quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009

Jamais poderia deixar neste dia 31 de Dezembro,passar por aqui sem dar o meu agradecimento, por tudo que conquistei neste ano que se finda, dentre elas poderia destacar inúmeras conquistas, mas colocaria em risco minha ignorançia, de não lembra-las de todas, e ao mesmo tempo não poder estender minha gratidão a todos que comigo comungaram da mesma opinião, eu que durante todo este ano por aqui passei, e deixei escrito neste blog: várias matérias, e até mesmo denúncias e desabafos, mesmo por quê se não as tivesse feito, eu não seria eu mesmo. Coloco aqui minha pré disposição de retornar neste novo ano que se inicia, com um desejo ainda maior de acertar. A todos vcs que por aqui passaram, eu deixo um grande abraço! E faço votos de que este novo ano seja repleto de saúde e sabedoria. "Muitas batalhas lutamos, nem todas vencemos. Porém da luta! Jamais nos ausentaremos". Mas antes de me despedir gostaria que vcs lesem este trecho de uma matéria, que tenho certeza que vai deixar vcs mais preparados para o espírito da renovação e boas causas neste 2009

BOA LUTA!

Feliz 2009, Isadora

Ela não aguentou esperar por 2009. Isadora Gomes da Silva nasceu três meses antes do previsto. Foi expulsa do útero materno pela vergonhosa saúde pública brasileira.
O exame pré-natal não identificou que a mãe, uma feirante de 34 anos, sofria grave infecção vaginal. A placenta estava tão contaminada que esverdeou. O líquido amniótico exalava odor fétido.
Isadora veio ao mundo com 930 gramas, um terço do peso normal de um recém-nascido. Sua pele parecia penugem. O pé era menor do que o polegar de um adulto. Os pulmões não funcionavam.
“Ela nasceu em péssimas condições”, lembra Kelly Cristina Santos Carvalho, enfermeira-chefe da UTI neo-natal do Hospital Universitário de Brasília, onde Isadora luta pela vida desde 17 de Novembro.
Francineide Gomes Coutinho é tão guerreira quanto a filha. Ainda não havia terminado o enxoval nem comprado o berço da criança quando sentiu contrações fortes. Correu para o pronto-socorro do Hospital Materno Infantil, o HMIB.
Os médicos da maior maternidade pública do Distrito Federal identificaram a iminência do parto prematuro, explicaram que não havia vaga e despacharam a mulher para o hospital da Universidade de Brasília.
"Foi o pior momento da minha vida. Eu pensei que eu e minha filha íamos morrer”, conta enxugando os olhos. “A gente se sente culpada. Passei minha doença para minha nené, mas eu não sabia que estava doente”.
O obstetra avisou que o risco de contaminação impedia a cesariana. A futura mãe tinha que ser forte e fazer força. Francineide pariu a esperança.
“Quando Isadora nasceu, foi uma correria. Os médicos gritavam: ela está viva, ela está viva !”, diz a brasiliense que há dois meses vigia a incubadora da filha. “Só fui em casa duas vezes”.
O preço do cuidado materno é a saudade do filho mais velho, André de seis anos, e um monte de contas por pagar. “Eu cuidava de uma barraquinha na feira, mas tive que fechar porque agora moro no hospital”, explica.
O marido é vigilante.O casal mora no pobre Riacho Fundo, na periferia candanga, mas nem ela nem ele sonham com luxo. Só pensam em levar Isadora para casa.
Ainda não há expectativa de alta hospitalar, mas a guerreira Isadora já venceu importantes batalhas. Ganhou peso, está com 1,25 kg. Toma leite através de sonda e está quase respirando sem suporte de aparelhos.
“Nada disso teria acontecido se alguns anos atrás tivessem sido feitas políticas claras , e voltadas para o povo.Mas ela vai sobreviver. 2009 será um ano de vitórias".

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Fim da assinatura básica de telefonia será tema importante em 2009

Valter Pinheiro ( PT- BA)



O fim da cobrança da assinatura básica na telefonia, previsto no Projeto de Lei 5476/01, do deputado Marcelo Teixeira (PR-CE), é um assunto que promete mais debate na Câmara em 2009. A comissão especial que vai analisar o tema aguarda a indicação dos representantes dos partidos pelo líderes.O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), considera que o atraso na discussão prejudica o consumidor."Preferencialmente a Mesa Diretora da Câmara resolveu criar uma comissão especial para tratar dessa matéria, o que nós avaliamos como um erro", observou o parlamentar. Para o deputado, se o assunto fosse analisado nas comissões permanentes, como a de Ciência e Tecnologia e, depois, na de Defesa do Consumidor, a proposta "talvez andasse mais rápido".Na sua avaliação, como o tema está numa comissão especial, aguardando um relatório para depois ir para o Plenário, isso prejudicou o consumidor brasileiro e retardou um debate importante, que trata da questão da redução do valor pago pela assinatura básica. "Isto que é um elemento importante para aumentar o acesso a serviços de comunicação no Brasil."Um milhão de ligaçõesEm análise desde 2001, o tema já foi alvo de mais de 1 milhão de ligações para o serviço 0800 da Câmara. Os consumidores que apelaram ao Legislativo pediram o fim da tarifa básica de telefone.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Qual é a Chapecó que queremos????


A percepção que tenho é que os Chapecoenses em sua grande maioria querem que a administração atual que vai governar por mais 4 anos o nosso município, passe por uma reorganização das coisas. Que em meu ponto de vista nada tem feito pra isso. Mas sim trocando meia dúzia de privilegiados e acomodados na administração atual e realocando-os em outras pastas. E dando continuidade a velhas parcerias com uma dezena de grandes empresários de nosso município e região que detém boa parte dos recursos públicos. não se tem visto grandes avanços em políticas públicas voltadas para o interesse coletivo de todos os moradores, quase não há quem não se posicione a favor de mudanças profundas no geito de governar os recursos do nosso munícipio. Essa é a comovida posição de bons políticos (Disse bons políticos, excluo desta lista aqueles que por interesse particular ou por subsiervientarismo seguem as doutrinas apregoadas pelo atual prefeito) é o tema de alguns grupos de trabalho, é a sensação desesperada do povo mais pobre. E tem sido o tema atual da esquerda na qual me incluo. Ao tomar conhecimento da reformulação do seu secretariado e das principais metas para o próximo ano, posso lhe afirmar que a sensação que tive é que de nada tenha mudado, ou , como diz o ditado "Tudo tem mudado para que tudo fique como está".


As mudanças devem ser feitas para atender o interesse geral. Mas em meu modesto ponto de vista não tenho percebido isto, vejo alguns interesses particulares sendo colocados em primeiro lugar. E esses interesses tem se mostrado altamente perigosos para as verdadeiras funções as quais a administração pública deve ser voltada, Esse pequeno grupo de priveligiados são ativos, organizados, sabem o que querem, influem nas eleições, são intimas do prefeito, manipulam as informações através de uma gama enorme de meios de comunicações aos quais estão atrelados ( PIG). Bem ao contrario de nós, povo trabalhador que pra eles somos o proletariado, somos desorganizados , somos mal informados, manipulados,traídos e enganados por esse que ai hoje se apresenta como o todo poderoso omnipresente, e a favor das grandes reformas que nunca chegam. Por isso eu digo e reafirmo, que nós só poderemos mudar este Chapecó que ai está se as pessoas potencialmente favoráveis à mudança sejam bem informadas e reorganizadas. "Não se fará, jamais, a mudança para as pessoas, mas se fará com elas. "

