segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Conheça os inimigos da Reforma Agrária

Depois de conseguirem emplacar a CPMI contra a Reforma Agrária, os setores mais conservadores do Congresso Nacional passaram a escalar o seu time de parlamentares. Foram convocados inimigos do povo brasileiro para atuar na CPMI e nos bastidores. Esses parlamentares têm como características o ódio aos movimentos populares e o combate à Reforma Agrária e às lutas sociais no nosso país.

São fazendeiros e empresários rurais, que foram financiados por grandes empresas da agricultura e colocaram seus mandatos a serviço do latifúndio e do agronegócio. Nas costas, carregam denúncias de roubo de terras, desvio de dinheiro público, rejeição à desapropriação de donos de terras com trabalho escravo, utilização de recursos ilícitos para campanha eleitoral, devastação ambiental e tráfico de influência.

Essa CPMI faz parte de uma ofensiva desses parlamentares, que tem mais três frentes no Congresso. Até o fechamento desta edição, os nomes dos parlamentares indicados para a CPMI contra a Reforma Agrária já tinham sido lidos, mas os trabalhos não tinham começado. A CPMI pode se arrastar até junho de 2010. O Jornal Sem Terra deste mês de dezembro (nº 299) apresenta os deputados e senadores que estão na linha de frente na defesa dos interesses da classe dominante rural.

KÁTIA ABREU / Senadora (DEM-TO) / Suplente na CPMI

• Formada em psicologia.

• Presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), eleita em 2008 para três anos de mandato. Foi presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (1995-2005).

• Dona de duas fazendas improdutivas que concentram 2.500 hectares de terras.

• Apresentou 23 projetos no Senado e apenas três foram aprovados, mas considerados sem relevância para o país, como a garantia de visita dos avós aos netos.

• Torrou 60% das verbas do seu gabinete com propaganda (R$ 155.307,37).

• É alvo de ação civil do Ministério Público na Justiça de Tocantins por descumprir o Código Florestal, desrespeitar povos indígenas e violar a Constituição.

• Integrante de quadrilha que tomou 105 mil hectares de 80 famílias de camponeses no município de Campos Lindos (TO). Ela e o irmão receberam 2,4 mil hectares com o golpe contra camponeses, em que pagaram menos de R$ 8 por hectare.

• Documentos internos da CNA apontam que a entidade bancou ilegalmente despesas da sua campanha ao Senado. A CNA pagou R$ 650 mil à agência de publicidade da campanha de Kátia Abreu.

RONALDO CAIADO / Deputado Federal (DEM-GO)

• Formado em Medicina.

• Foi fundador e presidente nacional da União Democrática Ruralista (UDR).

• É latifundiário. Proprietário de mais 7.669 hectares de terras.

• Dono de uma fortuna avaliada em mais de R$ 3 milhões

• Não teve nenhum dos seus 19 projetos aprovados no Congresso.

• É investigado pelo Ministério Público Eleitoral por captação e uso ilícito de recursos para fins eleitorais. Não declarou despesas na prestação de contas e fez vários saques “na boca do caixa” para o pagamento de despesas em dinheiro vivo, num total de quase R$ 332 mil (28,52% do gasto total da campanha).

• Foi acusado de prática de crimes de racismo, apologia ou instigação ao genocídio por classificar os nordestinos como “superpopulação dos estratos sociais inferiores” e propor um plano para o extermínio: adição à água potável de um remédio que esterilizasse as mulheres.

ABELARDO LUPION / Deputado federal (DEM-PR) / Titular na CPMI

• É empresário e dono de diversas fazendas (três delas em São José dos Pinhais).

• Foi fundador e presidente da União Democrática Ruralista do Paraná.

• É um dos líderes mais truculentos da bancada ruralista na Câmara dos Deputados.

• Faz campanha contra a emenda constitucional que propõe a expropriação de fazendas que utilizam trabalho escravo.

• Apresentou somente cinco projetos no exercício do mandato. Nenhum foi aprovado.

• Sua fortuna totaliza R$ 3.240.361,21.

• Fez movimentação ilícita de R$ 4 milhões na conta bancária da mãe do coordenador de campanha. É réu no inquérito nº 1872, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), por crime eleitoral.

• Sofre duas representações por apresentar - em troca de benefícios financeiros – uma emenda para as transnacionais Nortox e Monsanto na Câmara, liberando o herbicida glifosato.

• A Nortox e a Monsanto financiaram a sua campanha em 2002. A Nortox contribuiu com R$ 50 mil para o caixa de campanha; já a Monsanto vendeu ao parlamentar uma fazenda de 145 alqueires, por um terço do valor de mercado.

• Participou de transação econômica fraudulenta e prejudicial ao patrimônio público da União em intermediação junto à Cooperativa Agropecuária Pratudinho, situada na Bahia, para adquirir 88 máquinas pelo valor de R$ 3.146.000, das quais ficou com 24.

• Deu para parentes a cota da Câmara dos Deputados, paga com dinheiro público, para seis voos internacionais para Madri e Nova York.

ONYX LORENZONI / Deputado Federal (DEM-RS) / Titular na CPMI

• Formado em medicina veterinária. É empresário.

• Membro da “Bancada da Bala”, defendeu a manutenção da venda de armas de fogo no Brasil durante o referendo do desarmamento.

• Gastou 64,37% da verba do seu gabinete com propaganda (R$ 230.621

• Campanha financiada por empresas como a Gerdau, Votorantin Celulose, Aracruz Celulose, Klabin e Celulose Nipo.

• Teve apenas um projeto aprovado em todo o seu mandato.

ALVARO DIAS / Senador (PSDB-PR) / Titular na CPMI

• Formado em história. É proprietário rural.

• Foi presidente da CPMI da Terra (2003/2005), que classificou ocupações de terra como “crime hediondo” e “ato terrorista”.

• Não colocou em votação pedidos de quebra de sigilos bancários e fiscais de entidades patronais, que movimentaram mais de R$ 1 bilhão de recursos públicos. Não convocou fazendeiros envolvidos em ações ilegais de proibição de vistorias pelo Incra.

• Divulga na imprensa de forma ilegal fatos mentirosos sobre dados sigilosos das entidades de apoio às famílias de trabalhadores rurais para desmoralizar a luta pela Reforma Agrária.

• Não declarou R$ 6 milhões à Justiça Eleitoral em 2006. O montante é referente à venda de uma fazenda em 2002.

LUIS CARLOS HEINZE / Deputado Federal (PP-RS)

• Formado em engenharia agrônoma.

• É latifundiário. Dono de diversas frações de terras, totalizando 1162 hectares.

• Fundador e primeiro-vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (1989-1990).

• Seus bens somam mais de R$ 1 milhão.

• Nenhum dos seus projetos foi aprovado durante esta legislatura.

• Campanha foi financiada pela fumageira Alliance One, responsável por diversos arrestos irregulares em propriedades de pequenos agricultores.

• Defendeu o assassinato de três fiscais do trabalho em Unaí (MG), declarando que “os caras tiveram que matar um fiscal, de tão acuado que estava esse povo...”, justificando a chacina promovida pelo agronegócio (2008).

