sábado, 19 de novembro de 2011

Justiça afasta do cargo Superintendente da Efapi e sua assessora‏

Decisão da Vara da Fazenda da Comarca de Chapecó, prolatada em Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina, determinou o afastamento do cargo de Dalmir Pelicioli e Salete Busnelo da Silva.

Conforme a ação do Ministério Público – Curadoria da Moralidade Administrativa –, os réus engendraram um esquema para agenciar fraudulentamente subvenções do Fundo Social do Estado de Santa Catarina em favor de diversas entidades, o que fizeram por diversas vezes entre o ano de 2009 e 2010.

Segundo a ação, as irregularidades decorriam de falsidade e superfaturamento nas prestações de contas, bem como, em desvio dos valores em proveito dos réus, deixando as entidades beneficiadas apenas com parte do dinheiro que lhe fora destinado.

O pedido de afastamento de Dalmir e Salete deu-se porque estes utilizavam do cargo na estrutura municipal para desenvolver atividade estranha a este, ou seja, cooptar recursos e promover a sua liberação e prestação de contas de forma ilegal.

A liminar também determinou a indisponibilidade de bens dos réus, para garantir a reparação dos prejuízos ao erário. Tal decisão determinando a impossibilidade de dispor de bens também abrangeu dois empresários que auxiliavam o esquema com notas falsas,  EVANDRO CARLOS ZALESKI  e IVANIR PAULO PELICIOLLI, irmão de Dalmir.

Para acompanhar o processo e ter acesso à decisão, acesse


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Revelada a rede capitalista que domina o mundo

Artigo imperdível no inovação tecnológica coloca o financismo no microscópio. "Além das ideologias" demonstra como 147 instituições financeiras dominam o capitalismo global e provavelmente agem em conluio para manutenção do status quo.

Além das ideologias

Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos. Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.
A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."

Rede de controle econômico mundial

A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.
O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.
Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.
O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.
A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Poder econômico mundial

Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.
Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chipsnos mercados de ações.
Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.
E isso não é tudo.

Super-entidade econômica

Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.
E a maioria delas são bancos.
Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.
Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo. Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.
A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente. Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.
As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas
1. Barclays plc
2. Capital Group Companies Inc
3. FMR Corporation
4. AXA
5. State Street Corporation
6. JP Morgan Chase & Co
7. Legal & General Group plc
8. Vanguard Group Inc
9. UBS AG
10. Merrill Lynch & Co Inc
11. Wellington Management Co LLP
12. Deutsche Bank AG
13. Franklin Resources Inc
14. Credit Suisse Group
15. Walton Enterprises LLC
16. Bank of New York Mellon Corp
17. Natixis
18. Goldman Sachs Group Inc
19. T Rowe Price Group Inc
20. Legg Mason Inc
21. Morgan Stanley
22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
23. Northern Trust Corporation
24. Société Générale
25. Bank of America Corporation
26. Lloyds TSB Group plc
27. Invesco plc
28. Allianz SE 29. TIAA
29. Old Mutual Public Limited Company
30. Aviva plc
31. Schroders plc
32. Dodge & Cox
33. Lehman Brothers Holdings Inc*
34. Sun Life Financial Inc
35. Standard Life plc
36. CNCE
37. Nomura Holdings Inc
38. The Depository Trust Company
39. Massachusetts Mutual Life Insurance
40. ING Groep NV
41. Brandes Investment Partners LP
42. Unicredito Italiano SPA
43. Deposit Insurance Corporation of Japan
44. Vereniging Aegon
45. BNP Paribas
46. Affiliated Managers Group Inc
47. Resona Holdings Inc
48. Capital Group International Inc
49. China Petrochemical Group Company

Bibliografia:

The network of global corporate control Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston arXiv
19 Sep 2011
Fonte: http://www.fbes.org.br/

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Documentário propõe: para salvar o mundo é preciso voltar à idade da pedra



Abaixo, excelente análise de Helena Novais sobre “Surplus”:
Longe de ser apenas uma crítica ao consumismo ou a sistemas políticos, Surplus, documentário sueco, dirigido pelo italiano Erik Gandini em 2003, é um olhar sobre o jeito de ser e de viver da humanidade. Largamente divulgado pela Internet, este trabalho coloca em discussão não apenas a vida em sociedade e a ordem estabelecida, como também a própria essência humana.
As necessidades dos homens, as maneiras de reagir a elas e as formas de controle social acabam por comprometer todo o ecossistema terrestre, sem exceção às relações humanas. Nenhuma discussão está mais na ordem do dia do que o equilíbrio socioambiental e ainda antes de Davis Guggenheim e seu Uma Verdade Inconveniente (2006), Gandini levava o tema às últimas conseqüências. Surplus mostra que tanto no capitalismo, como no socialismo, os homens tomam parte de sistemas cuja existência os antecede, mas que estabelecem modos de viver e de pensar, mantendo-os atados, como peças de um jogo maior, cuja função é a manutenção da ordem estatal.
Assim, saem de foco os sistemas político-econômicos em si. Os holofotes são direcionados para aquilo que os sustenta. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, Steve Ballmer e Bill Gates, executivos da Microsoft, aparecem defendendo a ideologia neoliberal, o capitalismo, o consumismo. Por outro lado, Gandini enfoca o modo de vida socialista, instalado em Cuba por Fidel Castro que surge defendendo sua ideologia não consumista. São dois sistemas opostos, porém ambos se utilizam dos meios de comunicação para divulgar mensagens que patronizam pensamentos, subjulgando corações e mentes, transformando indivíduos em parceiros que garantem a manutenção dos sistemas.
Fazendo analogia à influência da indústria cultural e à forma como é utilizada a linguagem midiática, Gandini adota o ritmo dos vídeo clips. Mescla cenas de palestras, discursos, entrevistas e reportagens jornalísticas em uma edição onde imagens se alternam em sintonia com a trilha sonora de sons eletrônicos. Imagem e ritmo se complementam em uma mistura que soa moderna e revela a intenção do diretor. Ele usa o próprio meio (áudio e vídeo) para chamar a atenção para o poder da mídia, disponível aos governos ou às corporações que ditam ideologias e comportamentos.
Por outro lado, se o discurso utilizado pelos capitalistas também sai da boca dos socialistas, tudo acaba no mesmo. E este “tudo” se refere à relação entre dominadores e dominados. A visão pessimista de Gandini se resume em: o homem é um ser de necessidades, na busca por satisfazê-las criou formas de organização social e, no interior delas, desenvolveu formas de dominação que mantém tudo e todos atrelados à ordem estabelecida, seja consciente ou inconscientemente. O sistema que exaure os recursos naturais, que beneficia os países desenvolvidos e cede aos países do terceiro mundo seus restos é criação dos homens e se mantém por cooperação deles. É um soco na boca do estômago de quem acha que não tem nada a ver com isso!
John Zerzan (o anarquista norte-americano que ganhou destaque a partir da década de 1980), e sua proposta fundamentada no retorno ao primitivismos caem no vazio diante da livre servidão humana a suas próprias necessidades. Gandini reafirma Freud que entende o homem como um ser “fadado à insatisfação”, pois está sempre buscando, sempre à procura sem nunca se complementar.
Ao retornar ao primitiviso o homem retomaria o anseio pelo desenvolvimento, e possivelmente, a sistemas de controle social, aos conflito de classes, ao consumo irracional de recursos naturais, à injustiça social, às relações entre dominadores e dominados. O que Gandini não oferece é a pista para uma saída segura. Assim, escapa à pretensão das soluções fáceis e coloca a solução do impasse sob a responsabilidade de cada um.

