domingo, 24 de agosto de 2014

O Grande Ausente - Prof Ivo Tonet



 

Maria Bethânia Pedrinha de Aruanda



A intimidade de Maria Bethânia a partir da comemoração de seu aniversário de 60 anos, celebrado durante uma apresentação em Salvador e numa missa em Santo Amaro, sua cidade natal, em 2006.
Lançamento 14 de setembro de 2007 (1h 1min)
Dirigido por Andrucha Waddington

sábado, 9 de agosto de 2014

A História do Racismo e do Escravismo (BBC).



A "História do Racismo" é um documentário produzido e realizado pela British Broadcasting Corporation (BBC) - que aborda o legado deixado pelo racismo e pelo escravismo ao longo dos séculos -,
como parte da comemoração do bicentenário da Lei de Abolição ao Tráfico de Escravos (1807), a BBC 4, dentro da chamada "Abolition Season", exibiu uma série composta por três episódios, independentes entre si, abordando a história e os aspectos do racismo pelo mundo. São eles: "A Cor do Dinheiro", "Impactos Fatais" e "Um Legado Selvagem".

Racismo e Escravismo - Uma mulher custava o preço de dois homens.

A "História do Racismo" é um documentário produzido e realizado pela British Broadcasting Corporation (BBC), que aborda o legado deixado pelo racismo e pelo escravismo ao longo dos séculos

Muitas vezes o racismo e a xenofobia, embora fenômenos distintos possam ser considerados paralelos e de mesma raiz, isto é, ocorrem quando um determinado grupo social começa a hostilizar outro por motivos torpes. Esta antipatia gera um movimento em que o grupo mais poderoso e homogêneo hostiliza o grupo mais fraco, ou diferente, pois o segundo não aceita seguir as mesmas regras e princípios ditados pelo primeiro. Muitas vezes, com a justificativa da diferença física, que acaba se tornando a base do comportamento racista.

Escravismo: Primeiramente, o escravismo começou na África, quando este país fortaleceu e desenvolveu seus laços comerciais com a Europa principalmente Portugal , cujo foi o país com maior índice de exportação escravista.

Quando o comércio africano expandiu seus produtos com a Europa, surgiu a proposta de exportar negros para trabalhos neste país, visando grandes negócios, os reis africanos da época aceitaram a proposta, e foi quando a escravidão começou. Depois de alguns anos de escravismo, apesar da África ter conseguido gerar muito capital com estas exportações - e graças a isto o escravo se tornou o principal "item" de exportações e a principal fonte de renda-, o país perdeu muitos habitantes (que haviam virado escravos), ou seja, teve sua densidade demográfica diminuída, além de ter várias famílias e sociedades separadas.

O trabalho escravo era a base de torturas e um trabalho árduo, onde estes trabalhadores possuíam qualidade de vida precária. Muitos escravos morriam.

Racismo: O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras, normalmente relacionando características físicas hereditárias a determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas que valorizam as diferenças biológicas entre os seres humanos, atribuindo superioridade a alguns de acordo com a matriz racial.

Como uma ideologia, o racismo existiu durante o século XIX como "racismo científico" (Racialismo), que tentava dar uma classificação racial para a humanidade. Embora tais ideologias racistas tenham sido amplamente desacreditadas após a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, o racismo e a discriminação racial permaneceram difundidos em todo o mundo.

A crença da existência de raças superiores e inferiores foram utilizadas muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade e ao complexo de inferioridade, se sentindo, muitos povos, como inferiores aos europeus.

Na África antiga, o racismo era muito presente em relação a convivência do povo africano com outros países, que consideravam a raça negra (africana) inferior a raça branca, o que gerava um preconceito contra os afrodescendentes, que ainda são notados hoje. Assim este preconceito favoreceu o começo do escravismo na África, já que os povos brancos que mantinham contato com o povo africano, acreditavam que a raça inferior (negra) tinha de obedecer a raça superior (branca), e como estes povos brancos estavam necessitando de mão de obra em suas terras, pensaram que era uma boa "jogada" exportar negros para trabalho escravo.

O racismo é um preconceito contra um “grupo racial”, geralmente diferente daquele a que pertence o sujeito, e, como tal, é uma atitude subjetiva gerada por uma sequência de mecanismos sociais.

Um grupo social dominante, seja em aspectos econômicos ou numéricos, sente a necessidade de se distanciar de outro grupo que, por razões históricas, possui tradições ou comportamentos diferentes. A partir daí, esse grupo dominante constrói um mito sobre o outro grupo, que pode ser relacionado à crença de superioridade ou de iniquidade.

Nesse contexto, a falta de análise crítica, a aceitação cega do mito gerado dentro do próprio grupo e a necessidade de continuar ligado ao seu próprio grupo leva à propagação do mito ao longo das gerações. O mito torna-se, a partir de então, parte do “status quo”, fator responsável pela difusão de valores morais como o "certo" e o "errado", o "aceito" e o "não aceito", o "bom" e o "ruim", entre outros. Esses valores são aceitos sem uma análise onto-axiológica do seu fundamento, propagando-se por influência da coerção social e se sustentando pelo pensamento conformista de que "sempre foi assim".