• É contra a regularização de terras quilombolas (descendentes de escravos), que representaria, para ele, “mais um entulho para os produtores rurais”.

VALDIR COLATTO / Deputado Federal (PMDB/SC)

• Formado em engenharia agrônoma. Proprietário rural.

• Foi superintendente nacional da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) (2000-2002).

• Foi superintendente estadual do Incra em Santa Catarina (1985- 1986) e secretário interino da Agricultura de Santa Catarina (1987).

• Desapropriou área de 1.000 hectares para fins desconhecidos na mata nativa quando presidiu o Incra, causando prejuízos de R$ 200 milhões para o poder público.

• Apresentou projeto que tira do Poder Executivo e do Poder Judiciário e passa para o Congresso a responsabilidade pela desapropriação de terras por descumprimento da função social.

• É contra a demarcação das terras indígenas e quilombolas.

• Autor do projeto que transfere da União para estados e municípios a prerrogativa de fixar o tamanho das áreas de proteção permanente nas margens dos rios e córregos. Com isso, interesses econômicos locais terão maior margem para flexibilizar a legislação ambiental e destruir a natureza.

• É um dos pivôs de supostas irregularidades envolvendo o uso da verba indenizatória na Câmara dos Deputados.

(Fonte: Jornal Sem Terra)


domingo, 27 de dezembro de 2009

Marighella

Liberdade

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”

São Paulo, Presídio Especial, 1939

O país de uma nota só

Não pretendo nada,
nem flores, louvores, triunfos.
nada de nada.
Somente um protesto,
uma brecha no muro,
e fazer ecoar,
com voz surda que seja,
e sem outro valor,
o que se esconde no peito,
no fundo da alma
de milhões de sufocados.
Algo por onde possa filtrar o pensamento,
a idéia que puseram no cárcere.

A passagem subiu,
o leite acabou,
a criança morreu,
a carne sumiu,
o IPM prendeu,
o DOPS torturou,
o deputado cedeu,
a linha dura vetou,
a censura proibiu,
o governo entregou,
o desemprego cresceu,
a carestia aumentou,
o Nordeste encolheu,
o país resvalou.

Tudo dó,
tudo dó,
tudo dó...
E em todo o país
repercute o tom
de uma nota só...
de uma nota só...

Rondó da Liberdade

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.


E agora José?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Movimento contra a retirada da sede do MMC de Chapecó

Estimados Companheiros e Estimadas Companheiras,
Como todos e todas sabemos, está sendo impetrada uma ação absurda contra o Movimento de Mulheres Camponesas de SC.
O Prefeito João Rodrigues está requerendo a saída das companheiras do MMC de seu centro de formação Maria Rosa, que todos nós conhecemos e sempre utilizamos para fazer reuniões, cursos, formações e produzir conhecimento e articulação com todas as organizações ligadas a luta da classe trabalhadora. Elas tem apenas até o dia 26 de fevereiro para ficar no centro de formação, depois, de forma arbitraria, a prefeitura estará tomando toda a estrutura das companheiras, para utilizar para outros fins o espaço.
Nós do Forum de Movimentos Populares não poderemos permitir que as nossas companheiras, que estão sempre na luta conosco, por uma sociedade livre, justa e igualitária, defendendo o patrimonio maior que é a vida, os recursos naturais, as sementes, sejam recharçadas, e expulsas de um espaço que foi conquistado com muita organização e luta. Pois este espaço não é somente um espaço do MMC, mas de todas as organizações que lutam por um mundo melhor.
Portanto, estamos convocando a todos e todas para participar de uma reunião amanhã, dia 22 de dezembro, as 19hs, na sede do MMC, na Rua sete setembro 2070 D, Bairro Presidente Médici, proximo ao CTG, depois da antena da Ric Record.
Sabemos que estamos já encerrando nossas atividades nesse ano, mas a presença de cada companheiro nesse fórum será de fundamental importância para lutarmos para que nossas companheiras continuem fazendo o bonito trabalho que fazem em defesa da vida e das sementes como patrimônio da humanidade.

*Ana Zultanski

"Amo as mulheres desde a sua pele que é a minha
a que se rebela e luta com a palavra
e a voz desembainhadas,
a que se levanta de noite para ver se o filho chora,
a que luta inflamada nas montanhas,
a que trabalha mal-paga na cidade,
Vamos e que ninguém fique no caminho...
para que este amor tenha a força dos terremotos...
dos ciclones,dos furacões
e tudo que nos aprisionava
exploda convertido em lixo."

(Gioconda Belli)

CARTA DOS ATINGIDOS PELO BNDES

Somos, todas e todos, atingidos por estes projetos, sobre os quais nunca fomos consultados e que são apresentados para nós como empreendimentos que irão trazer progresso e desenvolvimento para o Brasil e para América do Sul. São projetos financiados pelo BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, voltados para o monocultivo de cana de açúcar e eucalipto, para a produção insustentável de carne, para a exploração de minério, para a construção de fábricas de celulose, usinas de produção de agroenergia, siderúrgicas, hidrelétricas e obras de infraestrutura, como portos, ferrovias, rodovias, gasodutos e mineriodutos. Estes têm afetado direta e profundamente nossas vidas, em especial das mulheres, nos expulsam das nossas terras, destroem e contaminam nossas riqueza s, que são os rios, florestas, o ar e o mar, dos quais dependemos para viver, afetam nossa saúde e ampliam de forma permanente a exploração sobre os povos de nossos países.

Os investimentos crescentes do BNDES, que apenas em 2009 podem ultrapassar os R$ 160 bilhões de reais, utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Tesouro Nacional, estão servindo para aumentar os lucros de um grupo reduzido de algumas dezenas de grandes empresas de capital nacional e internacional. Enquanto isso, a apropriação por parte dessas empresas dos nossos territórios, da água, das florestas e da biodiversidade ameaça não só a segurança alimentar das nossas comunidades, mas também a soberania alimentar, mineral e energética dos nossos países. Dessa forma, os financiamentos promovem uma integração da América do Sul que se baseia em uma forte concentração do capital, no controle e na privatização de territórios de uso comum e na exportaç&atild e;o dos bens naturais do nosso continente.

Por diversas vezes, buscamos as autoridades para protestar contra o financiamento do BNDES a estes projetos, mas nossos argumentos são invariavelmente desconsiderados. Na verdade, o que constatamos é o comprometimento da grande maioria do Executivo, Legislativo e Judiciário com a defesa destes projetos, que promovem a constante violação dos nossos direitos. Enfrentamos cada vez mais dificuldades para a demarcação de nossas terras indígenas e quilombolas, a realização da reforma agrária e a obtenção de empregos com garantia de direitos, no campo e nas cidades. Denunciamos a verdadeira ofensiva de ameaças, perseguição e criminalização que estamos sofrendo, que já custou a vida de inúmeros companheiros e companheiras na luta pela defesa do nosso território, dos nossos rios, mares e matas.