Os 1753 dias do governo Collor

  

Na foto (de Jorge Araújo, da Folha Imagem) vêem-se colloridos em confronto com lulistas. O candidato derrotado em 1989, Luis Inácio Lula da Silva, que a elite apontava como defensor de idéias ultrapassadas, era contrário às privatizações. Questionado no primeiro turno das eleições presidenciais pelo jornalista Apóllo Natali, da Agência Estado, em seu comitê da Vila Mariana, em São Paulo, o candidato do PT dizia acreditar que, “bem administradas, as estatais são viáveis”.
Por Apóllo Natali(*)

“O meu governo serviu de ruptura de um Brasil antigo para um Brasil que se dispunha a ingressar na modernidade. Esse programa constitui-se na base sobre a qual qualquer outro programa poderia se assentar para ter chances de êxito”. (Fernando Collor de Mello, Maceió, 1999)
Quando assumiu a presidência da República, em 15 de março de 1990, Fernando Collor de Mello tinha pela frente uma inflação de 4.853%, registrada em um ano, de março 1989 a março de 1990. O país vivia verdadeiro flagelo social com cara de guerra civil, que havia passado por cima de quatro planos econômicos fracassados do governo anterior de José Sarney, fundados em congelamento de preços. Eram chamados de “pacotes econômicos”: ”¨Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano da política “Feijão com Arroz” do ministro Maílson da Nóbrega e Cruzado Novo.
A máquina do Estado com que Collor se deparou está inchada, centralizadora e ineficiente. A inflação não tem controle e a taxa de crescimento é negativa. Numa época de globalização da economia, o país mantém setores de produção oligopolizados e protegidos por barreiras alfandegárias retrógradas.
Dois dias antes da posse, Collor chora em Maceió e promete travar um combate sem tréguas à inflação, aos corruptos, aos sonegadores.
Em pleno furacão inflacionário, no final de 1989, Geraldo Forbes, membro do Conselho do Instituto de Estudos Avançados da USP, profetiza: “O desastre da hiperinflação é irrecorrível. A economia, e com ela as instituições, equilibram-se precariamente no fio da navalha.”
REINVENTANDO O PAÍS
Era preciso reinventar o país.
Em 30/1/1989, uma equipe de 30 técnicos da equipe de Collor reúne-se sigilosamente em Roma para sugerir medidas a serem executadas nos primeiros dias do novo governo. Na reunião, acaba prevalecendo a tendência por um ajuste moderado na economia, em lugar de um choque violento para combater a inflação. A futura ministra da economia, Zélia Cardoso de Mello, discute o plano com o empresário Daniel Dantas.A assessoria de Zélia faz circular a versão de que o programa de Dantas propõe um choque violento na economia. Dantas desmente.
Megainstituições econômicas e órgãos cooperativos do empresariado cancelam reuniões que discutiriam o assunto.
CHEGA O FURACÃO
O próprio Collor anuncia na televisão as medidas do seu plano Brasil Novo, ou Plano Collor I. O deputado Alysson Paulinelli pontua nas páginas da imprensa o estado de choque social causado: “Estamos como o sujeito que saltou do vigésimo andar. Estamos passando pelo décimo andar e, por enquanto, tudo bem. Apenas aquela brisa no rosto…”
“Isso já foi tentado antes e não deu certo”, proclama o presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, deputado Tonico Ramos. “O País está muito doente e remédio em excesso poderá matá-lo. É preferível que o país seja administrado por políticos e não por formulações econômicas”.
Intimidados pelas manchetes da imprensa anunciando a data de divulgação do Plano, os investidores fogem do over e dos fundos com medo do que estava por vir. Temiam rigor na taxação das aplicações. Na véspera da publicação, a previsão geral era de uma repetição das medidas do governo anterior, isto é, o mesmo congelamento de preços e salários, e não o que estava por vir, um furacão econômico. Começa um feriado bancário de três dias, em 13, 14 e 15 de março. Não cabe à imprensa espalhar o pânico. Então, as manchetes do dia 17 são comedidas: “Sai o Plano Collor”, diz “O Estado de S.Paulo”.
Em meio ao cumprimento da saraivada de medidas, pipocavam histórias de suicídios, de atos de desespero, de desastres nos negócios imobiliários, de separações de casais por conta da impossibilidade de tocar a vida. Houve quem jogou um veículo nas paredes e vidraças de uma agência bancária, fato divulgado com fotos na imprensa.
Aos pés das manchetes precavidas dos jornais, rádio e TV anunciando o plano, vai sendo exibida, na fria linguagem jornalística, toda a munição que seria empregada na guerra contra a situação insustentável que o país vivia.
O Jornal O Estado de S.Paulo, com o seu título nada bombástico “Sai o Plano Collor”, goteja as medidas:
-Congelamento de preços (tabelados e depois liberados, gradualmente);
-Cai a moeda Cruzado, chega o Cruzeiro, sem corte de zeros;
-Saques da poupança e depósitos em conta corrente limitados a 50 cruzeiros; o resto em conta fica retido por 18 meses, a ser devolvido em parcelas com juros de seis por cento ao ano. Quem prefere a restituição do dinheiro antes, pode ser retirado em leilão, com ágio.
-Saques do over e fundos a curto prazo limitados a 20%;
-Salários corrigidos pela inflação de fevereiro, de 72,78%;
-Correção salarial pré-fixada;
-Salário mínimo corrigido pela inflação efetiva.
-Extintos papéis ao portador;
-Cheques superiores a R$ 2.953,99 (100 BTNs-Bônus do Tesouro Nacional) têm de ser nominais;
-Câmbio flutuante com valores fixados pelo mercado;
-Instituições financeiras terão de aplicar parte do patrimônio em títulos de privatização;
-Aumento do IPI-Imposto de Produtos Industrializados;
-Macro setor agrícola taxado pesadamente;
-Fim dos incentivos à exportação;
-Fim dos benefícios que reduzem o Imposto de Renda de pessoas jurídicas;