Finalmente, o mecanismo subliminar da aceitação permite mascarar o prejuízo em que se baseia a discriminação, fornecendo bases axiológicas para a sustentação de um algo maior, de posturas mais radicais, como as atitudes violentas e mesmo criminosas contra membros do outro grupo.

Convém ressaltar que o racismo nem sempre ocorre de forma explícita. Além disso, existem casos em que a prática do racismo é sustentada pelo aval dos objetos de preconceito na medida em que também se satiriza racialmente e/ou consente a prática racista, de uma forma geral. Muitas vezes o racismo é consequência de uma educação familiar racista e discriminatória.

O mundo continua um lugar perigoso, desigual e sem um rumo razoavelmente definido. Mas entre os avanços conquistados, diversos estão consolidados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Os quatro primeiros artigos da Declaração dizem o seguinte:

1° - Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

2° - Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.

3° - Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

4° - Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.

Um item que ainda está longe de conseguir legitimidade e uma legislação adequada é o combate ao homofobismo e a todas as manifestações de homofobia. Mas em outras áreas houve grandes avanços, embora a civilização humana ainda esteja longe de tratar todos os seus membros de forma justa e igualitária. Porém, existem instrumentos para se combater as discriminações advindas do classismo, escravismo, sexismo, xenofobismo e homofobismo.


cosmosvldc

A Hora dos Fornos 1-2-3

 

Este film está dividido en tres partes: "Neocolonialismo y violencia"; "Acto para la liberación", dividido a su vez en dos grandes momentos "Crónica del peronismo (1945-1955)" y "Crónica de la resistencia (1955-1966)"; "Violencia y liberación".

Esta película recién pudo ser estrenada formalmente en la Argentina en 1973 debido al contexto político de aquella época (pero para entonces ya había ganado varios premios en Europa. En 1989 fue reestrenada y en 2008 reeditada en una versión extendida

 

 Neocolonialismo e Violência - A Hora dos Fornos 1



    
Ações de Libertação - A Hora dos Fornos 2 





 Violência e Emancipação - A Hora dos Fornos 3 



domingo, 3 de agosto de 2014

Dançando com o Diabo

o documentário mostra a complexidade das favelas cariocas na visão de três personagens ligados diretamente ao tráfico: um pastor, um policial e um criminoso.De acordo com o pastor Dione dos Santos, 90% dos jovens que participaram do documentário estão mortos. O filme fala da complexidade e das contradições do crime organizado e da ajuda da religião.Dançando com o Diabo custou 500 mil dólares. A ideia partiu do jornalista inglês Tom Phillips, correspondente do jornal ( The Guardian ). Ele ficou um ano e meio visitando favelas do Rio depois de fazer uma reportagem com Dione. Assim teve acesso a Juarez Mendes da Silva, o Aranha, chefe do tráfico de quinze morros cariocas e que morreu logo depois de participar do filme

Justiça



Justiça, documentário de Maria Augusta Ramos(de 2004), pousa a câmera onde muitos brasileiros jamais puseram os pés - um Tribunal de Justiça no Rio de Janeiro, acompanhando o cotidiano de alguns personagens.

Retrata-se de forma particular, a rotina do Judiciário e do sistema prisional brasileiro, que, através de imagens imperativas, revelam ao telespectador o retrato frio e cruel da realidade carcerária e processual do nosso sistema penal.

Neste universo, são focados aqueles que de algum modo, direta e indiretamente, compõe o arcabouço da Jurisdição do Brasil, mais precisamente, a jurisdição do Rio de Janeiro. Deste modo, os personagens trazidos pelo filme são as pessoas que trabalham diariamente com o poder judiciário, como promotores, defensores públicos, juízes, e aqueles que estão apenas de passagem, como os réus e seus familiares.

A câmera é utilizada como um instrumento que enxerga o teatro social, as estruturas de poder - ou seja, aquilo que, em geral, nos é invisível. O desenho da sala, os corredores do fórum, a disposição das pessoas, o discurso, os códigos, as posturas - todos os detalhes visuais e sonoros ganham relevância. O espaço, as pessoas e sua organização são registrados de maneira sóbria.

A câmera está sempre posicionada em relação à cena mas não se move dramaticamente, não busca a falsa comoção. Sinal de respeito, de não-exploração. No filme, não há entrevistas ou depoimentos, a câmera registra o que se passa diante dela. Maria Augusta Ramos observa um universo institucional extremamente fechado e que raras vezes é tratado pelo cinema ficcional brasileiro.

Seu filme é tão mais importante em função de nossas limitações em termos de representação dos sistemas judiciais. Em geral, nosso olhar é formado pela visão do cinema americano, os "filmes de tribunal". Justiça, sob esse aspecto, é um choque de realidade.

A cineasta vai acompanhar um pouco mais de perto uma defensora pública, um juiz/professor de direito e um réu. Primeiro, a câmera os flagra no "teatro" da justiça; depois, fora dele, na carceragem da Polinter e na intimidade de suas famílias.