sábado, 27 de dezembro de 2008

Deus como problema


Deus como problema
Não tenho dúvidas de que este arrazoado, logo a começar pelo título, irá obrar o prodígio de pôr de acordo, ao menos por esta vez, os dois irredutíveis irmãos inimigos que se chamam Islamismo e Cristianismo, particularmente na vertente universal (isto é, católica) a que o primeiro aspira e em que o segundo, ilusoriamente, ainda continua a imaginar-se. Na mais benévola das hipóteses de reacção possíveis, clamarão os bem-pensantes que se trata de uma provocação inadmissível, de uma indesculpável ofensa ao sentimento religioso dos crentes de ambos os partidos, e, na pior delas (supondo que pior não haja), acusar-me-ão de impiedade, de sacrilégio, de blasfémia, de profanação, de desacato, de quantos outros delitos mais, de calibre idêntico, sejam capazes de descobrir, e portanto, quem sabe, merecedor de um castigo que me sirva de escarmento para o resto da vida. Se eu próprio pertencesse ao grémio cristão, o catolicismo vaticano teria de interromper os espectáculos estilo cecil b. de mille em que agora se compraz para dar-se ao trabalho de me excomungar, porém, cumprida essa obrigação disciplinária, veria caírem-se-lhe os braços. Já lhe escasseiam as forças para proezas mais atrevidas, uma vez que os rios de lágrimas choradas pelas suas vítimas empaparam, esperemos que para sempre, a lenha dos arsenais tecnológicos da primeira inquisição. Quanto ao islamismo, na sua moderna versão fundamentalista e violenta (tão violenta e fundamentalista como foi o catolicismo na sua versão imperial), a palavra de ordem por excelência, todos os dias insanamente proclamada, é “morte aos infiéis”, ou, em tradução livre, se não crês em Alá, não passas de imunda barata que, não obstante ser também ela uma criatura nascida do Fiat divino, qualquer muçulmano cultivador dos métodos expeditivos terá o sagrado direito e o sacrossanto dever de esmagar sob o chinelo com que entrará no paraíso de Maomé para ser recebido no voluptuoso seio das huris. Permita-se-me portanto que torne a dizer que Deus, sendo desde sempre um problema, é, agora, o problema.
Como qualquer outra pessoa a quem a lastimável situação do mundo em que vive não é de todo indiferente, tenho lido alguma coisa do que se tem escrito por aí sobre os motivos de natureza política, económica, social, psicológica, estratégica, e até moral, em que se presume terem ganho raízes os movimentos islamistas agressivos que estão lançando sobre o denominado mundo ocidental (mas não só ele) a desorientação, o medo, o mais extremo terror. Foram suficientes, aqui e além, umas quantas bombas de relativa baixa potência (recordemos que quase sempre foram transportadas em mochila ao lugar dos atentados) para que os alicerces da nossa tão luminosa civilização estremecessem e abrissem fendas, e ruíssem aparatosamente as afinal precárias estruturas da segurança colectiva com tanto trabalho e despesa levantadas e mantidas. Os nossos pés, que críamos fundidos no mais resistente dos aços, eram, afinal, de barro.
É o choque das civilizações, dir-se-á. Será, mas a mim não me parece. Os mais de sete mil milhões de habitantes deste planeta, todos eles, vivem no que seria mais exacto chamarmos a civilização mundial do petróleo, e a tal ponto que nem sequer estão fora dela (vivendo, claro está, a sua falta) aqueles que se encontram privados do precioso “ouro negro”. Esta civilização do petróleo cria e satisfaz (de maneira desigual, já sabemos) múltiplas necessidades que não só reúnem ao redor do mesmo poço os gregos e os troianos da citação clássica, mas também os árabes e os não árabes, os cristãos e os muçulmanos, sem falar naqueles que, não sendo uma coisa nem outra, têm, onde quer que se encontrem, um automóvel para conduzir, uma escavadora para pôr a trabalhar, um isqueiro para acender. Evidentemente, isto não significa que por baixo dessa civilização a todos comum não sejam discerníveis os rasgos (mais do que simples rasgos em certos casos) de civilizações e culturas antigas que agora se encontram imersas em um processo tecnológico de ocidentalização a marchas forçadas, o qual, não obstante, só com muita dificuldade tem logrado penetrar no miolo substancial das mentalidades pessoais e colectivas correspondentes. Por alguma razão se diz que o hábito não faz o monge…
Uma aliança de civilizações poderá representar, no caso de vir a concretizar-se, um passo importante no caminho da diminuição das tensões mundiais de que cada vez parecemos estar mais longe, porém, seria de todos os pontos de vista insuficiente, ou mesmo totalmente inoperante, se não incluísse, como item fundamental, um diálogo inter-religiões, já que neste caso está excluída qualquer remota possibilidade de uma aliança… Como não há motivos para temer que chineses, japoneses e indianos, por exemplo, estejam a preparar planos de conquista do mundo, difundindo as suas diversas crenças (confucionismo, budismo, taoísmo, hinduísmo) por via pacífica ou violenta, é mais do que óbvio que quando se fala de aliança das civilizações se está a pensar, especialmente, em cristãos e muçulmanos, esses irmãos inimigos que vêm alternando, ao longo da história, ora um, ora outro, os seus trágicos e pelos vistos intermináveis papéis de verdugo e de vítima.
Portanto, quer se queira, quer não, Deus como problema, Deus como pedra no meio do caminho, Deus como pretexto para o ódio, Deus como agente de desunião. Mas desta evidência palmar não se ousa falar em nenhuma das múltiplas análises da questão, sejam elas de tipo político, económico, sociológico, psicológico ou utilitariamente estratégico. É como se uma espécie de temor reverencial ou a resignação ao “politicamente correcto e estabelecido” impedissem o analista de perceber algo que está presente nas malhas da rede e as converte num entramado labiríntico de que não tem havido maneira de sairmos, isto é, Deus. Se eu dissesse a um cristão ou a um muçulmano que no universo há mais de 400 mil milhões de galáxias e que cada uma delas contém mais de 400 mil milhões de estrelas, e que Deus, seja ele Alá ou o outro, não poderia ter feito isto, melhor ainda, não teria nenhum motivo para fazê-lo, responder-me-iam indignados que a Deus, seja ele Alá ou o outro, nada é impossível. Excepto, pelos vistos, diria eu, fazer a paz entre o islão e o cristianismo, e, de caminho, conciliar a mais desgraçada das espécies animais que se diz terem nascido da sua vontade (e à sua semelhança), a espécie humana, precisamente.
Não há amor nem justiça no universo físico. Tão-pouco há crueldade. Nenhum poder preside aos 400 mil milhões de galáxias e aos 400 mil milhões de estrelas existentes em cada uma. Ninguém faz nascer o Sol cada dia e a Lua cada noite, mesmo que não seja visível no céu. Postos aqui sem sabermos porquê nem para quê, tivemos de inventar tudo. Também inventámos Deus, mas esse não saiu das nossas cabeças, ficou lá dentro como factor de vida algumas vezes, como instrumento de morte quase sempre. Podemos dizer “Aqui está o arado que inventámos”, não podemos dizer “Aqui está o Deus que inventou o homem que inventou o arado”. A esse Deus não podemos arrancá-lo de dentro das nossas cabeças, não o podem fazer nem mesmo os próprios ateus, entre os quais me incluo. Mas ao menos discutamo-lo. Já nada adianta dizer que matar em nome de Deus é fazer de Deus um assassino. Para os que matam em nome de Deus, Deus não é só o juiz que os absolverá, é o Pai poderoso que dentro das suas cabeças juntou antes a lenha para o auto-de-fé e agora prepara e ordena colocar a bomba. Discutamos essa invenção, resolvamos esse problema, reconheçamos ao menos que ele existe. Antes que nos tornemos todos loucos. E daí, quem sabe? Talvez fosse a maneira de não continuarmos a matar-nos uns aos outros.


*José Saramago

Antes tarde que nunca


Feliz Natal!!!!! Que o nascimento do menino jesus represente renovação em vossos corações, e que a paz de espirito seja uma constante em vosso lar.....

Vou deixar um pequeno texto pra vcs lerem:

Estas sinistras festas de Natal Por Gabriel García Márquez*

Ninguém mais se lembra de Deus no Natal. Há tanto barulho de cornetas e de fogos de artifício, tantas grinaldas de fogos coloridos, tantos inocentes perus degolados e tantas angústias de dinheiro para se ficar bem acima dos recursos reais de que dispomos que a gente se pergunta se sobra algum tempo para alguém se dar conta de que uma bagunça dessas é para celebrar o aniversário de um menino que nasceu há 2 mil anos em uma manjedoura miserável, a pouca distância de onde havia nascido, uns mil anos antes, o rei Davi.Cerca de 954 milhões de cristãos — quase 1 bilhão deles, portanto — acreditam que esse menino era Deus encarnado, mas muitos o celebram como se na verdade não acreditassem nisso. Celebram, além disso, muitos milhões que nunca acreditaram, mas que gostam de festas e muitos outros que estariam dispostos a virar o mundo de ponta cabeça para que ninguém continuasse acreditando. Seria interessante averiguar quantos deles acreditam também no fundo de sua alma que o Natal de agora é uma festa abominável e não se atrevem a dizê-lo por um preconceito que já não é religioso, mas social.O mais grave de tudo é o desastre cultural que estas festas de Natal pervertidas estão causando na América Latina. Antes, quando tínhamos apenas costumes herdados da Espanha, os presépios domésticos eram prodígios de imaginação familiar. O menino Jesus era maior que o boi, as casinhas nas colinas eram maiores que a Virgem e ninguém se fixava em anacronismos: a paisagem de Belém era complementada com um trenzinho de arame, com um pato de pelúcia maior que um leão que nadava no espelho da sala ou com um guarda de trânsito que dirigia um rebanho de cordeiros em uma esquina de Jerusalém.Por cima de tudo, se colocava uma estrela de papel dourado com uma lâmpada no centro e um raio de seda amarela que deveria indicar aos Reis Magos o caminho da salvação. O resultado era na realidade feio, mas se parecia conosco e claro que era melhor que tantos quadros primitivos mal copiados do alfandegário Rousseau.''Desilusão''A mistificação começou com o costume de que os brinquedos não fossem trazidos pelos Reis Magos — como acontece na Espanha, com toda razão —, mas pelo menino Jesus. As crianças dormíamos mais cedo para que os brinquedos nos chegassem logo e éramos felizes ouvindo as mentiras poéticas dos adultos.No entanto, eu não tinha mais do que cinco anos quando alguém na minha casa decidiu que já era hora de me revelar a verdade. Foi uma desilusão não apenas porque eu acreditava de verdade que era o menino Jesus que trazia os brinquedos, mas também porque teria gostado de continuar acreditando. Além disso, por uma pura lógica de adulto, eu pensei então que os outros mistérios católicos eram inventados pelos pais para entreter aos filhos e fiquei no limbo.Naquele dia — como diziam os professores jesuítas na escola primária —, eu perdi a inocência, pois descobri que as crianças tampouco eram trazidas pelas cegonhas desde Paris, que é algo que eu ainda gostaria de continuar acreditando para pensar mais no amor e menos na pílula.Tudo isso mudou nos últimos 30 anos, mediante uma operação comercial de proporções mundiais que é, ao mesmo tempo, uma devastadora agressão cultural. O menino Jesus foi destronado pela Santa Claus dos gringos e dos ingleses, que é o mesmo Papai Noel dos franceses e aos que conhecemos de mais. Chegou-nos com o trenó levado por um alce e o saco carregado de brinquedos sob uma fantástica tempestade de neve.A má influência americanaNa verdade, este usurpador com nariz de cervejeiro é simplesmente o bom São Nicolau, um santo de quem eu gosto muito e porque é do meu avô o coronel, mas que não tem nada a ver com o Natal e menos ainda com a véspera de Natal tropical da América Latina.Segundo a lenda nórdica, São Nicolau reconstruiu e reviveu a vários estudantes que haviam sido esquartejados por um urso na neve e por isso era proclamado o patrono das crianças. Mas sua festa é celebrada em 6 de dezembro, e não no dia 25. A lenda se tornou institucional nas províncias germânicas do Norte no final do século 18, junto à árvore dos brinquedos e a pouco mais de cem anos chegou à Grã-Bretanha e à França.Em seguida, chegou aos Estados Unidos, e estes mandaram a lenda para a América Latina, com toda uma cultura de contrabando: a neve artificial, as velas coloridas, o peru recheado e estes 15 dias de consumismo frenético a que muito poucos nos atrevemos a escapar.No entanto, talvez o mais sinistro destes Natais de consumo seja a estética miserável que trouxeram com elas: esses cartões postais indigentes, essas cordinhas de luzes coloridas, esses sinos de vidro, essas coroas de flores penduradas nas portas, essas músicas de idiotas que são traduções malfeitas do inglês e tantas outras gloriosas asneiras para as quais nem sequer valia a pena ter sido inventada a eletricidade.Tiros no NatalTudo isso em torno da festa mais espantosa do ano. Uma noite infernal em que as crianças não podem dormir com a casa cheia de bêbados que erram de porta buscando onde desaguar ou perseguindo a esposa de outro que acidentalmente teve a sorte de ficar dormido na sala.Mentira: não é uma noite de paz e amor, mas o contrário. É a ocasião solene das pessoas de quem não gostamos. A oportunidade providencial de sair finalmente dos compromissos adiados porque indesejáveis: o convite ao pobre cego que ninguém convida, à prima Isabel que ficou viúva há 15 anos, à avó paralítica que ninguém se atreve a exibir.É a alegria por decreto, o carinho por piedade, o momento de dar presente porque nos dão presentes e de chorar em público sem dar explicações. É a hora feliz de que os convidados bebam tudo o que sobrou do Natal anterior: o creme de menta, o licor de chocolate, o vinho passado.Não é raro, como aconteceu freqüentemente, que a festa acabe a tiros. Nem tampouco é raro que as crianças — vendo tantas coisas atrozes — terminem acreditando de verdade que o menino Jesus não nasceu em Belém, mas nos Estados Unidos.*Gabriel García Márquez (Aracataca, Magdalena, 6 de março de 1927) é um importante escritor colombiano, jornalista, editor e ativista político de esquerda, que em 1982 recebeu o Nobel de literatura por sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado Cem Anos de Solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Ex-líder guerrilheiro