-Aumenta o IOF-Imposto Sobre Operações Financeiras;
-Os crimes de abuso do poder econômico serão punidos com dois a mais anos de prisão e multa de 200 mil a 500 mil BTNs.
-Extinção de 24 estatais, 5 autarquias, 8 fundações, 3 empresas públicas, 8 sociedades de economia mista (Medida Provisória 151).
O novo governo anuncia cortes nos gastos públicos e redução da máquina do Estado também com a demissão de funcionários. O plano prevê a abertura do mercado interno, com a redução gradativa das alíquotas de importação.
A Folha de S.Paulo mancheteou: “Choque do Plano Collor é o maior de toda a História”. E, na linha fina: “Governo retém 80% do over e limita a 50 mil o saque bancário e da poupança”.
A reportagem anuncia o Plano e relata as primeiras palavras do presidente, que os leitores atordoados viam fora do contexto: “Estou cumprindo no primeiro dia do meu mandato meu compromisso de não pactuar com a injustiça desde o começo”. O jornalista Clóvis Rossi desvenda o mistério: presidente Fernando Collor baixou ontem um pacote econômico que mexerá com cerca de US$ 35 bilhões (10% do Produto Interno Bruto) e revoluciona toda a economia, a tal ponto que ninguém, exceto os membros da equipe econômica, tinha certeza de seus efeitos globais a médio e longo prazo”.
TERRA ARRASADA
As empresas foram surpreendidas com o plano econômico e, sem liquidez, pressionam o governo. A ministra Zélia Cardoso de Mello faz a liberação gradativa do dinheiro retido, denominada de “operação torneirinha” para pagamento de taxas, impostos municipais e estaduais, folhas de pagamento e contribuições previdenciárias. O governo libera os investimentos dos grandes empresários e deixa retido somente o dinheiro dos poupadores individuais.
Com o dinheiro fora de circulação, a inflação foi reduzida no início do Plano Collor I. Iniciava-se, porém, a maior recessão que o Brasil já conheceu. Houve aumento do desemprego, muitas empresas fecharam as portas e a produção diminuiu consideravalmente, com queda de 26% em abril de 1990 em relação a abril de 1989. As empresas são obrigadas a reduzir a produção, a jornada de trabalho, os salários, e a demitir funcionários. Só em São Paulo nos primeiros seis meses de 1990, deixaram de existir 170 mil postos de trabalho. Foi o pior resultado desde a crise do início da década de 80. O Produto Interno Bruto-PIB diminuiu de US$ 453 bilhões em 1989 para US$ 433 bilhões em 1990.
Em 16 de agosto de 1990 o Programa Nacional de Estatização previsto no Plano Collor é regulamentado e a Usiminas é a primeira estatal a ser privatizada, através de um leilão, em outubro de 1991. Depois, mais 25 estatais foram privatizadas até o final de 1993, quando Itamar Franco já estava à frente do governo, com grandes transferências patrimoniais do setor público para o setor privado. O processo de privatização dos setores petroquímico e siderúrgico já estava praticamente concluído. Inicia-se em seguida a negociação do setor de telecomunicações e elétrico.
O HISTRIÃO
Enquanto isso, à parte a questão econômica do País, a imagem de histrião do presidente se alastrava. Mostrava-se como um super-homem, sempre aparecendo na mídia exibindo suas grifes caras, pilotando aeronave, fazendo caminhadas, praticando esportes. Mostrava a personalidade de um herói, forte, vaidoso, arrojado, combativo, moderno. Dizia que tinha “aquilo roxo”.
(Histrião: diz-se de um homem miserável e envilecido que se dá em espetáculo pela abjeção dos atos que pratica. – J.F.Caldas Aulete)
PLANO COLLOR II
A inflação entra em cena novamente, com um índice mensal de 19,39% em dezembro de 1990. O acumulado do ano chega a 1.198%. É decretado o Plano Collor II, em 3l de janeiro de 1991.
O Plano tinha como objetivo principal controlar a ciranda financeira. Extingue as operações de overnight e cria o Fundo de Aplicações Financeiras (FAF), que centraliza todas as operações de curto prazo. Acaba com o Bônus do Tesouro Nacional Fiscal (BTNf), que era usado pelo mercado para indexar preços, e que foi substituído por uma Taxa Referencial Diária (TRD), com juros prefixados. Aumenta o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). O governo pratica uma política de juros altos e faz um grande esforço para desindexar a economia. Tenta mais um congelamento de preços e salários. Um deflator é adotado para os contratos com vencimento após 1O. de fevereiro. O governo acreditava que aumentando a concorrência no setor industrial conseguiria segurar a inflação. Então cria um cronograma de redução das tarifas de importação, reduzindo a inflação de 1991 para 48l%.
SALTOS E SOBRESSALTOS
A recuperação da economia iniciou-se no final de 1992, após um grande processo de reestruturação interna das indústrias. Foi fundamental a abertura do mercado brasileiro para produtos importados. Isso obrigou a indústria nacional a investir alto na modernização do processo produtivo, qualidade e lançamento de novos produtos no mercado. Ficou célebre a frase de Collor denunciando que a indústria automobilística brasileira, sempre com as mesmas fábricas e produzindo os mesmos modelos, fabricava “carroças”.
As empresas que queriam permanecer no mercado tiveram que rever seus métodos administrativos e de organização, reduzindo os custos de gerenciamento. As atividades foram centralizadas, muitos setores foram terceirizados. As empresas são obrigadas a investir pesado na automação e a reduzir a hierarquia interna. O resultado foi o crescimento da produtividade.
Toda essa modernidade era considerada necessária para as empresas se tornarem mais competitivas, tanto no mercado interno quanto no mercado externo. O aumento de produtividade foi fundamental para a sobrevivência das empresas, mas para os trabalhadores significou perdas de postos de trabalho, e menos funcionários produzindo mais. Aumenta o desemprego dos brasileiros. Em 1993, só na Grande São Paulo, chega a um milhão e duzentos mil os trabalhadores desempregados.
