terça-feira, 29 de novembro de 2011
Assassinado em Chapecó, vereador, sindicalista e combatente da classe trabalhadora, Marcelino Chiarello.
Marcelino Chiarello é natural de Caxambú do Sul, nasceu em 12 de setembro de 1969.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
A saída dos que não foram... Por Consulta Popular, sobre a saida dos militantes do MST MTD CP VIA CAMPESINA A saída dos que nunca entraram...
Em sua III Assembléia Nacional, em 2007, a Consulta Popular deu passos decisivos em sua formulação estratégica. Ao enfrentar, os temas fundamentais do ?Caráter da Revolução?, ?Poder e Estado?, ?Sujeito Social? e ?Conceito de Organização?, optou pelas concepções construídas no leito histórico do movimento revolucionário da América Latina, gerando inevitáveis tensões com os que temiam ou discordavam destes passos.
A ?Carta de Saída do MST, MTD, Consulta Popular e Via Campesina?, firmada por 51 militantes é uma expressão tardia destas definições.
Não é casual, que, em relação a nossa organização, 49, dos 51 signatários se afastaram gradativamente, a partir de 2007, deixando inclusive de se identificar e apresentar como Consulta Popular. É bom esclarecer que muitos sequer chegaram a participar de nossa estrutura orgânica.
Permaneceram é verdade nos movimentos de massa que agora deixam, disputando outra concepção, que os levou a um isolamento crescente e os empurrou para a atual atitude.
Verdade seja dita, nunca assumiram o Projeto Estratégico que agora afirmam ter abandonado. Alardeiam ter saído de algo em que nunca entraram. Peço perdão se estou sendo injusta com algum dos signatários, não conheço a atuação militante de todos (as). Mas dos que me recordo, jamais os vi defendendo o Projeto Popular.
Como militante da Consulta Popular, que participou de embates teóricos com diversos dos signatários da ?Carta?, nos anos de 2006 e 2007, no processo de preparação da III Assembléia, o que me deixa intrigada não é o fato de anunciarem sua saída, mas o de fazerem somente agora.
Com a exceção de um único signatário, que permaneceu participando de seu núcleo e sustentando suas posições, os demais evidenciam com sua atitude, que não fizeram antes por pretender travar uma disputa.
Conseqüentemente, usando a mesma lógica formal que apreciam tanto na teoria revolucionária, se fazem agora, quando as concepções do Projeto Popular estão mais fortalecidas do que nunca nas organizações, é por se sentiram derrotados. ?Jogaram a toalha? como se diz no jargão esportivo.
E isso é bom, para ambos os lados. Deixam-nos prosseguir numa construção em que estamos animados, sem gastar energias num debate superado e lhes permite mostrar, finalmente, a que vieram.
O Socialismo Já é o Socialismo Nunca!
O conteúdo das críticas apresentadas pela ?Carta? revela que sua divergência é com a atualidade das tarefas chamadas de ?democráticas e populares? na estratégia da Revolução Brasileira.
Não casualmente, são incapazes de apontar qualquer reivindicação ou bandeira que expresse esse suposto programa imediatamente socialista que justifica a divergência.
Na verdade se identificam com uma concepção estratégica que não é nem um pouco nova, esteve presente e foi vencida em todos os processos revolucionários triunfantes do século XX, sobrevivendo apenas na teoria e em debates acadêmicos, agora ressuscitados neste momento de rearranjo da esquerda brasileira.
A tese central parte de uma lógica formal impecável. Se o desenvolvimento capitalista completou-se, a conseqüência imediata e direta é que o programa da revolução é a socialização dos meios de produção e qualquer outra medida estaria contra o avanço histórico. Em suas palestras e cursos de formação, enumeram os inegáveis avanços do capitalismo no Brasil, para então concluir que um programa socialista está colocado e não se viabiliza por existirem correntes atrasadas que impedem sua propagação.
Seria uma lógica invencível, se pudéssemos tratar a luta de classes como os mesmos conceitos da engenharia civil. Seu erro principal, que a leva a negar exatamente a essência do marxismo é que despreza o processo histórico de formação, as relações culturais e as experiências acumuladas.