Com suas opções claras, que não são escondidas por sua opção pela sobriedade e pela simplicidade, Maria Augusta Ramos deixa evidente que, como os documentários, a justiça está muito longe de ser isenta. Como e para quem a justiça funciona no Brasil é a questão que se apresenta em seu filme, sem respostas definitivas ou julgamentos preconcebidos.

 

domingo, 27 de julho de 2014

A Ascensão do Dinheiro - Episódio 01 - Sonhos de Avareza (2008)



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"A Ascensão do Dinheiro" é baseado no décimo livro do professor de Harvard, Niall Ferguson, publicado em 2008, onde ele procura explicar a história financeira do mundo, explorando a forma como o nosso complexo sistema financeiro global evoluiu ao longo dos séculos, como o dinheiro moldou o curso das relações humanas e como a mecânica deste sistema econômico funciona para criar uma aparente riqueza sem limites.
Para milhões de pessoas, a recessão gerou uma sede de conhecimento sobre a forma como o sistema económico global realmente funciona, em especial quando tantos especialistas financeiros parecem ter sido igualmente apanhados de surpresa. Em "A Ascensão do Dinheiro", o economista, escritor e historiador Niall Ferguson oferece-nos um vislumbre para estas questões levando os espectadores numa viagem passo a passo pelos marcos da história financeira que criaram este sistema, visitando locais onde ocorreram os principais acontecimentos. Ferguson mantém que a história do dinheiro encontra-se de facto no centro da história humana, com a força econômica a determinar o controlo político, guerras com o intuito de criar riqueza e barões financeiros que influenciam o destino de milhões.

Episódio 02 - http://www.youtube.com/watch?v=ibx-Du...
Episódio 03 - http://www.youtube.com/watch?v=zJDa5n...
Episódio 04 - http://www.youtube.com/watch?v=vUJbCUutJ
Episódio 05 - http://www.youtube.com/watch?v=43aDXI...
Episódio 06 - http://www.youtube.com/watch?v=zaDJ6O...

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Os BRICS e a esquerda da mais-valia relativa

É a esquerda da mais-valia relativa quem mais tem contribuído para a expansão do capitalismo nos BRICS. 