Nossa troca de experiência explicita que há um bloco, formado por grandes empresas multinacionais, o Estado e os grandes meios de comunicação, que cria, promove e se beneficia dos projetos que o BNDES financia. O principal argumento do BNDES para justificar estes financiamentos – a geração de empregos – é falso. Os projetos financiados destroem milhares de formas de trabalho nas comunidades impactadas e os empregos criados pelos financiamentos, além de insuficientes, aumentam a superexploração do trabalho, o que inclui muitas vezes a prática do trabalho escravo. As grandes obras de infraestrutura e a reestruturação dos processos produtivos, que automatizam e terceirizam a produção, afetam ainda mais os trabalhadores e as trabalhadoras. O resultado é um grande contingente de desempregados e lesionados, com direi tos cada vez mais reduzidos.

Nossa luta é pela vida e contra a morte que os projetos do BNDES têm promovido através dos seus financiamentos. Lutamos por uma inversão da lógica de acumulação capitalista e do lucro, causadora da crise ambiental, climática, econômica e social que vivemos, de modo a garantir o respeito à dignidade e à diversidade dos modos de vida das populações sul-americanas.

Perante essa situação, nos comprometemos a:

- Prosseguir em nossa luta em defesa da nossa terra, ar e água, certos de que esta será a principal ferramenta para resistirmos aos projetos financiados pelo BNDES.
- Socializar com nossas comunidades e movimentos e com todo o povo dos nossos países todas as informações e denúncias relatadas neste encontro e incentivar o trabalho de formação nas nossas regiões no Brasil e na América do Sul sobre o papel do BNDES e dos governos que promovem o atual modelo, chamado de desenvolvimento, mas a serviço da acumulação de lucros de grandes empresas multinacionais.
- Articular e fortalecer cada vez mais nossas lutas contra os projetos de barragens, monoculturas, celulose, agrocombustíveis, agropecuária, mineração, infraestrutura e siderurgia, buscando fortalecer nossa resistência.
- Exigir do BNDES critérios socioambientais transparentes que não se restrinjam à legislação ambiental e ao ‘ambientalismo de mercado’, incorporando critérios de equidade que respeitem a diversidade dos modos de vida e de produção já existentes nos territórios. Além disso, exigimos o respeito aos direitos humanos e a aplicação com rigor de todos os tratados e convenções ratificados por nossos países.
- Denunciar as graves conseqüências destes projetos sobre os povos indígenas nos nossos países, apoiar e incentivar as suas lutas contra os projetos que destroem seus territórios, bem como exigir a imediata demarcação e desintrusão das terras indígenas.
- Fiscalizar as irregularidades das empresas financiadas pelo BNDES.
- Exigir do BNDES transparência e acesso irrestrito ao conjunto das informações dos financiamentos.
- Responsabilizar o BNDES e os governos pelos prejuízos causados pelos projetos que o Banco financia e exigir a suspensão do financiamento a empresas que violam direitos, degradam o meio ambiente e as condições de trabalho.
- Fortalecer nossa luta por um projeto popular que possa gerar perspectivas para todos, e principalmente para a juventude, para que não abandonem nossos territórios ameaçados pelos projetos financiados pelo BNDES.
- Lutar, em nossos países, por uma forte integração dos povos, pela economia solidária, pelo respeito aos nossos direitos, pela garantia da nossa soberania, pelo bem-estar das comunidades e pela integridade dos nossos territórios.
- Exigimos que o BNDES seja um instrumento para fortalecer este novo projeto de sociedade.

Rio de Janeiro, 25 de novembro de 2009

*Henrique Parra



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Acadêmicos amestrados

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos. Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto. Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável e criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a “morte de Marx”. Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI. Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que eles usam com os demais. No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori. É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar – cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade. O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século XVII. É impensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade. Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de “vagabunda” pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país. Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como “o filósofo” pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de “terrorismo de Estado”. Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real – por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses – se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como “terrorismo de Estado” a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade. A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de “trapalhadas” e chamava Celso Amorim de “líder estudantil” e “cavalo de troia de bufões latino-americanos”. Poucos dias depois, a respeitadíssima revista Foreign Policy – que não tem nada de esquerdista – apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o “melhor chanceler do mundo”, nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha. Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os “especialistas” sobre isso – agora sim, com aspas – são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas. Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo? No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.

*por Idelber Avelar

Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de novembro. Nas bancas.

sábado, 28 de novembro de 2009

Dubai deixa de pagar dívidas e assusta bolsas mundiais

Sonho de construção da capital financeira do planeta no Dubai transformou-se ontem em pesadelo para os mercados internacionais

O rebentamento da bolha especulativa do mercado imobiliário do emirado do Dubai levou ontem o maior grupo empresarial da região a anunciar ao mundo que, durante os próximos seis meses, não vai conseguir pagar as suas dívidas, colocando o sistema financeiro internacional próximo de uma nova crise de confiança.

O grupo Dubai World, que está sob o controlo do Governo do Dubai, pediu um adiamento até "pelo menos Maio de 2010" da amortização das suas emissões obrigacionistas de 59 mil milhões de dólares (cerca de 40 mil milhões de euros ou um quarto do PIB português). Esta é uma das maiores ameaças de incumprimento no mercado de dívida das últimas décadas, apenas comparável com situações como as da Argentina nos anos 90, ou da Islândia em 2008.

O Emirado do Dubai, um dos sete que constituem os Emirados Árabes Unidos, tornou-se nos anos anteriores à crise financeira no símbolo máximo da euforia imobiliária a que se assistiu um pouco por todo o planeta. Ao pé da exuberância do mercado imobiliário do Dubai, a oferta de crédito fácil na Califórnia ou a construção em série de moradias no Sul de Espanha quase podem ser apresentados como exemplos de investimentos de baixo risco.

As autoridades do Dubai decidiram no início desta década que queriam fazer do território o novo centro financeiro, turístico e cultural do globo e não se pouparam a nada para consegui-lo. Desde a construção do Burj Dubai, o mais alto edifício do mundo, com 818 metros e inauguração marcada para o dia 4 de Janeiro, até à criação de uma ilha artificial em forma de palmeira, passando pela organização dos mais diversos eventos desportivos e culturais, o território foi surgindo no noticiário mundial como sinónimo de luxo e exclusividade.

Os problemas surgiram em 2008. Quando a crise financeira internacional atingiu o seu auge, os investidores, especuladores imobiliários e turistas milionários que tinham ajudado a sustentar o crescimento no Dubai viram-se forçados a regressar aos países de origem. A fuga de estrangeiros foi de tal modo volumosa e brusca que era possível notá-la observando os milhares de veículos de alta cilindrada que se encontravam abandonados nas ruas da cidade. Durante os primeiros oito meses de 2009, os preços do imobiliário caíram para metade e cada vez mais escritórios e apartamentos ficaram vazios, forçando ao adiamento de projectos no valor de 24 mil milhões de dólares.

Sabendo que todos os investimentos tinham sido feitos recorrendo ao mercado internacional de crédito, já se temia que começassem a surgir dificuldades no pagamento dos 80 mil milhões de dólares de dívidas. Mas havia a esperança que as autoridades de Abu Dhabi, o emirado mais rico (graças ao petróleo), continuassem a suportar os seus parceiros do Dubai. O anúncio ontem feito parece mostrar que esse apoio deixou para já de ser possível.