Para os adeptos desta lógica formal, tudo se reduz ao desdobramento interno de um modo de produção, segundo uma lógica dada e prevista. Os homens passam a ser, no máximo, coadjuvantes de sua própria história, definida estritamente pela economia. Para Marx, contudo, a história não é um fator desprezível, que se resume a um conjunto de fatos a serem pinçados para provar uma teoria. Ao contrário, a história é elemento constitutivo da própria teoria.
Para a teoria em que se assenta a ?estratégia do Socialismo Já?, tudo o que não diz respeito ao movimento lógico do modo de produção é mistificação. Não há povos, não há culturas, não há memórias, não há nações, não há espaços geográficos, não há idéias, não há instituições, não há línguas, não há diferentes formas de sociabilidade, enfim, não cabem as contradições da realidade. O processo histórico é um elemento desprezível. Uma ilusão. A superação ocorre sem nenhuma ligação com o que foi superado.
Que falta lhes faz um Curso de Realidade Brasileira!
Evidente que se o capitalismo avançou isso possibilita, estruturalmente, uma transformação de caráter socialista em nosso país. Disso não temos dúvidas. Afirmamos claramente na Consulta Popular que o caráter de nossa revolução é socialista. Porém, isso não significa que o programa de transformações estruturais cujas contradições possibilitam a luta pelo poder, seja constituído de reivindicações socialistas.
Esta é a grande diferença entre a estratégia presente nas revoluções triunfantes do século XX, e as concepções do ?Socialismo Já?.
Raciocinam como uma mecânica que não admite intermediações. Se o capitalismo se completou as reivindicações serão de socialização dos meios de produção. E pronto. Quando se deparam com as mediações existentes em qualquer processo real se desconcertam, apoiando-se num discurso doutrinário, eficaz para debates acadêmicos e mesas de bar, mas inútil para a complexa luta de classes.
Nesta lógica formal, estaríamos assistindo as bandeiras de socialização dos meios de produção emergindo poderosas nos países desenvolvidos, especialmente com a intensa crise que atinge os EUA e as grandes economias européias.
Assim como as assistiríamos surgindo nos países menos desenvolvidos da cadeia capitalista internacional, pois sendo partes integrantes dela, se subordinariam à mesma lógica.
Porém, nem as análises de conjuntura vislumbram isso e o processo histórico desmente cabalmente essa conclusão.
Por quê?
Ora, responderão os adeptos do ?Socialismo Já?, isso não acontece porque existem traidores, que se recusam a assumir o programa socialista!
Aqui chegamos ao cerne da questão, onde a lógica formal desmonta-se como um castelo de cartas.
As bandeiras ou reivindicações que integram um programa não são determinadas pelo desejo dos revolucionários, mas por contradições efetivamente existentes que geram mobilizações.
Em outras palavras, a bandeira histórica de Reforma Agrária não nasce apenas da vontade dos aguerridos lutadores que tiveram o heróico papel de construir o MST, mas de uma contradição concreta, vivenciada por milhões de pessoas, que pode ser compreendida no estudo de nosso processo histórico. Sem compreender isso, jamais conseguiremos explicar a razão de milhares de canavieiros assalariados rurais da zona da mata nordestina, verdadeiros proletários rurais, mobilizarem-se pela conquista da propriedade da terra e não pela sua socialização.
Eis por que, o argumento que desconcerta os adeptos da estratégia do ?Socialismo Já? é desafiá-los a apresentar seu programa.
Aliás, quais são as medidas do Programa Democrático Popular que não aceitam?
O Direito ao ensino público e gratuito em todos os níveis para todos, com a proibição de o Estado destinar verbas para escolas privadas?
A Criação de um sistema único de saúde estatal, público, gratuito, de boa qualidade, com participação, em nível de decisão, da população, por meio de suas entidades representativas; estatização da indústria farmacêutica?
