais

 O SURGIMENTO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS EM SANTA CATARINA


domingo, 18 de maio de 2014

Villa-Lobos - Documentário "O índio de casaca" (completo - 1987)

Com direção de Roberto Feith e apresentação de Paulo José, a película resgata a biografia de Villa-Lobos. Depoimentos de Guerra Peixe, Arthur Rubinstein, Hermínio Bello de Carvalho, Tom Jobim, Andrés Segovia, Castro Filho, Ana Stella Schic, Mercedes Pequeno, Walter Burle Marx, Turíbio Santos, Vasco Mariz, Maria Augusta Machado, Henry Barraud, entre outros.

Gilberto Freyre e o Tema da Miscigenação

Elide Rugai Bastos analisa como o pensamento de Gilberto Freyre constitui elemento fundamental da vida cultural e política que emerge no Brasil a partir da Revolução de 30, tendo ainda reflexos na vida social brasileira. Através da tese da democracia racial, Elide aborda, em que sentido a análise do autor representa um momento importante na constituição da sociologia no Brasil e, portanto, da própria interpretação do país.

Elide Rugai Bastos: professora do departamento de sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP (IFCH) onde é diretora do Centro de Estudos Brasileiros (CEB). É secretária adjunta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). E autora, entre outros, dos livros: As ligas camponesas (1994) e Gilberto Freyre e o pensamento hispânico ヨ entre Dom Quixote e Alonso el Bueno (2003).

Milton Santos - O Mundo Global visto do lado de cá

O filme trata do processo de globalização com base no pensamento do geógrafo Milton Santos, que, por suas idéias e práticas, inspira o debate sobre a sociedade brasileira e a construção de um novo mundo.

O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes




Sergio Buarque de Holanda - Raízes do Brasil 1 e 2

A vida e obra de Sérgio Buarque de Hollanda, um dos principais intelectuais do Brasil no século XX e autor dos livros "Raízes do Brasil" e "Visões do Paraíso". Dividido em duas partes, o filme mostra desde o cotidiano de Sérgio, incluindo o modo como interagia com a família e amigos, até um panorama cronológico de sua época, em que lidou com o nazismo, os anos de Getúlio Vargas no poder e a ascensão do movimento modernista no Brasil.





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