Ontem, por causa do Dubai, o clima de nervosismo nos mercados financeiros internacionais regressou em força. As bolsas caíram e as taxas de juro das obrigações menos seguras dispararam. Tanto na Europa como nos EUA, todos queriam saber quem é que tinha investido no Dubai e quais os próximos mercados a cair.

Portugal não escapa aos efeitos negativos. O impacto directo - que ocorre nos casos em que entidades portuguesas tenham adquirido títulos de dívida com origem no Dubai - é difícil de quantificar. Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial do Banco de Portugal, limita-se a dizer que "a situação está a ser avaliada".

Mas o impacto indirecto já se tornou evidente. Como os investidores, nesta situação de stress, se protegem nos investimentos mais seguros, as emissões de dívida feitas pelo Estado e as empresas portuguesas saem prejudicadas face, por exemplo, às das suas congéneres alemãs e, por isso, as taxas de juro suportadas por Portugal tendem a subir, algo que já aconteceu ontem (ver texto ao lado).

domingo, 22 de novembro de 2009

Deveremos acreditar sempre na LUTA!!!!!

10 anos de Seattle
Pareceu um raio em céu azul, aquele espetáculo sensacional em que se transformou o que deveria ter sido mais um show midiático do Consenso de Washington, numa nova reunião da OMC, em uma das cidades símbolo da pós-modernidade: Seattle.

A reunião não conseguiu ser realizada; se via ministros correndo pelas ruas, usando escadas rolantes para ver se conseguiam chegar de volta a seus hotéis – entre eles, Pedro Malan, figurinha carimba desse tipo de reunião. Enquanto a massa, convocada pela internet, não se sabia surgindo de onde, ocupava praças, ruas, hotéis, salas de reunião, estações de metrô, protagonizando a primeira grande manifestação global contra o pensamento único e o Consenso de Washington.

Não era um raio em céu azul, para quem havia constatado, por debaixo da aparente pax neoliberal, os problemas que a globalização ia produzindo. É certo que os governos que mais a personificaram se reelegiam – FHC, Fujijmori, Menem -, depois do sucesso de Reagan e da Thatcher, sucedidos por Blair e Clinton. Mas ao mesmo tempo se esgotavam. As crises financeiras – típicas do neoliberalismo – se estendiam pela América Latina, pelo sudeste asiático, pela Rússia.

Hugo Chavez tinha sido eleito um ano antes. A economia brasileira enfrentava uma nova crise, o que levou o governo FHC a elevar a taxa de juros a 48% e a jogar o país numa prolongada recessão. Sinais claros de que a economia argentina estava à beira de uma explosão da bomba de tempo instalada por Menem, com a paridade artificial entre o dólar e o peso. O México se recuperava com dificuldades da crise de 1994.

Desde que os zapatistas tinham lançado seu grito contra a globalização neoliberal, em 1994, as mobilizações populares foram se sucedendo, entre elas as extraordinárias marchas dos trabalhadores sem terra no Brasil, as lutas dos movimentos indígenas do Peru, da Bolívia, do Equador, iam se espalhando, anunciando um novo ciclo de mobilizações, como resistência popular ao neoliberalismo.

Seattle veio assim trazer à superfície os descontentamentos acumulados pelos efeitos deletérios das políticas neoliberais, com os imensos retrocessos sociais que representavam. Ignacio Ramonet havia publicado seu famoso editorial no Le Monde Diplomatique da França, conclamando à luta contra o pensamento único. ATTAC surgia como um novo tipo de movimento, de luta pela taxação do capital financeiro para promover políticas para a cidadania, com o lema “O essencial não tem preço”.

Iniciou-se, com Seattle, um novo ciclo de mobilizações populares que, enlaçando-se com o surgimento do Fórum Social Mundial, estendeu as mobilizações contra a OMC pela Europa, pela Ásia, pela América Latina, até desembocar nas maiores manifestações já conhecidas, contra a guerra do Iraque, em 2003.

Deste então, a luta pela superação do neoliberalismo ganhou novas formas, mais avançadas, passando do protesto e da resistência, à derrota do governos neoliberais e ao inicio do ciclo atual – latinoamericano – de construção de governos pós-neoliberais. Para sua vitória contribuíram decisivamente as lutas de Seattle e aquelas que no continente brecaram os processos de privatização, como as dos movimentos indígenas e cidadãos na Bolívia e no Equador. Podemos dizer que o novo cenário latinoamericano é herdeiro das lutas de resistência da década de 1990 e, em particular, das espetaculares manifestações de Seattle, que marcaram o fim da lua-de-mel neoliberal e o começo da construção do “outro mundo possível”, do pós neoliberalismo latinoamericano.

* Emir Sader

Postado em 15/11/2009 ás 00:54

"felicidade vem de dentro, e não da mente"




É um blues Stompin, canção sobre os pensamentos que a mente produz .... "felicidade vem de dentro, e não da mente" é a mensagem básica de Heather nessas letras.

A Palavra

No princípio era o verbo. Depois vieram os substantivos, os adjetivos, os pronomes.

E o homem começou a produzir discursos e a conquistar seu mundo por intermédio da palavra. Nominar para conhecer, conhecer para conquistar. E jamais houve arma mais poderosa do que a palavra.

E o homem usou a palavra para continuar suas descobertas. Para perpetuar suas experiências. Para acumular seu conhecimento.

E o homem usou a palavra para cativar amigos, para seduzir amantes, para celebrar comunhões.

E o homem usou a palavra para conquistar fiéis, para dominar territórios, para exercer o poder.

E o homem criou novas palavras para velhas coisas. Traduziu-as para novos idiomas, diversificou-as na torre que buscava a própria palavra em sua origem.

Mas a palavra sempre se impôs a qualquer homem. Sempre perdurou para além de qualquer discurso. E onde já não há rosas, ainda seu nome perpetuado para além de sua efemeridade. E onde já não há existência, palavras renitentes ainda existindo.

Ainda hoje, a palavra transformada em pulso eletrônico, em onda magnética, em pixel luminoso, concretiza-se na matéria etérea de significados da qual é feita.

Dominá-la e entregarmo-nos ao domínio que nos impõe. Eis o sentido último do encanto, do jogo, da paixão e de nossa devoção e vício. A palavra, vivida como profissão.


*Eduardo Carvalho

O futuro da água de Chapecó

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO




O documentário analisa os acontecimentos que levaram ao assassinato do camponês Valmir Mota Keno, em outubro de 2007 no interior do Paraná, por uma milícia armada contratada pela transnacional Syngenta Seeds. Keno e mais 20 agricultores foram assassinados no Paraná nos últimos dez anos lutando pela terra e por uma vida digna para os camponeses. 22':54"

A história das coisas




Não é nenhum post de auto-ajuda, e nem uma fórmula milagrosa para emagrecer ou ganhar dinheiro, trata-se de coisa muito mais importante, trata-se da nossa vida. Eu disse 21 minutos porque é a duração do documentário “A história das Coisas” que mostra com clareza as mazelas da sociedade de consumo e como estamos consumindo o mundo e sacrificando o próximo para suprir esta necessidade patológica.