A Estatização dos serviços de transportes coletivos
A Estatização da indústria do cimento, para viabilizar um vasto programa de construção de habitações populares?
A Estatização dos grandes veículos de comunicação de massa?
A Estatização do sistema financeiro, garantindo crédito ao pequeno e médio produtor agrícola e industrial?
A Reforma agrária sob controle dos trabalhadores, com fixação de módulo máximo da propriedade rural regional e definição de planos agrícolas com a participação dos trabalhadores?
A Reforma urbana que assegure o direito de todos à moradia, com desapropriação de terras ociosas a baixo custo e pagamento a longo prazo, além de financiamento da casa própria à população, sem juros e compatível com a renda familiar?
Respondam!
Digam quais são suas alternativas a essas bandeiras? Onde construíram lutas em torno dessas alternativas? Onde construirão?
Afinal, quais são as medidas, diferentes do Programa Democrático Popular, que integram o tal Programa Socialista?
Onde podemos encontrar esse outro Programa que defendem?
Por que, mesmo os mais brilhantes acadêmicos que defendem essa teoria silenciam sobre esses pontos?
A resposta é simples. São incapazes de fazê-lo. Alteram apenas o nome do ?programa?, mantendo as mesmas reivindicações. Ou então, apresentam bandeiras inexeqüíveis, como a socialização das terras e atribuem sua inexistência a responsabilidade daqueles que não compreendem o ?verdadeiro programa socialista?.
Ou, o que é ainda pior, reduzem seu Programa Socialista a meras reivindicações de combate à corrupção e de construção de ética na política, convertendo-se em professores de moral para os capitalistas, a quem buscam livrar do mal, amém.
Aproveitam-se do fato do governo petista ter deixado de sustentar seu histórico programa de 1987, que se denominava ?Democrático e Popular?, para simplesmente tergiversar.
Polemizam na verdade com o nome ?democrático popular? e não com seu conteúdo. Poderia ser apenas uma divergência de nomes, mas não é. Pois dessa assertiva tiram conclusões que inviabilizam a construção do amplo leque de alianças, estreitam o que não precisa ser estreitado, enfraquecendo-se diante de um inimigo poderoso. Não aprenderam sequer os rudimentos de uma política revolucionária.
Pensando a partir de nossa estrutura social, quais são as classes ou setores de classes que vivenciam contradições estruturais com o capitalismo e compõem potencialmente as forças da revolução brasileira?
Esse amplo leque de forças se aglutina em torno da bandeira de socialização dos meios de produção?
Isolaremos o proletariado destas alianças? As consideramos desnecessárias?
Estas são as questões que se colocam para os que tratam a teoria revolucionária como a teoria da conquista do poder e não como espaço para o brilho de intelectuais da moda.
O projeto popular da revolução brasileira é a ruptura com o imperialismo, o direito e o dever do trabalho para todos, o aumento dos salários e a anulação das privatizações e controle do sistema financeiro, o acesso universal à educação pública, saúde e previdência pública de qualidade, a conquista da reforma agrária, a reforma urbana entre outros. Se alguém acredita, de boa fé, que tais medidas são insuficientes é por que está tão mergulhado no mundo dos desejos que não consegue olhar ao redor.
Um programa pode se desdobrar em diferentes plataformas táticas, dependendo das conjunturas, mas tem uma coerência indivisível. Suas medidas podem se acelerar ou não, dependendo da correlação de forças, do nível de consciências e de circunstancias imprevisíveis. Contudo, a questão central, será necessariamente a questão do poder e não das medidas que compõem o programa, muito menos de seu nome.
Portanto, polemizar, ainda que sobre o nome ? o que seria ridículo ? não é irrelevante.
O erro é grave. E se esquecem que a história não admite rascunhos e cobra um alto preço por deslizes na estratégia.
O grande perigo desta ?teoria do Socialismo Já? é que busca se afastar da grande contribuição do pensamento leninista que permeou todas as revoluções triunfantes do século XX.