O ex-líder guerrilheiro tupamaro e atual senador, José "Pepe" Mujica, foi escolhido ontem (14) para ser o candidato da Frente Ampla (coalizão que governa o Uruguai) à presidência da República, nas eleições gerais de outubro de 2009. Mujica, de 74 anos, passou doze anos preso durante a ditadura militar uruguaia (1973-1985). Líder do Movimento de Participação Popular (MPP), Mujica recebeu o apoio de 1.694 delegados, mais de dois terços dos que estavam habilitados a votar na eleição interna.
Na votação, da qual participaram 2.381 delegados, ele venceu seu principal oponente, o ex-ministro da Economia do governo Tabaré Vázquez, Danilo Astori. Também participaram da disputa o atual ministro da Indústria, Energia e Mineração, Daniel Martinez, o diretor do Escritório de Planejamento e Orçamento da Presidência, Enrique Rubio, e o prefeito de Canelones, Marcos Carámbula.
Mujica foi um dos líderes da guerrilha tupamara que pegou em armas contra a ditadura militar que governou o país de 1973 a 1985. Junto com os principais dirigentes tupamaros, ficou mais de doze anos preso em quartéis uruguaios. Desceu ao fundo do poço, literalmente. Ele fez parte de um grupo que ficou conhecido como "os reféns". Os integrantes deste grupo foram submetidos a um regime de destruição física, moral e mental que incluiu dois anos de encarceramento no fundo de um poço. Foram, praticamente, enterrados vivos. Isolamento total.
Neste período, conforme relatou em entrevista à Carta Maior (12 de fevereiro de 2005), aprendeu a conversar com rãs, ouvir o grito das formigas e a "galopar para dentro de si mesmo", como forma de não enlouquecer. Sobreviveu. Saiu da prisão, junto com sua companheira de vida e de luta, Lucía Topolansky.
Nas eleições de 2004, Mujica transformou-se em uma das figuras mais poderosas do Uruguai. Senador mais votado, foi escolhido para assumir o ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca. Na entrevista que concedeu à Carta Maior, durante a posse do presidente Tabaré Vázquez, Pepe Mujica contou um pouco dessa história e expôs algumas de suas idéias para ajudar a reconstruir o país e a América Latina. Publicamos a seguir alguns dos principais momentos desta conversa que guardam renovada atualidade:
Trabalho e valor - O problema central que precisamos resolver é o trabalho, um fator de estabilidade fundamental. Se não resolvermos esse problema, fracassaremos. O nosso problema é gerar trabalho, mas trabalho autêntico, que gere algum valor, que tenha um mínimo de produtividade e agregue algum tipo de conhecimento. Não se trata de ficar abrindo buracos, empregando algumas pessoas para abri-los e outras para fechá-los. Para enfrentar este tema, temos que utilizar todos os instrumentos que estiverem ao nosso alcance, aproveitando os mecanismos mais heterodoxos que possam existir.
Conhecimento, a grande batalha – O que mais me assusta, na verdade, é a desvantagem tecnológica que sofremos (os países da América Latina). O recurso mais inesgotável que existe é a inteligência. A grande batalha que devemos enfrentar não é a batalha da propriedade, mas sim a da propriedade da inteligência. Trata-se de uma batalha no campo da universidade, no campo do conhecimento, da geração de conhecimento e tecnologia. Se não conseguirmos nos libertar nesta área, estamos ferrados. Nosso projeto estratégico deve ser o de assaltar o poder com os canhões da inteligência. Poderemos andar de alpargatas, com roupas remendadas, o que queremos é meter coisas na cabeça. Ou fazemos isso, ou fracassamos. É preferível que nossos filhos vivam com certas dificuldades materiais, mas tenham vantagem na cabeça, vantagem no conhecimento.
A questão da dívida – Estamos amarrados pelo problema da dívida. Eu me vejo velho, gritando contra o Fundo Monetário Internacional. Mas isso não muda nada. A gente grita, mas o Fundo continua igual, segue aí. O que é preciso mudar é nossa postura. A mim, nunca colocaram um 45 na cabeça, obrigando que eu pedisse dinheiro emprestado. O problema é que estamos educados a pedir emprestado quando enfrentamos dificuldades. E eles, generosamente, nos emprestam. Não conseguiremos mudar o mundo com gritos, o que é preciso mudar, em primeiro lugar, é a nossa conduta. No dia em que aprendermos a viver com o que temos, estaremos livres.
O projeto do socialismo – Eu acredito no socialismo como uma necessidade de caráter histórico. Se isso não ocorrer, creio que o mundo caminha para a destruição. Neste momento histórico, estamos trabalhando dentro das leis do sistema capitalista. Vamos pedir aos burgueses que trabalhem, não que sejam socialistas. Queremos que eles trabalhem, invistam e se endividem menos. Não vamos pedir o que eles não podem dar. Hoje estamos falando disso. O tema do socialismo é outra conversa. Como disse, creio que se trata de uma necessidade histórica, mas não creio que se possa criar uma sociedade melhor, com uma população analfabeta ou quase analfabeta, embrutecida no campo do conhecimento e da vida. Não se pode criar uma sociedade melhor com um povo primitivo e bárbaro, embrutecido. Nisso, creio que estou mais perto do velho Marx do que de Lênin. A esquerda precisa enfrentar e resolver esse problema.
Os vícios históricos da esquerda - Uma das características da esquerda em qualquer parte do mundo é sua tendência à atomização. Cada organização de esquerda costuma acreditar que possui a verdade revelada e que tem que lutar contra as outras organizações. E isso é visto como uma questão de princípio, capaz de fazer correr sangue. Então, para juntar a gente de esquerda, é horrível, em qualquer parte do mundo. É bom ter uma humildade de caráter estratégico diante dos compromissos que temos pela frente, que não são exatamente singelos, do tipo daqueles que autorizam a arrogância e a soberba como métodos de conduta. Outro problema que precisamos resolver é que a esquerda tem o mau hábito de crescer e perder de vista o pensamento estratégico, ficando imersa em movimentos táticos de curto prazo, perdendo a capacidade de pensar.
Precisamos ter a inteligência de superar nossas pequenezas e nosso chauvinismo ou então não vamos fazer nada. Se esses vícios continuarem, estamos fritos. Uma última coisa: como militantes, precisamos nos lembrar que as credenciais também envelhecem e devem ser constantemente renovadas. Cada conjuntura histórica exige que elas sejam renovadas. Não há nenhuma garantia de nada. Por isso, é importante olhar o passado, mas também é preciso perder o respeito. É preciso haver novos partos, é preciso vir gente nova.
As feridas do passado – A vida tem muitas coisas amargas, mas também oferece reparações e reviravoltas. O desafio é saber vivê-la com continuidade e ter a capacidade de se levantar quando se cai. Nós tivemos essa experiência (da prisão), não a buscamos, não a planejamos, aconteceu, de um modo que supera a imaginação de um escritor. Mas não vivemos para cultivar uma memória, olhando para trás. Acredito que o ser humano tem que saber cicatrizar suas feridas e caminhar na perspectiva do futuro. Pois não podemos viver escravizados pelas contas pendentes da vida; se fizermos isso, não viveremos o porvenir da vida, não viveremos o que está por vir.
Eu tenho uma memória e suas recordações, como todo mundo. Não poderia ser diferente. E a memória é fundamental: aqueles que não cultivam a memória, não desafiam o poder. É uma ferramenta a mais para construirmos o futuro. Mas deixo uma coisa bem clara: o livro de minhas contas pendentes, este eu o perdi. É importante não se esquecer de nada, mas é preciso olhar para o amanhã, pois não vivemos se ficamos presos a recordações.
Caminhos imprescindíveis – Eu discordo de Bertolt Brecht porque não creio que existam homens imprescindíveis, mas sim causas imprescindíveis, caminhos imprescindíveis. A história é uma construção tremendamente coletiva, feita pela continuidade dessas causas e desses caminhos. E é assim que andamos, cada um colocando a sua pedra.
Compromisso com a vida e a luta – Nos anos em que fiquei preso, nunca deixei de ser livre. Neste período, sempre tive essa sensação porque supunha que meus companheiros de cativeiro estavam na mesma situação. Eu os conhecia e sabia que íamos seguir na luta. Pode parecer uma monstruosidade o que vou dizer, mas dou graças à vida por tudo o que vivi. Se não tivesse passado pelo que passei e aprendido o ofício de galopar para dentro de mim, para não ficar louco de tanto pensar, teria perdido o melhor de mim mesmo. Me obrigaram a remover meu solo e isso me fez muito mais socialista do que antes. O homem é filho de suas lutas e de suas adversidades. Alguns de nós tivemos a sorte de que a vida nos apertou, mas não nos fulminou. Nos deu licença para seguir vivendo e, em alguma medida, recolher o mel que pudemos no marco das amarguras pelas quais passamos. Se não fosse assim, nunca teríamos fabricado esse mel.
Neste sentido é que digo que nunca estive preso, porque não puderam me derrotar, do mesmo modo que não puderam derrotar outros companheiros que não abdicaram de suas idéias. Eles triunfam quando conseguem nos fazer baixar os braços. Por isso, gostem ou não, o futuro é nosso, pois não puderam nos derrotar.


*Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

Classe média

sábado, 20 de dezembro de 2008

Procura-se uma nova ordem moral (!)


Ser honesto é um desafio; de nada vale conhecer as regras de conduta social e não exercitá-las. Vencer o alter ego, driblar os impulsos, aceitar a derrota e, ainda assim, tentar afirmar-se enquanto indivíduo pacato, ordeiro, dócil enfim. O ser humano, criatura essencialmente livre, tem uma esfera de privacidade que dita o seu próprio caráter, que o diferencia dos outros humanos pelo critério da personalidade. A personalidade é algo tão sublime que foi objeto da tutela jurídica – em diversos ordenamentos jurídicos estatais. Mas, se o ser é racional e livre, o que faz dos homens e mulheres criaturas honestas?

Ser digno ou, em outras palavras, exercer a dignidade significa poder atuar neste mundo por meio da liberdade. Mas não é possível comportar-se de forma completamente livre, daí ser a liberdade tutelada em nome do convívio social; se o humano puder fazer o quê quiser, a sociedade poderia ficar à mercê dos mais absurdos abusos. A origem das normas sociais está intrinsecamente ligada à necessidade de limitar o agir das pessoas, uma vez que tais normas impõem condutas e, em alguns casos, também determinam “castigos” pela inobservância dessas mesmas normas. Assim, desde as sociedades mais primitivas até as mais complexas, existem diversos graus de organização social por meio de normas de conduta; os indivíduos elaboram, por razão da convivência, alguns preceitos normativos que organizam a sua vida em comum. Um bom exemplo é trazido pela literatura, com a história de Robinson Crusoe, homem que vive numa ilha deserta, sem normas sociais, até a aparição do nativo Sexta-feira: quando entra em contato com o novo habitante da ilha, o francês tenta, a todo custo, convencê-lo a viver sob as mesmas regras de conduta de sua pátria, inclusive catequizando o “selvagem”. Porém, à primeira oportunidade, Sexta-feira retorna à sua esfera de intimidade e rebela-se contra as “novas tradições” do europeu, quebrando o pacto estabelecido com o seu vizinho e comparsa, pois elas divergem daquelas em que o silvícola havia sido criado. Ou seja, para ser honesto, Sexta-feira precisou deixar de ser sincero. Do latim sincere, o termo em questão significa, grosso modo, sem cera, sem máscara, e vem do hábito de escultores que, no Período Clássico, se negavam a remendar suas esculturas de mármore com cera – negando a aparência em função da essência, destruíam suas esculturas imperfeitas e recomeçavam todo seu trabalho, sem esconder suas imperfeições com cera. "Sexta-feira não era honesto" - seria essa constatação verdadeira? Sinceridade e honestidade divergem entre si?

Então, o que vem realmente a ser a tal honestidade, se ela não se funda apenas nas normas? Como afirmar se o ato praticado pela pessoa foi espontâneo? Sob estes parâmetros, fica muito difícil definir honestidade. Quando se observa a vida ao redor, pode-se constatar que esta abstração "honestidade" não encontra, todas às vezes, o mesmo significado na vivência. Argumentam alguns: "o mundo é dos espertos"; nessa frase, está-se afirmando um padrão comportamental, que poderia definir, em grau de acerto, os objetivos de uma sociedade que vive sob valores competitivos. Nestes termos, uma pessoa humilde estaria sendo honesta com a maioria dos "espertos"? Tudo gira em torno da busca de lógica ao comportamento humano. Partindo-se da análise da convivência diária, poder-se-ia fazer algumas conjecturas, do tipo: "estou sendo honesto"? E se o indivíduo verifica que sua honestidade não encontra respaldo nos comportamentos de seus semelhantes? A palavra parece perder afinidade com “aquilo que vai no íntimo” da pessoa, ganhando mais ligações com "aquilo que os outros esperam" da pessoa; há uma separação entre o plano dos sentidos (aquilo que se pode verificar) e o plano das idéias (aquilo que não se pode verificar). A pessoa honesta, mesmo não querendo fazer alguma coisa, faz algo em benefício da coletividade, anulando seus interesses e expectativas próprias por respeitar ou entender que o interesse dos outros é bem mais relevante. Pode-se dizer que, assim fazendo, uma pessoa honesta está traindo a si mesmo?

Pode-se dizer que existe um conflito constante entre sinceridade e honestidade? Ao que tudo indica, não. É tudo uma questão de valores pessoais, que se inscrevem no caráter ao longo do tempo, na formação pessoal de cada um. A pessoa sincera pode ser cínica, encarando a realidade com desprezo; a honesta pode ser hipócrita e viver conforme as “regras do jogo”. Entretanto, essas duas conclusões estão equivocadas e não poderiam servir de critério definidor na busca dos significados de honestidade e sinceridade. Vivendo sob as rédeas do capitalismo selvagem, verifica-se que, ambos, cínicos e hipócritas sujeitam-se à força e à forma pré-estabelecida pela sociedade, através de experiências de vida próprias. Porque é a maioria, o grupo de cínicos e hipócritas pode impor seus valores à pessoa honesta - que vive sob um sistema de exploração cruel - e, eventualmente, conseguir que esta última venha a dissimular suas emoções e convicções, para corresponder à expectativa daqueles que o circundam, deixando de dizer ou fazer o que pensa para poder se inserir na sociedade ou classe social, por exemplo. No contexto anteriormente descrito, o honesto torna-se, por assim dizer, um artista que executa uma performance perante sua audiência; seria, então desonesto se continuasse cumprindo suas obrigações, quando ninguém mais o faz, ou respeitando pessoas que não se dão ao respeito, ou pagando aquilo que deve – muitas vezes, quando a dívida é injusta, o honesto não a questiona ... apenas efetua seu pagamento. No mesmo contexto, o sincero, por sua vez, pode não rebelar-se: nem por meio de atitudes indesejadas, nem mediante a crítica (irônica/sátira) de sua própria realidade. Assim, sinceridade e honestidade integram a honra, sendo critérios de avaliação pessoal; mas são suprimidas na luta pela sobrevivência social.

Eis o "sucesso" da espécie humana no sistema Capitalista: o que torna esta vida em comum possível é a maior ou menor facilidade em ser hipócrita. No Capitalismo neoliberal, hipocrisia e honestidade formam uma unidade (...): daí a afirmação do fim das ideologias. Ora, mas nem só de pão vive o homem. Outrossim, tendo em vista um verdadeiro desenvolvimento humano, melhor seria defender a Honra e decretar o início da Era da Sinceridade. Mas, deve-se ter cuidado: o mundo é dos "honestos".

Publicado por A.T.P.

Medida de precaução



O GOLPE FINAL

O riso é imediato. Ver o presidente dos Estados Unidos a encolher-se atrás do microfone enquanto um sapato voa sobre a sua cabeça é um excelente exercício para os músculos da cara que comandam a gargalhada. Este homem, famoso pela sua abissal ignorância e pelos seus contínuos dislates linguísticos, fez-nos rir muitas vezes durante os últimos oito anos. Este homem, também famoso por outras razões menos atractivas, paranoico contumaz, deu-nos mil motivos para que o detestássemos, a ele e aos seus acólitos, cúmplices na falsidade e na intriga, mentes pervertidas que fizeram da política internacional uma farsa trágica e da simples dignidade o melhor alvo da irrisão absoluta. Em verdade, o mundo, apesar do desolador espectáculo que nos oferece todos os dias, não merecia um Bush. Tivemo-lo, sofrêmo-lo, a um ponto tal que a vitória de Barack Obama terá sido considerada por muita gente como uma espécie de justiça divina. Tardia como em geral a justiça o é, mas definitiva. Afinal, não era assim, faltava-nos o golpe final, faltavam-nos ainda aqueles sapatos que um jornalista da televisão iraquiana lançou à mentirosa e descarada fachada que tinha na sua frente e que podem ser entendidos de duas formas: ou que esses sapatos deveriam ter uns pés dentro e o alvo do golpe ser aquela parte arredondada do corpo onde as costas mudam de nome, ou então que Mutazem al Kaidi (fique o seu nome para a posteridade) terá encontrado a maneira mais contundente e eficaz de expressar o seu desprezo. Pelo ridículo. Um par de pontapés também não estaria mal, mas o ridículo é para sempre. Voto no ridículo.

*José Saramago

Fracasso


Fracasso retumbante da hipocrisia de João Rodrigues

O governo de João é, inapelavelmente, um retumbante fracasso. Um governo que, em verdade, se confunde com uma farsa, auto-inviabilizada desde muito cedo. Símbolo dessa realidade foram a fracassada campanha contra a criminalidade,na área de habitação com pouquissimas ou nenhuma casa para a população de baixa renda, na saúde então nem se fala, foi um verdadeiro crime com uma obra iniciada pelo PT que este governo não conseguiu terminar fazendo-se de vitimas em todo o processo e tentando jogar a culpa em projetos e verbas que não teriam sido liberadas. O governo de João que é, todavia, adornado com a plumagem pluripartidária do PMDB, DEM, PTB e PPS,emfim uma gama de 12 partidos ao total inaugurou uma etapa tenebrosa e sem precedentes na política do município chapecoense.