Os eixos fundamentais da esquerda da mais-valia relativa nos BRICS
Nos últimos anos muito se tem escrito sobre a esquerda nacionalista portuguesa e sobre os impasses que ela coloca. Ora, o maior perigo do nacionalismo no seio da esquerda não é apenas a difusão de variadas formas de irracionalismo. É também o perigo de, a pouco e pouco, levar os próprios contestatários a raciocinar nos moldes preconizados pelos nacionalistas: a discussão centrada nos assuntos do país de origem.
Para fugir a esta “armadilha” escrevi este breve artigo sobre o facto de, neste século, ser uma parte da esquerda (a esquerda da mais-valia relativa) quem mais tem contribuído para a expansão do capitalismo em alguns dos países emergentes. Combinando a mais-valia relativa com a mais-valia absoluta, sob a hegemonia da primeira, e articulando o Estado central às prerrogativas de expansão das empresas, é nos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que uma modalidade da esquerda dos gestores tem conseguido fornecer oxigénio à modernização capitalista. Esta é a esquerda dos gestores da mais-valia relativa, uma modalidade quase ausente em Portugal.
Seria demasiada coincidência se a ascensão dos BRICS não tivesse nada a ver com a presença de uma esquerda da mais-valia relativa na governação destes países. Desde o caso do PT no Brasil à reconversão do PC chinês, passando pela coligação de esquerda que governa a África do Sul, sem esquecer os ex-KGBs que estão no centro de poder da Rússia ou o governo do Partido do Congresso Indiano que governo o país até Maio passado, parece-me que a constituição de uma esquerda capaz de articular eficazmente o Estado e as empresas é parte relevante no processo de evolução do capitalismo no século XXI. Será da articulação entre Estados repressivos e ditatoriais (como o caso chinês e russo) e da criação de condições para o desenvolvimento pleno dos negócios das empresas (das ONGs às grandes transnacionais) que o capitalismo encontrará fôlego para um novo ciclo económico de expansão. A juntar a isto parece estar a ocorrer uma integração internacional cada vez mais interpenetrada e sólida tanto entre os BRICS, como entre cada uma destas economias e outros países emergentes.
BRICS
Temos assim uma esquerda dos gestores, uma esquerda que, sem esquecer a mais-valia absoluta, se tem centrado na expansão da mais-valia relativa, precisamente porque se mostrou capaz de, por um lado, absorver os protestos sociais e, por outro, fortalecer o aparelho de Estado no sentido deste proporcionar melhores condições infra-estruturais e de financiamento para as empresas. Parece aqui contrariar-se a tese dicotómica e mecânica que contrapunha Estado e mercado. Pelo contrário, o sucesso económico dos BRICS contraria esse dualismo estéril, convocando a reflectir sobre as implicações e as reais relações entre o aparelho de Estado e as empresas. Esquerda, Estado e empresas são, nos BRICS, partes constitutivas e necessariamente interdependentes de um mesmo sistema de poder. A esquerda tem sido nos BRICS a vanguarda do Estado que, por sua vez, actua no sentido de fornecer condições materiais e políticas para o avanço do poder e dos investimentos das empresas.
Ao mesmo tempo, esta esquerda dos gestores tem sido inovadora política e socialmente.
Num primeiro âmbito repare-se que esta esquerda não é uma mera cópia da tecnocracia europeia ou norte-americana, apesar das suas cordiais relações de classe. Esta esquerda dos gestores surgiu fundamentalmente em países que tiveram algum tipo de movimentação operária de base nas décadas anteriores (lutas operárias no final dos anos 80 no ABC paulista; lutas de base aquando da Revolução Cultural tanto contra “elementos burgueses” como contra o Estado maoísta; lutas contra o apartheid na África do Sul; lutas no Leste europeu contra a burocracia soviética; lutas seculares camponesas na península indiana) e soube utilizar o recuo das lutas sociais para introduzir elementos da lean production toyotista em variados sectores.
Num segundo âmbito percebe-se que esta esquerda utiliza o Estado como trave central da sua actuação estratégica. Mas seria um erro reduzir a actuação desta esquerda a um estatismo clássico de nacionalizações e de recurso à violência para reprimir manifestações de rua. Pelo contrário, esta esquerda tem sido capaz de, num mesmo passo, financiar ONGs e movimentos sociais e introduzir elementos dirigentes destas estruturas na cadeia central de poder. Associado a isto, esta esquerda da mais-valia relativa diverge da esquerda estatista europeia na medida em que o Estado não se expande por via da retracção da iniciativa privada, mas procurando o crescimento de ambas. Esta articulação institucional expressa-se, no plano internacional, na facilidade com que a tecnocracia dos BRICS participa em investimentos transnacionais junto da tecnocracia norte-americana e europeia. É, portanto, no pulsar dos processos de transnacionalização global com os blocos europeu e norte-americano e dos processos de transnacionalização intra-BRICS e com os restantes países emergentes que esta esquerda dos gestores tem desempenhado um papel incontornável para a expansão do capitalismo. Uma expansão de um ponto de vista mais vasto (peso tendencialmente crescente dos BRICS na taxa de crescimento do PIB mundial), mas também ao nível da implementação de sistemas de organização eficientes no interior das suas maiores empresas. Neste momento, os BRICS parecem estar mais avançados na consolidação de alianças económicas entre si do que, por exemplo, o acordo de comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos. Ao nível económico, a União Europeia, constituída por Estados com muito maior proximidade geográfica, cultural e política, não tem conseguido finalizar o seu projecto de integração económica e política a um ritmo desejável, que lhe permita acompanhar os seus competidores. Portanto, a evolução das economias deve quase tudo a dinâmicas de índole socioeconómica. A discussão no plano cultural ou geoestratégico só serve para obscurecer as dimensões político-estruturais e económicas em causa.
Com efeito, na próxima secção vou abordar muito sucintamente dois episódios concretos mas que, vistos numa perspectiva estrutural, apresentam alguns dos contornos fundamentais do papel da esquerda da mais-valia relativa na basculação do toyotismo para novos pólos de acumulação capitalista.
Dois exemplos de como a conjuntura se articula com a estrutura
Há pouco mais de um mês ocorreram importantes greves na China :
greves china«Simplesmente, ainda não houve uma greve desta dimensão e magnitude na China moderna. Enquanto as greves na China normalmente terminam assim que há resposta às reivindicações sobre um determinado assunto, esta greve é indefinida e em escalada: uma espécie de negociação coletiva através do motim. Aqui as reivindicações são mais estruturais; os trabalhadores rejeitaram as migalhas caídas da mesa dos patrões e o protesto alastra às províncias vizinhas. As mudanças na produção chinesa podem repercutir-se na produção global. Como assinalou Jacques Rancière: “A dominação do capitalismo a nível global depende da existência de um Partido Comunista Chinês que fornece às empresas capitalistas deslocalizadas trabalho barato e preços baixos, privando os trabalhadores do direito à auto-organização”. Devido às greves, o salário médio na China subiu 17% por ano desde 2009, e é hoje cinco vezes maior do que era em 2000».
Não vou aqui discutir o seu potencial de elevação das lutas para os próximos tempos, mas como este tipo de mobilizações sociais se insere na estrutura mais vasta que tenho vindo a comentar.