O conflito entre as classes sociais assume diferentes formas, para além daquelas diretamente econômicas. Aquelas diferentes formas estão relacionadas aos variados motivos que fazem da classe capitalista, a classe dominante em nossa sociedade: o controle dos principais meios de produção, dos centros de poder estatal e da comunicação de massa, entre outros.
Eis a razão da lógica formal ser tão atraente nos debates intelectuais e imprestável como ferramenta para atuar na realidade.
Ao secundarizar os processos históricos, ao afastar qualquer mediação com a formação social, ignorando as contradições efetivamente existentes, deslocam para um falso debate programático os problemas decorrentes da luta pelo poder. Com isso, afundam no debate doutrinário, perdendo, de fato, a capacidade de lutar pelo poder. Eis por que, a história nos fornece todos os exemplos para afirmar que o ?Socialismo Já é o Socialismo Nunca!?
O conselho que lhes damos é que não parem seus estudos no Livro I do Capital, essencial para a teoria marxista, prossigam no restante da obra dos clássicos, estudem Lênin, estudem os processos revolucionários, dediquem-se a entender a formação social de nosso país.
E agora José?
Mas o trecho mais me intriga na ?Carta de Saída? é o seguinte: ?Esse alinhamento político não ocorre sem conseqüências: operam-se mudanças decisivas nas formas organizativas e no plano de lutas das organizações, na formação da consciência de seus militantes e na postura que a organização tomará no momento de ascenso. Neste momento, as ?forças acumuladas? não atuarão na perspectiva de ruptura?.
?Compreender esta conformação da esquerda não significa afirmar a tese sobre o fim da história, e dizer que não há o que fazer. Ao contrário, é preciso atuar na fragmentação da classe para retomar seu movimento na perspectiva de ruptura. Nos propomos a permanecer com a classe, buscando construir a luta contra o capital, seu Estado, o patriarcado, por uma sociedade sem classes?.
Os grifos são meus, e chamam a atenção para uma afirmação bem curiosa. Para que explicar isso? Do que estão culpados?
A teoria psicanalítica ensina que nos apressamos em desculpar daquilo que no fundo acreditamos.
Colocar-se diante de tarefas que a realidade não permite é uma forma de nos paralisar. Com seu equivoco, os signatários estão diante de três possibilidades:
Aglutinar-se em pequenas seitas doutrinárias, dotadas da única verdade, que brandem um discurso válido para qualquer tempo e espaço geográfico, sem interferir na luta política;
Abandonar tudo, assumindo exatamente o que se desculpam antecipadamente, pois ?não há nada a fazer?;
Ter a coragem de fazer uma autocrítica e compreender o equivoco cometido.
Será que os que romperam com o MST conseguirão construir outro movimento de luta na questão agrária, dotado da tal ?estratégia socialista??
E os que romperam com o MTD? Conseguirão organizar um movimento de desempregados que socialize as fábricas?
E o que rompeu com o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), será capaz de convencer esse importante segmento social para que socializem suas propriedades?
Agora já não estão mais protegidos pelos bonés dos movimentos que abandonaram. E, convenhamos, não faltam famílias sem terra, não faltam desempregados em nosso país, e podem muito bem testar sua teoria na realidade. Será que farão isso?
Será que assistiremos o nascimento de um novo movimento de luta pela terra, dotado de uma reivindicação socialista?
Agora já não seremos os culpados. Poderão provar o acerto e a correção de sua teoria.
Os próximos anos dirão...
Fátima Cristina Sandalhel ? Consulta Popular/SP
Email:: consultapopular@consultapopular.org.br
URL:: www.consultapopular.org.br
A ?Carta de Saída do MST, MTD, Consulta Popular e Via Campesina?, firmada por 51 militantes é uma expressão tardia destas definições.
Não é casual, que, em relação a nossa organização, 49, dos 51 signatários se afastaram gradativamente, a partir de 2007, deixando inclusive de se identificar e apresentar como Consulta Popular. É bom esclarecer que muitos sequer chegaram a participar de nossa estrutura orgânica.