O mito do muro

O noticiário internacional esteve marcado, nos últimos dias, pelas festividades comemorativas dos 20 anos da queda do Muro de Berlim. A maioria da imprensa celebrou o evento com galhardia. Trata-se, afinal, do símbolo mais emblemático da derrocada do socialismo e da possibilidade histórica de qualquer sistema distinto do capitalismo triunfante.

A conjugação de uma incrível máquina de propaganda com o complexo de vira-lata comum aos perdedores foi capaz de atrair para essa comemoração amplos setores progressistas e de esquerda, que simplesmente mandaram às favas qualquer espírito crítico. Alguns porque honestamente concordam com a retórica sobre o muro maligno. Outros porque temem ser apontados como antidemocráticos e fora de moda.

A submissão intelectual chega ao ponto de não se questionar sequer a legitimidade dos grandes agitadores contra a obra do mal. Onde está a autoridade dos Estados Unidos e seus meios de comunicação? No muro da morte que separa seu território dos aliados mexicanos, matando por ano os 80 caídos durante três décadas na Berlim dividida? Na base de Guantánamo, onde centenas de muçulmanos estão presos sem o devido processo legal e são sistematicamente torturados? Ou teria a Europa ocidental mais credibilidade, com sua política discriminatória contra os imigrantes? Ou ainda Israel e os grupos sionistas, pródigos em adotar práticas de “pogrom” contra os palestinos?

A lista de participantes desse festim é bastante longa, vários com muitas contas a acertar, e de cada qual deveria ser solicitado o devido atestado de idoneidade. Não é o caso, obviamente, de se justificar um pecado com outro, mas evitar comportamentos desprovidos de análise histórica. Olhar ao lado de quem se está marchando já é um bom começo de reflexão.

O Muro de Berlim costuma ser apresentado, pelos campeões da liberdade, como produto de um sistema político tirânico, cuja natureza seria a divisão dos povos e sua subordinação ao tacape de uma ideologia totalitária. Os fatos que lhe deram origem há muito foram subtraídos da informação cotidiana.

Quando terminou a 2ª Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em quatro zonas de influência, entre norte-americanos, ingleses, franceses e soviéticos. A capital histórica, Berlim, pertencente ao território controlado pelo Exército Vermelho, acabou igualmente repartida em áreas controladas pelos países vitoriosos.

Reconstrução européia
Quem se der ao trabalho de ler as atas das conferências de Ialta, Potsdam e Teerã, se dará conta que Moscou era contrário a essa divisão. Sua proposta era dotar a Alemanha de um governo provisório, sem divisão do território, que organizasse em dois anos um processo eleitoral nacional. Os demais aliados, temerosos que o país caísse nas mãos dos comunistas, exigiram o modelo adotado.

A União Soviética acatou, depois que viu garantido seu direito de hegemonia sobre os demais países fronteiriços, além de preservado seu controle militar sobre a antiga Prússia Oriental. Em nome de sua política de segurança e da manutenção da aliança que derrotou o nazismo, abdicou de parte da sua influência na porção ocidental da Alemanha e do antigo Império Austro-Húngaro, apesar de os comunistas já serem maioria na Áustria.

Outro compromisso que constava da agenda pós-guerra era a constituição de um fundo mundial para a reconstrução europeia. O papel principal, nesse trâmite, cabia aos Estados Unidos, a potência que menos havia sofrido com o esforço de combate, cuja economia havia sido vitaminada pelo conflito e dispun ha de imensos recursos financeiros.

Mas a vitória eleitoral dos comunistas na então Tchecoslováquia, seguida de resultados espetaculares na Itália e França, em 1946, provocou uma reviravolta. A Casa Branca decidiu-se por quebrar o pacto da reconstrução e inundar de financiamento apenas sua área de influência, dando origem ao Plano Marshall em 1947. Cerca de 140 bilhões de dólares, em valores atualizados, foram injetados no ocidente europeu.

Tinha início a chamada Guerra Fria, antecipada, em março de 1946, pelo famoso discurso de Winston Churchill em Fulton. A União Soviética, que havia arcado com um incalculável custo humano e material ao ser o grande vetor da vitória contra Hitler, passou a enfrentar uma outra guerra, financeira e de sabotagem, contra suas posições. Especialmente na Alemanha Oriental, constituída em 1949 como República Democrática da Alemanha.

A estratégia norte-americana era roubar os melhores profissionais alemães, atraí-los a peso de ouro a partir de sua cabeça-de-ponte em Berlim Ocidental, que recebia aportes formidáveis para ser exibida como vitrine esplendorosa da pujança capitalista. A fuga de cérebros e braços asfixiava a jovem RDA, que pouco podia contar com a ajuda material soviética, pois estava o Kremlin às voltas com o dificílimo reerguimento do próprio país.

Foram mais de 12 anos em uma batalha árdua e desigual. A URSS tinha quebrado a máquina de guerra do nazismo, retesando cada músculo e cada nervo da nação, e se via diante de uma situação que poderia levar à desestabilização de suas fronteiras, exatamente a aposta maior da Casa Branca.

Essa escalada teve seu desfecho no dia 13 de agosto de 1961, data inaugural do Muro de Berlim.

Economia ferida
O fluxo entre os dois países e as duas áreas da antiga capital foi militarmente interrompido e obstaculizado por uma construção que chegou a ter 66,5 km de redeamento metálico e murado. Famílias e amigos foram separados por quase 30 anos. Aprofundou-se a fratura entre ocidente e oriente na Europa. Uma nação histórica foi dividida. Oitenta pessoas morreram e 142 ficaram feridas ao tentar ultrapassar o muro, finalmente derrubado em 1989.

Sua construção foi um ato de guerra, mas de caráter defensivo. As hostilidades e operações de sabotagem, que impediram a permanência de uma Alemanha unida e a coexistência pacífica de dois sistemas, foram iniciadas pelas potências que romperam o acordo de paz, impondo ao leste europeu e socialista, com sua economia ferida pela guerra, um longo estado de exceção.

Claro, havia outras alternativas. A URSS e seus aliados poderiam, por exemplo, ter capitulado de antemão à ideia de desenvolver outro sistema de produção e poder, pois era essa tentativa dissidente o motivo da Guerra Fria. Afinal, não foi assim que tudo terminou, lá se vão 20 anos?

Mas com seus erros e seus acertos, suas glórias e seus desastres, seus feitos e até seus crimes, o socialismo foi, durante gerações, a bandeira e o sonho de povos que aceitaram pagar com sacrifício, dor e sangue por um outro mundo possível. Teria sido impensável, se assim não fosse, a extraordinária vitória na guerra de trinta anos que vai da Revolução Russa à caída de Berlim nas mãos do Exército Vermelho, em 1945.

O muro de Berlim talvez tenha sido apenas a criatura disforme de um processo no qual seus protagonistas tiveram que enfrentar circunstâncias e teatros de batalha escolhidos, no fundamental, por inimigos poderosos. De certo modo foi, durante décadas, marco de resistência e de equilíbrio entre dois sistemas. Caiu quando a força propulsora de um dos lados já tinha se esgotado. O resto é a mitologia dos vencedores.