A alta rotatividade de secretários, e funcionários demitidos é um recorde sem concorrência em toda a história do município. A opção pelo conflito e pelo enfrentamento permanentes são a preferência de João e seus agentes políticos do governo. E tratam-se não só de conflitos com setores da sociedade e do funcionalismo – a condução fascista de toda a classe burguesa é a maior prova disso – como também de conflitos internos ao próprio governo, caracterizado na ruptura de João com o PMDB seu aliado até pouco tempo.

Quanto aos compromissos eleitorais, é um governo que fraudou as principais – senão todas - promessas. O tal “ Prefeito de verdade” confirmou-se como uma mera empulhação de época de eleição, substituído pelo autoritarismo, falta de diálogo, truculência e suspeitas de corrupção.

Nas áreas sociais, para as quais o candidato sempre alardeou aos quatro ventos que seria o nirvana ao povo chapecoense , promoveu o desfinanciamento com conseqüente desmonte de estruturas e serviços públicos essenciais que já havia sido emplementadas pelo PT.


Esta é uma mirada realista para o governo João, portanto, alude a uma situação de desastre político e administrativo; dum fracasso incontestável. Julgamento que vale tanto para as áreas específicas como em relação ao conjunto da “obra”. É uma das experiências mais fracassadas do governo chapecoense, devido aos métodos empregados para governar, às opções e às políticas empregadas.

Ordem unida contra o PT
Mesmo sendo o fracasso que é, mesmo envolvido em suspeitas de corrupção, mesmo produzindo crises quase diariamente, instabilidades, desatinos, conflitos e violência, o governo João consegue conservar sustentação política e midiática. Pela razão fundamental de que este é o governo do conservadorismo – do PSDB, PMDB, DEM, PPS, PTB, entre tantos outros -, da direita económica chapecoense e da mídia que mais parece ser um partido político o PIG. Que se deixou dominar pelo diabetes das verbas publicitárias.

Não esquecendo das brincadeirinhas por ele feitas e que toda a população viu.....

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Hipocrisia pura


'A FÓRMULA DA HIPOCRISIA: Coar mosquitos e engolir camelos'*
(Dedicado à todos os leitores, blogueiros, advogados, deputados, juizes, jornalistas ... simples mortais, ou não, que vestirem a carapuça...)
Fábula grega em dois atos

Personagens: o Gafanhoto estressado e a Aranha bem-intencionada.

Cena um: O Gafanhoto tenta convencer a Aranha de que um colega de trabalho dos dois, o Camaleão, é um hipócrita de carteirinha.

- Esse Camaleão é um fingido, Aranha. Sempre mudando de cor conforme a ocasião.

- Mas essa não seria só a natureza dele, Gafanhoto? Ele não foi criado desse jeito?

- Nada! Antigamente, ele fazia o mesmo que nós, dava duro para ganhar a vida. Depois, virou esse artista em tempo integral, sempre escondido atrás de disfarces e artimanhas.

- Mas por que ele faria isso?

- Para tirar proveito da situação. Ele fica ali, na moita, com aquela cara inofensiva, mas, na primeira oportunidade, abocanha os descuidados.

- Puxa, é verdade. Eu que passo horas tecendo a minha teia, no maior capricho…

- E eu, que fico pulando de um lado para outro sem parar? É por isso que vivo estressado. Se me distraio, o Camaleão solta a língua e me pega.

- É mesmo. Se você não me abre os oito olhos, eu nunca teria pensado nisso.

- Por que você é singela e bem-intencionada. Sabe como chama o que o Camaleão está fazendo? Competição desleal no local de trabalho!

- Faz sentido. Você é um sábio, Gafanhoto.

- Obrigado, Aranha. Mas o ponto é que não podemos, nunca, confiar no Camaleão.

- Será que não haveria um jeito de neutralizá-lo?

- Bom, para nosso benefício mútuo, eu acho que tenho um plano infalível.

- Tem? – Perguntou o gafanhoto.

- Tenho. Escute.

Cena dois: o Gafanhoto se aproxima para escutar o plano da aranha. E se enrosca na teia. Imediatamente, ela o pica e começa a embrulhá-lo para o almoço.

- O que você está fazendo, Aranha? Nós não somos colegas e parceiros?

- Não leve a mal, meu caro Gafanhoto, mas essa é a lei aqui da selva: boa intenção é uma coisa e prioridade pessoal é outra…


O mundo é dos hipócritas!

Essa fábula faz-me lembrar dos hipócritas. Eles estão por todas as partes do globo. Nesse momento eles podem “devorando gafanhotos”; dirigindo veículos; fazendo comícios; escrevendo livros; administrando empresas; ou, ainda, quem sabe, lendo este livro (Cada um julgue-se a si mesmo).


Pode ser um adolescente ou um adulto. Negro ou branco. Rico ou pobre. Catedrático ou indouto. Não interessa! a hipocrisia está por todos os lados. Lares, trabalhos, faculdades e igrejas estão infestadas. Ela não faz acepção de pessoas nem se preocupa com a cotação do dólar.

Na maioria das vezes ela tenta se esconder. A discrição, aliás, é uma de suas características marcantes, ao lado da falta de vergonha e da esperteza. Basta, porém, somente uma frase ou um ato para ela surgir. Com aparência de quem roubou o doce de uma criança ou empurrou um bêbado ladeira abaixo, ela surge com as “mãos sujas” dizendo: “não fiz nada de errado!”.

James Spiegel diz que “quase diariamente, reportagens sobre a hipocrisia são transmitidas na mídia. Políticos respeitados são acusados de negociações obscuras. Ícones do esporte e do showbusiness são detidos por posse de drogas. Líderes religiosos confessam ter relações sexuais fora do casamento ou contra as determinações da igreja. Estamos todos bem familiarizados com os inúmeros casos de personalidades que recentemente se tornaram sinônimos de hipocrisia. Esse fenômeno, porém, nada tem de novo. Toda era teve seus hipócritas.”

....

Máscaras teatrais

Em suas apresentações os atores gregos e romanos tinham o costume de usar grandes máscaras, munidos de dispositivos mecânicos para aumentar a força da voz. Assim, a palavra hipócrita (do grego hypokrisis), veio a ser usada metaforicamente para descrever o fingimento, o disfarce ou a dissimulação que era representada em palco pelos atores.

Esse, porém, é um conceito etimológico. Tentemos definir a hipocrisia no que tange à prática.

Pensadores do mundo antigo e da atualidade têm tentado definir o termo. Uma das descrições mais antigas é encontrada em "A República", de Platão, onde Glauco mostra o perfil do homem injusto:

"E, antes de tudo, que o injusto e mau proceda como os artistas peritos. Um timoneiro de valor ou um grande médico discerne em sua arte os meios possíveis e os impossíveis. Por outro lado, se o homem injusto quer ser perfeito na injustiça, cumpre-lhe haver-se com tal habilidade, que permaneça sempre oculto: porque o que se deixa apanhar revela, por isso mesmo, que não entende do ofício. O ápice da injustiça é parecer justo sem o ser. Assim, atribuamos ao homem perfeitamente injusto a injustiça perfeita, sem nenhuma mitigação, supondo que cometa os maiores crimes e firme a reputação de justiça..." (...)

* Por Valmir Nascimento Milomem


Este texto me fez lembrar de fatos recentes em nosso município,na qual em época de campanha pra prefeito um determinado candidato foi mostrado fazendo insinuações nada amoistosas para os eleitores e ele simplesmente se fez de vítima passando a ser o injustiçado em todo o processo e passou a se ocultar a tudo aquilo..... Vejam vcs a que ponto chega a hipocrisia

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Dando um tempo


Queridos leitores, andei trabalhando muito nas duas útimas semanas. Vou dar uma freiada nas próximas semanas para me reabastecer, ler um pouco, inspirar-me. Continuo atualizando o blog, mas em ritmo mais suave. Se acontecer alguma coisa grave, a gente volta. Agradeço a todos pelas visitas, pelos comentários e pela força.
Espero poder postar algumas fotos que tenho armazenado em meu pen drive para poder comentar alguns assuntos que deixei pendente. Té +

tucanos e pefelistas "terão que engolir": a hora é do Brasil e não adianta torcida contra.


É por ter feito essa gestão (notas acima) a partir do momento em que assumiu o Palácio do Planalto, e em dois mandatos, que Lula e seu governo tem aprovação única (70% de apoio) da sociedade e do povo. Infelizmente os tucanos e pefelistas torcem para que a crise se agrave e não reconhecem as mudanças feitas pelo presidente da República e pela administração do PT.

A começar pelo papel do Estado, dos bancos públicos, a retomada da política industrial e de inovação, os investimentos públicos em infra-estrutura e educação, as reformas previdenciária, tributária e do judiciário, realizadas na primeiro mandato de Lula.

Tucanos e pefelistas insistem em afirmar que o Brasil cresceu graças a conjuntura internacional e a herança tucana - aquela herança maldita? - quando é exatamente o contrário. O Brasil só não cresceu mais por que algumas heranças tucanas não foram abandonadas, como as políticas monetária e fiscal conservadoras do Banco Central (BC), e a hegemonia do rentismo.

É, tucanos e pefelistas, não adianta torcida contra

Mas, apesar delas e porque mudamos a política econômica e retomamos o projeto de desenvolvimento nacional, o Brasil de hoje - o que é reconhecido em todo mundo - pode enfrentar a crise internacional e apesar da desaceleração econômica em 2009, voltar a crescer em 2010.

Mais do que crescer, pode mudar sua estrutura produtiva dando um salto de qualidade tecnológica nos setores de energia, petróleo e biocombustivel, energias limpas, tecnologia de informação, biotecnologia apoiada na nossa biodiversidade, dando um novo salto em nossa agricultura, e retomando o tempo perdido nas indústrias farmacêutica e química.

Exatamente como fizemos enquanto país nas crises anteriores, da Bolsa em 1929, e do petróleo em 1973. Então, como diria o Zagalo, tucanos e pefelistas "terão que engolir": a hora é do Brasil e não adianta torcida contra.