Permaneceram é verdade nos movimentos de massa que agora deixam, disputando outra concepção, que os levou a um isolamento crescente e os empurrou para a atual atitude.
Verdade seja dita, nunca assumiram o Projeto Estratégico que agora afirmam ter abandonado. Alardeiam ter saído de algo em que nunca entraram. Peço perdão se estou sendo injusta com algum dos signatários, não conheço a atuação militante de todos (as). Mas dos que me recordo, jamais os vi defendendo o Projeto Popular.
Como militante da Consulta Popular, que participou de embates teóricos com diversos dos signatários da ?Carta?, nos anos de 2006 e 2007, no processo de preparação da III Assembléia, o que me deixa intrigada não é o fato de anunciarem sua saída, mas o de fazerem somente agora.
Com a exceção de um único signatário, que permaneceu participando de seu núcleo e sustentando suas posições, os demais evidenciam com sua atitude, que não fizeram antes por pretender travar uma disputa.
Conseqüentemente, usando a mesma lógica formal que apreciam tanto na teoria revolucionária, se fazem agora, quando as concepções do Projeto Popular estão mais fortalecidas do que nunca nas organizações, é por se sentiram derrotados. ?Jogaram a toalha? como se diz no jargão esportivo.
E isso é bom, para ambos os lados. Deixam-nos prosseguir numa construção em que estamos animados, sem gastar energias num debate superado e lhes permite mostrar, finalmente, a que vieram.
O Socialismo Já é o Socialismo Nunca!
O conteúdo das críticas apresentadas pela ?Carta? revela que sua divergência é com a atualidade das tarefas chamadas de ?democráticas e populares? na estratégia da Revolução Brasileira.
Não casualmente, são incapazes de apontar qualquer reivindicação ou bandeira que expresse esse suposto programa imediatamente socialista que justifica a divergência.
Na verdade se identificam com uma concepção estratégica que não é nem um pouco nova, esteve presente e foi vencida em todos os processos revolucionários triunfantes do século XX, sobrevivendo apenas na teoria e em debates acadêmicos, agora ressuscitados neste momento de rearranjo da esquerda brasileira.
A tese central parte de uma lógica formal impecável. Se o desenvolvimento capitalista completou-se, a conseqüência imediata e direta é que o programa da revolução é a socialização dos meios de produção e qualquer outra medida estaria contra o avanço histórico. Em suas palestras e cursos de formação, enumeram os inegáveis avanços do capitalismo no Brasil, para então concluir que um programa socialista está colocado e não se viabiliza por existirem correntes atrasadas que impedem sua propagação.
Seria uma lógica invencível, se pudéssemos tratar a luta de classes como os mesmos conceitos da engenharia civil. Seu erro principal, que a leva a negar exatamente a essência do marxismo é que despreza o processo histórico de formação, as relações culturais e as experiências acumuladas.
Para os adeptos desta lógica formal, tudo se reduz ao desdobramento interno de um modo de produção, segundo uma lógica dada e prevista. Os homens passam a ser, no máximo, coadjuvantes de sua própria história, definida estritamente pela economia. Para Marx, contudo, a história não é um fator desprezível, que se resume a um conjunto de fatos a serem pinçados para provar uma teoria. Ao contrário, a história é elemento constitutivo da própria teoria.
Para a teoria em que se assenta a ?estratégia do Socialismo Já?, tudo o que não diz respeito ao movimento lógico do modo de produção é mistificação. Não há povos, não há culturas, não há memórias, não há nações, não há espaços geográficos, não há idéias, não há instituições, não há línguas, não há diferentes formas de sociabilidade, enfim, não cabem as contradições da realidade. O processo histórico é um elemento desprezível. Uma ilusão. A superação ocorre sem nenhuma ligação com o que foi superado.
Que falta lhes faz um Curso de Realidade Brasileira!
Evidente que se o capitalismo avançou isso possibilita, estruturalmente, uma transformação de caráter socialista em nosso país. Disso não temos dúvidas. Afirmamos claramente na Consulta Popular que o caráter de nossa revolução é socialista. Porém, isso não significa que o programa de transformações estruturais cujas contradições possibilitam a luta pelo poder, seja constituído de reivindicações socialistas.