Breno Altman é jornalista e diretor de redação do Opera Mundi.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PED ( eleicões internas do PT e as eleições do ano que vem).

O PT está realizando uma plenária para debater o PED ( eleicões internas do PT e as eleições do ano que vem).

A participação e contribuição de todos/as é muito importante. Ajudem, convidando os/as companheiros/as com os quais você tem contato.

Será quinta-feira, 19 de novembro, às 19h, na Câmara de Vereadores de Chapecó.

domingo, 15 de novembro de 2009

Padre da Paróquia São Cristovão é homenageado

Nós da Consulta Popular, parabenizamos o Padre Cleto João Stulp, pela justa homenagem a ele prestada na Câmara de Vereadores de Chapecó, na pessoa do veredor Marcelino Chiarello, que o indicou para receber a Medalha Dom José Gomes. Esperamos com isto, que esteja se fazendo justiça a uma pessoa que realmente trabalha em defesa da comunidade, do povo de Deus e para que este Brasil de poucos, realmente se torne um Brasil de todos.

Les dieux qui me formâtes

je ne vis que passant

ainsi que vous passâtes


Apollinaire

domingo, 8 de novembro de 2009

EM MEMÓRIA DE CARLOS MARIGHELLA





VENCESTE, CARLOS

Ademar Bogo

"Se a tarde caiu e não voltaste

Sem consciência do tempo...

Nem percebeste que a morte,

Não significara uma vitória.

Gélido, calado...

Pensavam tornarem-no inofensivo.

Eles são assim!

Só prestam para a repressão

Se continuarem vivos:

Mortos, ficam só, viram pó.

Ouvistes vós uma rememoração sequer;

Uma sequer, dos 40 anos de Fleury?

Nós, voltamos a Alameda

E sentimos o pulsar dos corações

Tangendo lágrimas sinceras

São sentimentos reunidos de várias gerações.

E lá distante, as crianças entram para a escola

E a professora, lembra o dia 4 com poesia!

Fala de Carlos como se fosse o pai,

O avô, um sábio, um santo, um guia...

Em outras partes: exaltados debates,

Trazem de volta o ser conquistador

O comandante da Ação usa a palavra

Na voz de um jovem admirador;

Gritos de viva irrompem das janelas

Venceste, Carlos, a causa do amor.

Em mil lugares teu nome aparece

Em preces, aulas, placas e poesias,

Na ponta longa da amável tristeza

Amarram-se os laços da alegria.

Num tempo estranho

Contamos a tua glória

Neste presente de pobre ideologia

Se em nossas veias teu ânimo corre

Em nossas mentes, vives na utopia."



Parte: 01



Parte: 02



Parte:03



Parte:04



Parte: 05

sábado, 7 de novembro de 2009

Estudante do mini vestido é expulsa da Uniban. O reitor desta universidade deveria retornar aos bancos escolares

A expulsão da garota Geyse Arruda da Universdade Bandeirantes é um ato nojento e não pode passar impune e considerado um ato administrativo. O Ministério da Educação precisa se manifestar e, no mínimo, convocar a direção da instituição para discutir a decisão.

Se isso não for feito o recado que está sendo dado à sociedade é que se porventura alguém considerar que uma mulher está vestida de forma sensual tem o direito de persegui-la, xingá-la e até ensejar agredi-la. É um estímulo à barbárie.

Além disso, a punição à garota transfere a responsabilidade dos agressores, que ficaram impunes, para a agredida. Esse tipo de "justiça" é inaceitável numa sociedade democrática.

Com a palavra o ministro Fernado Hadad.

Também considero importante que o deputado Vicentinho (PT) e o prefeito de São Bernardo, Luis Marinho, se manifestem. Ambos fizeram campanha publicitária para a univesidade e tiveram suas imagens associadas à ela.

A decisão pela expulsão de Geyse também merece uma intensa mobilização dos grupos feministas no Brasil, pelo risco de retrocesso que essa decisão pode vir implicar na luta pelos direitos das mulheres.



Reunião discute municipalização da água em Chapecó


Na última quarta-feira, 05 de novembro, a vereadora Luciane Carminatti participou de uma reunião para discutir a Municipalização/Privatização da água em Chapecó. O debate, coordenado pelo Sindicato dos Trabalhadores em água, esgoto e meio ambiente de Santa Catarina (Sintaema), reuniu mais de 100 pessoas entre representantes dos setores público e privado, de igrejas, líderes sindicais e vereadores.

O objetivo foi dialogar sobre a atual situação da água na cidade e de fortalecer o Fórum em Defesa do Saneamento Público, criado após o anúncio do prefeito João Rodrigues em municipalizar a água, administrada hoje pela Casan. De acordo com o secretário regional oeste do Sintaema, Carlos Antohaki, a municipalização é o primeiro passo para a privatização, pois os municípios não têm suporte econômico para administrar a água.

Para a vereadora Luciane, este é mais um debate importante. “Daqui pra frente, as ações tomadas definirão o futuro da nossa cidade. Precisamos pensar nos benefícios e nas consequências de cada ato”, afirmou. Ela acrescenta que nos próximos dias será votado na Câmara o projeto que regulamenta a ocupação do solo do Lajeado São José. “Estas discussões são de extrema importância, já que envolvem um assunto muito delicado. Ninguém sobrevive sem água”, finalizou.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dedico está música ao prefeito de Chapecó e a todos aqueles que defendem a privatização da nossa água..."Forra privatizadores"