Para começar, reafirmo que é nos países de crescimento da mais-valia relativa que ocorrem as maiores lutas sociais. Os trabalhadores lutam mais quando há crescimento económico e vêem que, como diz o texto, «as migalhas caídas da mesa dos patrões» não chegam para satisfazer o direito a uma vida digna. Pelo contrário, em períodos de crise económica os trabalhadores, justificadamente, têm medo de perder o emprego, de perder salários, querem agarrar-se ao que ainda os pode “safar”. As crises económicas geram movimentos de força da classe dominante e ampliam a fragmentação dos trabalhadores. Por isso é que a resposta dos trabalhadores nas crises é genericamente pontuada pelo erguer das bandeirolas nacionais e dos patrioteirismos. Neste caso na China, pelo contrário, o que anima a luta daqueles trabalhadores é a reivindicação concreta laboral e não as tretas da soberania ameaçada e da ingerência externa. São a vida e as suas condições concretas que mobilizam as lutas que ou rompem com o capitalismo ou o modernizam, obrigando as empresas a fazer concessões mas a aumentar a produtividade do trabalho.
Por isso é que as lutas sociais autónomas são sempre positivas. Na melhor das hipóteses podem desaguar numa nova sociedade. Na pior das hipóteses, obrigam os gestores a reformular os mecanismos de extracção do excedente económico.
De referir que o sucesso do capitalismo chinês se deve à inovadora articulação entre os mecanismos mais modernos da mais-valia relativa (investimento massivo, lean production, empresariado moderno, internacionalização da economia) e os mecanismos mais terríveis da mais-valia absoluta (sectores com baixos salários, repressão laboral, Estado totalitário, ausência de liberdades democráticas). Ao mesmo tempo, como as lutas sociais não conseguiram romper esta articulação, fornecem uma base sólida para obrigar as empresas a responder às reivindicações laborais com um aumento da produtividade, conferindo um ainda maior dinamismo ao sistema. Mas ainda há quem à esquerda ache que o capitalismo está “ligado à máquina”…
Um segundo exemplo vem do Brasil, onde a Câmara dos Deputados aprovou um Plano Nacional de Educação em que é estabelecida a meta de, em 2024, o Estado brasileiro atingir um investimento de 10% do PIB em educação. Propaganda para ver se contraria os protestos nas ruas antes e durante o Mundial de Futebol, ou uma real intenção de prosseguir nos trilhos da mais-valia relativa? Provavelmente as duas coisas, já que, em contextos de crescimento económico, a consagração parcial de reivindicações é sempre parte estruturante de uma nova alavancagem do desenvolvimento económico.
DILMA-A-EDUCAÇÃO-É-A-BASESe esta proposta de Dilma Rousseff se concretizar, é mais um caso notável de um partido e de uma governação de esquerda que souberam, num mesmo movimento, revigorar a classe dos gestores, modernizar a economia e qualificar a força de trabalho, aproveitando a contestação da rua como motor relevante de todo este processo. A meu ver é impossível desligar a força transformadora do PT no capitalismo brasileiro (e mundial) sem se fazer referência, por um lado, ao papel dos movimentos sociais de 1985 a 2002 e, por outro, à capacidade que esse partido teve posteriormente para ir contendo e absorvendo a contestação social que ocorreu fora dos movimentos controlados pelos seus dirigentes. Pelo meio ainda conseguiu burocratizar e governamentalizar uma série de movimentos, bem como não tem tido grandes problemas em usar a força policial. Mas o essencial do processo iniciado em 2002 com a eleição de Lula da Silva passou pelo que escrevi na antepenúltima frase e que volto a mencionar: é um caso notável de um partido e de uma governação de esquerda que souberam, num mesmo movimento, revigorar a classe dos gestores, modernizar a economia e qualificar a força de trabalho, aproveitando a contestação da rua como motor relevante de todo este processo. PT, a esquerda dos gestores da mais-valia relativa no Brasil.
Para terminar
Num outro artigo escrevi que «dada a inseparabilidade do Estado e da economia capitalista, a esquerda dos gestores, seja qual for a sua forma histórica específica, situa-se dentro dos processos de reconversão institucional do capitalismo a partir do aparelho de Estado». Não me irei alongar sobre o assunto mas lembrar que, apesar de esta esquerda se concentrar em postos-chave do Estado, isso não significa que seja este o centro da acumulação de capital. Ao contrário das experiências capitalistas de Estado do passado, há uma integração e uma ampliação de interesses entre os gestores localizados no Estado central, nos sindicatos, nos movimentos e nas empresas. É isso que permite que a esquerda dos gestores esteja a ser bem-sucedida na internacionalização das empresas. Uma lista das 100 empresas mais desafiantes compilada pelo Boston Consulting Group incluía 58 provenientes do continente asiático, onde a China e a Índia despontavam. Em consonância, 83 das 500 empresas listadas pelo índice Fortune 500 localizam-se nas economias emergentes asiáticas da China, Índia, Malásia e Tailândia. Isto demonstra duas coisas. Primeiro, o capitalismo continua a expandir-se e os países governados pela esquerda dos gestores estão na vanguarda desse processo. Segundo, a integração mundial das economias emergentes, especificamente as que são lideradas pela esquerda dos gestores, não tem ocorrido com significativas fricções. Pelo contrário, a integração económica tem sido acompanhada por uma integração dos gestores. É a diversidade política, territorial e de origem que tem fortalecido a classe capitalista dos gestores no plano global e não o contrário. É a plasticidade social e institucional que proporciona aos gestores actuar em cada vez mais tabuleiros territoriais e sociais e, a partir daí, podem expandir as relações sociais capitalistas.
São Francisco que me perdoe, mas é de uma pobreza franciscana que ainda haja à esquerda quem ache que na China apenas imperem «condições que abriram portas a que hoje um chinês monte um computador a troco de uma tigela de arroz». O mais poderoso dos BRICS tem crescido exponencial e ininterruptamente durante três décadas e ainda há quem ache que isso apenas se deveria a aspectos unicamente derivados da mais-valia absoluta. Hoje existem transnacionais colossais de todos os BRICS precisamente porque articulam a mais-valia absoluta com a mais-valia relativa, mas tendo esta como ponta-de-lança. Seria impossível as transnacionais competirem internacionalmente e numa tal vastidão de mercados e de investimentos se apenas se alicerçassem nos mecanismos da mais-valia absoluta. Não é por acaso que, em conjunto, a «China e a Índia esperam atingir, em 2020, cerca de 1 bilião de consumidores de classe média», o que representará um mercado de 10 triliões de dólares. São muitas tigelas de arroz…
Por outro lado, se o modelo chinês (como o dos BRICS no seu conjunto) fosse apenas esse das tigelas de arroz, então Tiananmen não teria sido um ponto de viragem no capitalismo chinês mas o primeiro episódio para uma renovada stalinização da sua economia. No seio dos mecanismos da mais-valia relativa os momentos de repressão dos trabalhadores são isso mesmo, momentos para derrotar lutas sociais pela violência para subsequentemente absorverem aspectos dessas lutas para ampliar o sistema de extracção da mais-valia. Por exemplo, e continuando na China, Tiananmen não apenas não se repetiu como doravante explodiriam centenas de greves reivindicativas que permitiram ao Estado e às empresas responder com o aumento da produtividade do trabalho. Num contexto histórico em que os salários cresceram, só uma produtividade mais elevada poderia compensar esse aumento de custos (momentâneos) para os capitalistas. Ora, este é o mecanismo da mais-valia relativa, o da modernização capitalista, o eixo prevalecente no desenvolvimento económico dos BRICS.
camaradas
Na Europa a esquerda dos gestores da mais-valia absoluta continuará a apostar na divisão nacional dos trabalhadores. Nos BRICS a esquerda dos gestores da mais-valia relativa continuará a expandir as relações capitalistas. Numa parte do globo, os gestores e candidatos a gestores fomentam a fragmentação dos trabalhadores. Noutra parte do globo, a outra esquerda dos gestores tem aproveitado as lutas sociais e o seu património passado para incrementar a mais-valia relativa. É possível uma esquerda sem gestores?