O censo do IBGE DE 1991 indicava que a renda per capita do brasileiro caira 5,6% em relação a 1980. A política de salários vigente no país era tida como um dos fatores que contribuiu para a multiplicação da pobreza.
Segundo o IBGE, em 1990, das 67,2 milhões de pessoas com mais de dez anos que trabalhavam, apenas 5,8% ganhavam acima de dez salários mínimos. A maioria dos trabalhadores, 63%, recebia até três salários mínimos, sendo que 29,5% ganhava, no máximo, um salário. Um dos reflexos dessa situação foi o aumento da população favelada nas grandes cidades. Há 20 anos, apenas 1% da população paulistana vivia em favelas. No início dos anos 90, a população favelada da cidade subiu para 20% e representava cerca de 2 milhões de pessoas.
O IMPEACHEMENT
Collor pregava a moralidade e combate à corrupção, mas em seu governo foram denunciados vários casos de desvios de dinheiro. O empresário Paulo César Faria, o PC, quer era o seu arrrecadador de verbas para a campanha eleitoral, envolveu-se em esquema de corrupção dentro do próprio governo. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito-CPI, apurou que muito dinheiro foi para a conta corrente de Collor. Para se ter uma idéia da gastança em seu governo, apurou-se que só para as despesas pessoais do presidente foram consumidos US$ 10 milhões e 600 mil. Ministros foram denunciados de corrupção, embora não tenha havido condenações. Paulo César Farias chegou a ser preso, depois de uma rumorosa caçada policial que terminou na Indonésia, mas em pouco tempo ganhou a liberdade e foi curtir uma mansão na praia, onde foi encontrado morto. A polícia não conseguiu desvendar o crime, e a opinião do povo era de que teria sido uma queima de arquivo.
O Presidente da República foi substituído sem derramamento de sangue, golpe militar ou qualquer tipo de violência, pelo vice Itamar Franco, de tendência nacionalista e comedido quanto às privatizações. Foi um processo pela via legal, em votação no Congresso, depois de movimentos de protestos populares que receberam o nome de “caras pintadas”. O presidente pedira ao povo para apóia-lo, para não deixá-lo sozinho, mas aconteceu o contrário.
Foi a queda do primeiro governo civil brasileiro, eleito por voto direto desde 1960. Foi também o primeiro escolhido dentro das regras da Constituição de 1988, com plena liberdade partidária e eleição em dois turnos. Ex- governador de Alagoas, politico jovem e com amplo apoio das forças conservadores, Collor derrotara no segundo turno da eleição a Luiz Inácio Lula da Silva, migrante nordestino, ex-metalúrgico e destacado líder da esquerda.
Para as elites, Collor ofereceu a modernização econômica do país consoante a receita do neoliberalismo.
GRANDES SALTOS
Um comparativo da eficiência industrial no país mostra que a abertura do mercado pelo governo Collor foi benéfica para o setor produtivo, apesar da retração do PIB:
-Até 1989, o Brasil fabricava 1,5 milhão de televisores por ano. Para montar cada TV, era necessária 1 hora de 40 minutos. Depois da abertura de mercado, em 1990, a indústria brasileira passou a produzir 7 milhões de televisores por ano, sendo necessários 25 minutos para montagem de cada um;
-Em 1989, um televisor de 14 polegadas custava cerca de US$ 550. Depois da abertura de mercado, passou a custar o equivalente a US$ 300;
-Até 1989, a Sharp produzia 14 televisores por empregado. A empresa passou a produzir 70 televisores por funcionário;
-Até 1989, a Azaléia fabricava 10 mil pares de sapatos por dia. Comprando novas máquinas, passou a fabricar 120 mil pares por dia, sem aumentar o número de empregados;
-Até 1989, cada operário da indústria automobilística montava nove carros por ano. Após a abertura do mercado e a automação das linhas de montagem, cada operário passou a montar 20 carros por ano;
-Até 1989, uma bicicleta de 18 marchas custava US4 480. Passou a custar US$ 128;
-Até 1989, nenhuma empresa brasileira possuía o certificado de qualidade ISSO 9000, pois não enfrentavam competição internacional. Hoje milhares de empresas possuem esse certificado de qualidade mundial;
-Até 1989, os computadores disponíveis no mercado brasileiro eram quatro gerações atrasadas em relação aos utilizados no primeiro mundo. Com a abertura de mercado, os brasileiros passaram a ter acesso a computadores quase que simultaneamente ao mercado internacional;
-Em 1989, o gasto com a folha de pagamento do governo federal correspondia a 5,3% do PIB. No governo Collor, baixou para 3,7%.
-Em 1989, o PIB atingiu a US$ 453 bilhões. Em 1990, foi para US$ 433 bilhões, uma queda de 4,4%.
AS PRIVATIZAÇÕES
Acionando a alavanca das privatizações, Collor atrelava o País à tendência mundial de enxugamento do Estado. Ao mesmo tempo, pulverizava a mentalidade de casta que nelas imperava.
Na empresa mineradora Vale do Rio Doce, por exemplo, havia salários elevadíssimos, incompatíveis com a realidade do país, além de uma política de empreguismo. Seus funcionários recebiam até um 17O salário e seu plano de saúde era de causar inveja às mais altas camadas sociais de países desenvolvidos.
A aniquilação das estatais, principalmente bancos, em ocasiões posteriores, extinguia de vez o espírito de corrupção e uso político que dominava essas empresas.
Na foto (da Agência Estado) vê-se o hoje senador Collor . -O sr. pretende voltar a ser presidente? (Revista Isto É, em 2002) -“Claro que sim”. (Fernando Collor de Mello)
*Apollo Natali é jornalista, formado aos 71 anos, depois de 4 décadas atuando na imprensa. É colaborador do “Quem tem medo da democracia?”,