FHC agride Lula para escapar da irrelevância

A inveja tem a vantagem de corroer o invejoso por dentro
O Farol de Alexandria subiu o tom.
Rasgou a fantasia.
Despiu-se do pudor que convém a ex-presidentes.
Agora, ou vai ou racha.
Ou os holofotes do PiG (*) se voltam para ele, ou desaparece.
O artigo que escreveu neste domingo no Globo e no Estadão chama o Presidente Lula de golpista, peronista, portador de um autoritarismo populista (?) e, como sempre, o considera um desqualificado.
Diz que Lula quer um “poder sem limites”.
Ou seja, acusa Lula de querer ser ditador.
Ele sempre fez isso, porque nunca teve a compostura de um ex-presidente da República.
Sarney, Collor e Itamar respeitaram os sucessores.
O Farol jamais engoliu o sucesso de seu sucessor.
Só que, neste domingo, depois que um aliado de Zé Pedágio decidiu jogá-lo ao mar – clique aqui para ver o que Roberto (quem ?) Freire disse dele no Ceará -, depois que
Aécio deu um ultimato a seu rebento – clique aqui para ler “Aécio não vai na garupa de ninguém”, o Farol caminha para a irrelevância a passos largos.
Para morrer atirando, o artigo deste domingo ultrapassa as regras da etiqueta política.
As decisões de Lula são uma “enxurrada” , “esdrúxulas”, “sem sentido”.
Lula criou “o maior espetáculo da Terra” – nome de um filme que, na juventude do FHC, tratava da vida num circo … -, governo “de riqueza fácil que beneficia poucos”.
Lula comete “transgressões”.
“Atropela” a lei e os “bons costumes”.
Por que será ?
Lula tem algum filho bastardo que não se conheça ?
“Desvio” (de dinheiro ?).
“Loucura”.
“Apoteose verbal”.
“Despautério”.
Um estilo que “pouco tem a ver com nossos ideais democráticos “.
Que dizer que Lula vai dar o Golpe ?
Autor de “pequenos assassinatos”.
A partir daí, o Farol retoma a agenda do PiG (*).
Ou seja, as causas heróicas que movem as milícias de colonistas (**) do PiG (*) e ajudam a criar o PUM (***) do PiG (*).
Ele defende o pré-sal para os clientes do escritório do Davizinho.
Morre de saudades da Petrobrax.
Defende o Roger Agnelli e os tucanos que ele emprega na Vale.
Que Lula não põe ninguém na cadeia (só falta dizer que o “Engavetador Geral da República” trabalha no Governo Lula …)
Que Lula quer a Bomba Atômica para entrar no Conselho de Segurança.
Aí, FHC é mais entreguista do que normalmente parece.
Como ele enterrou os planos de o Brasil ter vida nuclear autônoma, ao assinar um tratado de não proliferação, aqui, agora, o Farol quer jogar Lula na companhia do Irã, tornar o Brasil um “rogue State”, para que Lula não se sente no Conselho de Segurança da ONU.
Porque, nesse dia, FHC vai cortar os pulsos para valer …
O Farol diz que o PAC empacou.
Diz que o Minha Casa Minha Vida não anda.
Ou seja, repete a pauta dos editores do PiG (*).
Mas, tem uma novidade no pensamento do Farol.
Sem dar crédito a Chico de Oliveira – da mesma maneira como tentou engolir o Enzo Falleto, que escreveu com ele sobre a “Dependência” irrevogável do Brasil aos Estados Unidos -, o Farol tenta se apropriar da tese de que os fundos de pensão mandam no Brasil.
Essa é uma outra discussão.
E o Conversa Afiada já demonstrou o que pensa disso, no episódio da patranha da BrOi.
Porém, o Farol está interditado de falar sobre esse assunto.
Ele entregou os fundos de pensão a Daniel Dantas, a quem chama de “brilhante”.
Clique aqui para ler “FHC se esquece de que deu pos fundos de pensão a Daniel Dantas”.
Como o de Alexandria, o Farol será destruído por um terremoto.
E ninguém verterá uma lágrima por ele.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(***) PUM é Pensamento Único da Mídia.

Do Blog Conversa Afiada (Paulo Henrique Amorim)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Trabalhadores na luta em defesa da CASAN

Com o anúncio da municipalização de Chapecó, feita nos meios de comunicação pelo Executivo Municipal, mais uma vez o Sintaema-SC está na árdua luta de manter a Casan pública e de qualidade e os empregos dos trabalhadores.

O Presidente do Sindicato, Odair Rogério da Silva, encontra-se em Chapecó desde o dia 27/10, fazendo vários contatos, coordenando e viabilizando a criação de uma frente ampliada formada por várias entidades representativas em defesa da manutenção da Gestão Associada entre a Casan e o município.

Em reunião realizada no dia 28/10, no Sindicato dos Bancários de Chapecó, com a presença marcante de mais de 70 trabalhadores, foram discutidas e aprovadas a criação das seguintes comissões:

1. COMISSÃO INSTITUCIONAL: formada pelos trabalhadores, corpo gerencial da Empresa, parlamentares (Vereadores e Deputados) e o Sintaema-SC;

2. COMISSÃO DE IMPRENSA E OUTROS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO: formada pelos trabalhadores da Casan, lideranças do Movimento Social e Sintaema-SC;

3. COMISSÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS: constituída por entidades ligadas aos Movimentos Sociais (ambientalistas, sindicatos, Igreja, Movimentos das Mulheres, Unegro etc.), trabalhadores da Casan e Sintaema-SC;

4. COORDENAÇÃO GERAL: coordenará as ações de todas as comissões.

Calendário de lutas e ações aprovadas:

• 04 de novembro: reunião ampliada com todos os setores envolvidos na sede do Sindicato dos Bancários de Chapecó, às 14 horas;

• 09 de novembro: concentração na Câmara de Vereadores de Chapecó, a partir das 19 horas;

• 12 de novembro: seminário sobre o “Futuro do Saneamento” promovido pela Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC) e Unimed.

É compromisso de todos e responsabilidade de cada um entender a gravidade do momento que estamos vivendo e participar ativamente da luta pela sobrevivência e continuidade da Casan.
Com unidade de todos, mobilização e muito trabalho vamos vencer mais essa batalha.
VAMOS À LUTA!


Direção do Sintaema-SC

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vereadora participa de eventos para tratar do ensino religioso nas escolas


No dia 26 de outubro, foi realizado no auditório da Câmara de Vereadores de Chapecó reunião para discutir o ensino religioso nas escolas públicas do Oeste de Santa Catarina. O encontro, proposto pela vereadora Luciane Carminatti, secretária de Formação da Associação das Câmaras Municipais do Oeste de Santa Catarina (ACAMOSC), teve como objetivo debater sobre legislação do ensino religioso nas escolas municipais da região da AMOSC e AMAI com os vereadores da região oeste de Santa Catarina.

Segundo Luciane, o encontro teve um caráter de esclarecimento aos vereadores: “Durante os últimos dias, realizamos um levantamento completo da atual situação do ensino religioso na região e este encontro teve um papel fundamental para esclarecimento e contextualização deste cenário em nível nacional, estadual e regional”.

Devido a importância do assunto, foi marcada uma nova reunião para o dia 10 de novembro, para dar continuidade às discussões. A Acamosc trabalhará junto aos seus associados, buscando uma uniformização das legislações municipais sobre o ensino religioso e também levará o assunto para o Encontro Estadual de Vereadores, que será realizado no mês de dezembro, em Florianópolis.

Vamos ficar atentos, inscrições para Corpo tecnico da UFFS‏

Edital de contratação de técnico-administrativos da UFFS será aberto em novembro

O Movimento Pró-Universidade Federal, informa que o edital para a contratação dos técnico-administrativos da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) será divulgado no dia 13 de novembro. No total, serão ofertadas 133 vagas para servidores Técnico-Administrativos em Educação (Classe D) e 87 Servidores Técnico-Administrativos em Educação (Classe E).
As provas serão aplicadas no dia 13 de dezembro em Chapecó, sede da UFFS, e nas demais extensões: Cerro Largo (RS), Erechim (RS), Laranjeiras (PR) e Realeza (PR). “Quem tiver interesse em participar da seleção já deve ir se preparando”, destaca Luciane.