Esta é a grande diferença entre a estratégia presente nas revoluções triunfantes do século XX, e as concepções do ?Socialismo Já?.
Raciocinam como uma mecânica que não admite intermediações. Se o capitalismo se completou as reivindicações serão de socialização dos meios de produção. E pronto. Quando se deparam com as mediações existentes em qualquer processo real se desconcertam, apoiando-se num discurso doutrinário, eficaz para debates acadêmicos e mesas de bar, mas inútil para a complexa luta de classes.
Nesta lógica formal, estaríamos assistindo as bandeiras de socialização dos meios de produção emergindo poderosas nos países desenvolvidos, especialmente com a intensa crise que atinge os EUA e as grandes economias européias.
Assim como as assistiríamos surgindo nos países menos desenvolvidos da cadeia capitalista internacional, pois sendo partes integrantes dela, se subordinariam à mesma lógica.
Porém, nem as análises de conjuntura vislumbram isso e o processo histórico desmente cabalmente essa conclusão.
Por quê?
Ora, responderão os adeptos do ?Socialismo Já?, isso não acontece porque existem traidores, que se recusam a assumir o programa socialista!
Aqui chegamos ao cerne da questão, onde a lógica formal desmonta-se como um castelo de cartas.
As bandeiras ou reivindicações que integram um programa não são determinadas pelo desejo dos revolucionários, mas por contradições efetivamente existentes que geram mobilizações.
Em outras palavras, a bandeira histórica de Reforma Agrária não nasce apenas da vontade dos aguerridos lutadores que tiveram o heróico papel de construir o MST, mas de uma contradição concreta, vivenciada por milhões de pessoas, que pode ser compreendida no estudo de nosso processo histórico. Sem compreender isso, jamais conseguiremos explicar a razão de milhares de canavieiros assalariados rurais da zona da mata nordestina, verdadeiros proletários rurais, mobilizarem-se pela conquista da propriedade da terra e não pela sua socialização.
Eis por que, o argumento que desconcerta os adeptos da estratégia do ?Socialismo Já? é desafiá-los a apresentar seu programa.
Aliás, quais são as medidas do Programa Democrático Popular que não aceitam?
O Direito ao ensino público e gratuito em todos os níveis para todos, com a proibição de o Estado destinar verbas para escolas privadas?
A Criação de um sistema único de saúde estatal, público, gratuito, de boa qualidade, com participação, em nível de decisão, da população, por meio de suas entidades representativas; estatização da indústria farmacêutica?
A Estatização dos serviços de transportes coletivos
A Estatização da indústria do cimento, para viabilizar um vasto programa de construção de habitações populares?
A Estatização dos grandes veículos de comunicação de massa?
A Estatização do sistema financeiro, garantindo crédito ao pequeno e médio produtor agrícola e industrial?
A Reforma agrária sob controle dos trabalhadores, com fixação de módulo máximo da propriedade rural regional e definição de planos agrícolas com a participação dos trabalhadores?
A Reforma urbana que assegure o direito de todos à moradia, com desapropriação de terras ociosas a baixo custo e pagamento a longo prazo, além de financiamento da casa própria à população, sem juros e compatível com a renda familiar?
Respondam!
Digam quais são suas alternativas a essas bandeiras? Onde construíram lutas em torno dessas alternativas? Onde construirão?
Afinal, quais são as medidas, diferentes do Programa Democrático Popular, que integram o tal Programa Socialista?
Onde podemos encontrar esse outro Programa que defendem?
Por que, mesmo os mais brilhantes acadêmicos que defendem essa teoria silenciam sobre esses pontos?
A resposta é simples. São incapazes de fazê-lo. Alteram apenas o nome do ?programa?, mantendo as mesmas reivindicações. Ou então, apresentam bandeiras inexeqüíveis, como a socialização das terras e atribuem sua inexistência a responsabilidade daqueles que não compreendem o ?verdadeiro programa socialista?.