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Globo se protege

 
Tem certos assuntos que dão uma preguiça. Um deles, pelo menos para mim, é a rede Globo. Empresa nascida no período militar, abençoada pela Time Life, veio para criar a idéia de um “estado nacional”, sob o ponto de vista dos militares, é claro. Depois, ao longo da sua vida como empresa, sempre de braços dados com o poder. Não importa qual seja. E, nesses anos todos, o jornalismo que pratica é o que interessa aos donos do poder. Ou seja, no mais das vezes, nem jornalismo é. Propaganda, como bem diz Noam Chomsky. É certo que, vez ou outra, um determinado repórter escapa dessa lógica e consegue produzir jornalismo de qualidade, mas é raro. O que também às vezes ocorre é que, como ensinou Adelmo Genro, alguns fatos por si mesmo são tão eloqüentes que transcendem qualquer possibilidade de manipulação. Mas, o que é certo é que o jornalismo global é porta-voz do poder. Não se importa com a vida das gentes, essa gente real, que luta e protesta.

Assim, não pode causar espanto que existam por aí afora pessoas que sintam vontade de repudiar com mais veemência essa prática nefasta de mau jornalismo. Há os que fazem análises ácidas, mas se comportam de forma respeitosa. Há os que escracham, os que xingam, os que são bem deselegantes. Mas há também os que chutam o balde mesmo. Talvez porque tenham aprendido que no Brasil tentar fazer as coisas “por dentro da ordem” não dá muito resultado. Por isso, por aí andam esses que fazem aparições nos momentos em que os repórteres globais estão ao vivo.

Outro dia acabaram derrubando uma repórter e o caso virou notícia nacional através das redes sociais. Enfastiada, acabei lendo bastante coisa que saiu e não me surpreendeu que a maioria dos comentários fosse de repúdio aos manifestantes. Alguns chegaram a dizer que era um ataque ao jornalismo. Bueno, ainda com preguiça, resolvi entrar no assunto.

Lembrei de uma campanha salarial que fizemos em Santa Catarina na qual se desencadeou a “operação papagaio de pirata”. Nela, alguns colegas se postavam atrás dos repórteres da RBS que entrassem ao vivo, protestando, com cartazes, sobre os baixos salários no estado. Foi um momento histórico da luta dos jornalistas em Santa Catarina, até hoje lembrado com orgulho. Não era um ataque ao “jornalismo”, mas um ousado e criativo protesto contra a rede que mais explorava jornalistas naqueles dias. E não foram poucos os que condenaram a eficaz forma de luta dos jornalistas, alguns apelando para o que chamavam de “desrespeito aos colegas”. Ora, não era. Pelo contrário. Era amor pelos companheiros explorados.

Assim, vejo esses ataques que andam acontecendo junto aos repórteres da Globo como um saudável protesto contra os péssimo serviços da emissora. E, finalmente, um protesto que se pode ver, justamente pela radicalidade do grupo. Não os comparo com vândalos ou baderneiros. Devem ser criaturas que querem ser escutadas e encontraram nessa forma a mais eficaz. E vejo que tem dado certo.

Talvez isso leve os big boss da Globo a pensar um pouco sobre o que andam fazendo. Que tipo de jornalismo é esse que, num país democrático, precisa de segurança para se fazer? Não seria isso um sintoma claro de que algo está podre no reino da platinada? Perguntas que qualquer profissional sério se faria. Mas, qual! A primeira resposta da Globo foi, pasmem, demitir os trabalhadores que faziam a segurança da equipe. E a segunda atitude foi anunciar que agora os repórteres que entrarem ao vivo serão cercados por um aparato de proteção contra vândalos. Interessante isso! Mais uma trincheira impedindo a verdade de entrar.

Eu, aqui da periferia da periferia, no sul do sul, não tenho dúvidas. Esse povo aí não está agredindo as pessoas, nem o jornalismo. Estão protestando contra a mentira, a manipulação e ao descaso com a vida real. E quer saber? Gosto disso!



Elaine Tavares

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

TEXTO SOBRE ALDO REBELO

As últimas notícias sobre corrupção envolvendo o PCdoB recolocam luzes sobre a atuação de Aldo Rebelo (PCdoB/SP) em favor das alterações do Código Florestal Brasileiro (CFB). Mesmo na presidência do Congresso Nacional o parlamentar nunca demonstrou ter elã, parecendo mover-se às custas de cordéis, encenando "cota" do PC do B na teia governamental. Neste estilo, recebeu o projeto de alterações do CFB pronto, elaborado por mentes retrógradas, desprovidas de qualquer prudência ou bom senso com respeito à humanidade, ao ambiente e à sociedade de modo geral.
               No seu "site" Aldo se apresenta como "um operário da construção nacional, um jornalista, escritor e deputado federal..., cinco mandatos consecutivos", presidente da Câmara dos Deputados, ministro da coordenação política e líder do governo Lula. Hoje é citado como novo ministro do Esporte, mas já faz ginástica para que o seu nome não permeie o escândalo que melecou o ex-ministro e seu colega de partido, já que seu irmão foi citado no mesmo suposto esquema de desvio. Boa oportunidade para testar o fôlego de Aldo e aprimorar o novo esporte da Presidência da República; arremesso de ministros.
               No discursinho manhoso feito pelo Brasil em prol da destruição das nossas reservas naturais, afirmou que "precisávamos acabar com a fome no mundo", entretanto ainda não combinou com a colega senadora Kátia para que usem a tribuna pedindo a destinação de grãos para os que morrem de fome na devastada Somália e arredores. E ele sabe que já morreram mais de 30 mil pessoas, outras sofrem as dores da fome, mais perecerão e nada do Aldo se preocupar com a agonia deles. O parlamentar tem conhecimento (diz-se culto) que no mundo se produz alimento para saciar 12 bilhões de pessoas, onde vivem sete bilhões, mas se desperdiça um terço do gerado. Ele tem a exata noção que estes esfomeados não recebem o alimento excedente porque o preço do transporte "não compensa" e porque muito do produzido é para alimentar animais. Afinal, hoje, sementes são "commodities", ou seja, é negócio e tem que dar lucro! É lei do mercado!
               Nas peregrinações contra o CFB disse estar "estarrecido com o que viu por todo o Brasil", ou seja, deputado muito bem assalariado por 20 anos ele ainda não conhecia o Estado que se arvora representar, seria um inútil e um desperdício financeiro para os cofres públicos (aliás, como muitos o são).
               A prestação de contas eleitorais o aproxima, com o PCdoB, aos interesses de quem lhes financiaram campanhas. Seu total declarado revela campanha milionária - R$ 2.177.724.19 - dos quais, aproximadamente, R$ 627.000.00 vieram de empresas do agronegócio (Votorantim), bancos, construtoras (Camargo Corrêa) e metalúrgicas. Outros R$ 253.000.00 surgem do diretório nacional e comitê financeiro. O Comitê Eleitoral de São Paulo (base de Aldo) declarou arrecadação de R$ 2.878.686,84, e chama a atenção que aproximadamente R$ 982.000.00 provêm de empresas de mineração e do setor do agronegócio, como AMAGGI EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, BUNGE FERTILIZANTES S.A., CELULOSE NIPO BRASILEIRA S.A, GOLDEN LEAF TOBACCO LTDA, KLABIN S.A., SUZANO PAPEL E CELULOSE S.A. Outro milhão surge de comitês financeiros.
               No RS o partido declarou recursos eleitorais de R$ 1.545.354,59, dos quais R$ 80.000.00 vieram da BRASQUEM, R$ 100.000.00 da Fibria, R$ 80.000.00 da Ipiranga, R$ 9.500.00 da Jussara Cony, R$ 180.000.00 de Tarso Genro e surge (?) R$ 1.200.000.00 de "diretórios e comitês". Será este o motivo porque Tarso deu a SEMA ao PC do B, e por que Jussara senta na secretaria?
               Toda esta cordialidade política lambuza os senadores gaúchos. Convidados por movimentos ambientalistas para debater as alterações do CFB eles comprovaram que Brasília está muito longe do nosso RS e do povo. Fugiram de cena, evaporaram da vida pública, mas um dia farão a ginástica de pedir votos (e muitos os darão). O pessoal da senadora Ana Amélia inovou na República e dizem ter feito uma "audiência pública" na Expointer, ou seja, quem teve dinheiro para pagar a entrada participou. Fica registrado que este é o conceito que têm de "público" (pagante).
               Ao fim e ao cabo percebe-se que o povo brasileiro é o grande ginasta nacional e tem um fôlego tremendo, suportando políticas pífias e políticos sem a mínima noção do ridículo.
 