Concurso para professores
Para os cargos de professores, as inscrições estão abertas até as 20 horas do dia 9 de novembro pelo site www.uffs.ufsc.br . Serão selecionados 165 professores da Carreira de Magistério Superior Federal, com titulação mínima de mestre. O valor é de R$ 90,00 para o cargo com dedicação exclusiva e R$ 70,00 para o de 20 horas.
A primeira prova (eliminatória) vai acontecer no dia 22 de novembro, em Florianópolis. As inscrições homologadas serão divulgadas no site da UFFS, no prazo de 72 (setenta e duas) horas úteis após o encerramento das inscrições. O edital completo pode ser encontrado no site da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) www.uffs.edu.br.

Licitação para a construção de prédios

Também foi publicado no Diário Oficial da União, em 27 de outubro, o edital de tomada de preço que escolherá a empresa para construir a primeira etapa dos quatro pavilhões multiuso no campus de Chapecó. Os interessados em participar da concorrência devem retirar o edital no Escritório Técnico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A abertura das propostas vai acontecer no dia 11 de novembro, às 14h30min.

Inicialmente, serão investidos R$ 3 milhões nos quatro pavilhões, com 4.792 metros quadrados de área construída. Nesta primeira fase, o valor a ser aplicado é de R$ 1,5 milhão. Segundo o presidente da Comissão de Licitação e diretor de Administração da UFFS, Paulo Roberto Pinto da Luz, a obra deve iniciar logo depois de encerrado o processo licitatório e deve estar concluída em quatro meses. Um dos pavilhões abrigará a administração do Campus, outro será para as salas de aula, o terceiro para a biblioteca e alguns laboratórios e o quarto servirá para abrigar a cantina, o centro de convivência e o centro de mídias.
Última atualização em Qui, 29 de Outubro de 2009 18:00

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SARAMAGO E HONDURAS – O GOLPE “ABENÇOADO”


A crítica, contundente e precisa, que o escritor português José Saramago fez à Igreja Católica Apostólica Romana, muito mais que representar o ateísmo do autor, questiona a apropriação de Deus por uma estrutura arrogante, prepotente e que ao longo da História tem sido – com brevíssimos intervalos – instrumento de opressão.
Se num determinado momento da História foi ela própria, Igreja, o centro para onde se voltavam as classes dominantes, hoje é apêndice. É importante notar que Saramago faz críticas específicas ao Velho Testamento, mesmo sem citá-lo. É o “documento” básico do fundamentalismo judeu. Resultou no sionismo e na presunção de “povo eleito”. É nessa ótica que Palestinos são submetidos ao terror de Israel.
Saramago fala nas Cruzadas, já sob a égide do cristianismo e caracteriza-as como boçalidade. Claro que são. Importante é perceber que por trás dessa apropriação de Deus, de Cristo existe o fator luta de classes. Opressor e oprimido.
Esses são militares hondurenhos nos momentos seguintes ao golpe que derrubou o presidente constitucional do país, Manuel Ze laya. À falta de um Edir Macedo para ludibriar e enganar o povo de Honduras foram buscar o cardeal. O comandante em chefe do exército de Honduras cumpriu pena, quando major, por chefiar uma quadrilha de ladrão de automóveis de luxo.
O golpe foi dado para garantir a “democracia”, a “constituição” e em nome do “pai”.
E após cumprirem o “dever cívico” e “patriótico” no qual se refugiam os canalhas foram receber das mãos do cardeal de Honduras a bênção por salvar o latifúndio, os bancos, as grandes empresas, os “negócios” de norte-americanos. Foram mais de cem mortos, mais de mil desaparecidos, centenas de mulheres estupradas, pessoas torturadas tudo com as bênçãos da Igreja Católica. Faça-se a ressalva que freis dominicanos manifestaram-se contra o golpe em documento público. Mas Bento XVI e sua cúpula reverenciaram Hitler pelo momento de suprema “devoção”.
O cardeal hondurenho dá a comunhão a golpistas. Ponto culminante do cinismo e do comprometimento da cúpula da Igreja com os “negócios”. Desde os tempos de Marcinkus, pelo menos na história recente.
A figura abaixo, um dos mais sinistros ditadores de todos os tempos, também recebeu o aval “divino”. Note-se que Pinochet sequer tirou o quepe. Devia imaginar que era auréola.
Em tempos não tão idos assim, a figura abaixo se reuniu com a cúpula da Igreja e logrou obter o apoio do papa Pio XII para trocar judeus por garantias de preservar o reino “divino” do pontífice.
Os brevíssimos papados de João XXIII e Paulo VI não foram suficientes para desmontar a máquina brutal e terrorista da Igreja Católica, cínica. As burras de dólares chegaram com o cardeal Marcinkus (teve prisão decretada pela justiça italiana por fraudes bancárias, associação a organizações do crime organizado – a Igreja por sua cúpula já o é – e sequer podia sair do Vaticano). João Paulo II foi o encarregado da nova Inquisição. Bento XVI só faz aprofundá-la, até porque integrantes da juventude hitlerista, sabe de cor e salteado o modus operandi.
O que se vê na foto acima infiéis e traidores da causa de “Deus” submetidos à justiça “divina” abençoada pelo cardeal hondurenho e pelo papa nazista.
Foram “incapazes” de compreender o alcance do “patriotismo” desses boçais e cismaram de resistir acreditando que liberdade tenha – tem – outro conceito, que não aquele emitido pelo sino de Wall Street.
Para que as “mentiras” veiculadas pelo templo brasileiro, um deles, a GLOBO, os soldados abaixo calam o jornalista independente, que não reza a “bíblia” das SS.
E matam, como mataram e continuam matando, centenas de cidadãos que não “entendem” que os militares, os latifundiários, os empresários, os norte-americanos, os agentes do serviço secreto de Israel no cerco a embaixada brasileira, são emissários de “Deus”.
Vítima da “justiça divina” em Honduras. Não foi lá buscar a bênção do cardeal e com isso foi enviado ao “inferno”.
Os templos da comunicação no Brasil ignoram a realidade hondurenha de forma deliberada. Desde o diácono William Bonner, à sacerdotisa Miriam Leitão, ou ao supremo sacerdote do templo ELE E ELA Alexandre Garcia e o sábio William Haack. São escolhidos para manter o povo fiel e disciplinado na crença que todos somos Homer Simpson, idiotas dispostos a manter na fé cega toda essa estrutura podre e carcomida que junta desde os centros de decisão norte-americanos, Wall Street e Pentágono, aos diversos pontos espalhados pelo resto do mundo.
Quem não for capaz de compreender essas revelações, esses “sacrifícios” “democráticos” e “divinos” de generais ladrões de automóveis, ou a soldo dos donos, ou as ambas coisas, que receba a punição devida. Seja exemplado para que todos possam compreender a natureza suprema seja da Igreja Católica, seja dos que sustentam esses templos de arrogância, poder e barbárie (a despeito de padres e bispos que tentam fazê-la decente, digamos assim).
Na foto acima se pode observar o rigor “divino dos “patriotas” em nome de “Deus”, o deles. A forma como fazem chegar ao mortal comum, longe e distante da compreensão do seu “dever”, a “justiça”.
*Laerte Braga

Ao visitante

entre.
leia.
comente.
sugira.
não faça nada.
enfim, sinta-se a vontade.

Compartilhe este conteúdo em sua rede

Postagens populares