 Por: João Valente Aguiar
De: Passa Palavra

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A historia sionista (The Zionist Story) completo



O autor combina com êxito imagens de arquivo com comentários próprios e de outros, como Ilan Pappe, Jeff Halper, Terry Boullata e Alan Hart.

"Recentemente concluí um documentário independente, A história Sionista, no qual quero apresentar não apenas a história do conflito Israel/Palestina, mas também as razões centrais do mesmo: a ideologia sionista, seus objetivos (passados e atuais) e seu firme controle não somente da sociedade israelense mas também, e de modo crescente, da percepção que os ocidentais têm do Oriente Médio.

Estes conceitos já foram demonstrados no excelente documentário Ocupação 101, de Abdallah Omeish e Sufyan Omeish, mas em meu documentário eu abordo a questão da perspectiva de um israelense, ex-soldado da reserva e alguém que passou sua vida toda na sombra do sionismo.

Espero que achem um momento para assistir a A História Sionista e, caso queiram, sintam-se à vontade para compartilhar-lo com outras pessoas.

Fiz este documentário inteiramente sozinho, sem nenhum orçamento, embora tenha me esforçado para atingir elevados padros profissionais. Espero que esta produção doméstica seja do interesse dos espectadores." -- Renen Berelovich.

sábado, 5 de julho de 2014

‘Nosso objetivo é começar a tirar blindagem do grande capital’



O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) demonstra grande preocupação com a escalada da repressão que as manifestações e movimentos têm sofrido, especialmente as mobilizações durante a abertura da Copa e a greve dos metroviários em São Paulo. “Nós queremos pegar a repressão aos metroviários, a repressão policial nas manifestações, unificar a pauta, e fazer um grande ato nacional”.

Diante do quadro político, as vias institucionais lhe parecem incapazes de realizar as transformações. “O MTST tem buscado construir uma relação cada vez mais firme com outras mobilizações populares de luta por moradia e movimentos sociais. Precisamos nos alinhar com sindicatos combativos, com movimentos por transporte”, aponta, ao enfatizar que o MTST não tem a pretensão de participar do processo eleitoral, e sim fazer pressão por fora.

A entrevista com Guilherme Boulos foi gravada pelo Coletivo Copa, iniciativa da Revista Vaidapé, que reúne meios de comunicação diversos para produção de conteúdo jornalístico durante o Mundial de futebol.