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Por: Dr. Althen Teixeira Filho
Professor Titular
Universidade Federal de Pelotas
Instituto de Biologia
Disciplina de Anatomia dos Animais Domésticos

Enviado por: Júlio Lázaro Torma
Colaborador deste blog

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Somos contra a venda de áreas públicas em Chapecó. Diga não ao entreguismo do patrimônio público.



Prefeito de Chapecó, juntamente com vereadores da base aliada seguem a risca o já fracassado projeto neoliberal, fazem concessões a empresas e entregam o patrimônio público a imobiliarias e seus  afetos mais próximos com o interesse de abarganharem apoio político e financeiro para futuras campanhas eleitorais.
O povo trabalhador desta cidade se mostra contrário ao desmantelamento do patrimônio público, esse mesmo patrimônio é a garantia de uma futura cidade com espaços públicos para aparelhos institucionais para prover o bem estar das futuras gerações. A negativa desse projeto por parte do povo trabalhador é a garantia para que esse projeto entreguista não se concretize.  "DIZER NÃO A ISSO, É TER SOBERANIA"

Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para o mundo de leis me obrigar
A lutar pelo erro do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar

Zé Ramalho

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

'O capitalismo chegou ao fim da linha', afirma Wallerstein

entrevista durou pouco mais de onze minutos, mas alimentará horas de debates em todo o mundo e certamente ajudará a enxergar melhor o período tormentoso que vivemos. Aos 81 anos, o sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein, acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas – e aqui começam as provocações – o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia. 


Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, em meio a uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num ato heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não está sugerindo que as ações humanas são irrelevantes. 

Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as ações coletivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, nossas escolhas realmente importam. “Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.” 

É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá teria se quebrado “a ilusão liberal que governava o sistema-mundo”. Abertura de um período em que o sistema hegemônico começa a declinar e o futuro abre-se a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o fato mais potente do século passado – superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial. 

As declarações foram colhidas no dia 4 de outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT. A transcrição e a tradução para o português são iniciativas do site Outras Palavras (Le Monde Diplomatique Brasil - 15/10/2011). 

Eis a entrevista. Humor_O_Fim_do_Capitalismo_Financeiro

Há exatamente dois anos, você disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está acontecendo agora? 
Immanuel Wallerstein - Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está chegando. 

Quem está em maiores apuros: Os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo? 
Wallerstein - Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento – Brasil, Índia, China – também enfrentarão dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila. 

Você está dizendo que o sistema financeiro está claramente quebrado. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo? 
Wallerstein - Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. Segundo meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 – e ainda vai durar mais uns vinte, trinta ou quarenta anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo — que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer — não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que irá sucedê-lo. E é claro: podem existir duas pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo. 

Qual a sua visão? 
Wallerstein - Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo – mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa é uma bifurcação de um sistema. 

Então, a bifurcação do sistema capitalista está diretamente ligada aos caos econômico? 
Wallerstein - Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como um sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas se desfez, como acontece com todos os sistemas. 

Esses tremores econômicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras? 
Wallerstein - Se você pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, eles são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de “inferno na terra”. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo – e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos nos ajustar ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Você não sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos vendo no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está investindo, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber seu dinheiro, não investe – mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e estão certas, as opções são escassas. 

Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Você vê uma saída? 
Wallerstein - Sim! O que acontece numa bifurcação é que, em algum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos em um novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito otimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes. Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa. 

O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais? 
Wallerstein - A situação muda quando você está em uma crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças – porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direção. Às vezes, digo que essa é a “historização” da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As ações de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Esse é meu argumento básico. 

Você sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Você acredita que ele ainda seja tão relevante no século 21? 
Wallerstein - Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século 19. Ele teve todas as virtudes, com suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século 19. Uma de suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Ele viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou sugerindo que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do fato de ter sido um pensador do século 19; eu sou prisioneiro do fato de ser um pensador do século 20. 

Do século 21, agora. 
Wallerstein - É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século 20, eu sinto que sou um produto do século 20. Isso provavelmente se revela como limitação no meu próprio pensamento. 

Quanto – e de que maneiras – esses dois séculos se diferem? Eles são realmente tão diferentes? 
Wallerstein - Eu acredito que sim. Acredito que o ponto de virada deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, eu o considero o evento mais significantes do século 20. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem se tornado o poder hegemônico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo. 

Você disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento? 
Wallerstein - Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje, elas têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo. 

Você acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o fato de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana? 
Wallerstein - Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Eu não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados. 

É isso que vemos hoje? O Ocidente tentando ensinar os bárbaros de todo o mundo? 
Wallerstein - É o que vemos há 500 anos. 


(Fonte: Sophie Shevardnadze - TV russa RT - Tradução: Outras Palavras/Le Monde Diplomatique Brasil )

domingo, 16 de outubro de 2011

The American Dream - O Sonho Americano

 
Apesar de ser uma animação que utiliza-se da piada e irreverência, aborda um dos assuntos mais sérios da Economia Global: Os donos do dinheiro. Fatos que foram escondidos da população mundial durante gerações e gerações, e que agora, com o advento da Internet estão sendo pouco a pouco revelados. Descubra quem são os Rothschilds, como eles conseguiram enganar toda a Inglaterra, obrigando-a posteriormente a adotar o sistema monetário do débito; surpreenda-se em saber que o FED americano (semelhante à Casa da Moeda) não é uma instituição pública, mas sim um banco privado e o que ele custa aos contribuintes norte-americanos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

José Paulo Netto: palestra sobre neoliberalismo

Ofereço aos leitores do Produto da Memte, um interessante e formativo documento audiovisual. O marxista brasileiro José Paulo Netto explica neste vídeo de 26 minutos a génese e o significado do neoliberalismo como manifestaçom actual das políticas económicas do capitalismo globalizado. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