Trabalhador informal passa a ter direitos sociais


Excelente a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei complementar que inclui o microempreendedor individual (MEI) – ou trabalhador informal, como é mais conhecido - entre as categorias que passam a pagar a tributação unificada pelo Super-Simples.

O projeto é fundamental para o país, e muito coerente com a linha de ação seguida pelo governo Lula desde o seu início. Neste governo, a micro e a pequena empresas, o empreendedorismo e o trabalhador autônomo sempre foram apoiados.

Foi um apoio não só por políticas específicas, como é o caso desse projeto aprovado, mas também pelo crédito e apoio técnico, desonerações e simplificações tributárias e, pelo mais importante, o crescimento econômico.

Trabalhador informal passa a ter direitos sociais

Com a aprovação da proposta, quem tem renda bruta anual de até R$ 36 mil passa a ter garantidos direitos sociais como aposentadoria, licenças de saúde, maternidade e por acidente de trabalho, e pensão por morte, entre outros. O melhor é que pagará apenas R$ 45,65 de contribuição à Previdência Social - que pode ter um belo reforço de caixa - e mais R$ 1,00 de ICMS, ou R$ 5,00 de ISS.

De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a aprovação do projeto beneficia nada menos que 11 milhões de empreendedores brasileiros – 10 milhões dos quais estão hoje na informalidade.O projeto vai agora à sanção do presidnete Lula.

A medida entra em vigor a partir de 1º de julho próximo. Essas iniciativas realmente são meritórias e merecem aplausos porque, além de garantir direitos básicos do cidadão, estimulam a redução da informalidade com uma cobrança de impostos simplificada, e ainda, com reflexos nos cofres públicos, como o que mencionei, de reforço no caixa da Previdência.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Vignatti defende Piso Nacional dos Professores em encontro do Sinte



O deputado federal Cláudio Vignatti (PT/SC) voltou a defender publicamente o Piso Nacional do Professores nesta sexta-feira (28) durante a realização do III Encontro Macrorregional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte), realizado no salão da igreja Matriz em Chapecó.


O parlamentar destacou a necessidade do segmento se unir para exigir a adesão do Piso por parte do Governo de Santa Catarina, um dos cinco Estados do Brasil a entrarem com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) contrária ao valor de R$ 950 para uma jornada de 40h semanais: “Governo que não defende o piso não defende a educação e não prioriza o desenvolvimento do seu Estado e do país”, disse Vignatti.

Ele também salientou a criação da Frente Parlamentar Nacional em Defesa do Piso dos Professores, da qual é membro. “O objetivo é lutar para derrubar ADIN”, diz. Para isso, explica, a Frente se reuniu no Supremo Tribunal Federal levando documentos como um parecer jurídico do Congresso, além da posição do Ministério Público e da Advocacia Geral da União, que afirmam não haver inconstitucionalidade neste projeto.

Ainda conforme Vignatti, frentes em defesa do Piso deverão ser criadas também em âmbito estadual e em Santa Catarina o deputado estadual Pedro Uczai (PT) será o coordenador: “a intenção é mobilizar os deputados estaduais para que incluam o reajuste no orçamento de 2009, garantindo assim o reconhecimento dos professores catarinenses que, atualmente, recebem cerca de R$ 509”, finaliza Vignatti.

A lei federal do piso nacional foi sancionada em julho e beneficiará 1,5 milhão de professores em todo país. O prazo para pagar este valor integral vai até 2010.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Você sabe oquê é microconto?????

São contos em caixas de fósforo? Não entendeu ainda? Pois bem! Eu estava tentando procurar um livro de "Machado de Assis". Não era nada tão importante, foi quando me veio a idéia de procurar pela internet, afinal de contas ela faz parte de minha vida e meu trabalho também. Foi ai que resolvi fazer uma busca no Santo Google. Vejam vocês qual foi a surpresa???


Parte da materia:





Mas, discussões à parte, o que todos concordam é que a difícil arte de contar histórias usando pouco mais ou pouco menos de cinqüenta palavras é algo que Samir Mesquita faz bem. Nascido em Curitiba, cidade sulista brasileira, mas que vivendo hoje em São Paulo, o escritor lançou recentemente o seu livro “Dois Palitos” onde rapidíssimas e impactantes histórias nos apresentam bêbados, suicidas, divórcios, mulheres da vida e algum amargor.

E, no estilo do autor, “Dois Palitos” é também um livro micro porque os contos vêm empilhados dentro de uma simpática caixinha de fósforos (que inclusive funciona). Para comprar o livreto e conhecer o microblog de Samir Mesquita, é só visitar a página do autor onde também estão disponíveis contos rápidos numa apresentação bastante interessante. Você pode conferir logo aqui abaixo no linck:


http://www.samirmesquita.com.br/

Onde foi que errei??????

Gostaria que vcs descem uma olhada nesta entrevista de FHC.Ele deixa claro sua frustração por não ter feito políticas publicas voltadas para a classe menos favorecida. E a sua visão sobre a corrupção, tentando colocar saia justa no governo LULA, mas ao mesmo tempo se vê colocado na parede por não poder explicar que em seu governo não foram apuradas denuncias de corrupção; Sem dúvidas nenhuma esta passou a ser a entrevista que arrasou definitivamente FHC colocando-o no ostracismo definitivo.


Em defesa da internet.


A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.

A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento.

O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural. A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana.

E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, "Educação e Carreira", ou seja, acesso à sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência.

Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância.

domingo, 30 de novembro de 2008

Ao todo poderoso "João Rodrigues"


Caro prefeito João Rodrigues da cidade de Chapecó, por onde andas não sei? Mas uma coisa posso lhe afirmar, quando li este texto me veio em mente logo sua pessoa....
Um pouco sumida, mas ainda me recordo de suas brincadeirinhas (hehehehehehe). Ai vai a citação???? Depois não vai dizer que não lhe avisei, mesmo porque se tivesse lhe procurado não lhe encontraria.


Não há pior heresia do que crer que o cargo público santifica o seu ocupante.

Lord Acton (1834-1902), historiador inglês.

Dilma x Agrepino Culatra

A Ministra Dilma Rousseff deixa claro sua participação em um dos momentos mais criticos que o país passou. Que foi o regime de exceção. E que ficou registrado na mente de todo o povo brasileiro a resposta que ela deu ao Senador Agripino Culatra da oposição ao governo de LULA. Este sem sombra de dúvidas é a gafe do ano 2008,que aqui coloco na íntegra pra vcs.



sábado, 29 de novembro de 2008

"Use Suas Ilusões Contra Os Cínicos"


texto de Zizek que recém saiu na Carta Maior, e do qual recomendo fortemente sua leitura. É um dos melhores textos de filosofia para o público instruído em geral de 2008. O texto nos ajuda a ver o presente, e também o futuro, pois há outros "impensáveis" e "impossíveis" na lista dos nossos sonhos de um mundo mais decente, entre os quais um mundo no qual um líder de uma potência ocidental é julgado em Haia por crimes contra a humanidade. Pois sim, os cínicos nos dizem que jamais veremos Tony Blair ou George W. Bush julgados em Haia, pois tudo o que conta é o poder. Mas podemos nos orientar pelas nossas "ilusões", e.....Para lerem na integra recomendo que click no linck abaixo:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15388

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Vignatti conclama solidariedade em socorro às vítimas de SC


Em discurso na Plenária da Câmara dos Deputados, o Deputado Federal Cláudio Vignatti solicitou a solidariedade de todos os colegas parlamentares para que auxiliem na mobilização de auxílios às vítimas da enchente.



“Está faltando água, medicamentos, alimentos, roupas e abrigos públicos, todas as medidas estão sendo tomadas, mas toda ajuda é bem-vinda”, disse Vignatti.
O parlamentar lembrou aos presentes na sessão desta terça-feira (25/11) que os dados oficiais anunciavam 84 mortes e 53mil desabrigados, além das 15 rodovias que ficaram com pontos interditados nas várias regiões do estado.

Vignatti frisou ainda que o oeste do Estado também está sendo atingido por causa da paralisação de dois berços do Porto de Itajaí. “É uma tragédia alarmante que chama atenção do mundo inteiro, com prejuízo incalculável”, disse ele ao anunciar os mais de R$ 200 milhões de prejuízos já estimados em um dos principais portos de exportação e importação de SC.


Como ajudar?



O Deputado Vignatti afirmou na Câmara dos Deputados que todos os governos, municípios de outras regiões do país e entidades diversas podem ajudar. Elogiou a TV Câmara pela divulgação dos números das contas bancárias para doações e lembrou que qualquer cidadão pode colaborar. A conta do Banco do Brasil, em nome da Defesa Civil é: Ag 3582-3 e Conta 80.000-7.

domingo, 16 de novembro de 2008

Você acredita em OVNIS ????




Afinal de contas eu não poderia deixar de fazer um post a respeito deste assunto que tomou conta dos notíciarios de toda a região sul e até mesmo do Brasil, por conta de sinais encontrados em uma lavoura em Ipuaçú (SC) Marcas circulares que apareceram em lavouras de Santa Catarina na última semana chamaram a atenção de curiosos e de ufólogos na cidade de Ipuaçu, a 511 km ao oeste de Florianópolis E 70km de Chapecó cidade a qual morro. Estes sinais Com 19 metros de diâmetro, dois círculos idênticos formados em culturas foram encontrados em lavouras de trigo e triticale (cereal da hibridação de trigo e centeio) em duas propriedades agrícolas numa pequena comunidade rural de Toldo Velho (SC). Apesar de ser leigo no assunto já tive algumas oportunidades de pesquisar o assunto e até mesmo ter conversado com uma pessoa que se dizia ter sido abduzida por ovnis.O nome dele eu não me recordo mais, mas o sobrenome dele ainda hoje me lembro é Tasca, foi radialista ,escritor e se não me falha a memória na época exercia a profissão de corretor de imóveis,já devem ter se passado uns 15 anos.Portanto eu não posso de maneira nenhuma desacreditar ou encorajar alguém a crer em determinados assuntos, mas uma certeza eu tenho, que já houve sinais deste tipo de marcas em outros Países. Então fica minha pergunta: você acredita em OVNIS??

sábado, 15 de novembro de 2008

Che: símbolo de um mundo novo; exemplo humanista e socialista


Derrubaram Che na ilusão de que, com sua morte, a Revolução sucumbiria.