Fonte: Correio da Cidadania

domingo, 29 de junho de 2014

O Problema dos Especialistas



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► Sinopse em Português: Eles nos dizem o que comer, como votar, criar os nossos filhos, arranjar as nossas casas, comprar os nossos vinhos, interpretar os acontecimentos políticos e, até recentemente, escolher as ações certas.
Eles estão em todos os média dizendo-nos o que pensar, porque há informação a mais para que nós possamos decidir por nós mesmos. Então, muitas vezes, entregamos as nossas próprias opiniões a eles porque, bem ... eles são especialistas, têm obrigação de saber melhor do que nós. Ou não é?

Na recente crise bolsista, descobrimos que alguns dos nossos mais importantes especialistas - os nossos gurus financeiros - não sabiam muita coisa.
Então e os outros especialistas existentes? Ser especialista significa tomar melhores decisões do que as pessoas normais? Ou são apenas parte de um novo culto de especialização, uma industria em crescimento que se tornou recente na nossa nova religião?

A PARTIR DE AGORA - As jornadas de junho no Brasil - Filme Completo



Realizado a partir de entrevistas com ativistas de cinco capitais brasileiras, o material não é apenas uma ferramenta para o debate e a compreensão das Jornadas de Junho, mas também um instrumento de organização da luta política, característica marcante da militância audiovisual de Carlos Pronzato, que também dirigiu, entre outros, "O Panelaço - a rebelião argentina" (2002) e "Carlos Marighella - Quem samba fica, quem não samba vai embora" (2011).

Direção, roteiro e concepção: Carlos Pronzato
Direção de produção: Cristiane Paolinelli
Edição: Ricardo Gomes (Coletivo Das Lutas RJ)
Edição teasers e pesquisas de imagens adicionais: Richardson Pontone
Trilha: Apanhador Só - "Feliz 2014" e El Efecto - "Pedras e sonho"
Realização: Lamestiza Audiovisual

Brasil, fevereiro de 2014.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Educação Proibida | Legendado HD Brasil | Completo

 Este documentário produzido no ano de 2012, questiona a escolarização moderna e propõem um novo modelo educativo.
O atual sistema "PRUSSIANO" originado do padrão militar de educação da Prússia, no século 18, tem como objetivo gerar uma massa de pessoas obedientes e competitivas, com disposição para guerrear.
As escolas são colocadas no mesmo patamar das fábricas e dos presídios, com seus portões, grades e muros; com horários estipulados de entrada e de saída, fardamento obrigatório, intervalos e sirenes indicando o início e o fim das aulas.
Ou seja, o sistema educacional vigente acaba refletindo verdadeiras estruturas políticas ditatoriais que produzem cidadãos "adestrados" para servir ao sistema; nesses termos, qualquer metodologia educacional que busque algo diferente será "proibida".
Infelizmente, esse foi o modelo que se espalhou pela Europa e depois pelas Américas. Sua principal falha está em um projeto que não leva em consideração a natureza da aprendizagem, a liberdade de escolha ou a importância do amor e relações humanas no desenvolvimento individual e coletivo.
E aqui estamos agora, com este problema enorme nas mãos...
Assim, fracassados somos todos os que compactuamos direta ou indiretamente com esta verdadeira máquina de subjugar crianças e adolescentes inocentes.
Este documentário é o resultado de mais de 90 entrevistas realizadas em 8 países através de 45 experiências educativas não convencionais e um total de 704 co-produtores.
Um projeto completamente independente de uma magnitude sem precedentes, o que explica a necessidade latente para o crescimento e o surgimento de novas formas de educação.
Colabore você também, divulgando e compartilhando o vídeo em redes sociais, promovendo um debate no seu meio social.

"Todo mundo fala de paz, mas ninguém educa para a paz. As pessoas educam apenas para a competição e a competição leva à guerra."
( Pablo Lipnizky )

"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos, prestativos e responsáveis possa mudar o mundo. Na verdade, é assim que tem acontecido sempre."
( Margaret Mead )

"A liberdade real virá quando nós nos libertarmos da dominação da educação ocidental, da cultura ocidental, e do modo de vida ocidental."
( Mahatma Gandhi )

Algumas das propostas e princípios pedagógicos que sustentam "A Educação Proibida":
Método Montessori; pedagogia Waldorf (Rudolf Steiner); pedagogia Crítica; pedagogia Liberadora (Paulo Freire); método Pestalozzi; método Freinet; A Escola Livre; A Escola Ativa; pedagogia Sistêmica; educação Personalizada; pedagogia Logosófica.

CRÉDITOS
A Educação Proibida -- La Educación Prohibida
DIREÇÃO
Germán Doin
PRODUÇÃO
Verónica Guzzo
MÚSICAS
Introdução - Kokenovem - Fons Vitae - Jamendo
In the Dewdrop - de Expedizion - Guillrmo Agnese
Zoreya (Hang y Sarangi)- Mauro Ortega Zenteno
Juntos - Andrés Garcia
Huested - Matías Córdoba
Solfeggio - Matías Córdoba
Aula Vida - Matías Córdoba
New Andromeda Theory - Wasaru
Brahma - El Perez
LEGENDA
Daniel Slon - Lucia Moretzsohn
REVISÃO e SINCRONIZAÇÃO da LEGENDA
Photo Amaral
EDIÇÃO FINAL
Photo Amaral

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Aqui você vai encontrar a lista de créditos de todas as pessoas que trabalharam na equipe de "Educação Proibida."
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Site oficial = http://www.educacionprohibida.com/:
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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Economias periféricas em teto de zinco quente.