737 donos do mundo controlam 80% do valor das empresas mundiais

Um estudo de economistas e estatísticos, publicado na Suíça neste Verão, dá a conhecer as interligações entre as multinacionais mundiais. E revela que um pequeno grupo de actores económicos – sociedades financeiras ou grupos industriais – domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo.
O seu estudo, na fronteira da economia, da finança, das matemáticas e da estatística, é arrepiante. Três jovens investigadores do Instituto federal de tecnologia de Zurique1 examinaram as interacções financeiras entre multinacionais do mundo inteiro. O seu trabalho - “The network of global corporate control” (“a rede de controlo global das transnacionais”) - examina um painel de 43.000 empresas transnacionais (“transnacional corporations”) seleccionadas na lista da OCDE. Eles dão a conhecer as interligações financeiras complexas entre estas “entidades” económicas: parte do capital detido, inclusive nas filiais ou nas holdings, participação cruzada, participação indirecta no capital...
Resultado: 80% do valor do conjunto das 43.000 multinacionais estudadas é controlado por 737 “entidades”: bancos, companhias de seguros ou grandes grupos industriais. O monopólio da posse capital não fica por aí. “Por uma rede complexa de participações”, 147 multinacionais, controlando-se entre si, possuem 40% do valor económico e financeiro de todas as multinacionais do mundo inteiro.
Uma super entidade de 50 grandes detentores de capitais
Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam o que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo.
Esta concentração levanta questões sérias. Para os autores, “uma rede financeira densamente ligada torna-se muito sensível ao risco sistémico”. Alguns recuam perante esta “super entidade”, e é o mundo que treme, como o provou a crise do subprime. Por outro lado, os autores levantam o problema das graves consequências que põe uma tal concentração. Que um punhado de fundos de investimento e de detentores de capital, situados no coração destas interligações, decidam, por via das assembleias gerais de accionistas ou pela sua presença nos conselhos de administração, impor reestruturações nas empresas que eles controlam... e os efeitos poderão ser devastadores. Por fim, que influência poderão exercer sobre os Estados e as políticas públicas se adoptarem uma estratégia comum? A resposta encontra-se provavelmente nos actuais planos de austeridade.
Artigo de Ivan du Roy, publicado em Basta!, traduzido por Carlos Santos para esquerda.net
Retirado de http://www.bastamag.net/article1719.html

1 O italiano Stefano Battiston, que passou pelo laboratório de física estatística da École normale supérieure, o suíço James B. Glattfelder, especialista em redes complexas, e a economista italiana Stefania Vitali.








Por Ivan du Roy

domingo, 25 de setembro de 2011

CORTINA DE FUMAÇA

Cortina de Fumaça from Missawa on Vimeo.

Cortina de Fumaça é um projeto independente, realizado pelo grupo COLETIVO Projects, movido pela vontade de colaborar na construção de uma sociedade mais equilibrada e alinhada com os princípios de liberdade, diversidade e tolerância. O documentário de 88 minutos, traz informação fundamentada para o grande público através de depoimentos nacionais e internacionais.
Além do Brasil, o diretor Rodrigo Mac Niven gravou na Inglaterra, Espanha, Holanda, Suíça, Argentina e Estados Unidos; visitou feiras e congressos internacionais, hospitais, prisões e instituições para conversar com médicos, neurocientistas, psiquiatras, policiais, advogados, juízes de direito, pesquisadores e representantes de movimentos civis. Dentre os 34 entrevistados, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso; o Ministro da Suprema Corte da Argentina, Raúl Zaffaroni; o ensaista e filósofo espanhol autor do tratado “Historia General de Las Drogas”, Antonio Escohotado, o ex-Chefe do Estado Geral Maior do Rio de Janeiro, Jorge da Silva e o criminalista Nilo Batista.
Cortina de Fumaça coloca em questão a política de drogas vigente no mundo, dando atenção às suas conseqüências político-sociais em países como o Brasil e em particular na cidade do Rio de Janeiro. Através de entrevistas nacionais e internacionais com médicos, pesquisadores, advogados, líderes, policiais e representantes de movimentos civis, o jornalista Rodrigo Mac Niven traz a nova visão do início do século 21 que rompe o silêncio e questiona o discurso proibicionista. O filme foi produzido, escrito e dirigido pelo jornalista Rodrigo Mac Niven, numa co-produção entre a J.R. Mac Niven Produções e a TVa2 Produções.
Exibido pela primeira vez no Festival Internacional de Cinema do Rio 2010, o filme participou de vários festivais no Brasil e no exterior. Além disso, dezenas de exibições seguidas de deabates foram e continuam sendo feitas pelo Brasil. 
Ficha Técnica:
Roteiro e direção: Rodrigo Mac Niven
Produção: Rodrigo Mac Niven e Paula Xexéo
Realização: COLETIVO Projects
Co-produção: TVa2 Produções e J.R.Mac Niven
País: Brasil
Ano: 2010
Duração: 88 minutos
Exibição no Vimeo autorizada pelo diretor.
Postada no site do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos) neip.info

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Qual verdade?