Engano: passadas estas primeiras quatro décadas, seu exemplo como revolucionário, humanista e socialista é cada vez mais e mais a certeza de que o mundo só será verdadeiramente humano com a derrota do capitalismo e com a destruição de todas as formas de opressão, discriminação e exclusão.


Viva Che!!

Ai está a verdadeira face do CAPITALISMO.


Na contramão dos economistas e escribas a soldo do sistema e dos tolos que acreditam nesses fariseus e saem repetindo sua retórica falaciosa como papagaios, eu sempre afirmei que as contradições intrínsecas do capitalismo são insolúveis dentro do próprio capitalismo, projetando um futuro de crises econômicas cíclicas, de gravíssimos danos ecológicos (como as alterações climáticas) e de dilapidação dos recursos naturais de que a humanidade carece para a sua sobrevivência (a água em primeiro lugar).

Vai chegar o momento em que os homens terão de decidir se preferem morrer abraçados ao capitalismo ou se salvar adotando outra prioridade: a colaboração de todos para o bem comum ao invés da competição insana inspirada pela ganância.

Depois de ter procurado outras formas de poder mostrar que está crise, que pelo mundo se abate é na verdade reflexo de uma política intransigente de governos que sempre pautaram pelo lucro rápido,custe que custar se dizendo os verdadeiros sabedores de como conduzir o mundo sobre a batuta do capitalismo a todo custo. Mas o quê mais me chamou a atenção foi este texto que li e coloco na íntegra pra vocês

A coluna de 14/11/2008 do Clovis Rossi na Folha de S. Paulo, "Números que falam", trouxe dados estarrecedores:

* a renda dos 1.125 bilionários do planeta (US$ 4,4 trilhões) supera a renda somada de metade da população adulta do planeta e equivale a quatro quatro vezes tudo o que 180 milhões de brasileiros produzem de bens e serviços;

* em 1997, os gerentes dos 50 fundos de hedge e de "private equity" receberam cada um US$ 588 milhões, mais do que 19 mil vezes o salário-tipo do norte-americano;

* os rendimentos do Wal-Mart batiam, em 2007, o produto nacional bruto da Grécia, enquanto os da Toyota superavam o da Venezuela;

* o rendimento do trabalho no Brasil era de 45,4% em 1990, veio caindo até 2004 e só começou a ter uma ligeira recuperação a partir de 2005. Nem sequer se vislumbra no horizonte econômico o dia em que a participação do trabalho no bolo da riqueza nacional pelo menos igualará a participação do capital.

Realmente, os números falam por si: essa brutal, absurda e repulsiva desigualdade econômica é a raiz dos principais problemas que a humanidade enfrenta.

Repousa sobre o sofrimento e privações extremas a que são submetidos vastos contingentes humanos (os que vegetam abaixo da linha da pobreza) e sobre os sacrifícios inúteis impostos aos demais, que poderiam viver bem melhor e trabalhar muito menos caso cuidassem de produzir apenas o suficiente para suprir as necessidades humanas, em vez de sustentar os 1.125 grandes ociosos e todos os médios e pequenos ociosos.

Celso Lungaretti (*)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Candidatos, me enganem que eu gosto!

O projeto Excelências, da Transparência Brasil, está divulgando a evolução patrimonial de vereadores que buscam reeleição ou concorrem a prefeituras e vice-prefeituras nas capitais estaduais e de senadores e deputados federais e estaduais que concorrem a prefeituras e vice-prefeituras diversas, país afora. O estudo leva em conta as declarações de bens apresentadas em 2006 e em 2008. E mais uma vez, mostra que essas declarações muitas vezes não passam de peças de ficção, para enganar os tribunais eleitorais e os eleitores. Algumas, se verdadeiras, revelam o caráter do candidato. Jô Moraes (PCdoB-MG), candidata a prefeita de Belo Horizonte, declarou bens em 2006 totalizando 128.400 reais. O valor caiu para 98 mil neste ano (menos 23,7%). Uma deputada federal que recebe bem mais que 20 mil reais por mês parece não saber gerenciar os próprios bens, mas se candidata a administrar uma cidade de mais de 2 milhões de habitantes.

Não é o caso, aparentemente, de um colega de Jô na bancada federal mineira e concorrente à prefeitura de BH, Leonardo Quintão (PMDB-MG), cujos bens aumentaram em 91,5% em dois anos, chegando a 1,88 milhão de reais. Ou de outro colega da bancada, deputado Custódio Mattos (PSDB-MG), candidato a prefeito de Juiz de Fora. Sua declaração de bens saltou de 933.468 reais, para 1.467.447, um aumento de 57,2%. Nada mal, para dois anos de trabalho parlamentar. Ou ainda, do candidato a vice-prefeito de Belo Horizonte Roberto Carvalho (PT-MG), deputado estadual, que teve seus bens elevados no mesmo período em 58,4%, chegando a 665.133 reais.

Jô Moraes, porém, está bem acompanhada. O candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PV, deputado federal Fernando Gabeira, declarou bens de 59.375 reais em 2006 e de 54.071 agora, uma queda de 8,9%. Pobrezinho! Seu concorrente Arnaldo Viana, do PDT, não se saiu melhor. Nesses dois anos na Câmara dos Deputados, viu sua fortuna reduzir-se em 35,8%, saindo de 635.068 para 407.583 reais neste ano. Chico Alencar, candidato a prefeito do Rio pelo PSOL, teve um desempenho econômico um pouco melhor. Seus bens se desvalorizaram em 4,4% em dois anos, aterrissando nos 186.098 reais.

Não sei se é o caso dos citados, mas segundo a Transparência Brasil, "muitos dos parlamentares que foram candidatos em 2006 e cujos patrimônios declarados naquele ano somam zero apresentaram à Justiça Eleitoral declarações do seguinte tipo: ’Casa na rua Tal, número N - Valor: R$ 0,00’".

Portanto, peça de ficção aceita pela Justiça Eleitoral para fazer de bobo os eleitores.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ex-bispo da poderosa Igreja Universal do Reino de Deus, que paga bons salários, e candidato a prefeito do Rio de Janeiro, declarou bens de 78.081 reais em 2006 e de 180.900 neste ano, uma evolução patrimonial de 131,7%. Mesmo assim, um homem muito pobre pelos padrões dos políticos tradicionais. É preciso muita fé para acreditar nessas declarações, mas quem duvidar pode ser condenado aos quintos dos infernos!

E há aqueles que não têm medo nem de diabo nem de cara feia de eleitor. Por exemplo, o deputado estadual Zito, do PSDB-RJ, aliado de Fernando Gabeira nessas eleições e com feudo em Duque de Caxias, declarou bens de 1.911.127 reais em 2006 e de 3.500.611 agora (83,2% de aumento em dois anos). Ou o deputado estadual Soliney Silva, do PSDB do Maranhão, cujos bens pularam em apenas dois anos de 497.410 reais para 3.331.612, aumento de quase 570%. É candidato a prefeito do município de Coelho Neto... pobre escritor!

Mas esse Soliney é até modesto, em comparação com o deputado federal Ilderlei Cordeiro (PPS-Acre) que viu sua fortuna aumentar de 1.745.000 para 5,35 milhões em dois anos legislando a nosso favor (acréscimo de 206,6%). Ele é candidato a prefeito de Cruzeiro do Sul. Em junho passado, por decisão unânime, o Plenário do Supremo Tribunal Federal determinou que ele responda a ação penal privada por injúria à ex-deputada estadual Naluh Maria Lima Gouveia dos Santos (PT), hoje conselheira do Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC). Nada a ver, portanto, com enriquecimento ilícito em cargo público.

Uma surpresa é a declaração do deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, candidato a prefeito de Salvador pelo DEM baiano. Neto de um dos homens mais poderosos da política baiana em mais de 30 anos, falecido recentemente, seus bens declarados à Justiça Eleitoral somam apenas 1.641.885 reais. Verdade que dobrou em dois anos (em 2006, eram de 820.559 reais), mas eu esperava mais desse herdeiro do império do ex-governador, ex-ministro, ex-senador Antônio Carlos Magalhães. Mais uma obra de ficção? Vá-se saber...

08.2008

domingo, 9 de novembro de 2008

Nossa Carta a Obama



Retirado do site Carta Maior e que este blog apoia integralmente:

O seu governo pretende resgatar a imagem dos EUA no mundo e mudar sua relação com a América Latina. É preciso que o sr. saiba que a imagem do seu país no mundo é a imagem da maior potência imperial da história da humanidade. Que à horrível imagem de potência intervencionista no destino de outros países, de exploradora das suas riquezas, ao longo de todo o século passado, se acrescentou no século XXI a política de “guerras humanitárias”, invasões que mal escondem os interesses de exploração e opressão de outros territórios e povos, de que o Iraque e Afeganistão são os exemplos mais recentes.
Não basta retirar as tropas do Iraque imediatamente – embora isso seja um começo indispensável para o resgate proposto. É necessário fazer o mesmo com o Afeganistão, assim como terminar com o apoio à ocupação israelense dos territórios palestinos, reconhecendo o direito à existência de um estado palestino soberano. No caso da América Latina, é imprescindível terminar com a Operação Colômbia, que militariza os conflitos naquele país, e os que ele provoca, com graves riscos de produção de crises regionais, pela dinâmica belicista do Exército e do governo colombiano.
Para demonstrar que mudou de atitude, os EUA devem, sobretudo, terminar definitivamente com o bloqueio a Cuba, desativar sua base de interrogatórios ilegais e torturas na base de Guantanamo e devolver esta incondicionalmente a Cuba, terminando com a prepotente e juridicamente insustentável usurpação de território cubano, que dura já mais de um século. Deve retomar relações normais entre os dois países, respeitando as opções do povo cubano na definição soberana dos seus destinos.
Os EUA devem reconhecer publicamente o grave erro de terem apoiado o golpe militar de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chavez, legitimamente eleito e reeleito pelo povo venezuelano. Devem terminar definitivamente com articulações golpistas nesse país, na Bolívia e no Equador e comprometer-se, publicamente, a nunca mais desenvolver atividades de ingerência nos assuntos internos de outros países.
Se quiserem ter relações cordiais com a América Latina, o novo governo dos EUA devem destruir imediatamente o muro na fronteira com o México, legalizar a situação dos trabalhadores imigrantes nos EUA e favorecer a livre circulação das pessoas, como tem pregado a livre circulação de mercadorias e de capitais.
Além disso, os EUA devem deixar de utilizar organismos internacionais como a OMC, o FMI, o Banco Mundial, para propagar e tentar impor suas políticas, as mesmas que levaram ao fracasso dos governos que seguiram as suas receitas, assim como à crise financeira internacional que hoje grassa no planeta. Os países da América Latina e do Sul do mundo devem ter liberdade para encontrar suas próprias alternativas e soluções à crise, gerada nos EUA, que devem assumir suas responsabilidades e não permitir a exportação de seus efeitos negativos.
Se quiserem voltar a ser respeitados, os EUA devem deixar de tratar de favorecer ou forçar a exportação de sua mídia, de sua indústria cultural, de sua forma de vida, que pode ser boa para os EUA, mas pode ser nefasta para outros países. Essas fórmulas, muitas vezes impostas, favorecem formas ditatoriais de imprensa, formas estereotipadas de ver o mundo, modos consumistas de viver. Que os EUA deixem cada país escolher suas formas de se pensar a si mesmo, de ver o mundo, de viver e de produzir arte e cultura.
Se o sr. quiser fazer um governo diferente, deve abandonar qualquer idéia de querer impor o que os EUA considerem que seja democrático. Que cada país, cada povo, defina seu próprio caminho. Os EUA nem inventaram a democracia, nem são mais democráticos que muitos outros países.
Os EUA devem abandonar suas pretensões de ser um império mundial que zele pela ordem imperialista no mundo. Devem dar espaço para que progrida o espaço de um mundo multipolar, em que todos os países participem das decisões fundamentais. Neste sentido, devem apoiar o fim do direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, devem dar lugar à democratização desse órgão. Devem obedecer as decisões da ONU de terminar o bloqueio à Cuba, em favor do direito do povo palestino a um estado próprio e independente, entre tantas outras decisões, bloqueadas pelo veto norte-americano. Se vetos de outros países há, isso deve ser combatido pela suspensão universal do direito ao veto.
Em suma, se os EUA querem reconquistar o respeito dos outros povos do mundo, se querem resgatar a imagem do seu país que se deteriorou, devem se considerar como um país entre outros, e a eles igual, não como uma potência eleita para a missão de impor a ordem imperial e os interesses capitalistas no mundo. Devem respeitar as decisões que outros povos tomem no sentido de escolher caminhos antiimperialistas e anticapitalistas. Devem assinar o Protocolo de Kyoto, aceitando reduzir suas emissões de gases poluidores, condição básica para iniciar uma nova etapa na luta contra a destruição ambiental no planeta. Devem diminuir seu orçamento militar, revertendo essas verbas para o campo social. Devem combater os monopólios privados da mídia, a indústria tabagista, a da segurança para-militar, devem colocar como seu objetivo principal construir uma sociedade justa, a começar pela de seu próprio país, aquele em que, dentre aquelas do centro do capitalismo, a desigualdade mais cresceu nos últimos anos.
Se o sr. fizer tudo isso, ou pelo menos se mover nessa direção, pensamos que poderá contar com o respeito e com relações cordiais por parte dos governos populares e dos povos da América Latina.
(Essa carta está aberta a adesões de veículos da pequena grande imprensa alternativa de todo o mundo.)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Repensar"

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Crime (financeiro) contra a humanidade


A história é conhecida, e, nos antigos tempos de uma escola que a si mesma se proclamava como perfeita educadora, era ensinada aos meninos como exemplo da modéstia e da discrição que sempre deverão acompanhar-nos quando nos sintamos tentados pelo demónio a ter opinião sobre aquilo que não conhecemos ou conhecemos pouco e mal. Apeles podia consentir que o sapateiro lhe apontasse um erro no calçado da figura que havia pintado, porquanto os sapatos eram o ofício dele, mas nunca que se atrevesse a dar parecer sobre, por exemplo, a anatomia do joelho. Em suma, um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar. À primeira vista, Apeles tinha razão, o mestre era ele, o pintor era ele, a autoridade era ele, quanto ao sapateiro, seria chamado na altura própria, quando se tratasse de deitar meias solas num par de botas. Realmente, aonde iríamos nós parar se qualquer pessoa, até mesmo a mais ignorante de tudo, se permitisse opinar sobre aquilo que não sabe? Se não fez os estudos necessários, é preferível que se cale e deixe aos sabedores a responsabilidade de tomar as decisões mais convenientes (para quem?).

Sim, à primeira vista, Apeles tinha razão, mas só à primeira vista. O pintor de Filipe e de Alexandre da Macedónia, considerado um génio na sua época, esqueceu-se de um aspecto importante da questão: o sapateiro tem joelhos, portanto, por definição, é competente nestas articulações, ainda que seja unicamente para se queixar, sendo esse o caso, das dores que nelas sente. A estas alturas, o leitor atento já terá percebido que não é propriamente de Apeles nem de sapateiro que se trata nestas linhas. Trata-se, isso sim, da gravíssima crise económica e financeira que está a convulsionar o mundo, a ponto de não escaparmos à angustiosa sensação de que chegámos ao fim de um época sem que se consiga vislumbrar qual e como seja o que virá a seguir, após um tempo intermédio, impossível de prever, para levantar as ruínas e abrir novos caminhos. Como assim? Uma lenda antiga para explicar os desastres de hoje? Por que não? O sapateiro somos nós, nós todos que assistimos, impotentes, ao avanço esmagador dos grandes potentados económicos e financeiros, loucos por conquistarem mais e mais dinheiro, mais e mais poder, por todos os meios legais ou ilegais ao seu alcance, limpos ou sujos, correntes ou criminosos. E Apeles? Apeles são esses precisamente, os banqueiros, os políticos, os seguradores, os grandes especuladores, que, com a cumplicidade dos meios de comunicação social, responderam nos últimos trinta anos aos nossos tímidos protestos com a soberba de quem se considerava detentor da última sabedoria, isto é, que ainda que o joelho nos doesse não nos seria permitido falar dele, denunciá-lo, apontá-lo à condenação pública. Foi o tempo do império absoluto do Mercado, essa entidade presuntivamente auto-reformável e autocorrectora encarregada pelo imutável destino de preparar e defender para todo o sempre a nossa felicidade pessoal e colectiva, ainda que a realidade se encarregasse de o desmentir a cada hora.

E agora? Irão finalmente acabar os paraísos fiscais e as contas numeradas? Irá ser implacavelmente investigada a origem de gigantescos depósitos bancários, de engenharias financeiras claramente delituosas, de investimentos opacos que, em muitíssimo casos, não são mais que maciças lavagens de dinheiro negro, de dinheiro do narcotráfico? E já que falamos de delitos… Terão os cidadãos comuns a satisfação de ver julgar e condenar os responsáveis directos do terramoto que está sacudindo as nossas casas, a vida das nossas famílias, o nosso trabalho? Quem resolve o problema dos desempregados (não os contei, mas não duvido de que já sejam milhões) vítimas do crash e que desempregados irão continuar a ser durante meses ou anos, malvivendo de míseros subsídios do Estado enquanto os grandes executivos e administradores de empresas deliberadamente levadas à falência gozam de milhões e milhões de dólares a coberto de contratos blindados que as autoridades fiscais, pagas com o dinheiro dos contribuintes, fingiram ignorar? E a cumplicidade activa dos governos, quem a apura? Bush, esse produto maligno da natureza numa das suas piores horas, dirá que o seu plano salvou (salvará?) a economia norte-americana, mas as perguntas a que terá de responder são estas: Não sabia o que se passava nas luxuosas salas de reunião em que até o cinema já nos fez entrar, e não só entrar, como assistir à tomada de decisões criminosas sancionadas por todos os códigos penais do mundo? Para que lhe serviram a CIA e o FBI, mais as dezenas de outros organismos de segurança nacional que proliferam na mal chamada democracia norte-americana, essa onde um viajante, à entrada do país, terá de entregar ao polícia de turno o seu computador para que ele faça copiar o respectivo disco duro? Não percebeu o senhor Bush que tinha o inimigo em casa, ou, pelo contrário, sabia e não lhe importou?

O que está a passar-se é, em todos os aspectos, um crime contra a humanidade e é desta perspectiva que deveria ser objecto de análise em todos os foros públicos e em todas as consciências. Não estou a exagerar. Crimes contra a humanidade não são somente os genocídios, os etnocídios, os campos de morte, as torturas, os assassínios selectivos, as fomes deliberadamente provocadas, as poluições maciças, as humilhações como método repressivo da identidade das vítimas. Crime contra a humanidade é o que os poderes financeiros e económicos dos Estados Unidos, com a cumplicidade efectiva ou tácita do seu governo, friamente perpetraram contra milhões de pessoas em todo o mundo, ameaçadas de perder o dinheiro que ainda lhes resta e depois de, em muitíssimos casos (não duvido de que eles sejam milhões), haverem perdido a sua única e quantas vezes escassa fonte de rendimento, o trabalho.

Os criminosos são conhecidos, têm nomes e apelidos, deslocam-se em limusinas quando vão jogar o golf, e tão seguros de si mesmos que nem sequer pensaram em esconder-se. São fáceis de apanhar. Quem se atreve a levar este gang aos tribunais? Ainda que não o consiga, todos lhe ficaremos agradecidos. Será sinal de que nem tudo está perdido para as pessoas honestas.

* José Saramago

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