Economias periféricas em teto de zinco quente.
As economias dominantes já resolveram a maior parte dos seus problemas do último período de crise; as dominadas os acumulam cada vez mais. JOSÉ MARTINS.
O ministro brasileiro da Economia, Guido Mantega, é um economista que entende de economia. Isso é uma raridade. Bem diferente dos seus antecessores no comando da economia do país; e muito mais que os eunucos do FMI, Banco Mundial, etc. Talvez por isso a mídia imperialista não canse de pedir sua cabeça. Um homem que pensa é um homem perigoso. O problema é que ele comanda uma economia dominada na ordem imperialista mundial. Um piloto de fórmula 1 competindo com um fusquinha.
Mas vamos aos fatos. Mantega declarou recentemente que o crescimento econômico deve ser retomado, porém de forma lenta. E que a crise internacional que afetou vários países desde 2008 “está arrefecendo”, e os efeitos da melhora desse cenário que “sinaliza o início de um novo ciclo de expansão da economia mundial, principalmente para os países emergentes”, deve ocorrer a passos lentos. “Isso é um processo lento porque os países, principalmente os avançados - onde foi o epicentro da crise -, têm vários problemas para resolver. É por isso que nossas projeções para os próximos anos ainda são moderadas”, disse ele. [1]
O competente ministro faz um discurso politicamente bem articulado, mas distante da dura realidade econômica mundial dos próximos seis meses. É importante esse horizonte de curto prazo, pois dele depende as pretensões do seu governo na disputa eleitoral no mês de Outubro e, portanto, sua própria permanência no seu cargo de ministro que ocupa há mais de seis anos. Porém, mais importante que as escaramuças eleitorais das diferentes fações das classes dominantes, das quais ele é um servo fiel, são as convulsões sociais que já começam a explodir no país, como que anunciando as dores do parto de uma depressão econômica marcada para dentro de 18 a 24 meses.
Vejamos, então, importantes indicadores para uma avaliação séria dessa atual conjuntura econômica mundial e brasileira. Os indicadores antecedentes calculados mensalmente pela Organização para o Comércio e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, são importantes para antecipar a evolução da atividade econômica das principais economias mundiais. Seu conhecido relatório mensal Composite Leading Indicators foi divulgado nesta terça-feira 13 de Maio.[2] Seus números indicam aceleração contínua do crescimento para todas as economias dominantes, como EUA, Alemanha, Japão, etc. Para as maiores economias dominadas – China, Brasil, Índia e Rússia – indica enfraquecimento do crescimento econômico. As curvas abaixo ilustram essa tendência totalmente desigual para dominantes e dominadas
                                                  Economias OCDE (dominantes).                          Economia chinesa.
                                                                 Economia brasileira.
           
Revela-se nas radiografias acima que as economias dominantes devem acelerar acima da tendência nos próximos seis meses. As dominadas devem desacelerar abaixo. Portanto, o primeiro pecado do ministro brasileiro da Economia é não separar as diferentes perspectivas das economias dominantes e das economias dominadas. Mas, como confirmam os números da OCDE, a realidade do desenvolvimento desigual e combinado do mercado mundial se desdobra em dois blocos rigidamente organizados – o bloco das economias dominantes crescendo como uma disciplinada franco-maçonaria; o bloco das dominadas caindo como um empesteado exército de Branca Leone.
Detalhando um pouco mais a evolução para os próximos seis meses: no bloco das economias dominantes, o relatório indica estável aceleração do crescimento (stable growth momentum) para a totalidade das economias. Céu de brigadeiro! Uma excepcional aceleração mais intensa (positive change in momentum) no mesmo período é apontada apenas para a Zona do Euro e Itália.
No bloco das economias dominadas, ao contrário, registra-se um crescimento abaixo da tendência (growth below trend) para a totalidade das economias. Apertem os cintos, vamos passar zonas de alta turbulência! A mais atingida será a economia brasileira do ministro Mantega, seguida, pela ordem de turbulências, a China, a Índia e, finalmente, a Rússia. O seguindo pecado de Mantega, portanto, é não perceber que as economias dominantes já resolveram a maior parte dos seus problemas do último período de crise, enquanto as dominadas só fazem acumulá-los cada vez mais. E que as projeções para os próximos anos não são moderadas, são catastróficas.

[1] Agência Brasil – “Mantega prevê recuperação lenta do aquecimento econômico global” –  29/04/2014 http://agenciabrasil.ebc.com.br
[2] OECD – “Composite Leading Indicators (CLI), OECD, May 2014” http://www.oecd.org/


 FONTE: criticadaeconomia

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