Por Edson Teles.
O Congresso Nacional deve aprovar hoje, em regime de urgência urgentíssima, o Projeto de Lei do Executivo que trata da criação da Comissão Nacional da Verdade. Supostamente, esta instituição teria como função apurar os crimes de graves violações de direitos humanos ocorridos durante a ditadura militar. Contudo, ao ler o Projeto com um mínimo de atenção, verifica-se que a verdade sobre a violenta repressão durante os governos militares, os quais contaram com forte apoio civil, torna-se um objeto raro neste processo.
O governo brasileiro busca impor um projeto de lei sobre a Comissão da Verdade sem ouvir a sociedade brasileira, em especial sem dar voz às vítimas e seus familiares e, ressalte-se, por meio de um ato de exceção: a votação em regime de urgência urgentíssima, pelo qual são dispensadas as formalidades regimentais devido ao caráter inadiável ou emergencial do tema em questão. Ora, como pode ser inadiável um assunto que por mais de 30 anos tem sido ocultado por acordos necessários e emergenciais? Será que depois de mais de 25 anos de democracia a sociedade brasileira não tem vida política qualificada o suficiente para discutir como quer abordar sua história e suas consequências para o presente? Por que tanta pressa? O que torna a Comissão da Verdade uma votação inadiável neste momento?
É muito provável que a urgentíssima necessidade de aprovação do projeto esteja vinculada à questão de qual verdade ou quanto dela a Comissão irá apurar. O projeto do governo, amplamente anunciado como aceito pelas Forças Armadas, indica em seu primeiro artigo todo o problema colocado. Vejamos como este artigo começa: “Fica criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, a Comissão Nacional da Verdade (…)”. No Artigo 10º se esclarece o que isto quer dizer: a Comissão da Verdade não terá estrutura, orçamento e funcionamento autônomo em relação ao poder Executivo. Ela dependerá do “suporte técnico, administrativo e financeiro” da Casa Civil. A Comissão prevista não terá independência e autonomia para a realização de seus trabalhos.
Segue o Artigo 1º: a Comissão será criada “(…) com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas (…)”. Praticadas por quem? Será que já não é evidente para a história do país que houve uma grave e violenta ditadura no país? Por que não consta do Projeto as palavras “responsável” ou “responsabilidade”?
Bem, talvez o Estado ditatorial não tenha sido nomeado para que o restante do artigo esclareça a questão da responsabilidade. Retornemos à leitura do Artigo 1º: “(…) praticadas no período fixado no Artigo 8º. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (…)”. O que será este Ato? Seu teor diz: “É concedida anistia aos que, no período de 18 de setembro de 1946 até a data da promulgação da Constituição (ou seja, 1988), foram atingidos, em decorrência de motivação exclusivamente política, por atos de exceção, institucionais ou complementares (…)” (grifos e comentário nossos). Como assim? A ditadura não foi de 1964 a 1985 (ou 1988, se a referência for a nova Constituição; ou ainda, 1989, se for a primeira eleição direta para presidente)? Então, quais violações de direitos humanos serão examinadas e esclarecidas entre 1946 e 1988?
Segundo documento do Ministério Público Federal (“Nota Técnica sobre o Projeto de Lei que cria a Comissão Nacional da Verdade”, de abril de 2011), “tal enfoque amplia demasiadamente o objeto da Comissão”, com “um risco de que a Comissão perca o foco”. O documento do Ministério Público informa que o Artigo 8º. do Ato é um dispositivo que “estipulou normas diversas (…) , pois o resultado final era o mesmo: anistia para perseguidos políticos, independente da natureza da perseguição”. Novamente, parece que o desejo de conhecer a história do país está sendo escamoteado.
O Artigo 1º do Projeto do governo continua: a Comissão irá “examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos (…) a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional” (grifo nosso). Qual reconciliação? Ainda vivemos o conflito da época da ditadura? O projeto de lei do governo, este mesmo que anuncia o Brasil como uma democracia consolidada e de economia forte, está dizendo que as relações entre civis e militares ainda existem? Que há algo de autoritário no Estado de Direito?
Resta algo da ditadura em nossa democracia que surge na tutela militar da política e expõe uma indistinção entre o democrático e o autoritário no estado de direito. A violência originária de determinado contexto político mantém-se seja nos atos de tortura ainda praticados nas delegacias, seja na suspensão dos atos de justiça contida no simbolismo da anistia, aceita pelas instituições do Estado como recíproca, agindo em favor das vítimas e dos opositores, bem como dos torturadores.
A memória dos anos de repressão política, por terem sido silenciados nos debates da transição, delimita um lugar inaugural de determinada política, cria valores herdados na cultura e que permanecem, tanto objetivamente, quanto subjetivamente, subtraídos dos cálculos da razão política. Se alguns países latino-americanos dedicam-se à criação de novos investimentos em direitos humanos, o Brasil mantem-se como modelo de impunidade e não segue sequer a política da verdade histórica.
Houve aqui uma grande ditadura, mas os arquivos do regime de exceção não foram abertos, não apuraram as circunstâncias dos crimes e a localização dos desaparecidos.
Merecedor de nota foi o casuísmo no trâmite do projeto da Comissão da Verdade apresentado ao Congresso Nacional, em maio de 2010, dois dias antes de iniciar o julgamento do Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA). Neste processo, o Brasil foi condenado a apurar as circunstâncias dos assassinatos e tortura de militantes da Guerrilha do Araguaia (1972-1975), localizar os corpos desaparecidos e punir os responsáveis por tais crimes. Da mesma maneira casuística temos hoje a necessidade urgentíssima de aprovação do Projeto que ocorre próximo à reunião da Corte da OEA, momento em que será avaliado se a sentença está sendo cumprida; e, não menos intrigante, simultâneo ao discurso da presidente Dilma Rousseff na ONU.
As ambiguidades do projeto de lei do governo constituem bloqueios da política e da justiça e demonstram a urgência da participação da sociedade civil na formulação de qual Comissão teremos e de quanta verdade o Brasil suporta.
***
Edson Teles é doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), é professor de filosofia política na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Pela Boitempo, organizou com Vladimir Safatle a coletânea de ensaios O que resta da ditadura: a exceção brasileira (2010).

Herdeiros dos Farroupilhas

Somos gaúchos, gauchos desta pampa
pobre, herdeiros legítimos
daqueles que levantaram
a sua voz e suas lanças
contra a tirania do império

Em nossas veias correm
o sangue da bravura
da valentia dos combatentes
anônimos  heróicos farroupilhas

Não estamos nos CTGs
(Centros de Tradições Gaúchas), nas
festas oficiosas, como o nome dos
nossos antepassados que
derramaram o seu sangue
bravura, pela liberdade de
nossa querência
não estão nos livros
de história sem cor da burguesia

Mas estamos no campo produzindo
pão, cuidando gado do patrão
nas fábricas, nos portos, nas escolas
nas ruas, esquinas, acampamentos
em busca de terra e trabalho
para viver

Assim, nós herdeiros farroupilhas
da coragem e valentia, de Anita e Giuseppe Garibaldi
Bento Gonçalves, Antônio de Souza Neto, dos lanceiros Negros
e de tantos outros heróis, fomos condenados
a viver anônimos, nesta terra
que tanto amamos

enquanto damos a nossa força de trabalho
os herdeiros da tirania vivem como
viviam os seus antepassados
explorando e em boa vida
Mas virá o momento em que
nós nos levantaremos do chão
e de nossa humilhação, pegaremos
a herança deixada por nossos pais e deixaremos de
ser explorados
Queremos o que é nosso, ter em
nossas mãos a terra, a produção
e as riquezas da nação que está em poucas mãos

E construiremos aqui no
Rio Grande do Sul do novo milênio
uma terra livre a onde a
" Igualdade, Fraternidade, Liberdade"
serão a verdadeira realidade
Que serão construídas pelas mãos
obreiras dos trabalhadores do
campo e da cidade
que são os verdadeiros herdeiros farroupilhas.
( Júlio Lázaro Torma)
Colaborador deste blog

terça-feira, 20 de setembro de 2011

VERGONHA: Assembleia vota nesta terça-feira venda das ações da Casan em Santa Catarina

 
  

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