Ou, o que é ainda pior, reduzem seu Programa Socialista a meras reivindicações de combate à corrupção e de construção de ética na política, convertendo-se em professores de moral para os capitalistas, a quem buscam livrar do mal, amém.
Aproveitam-se do fato do governo petista ter deixado de sustentar seu histórico programa de 1987, que se denominava ?Democrático e Popular?, para simplesmente tergiversar.
Polemizam na verdade com o nome ?democrático popular? e não com seu conteúdo. Poderia ser apenas uma divergência de nomes, mas não é. Pois dessa assertiva tiram conclusões que inviabilizam a construção do amplo leque de alianças, estreitam o que não precisa ser estreitado, enfraquecendo-se diante de um inimigo poderoso. Não aprenderam sequer os rudimentos de uma política revolucionária.
Pensando a partir de nossa estrutura social, quais são as classes ou setores de classes que vivenciam contradições estruturais com o capitalismo e compõem potencialmente as forças da revolução brasileira?
Esse amplo leque de forças se aglutina em torno da bandeira de socialização dos meios de produção?
Isolaremos o proletariado destas alianças? As consideramos desnecessárias?
Estas são as questões que se colocam para os que tratam a teoria revolucionária como a teoria da conquista do poder e não como espaço para o brilho de intelectuais da moda.
O projeto popular da revolução brasileira é a ruptura com o imperialismo, o direito e o dever do trabalho para todos, o aumento dos salários e a anulação das privatizações e controle do sistema financeiro, o acesso universal à educação pública, saúde e previdência pública de qualidade, a conquista da reforma agrária, a reforma urbana entre outros. Se alguém acredita, de boa fé, que tais medidas são insuficientes é por que está tão mergulhado no mundo dos desejos que não consegue olhar ao redor.
Um programa pode se desdobrar em diferentes plataformas táticas, dependendo das conjunturas, mas tem uma coerência indivisível. Suas medidas podem se acelerar ou não, dependendo da correlação de forças, do nível de consciências e de circunstancias imprevisíveis. Contudo, a questão central, será necessariamente a questão do poder e não das medidas que compõem o programa, muito menos de seu nome.
Portanto, polemizar, ainda que sobre o nome ? o que seria ridículo ? não é irrelevante.
O erro é grave. E se esquecem que a história não admite rascunhos e cobra um alto preço por deslizes na estratégia.
O grande perigo desta ?teoria do Socialismo Já? é que busca se afastar da grande contribuição do pensamento leninista que permeou todas as revoluções triunfantes do século XX.
O conflito entre as classes sociais assume diferentes formas, para além daquelas diretamente econômicas. Aquelas diferentes formas estão relacionadas aos variados motivos que fazem da classe capitalista, a classe dominante em nossa sociedade: o controle dos principais meios de produção, dos centros de poder estatal e da comunicação de massa, entre outros.
Eis a razão da lógica formal ser tão atraente nos debates intelectuais e imprestável como ferramenta para atuar na realidade.
Ao secundarizar os processos históricos, ao afastar qualquer mediação com a formação social, ignorando as contradições efetivamente existentes, deslocam para um falso debate programático os problemas decorrentes da luta pelo poder. Com isso, afundam no debate doutrinário, perdendo, de fato, a capacidade de lutar pelo poder. Eis por que, a história nos fornece todos os exemplos para afirmar que o ?Socialismo Já é o Socialismo Nunca!?
O conselho que lhes damos é que não parem seus estudos no Livro I do Capital, essencial para a teoria marxista, prossigam no restante da obra dos clássicos, estudem Lênin, estudem os processos revolucionários, dediquem-se a entender a formação social de nosso país.
E agora José?
Mas o trecho mais me intriga na ?Carta de Saída? é o seguinte: ?Esse alinhamento político não ocorre sem conseqüências: operam-se mudanças decisivas nas formas organizativas e no plano de lutas das organizações, na formação da consciência de seus militantes e na postura que a organização tomará no momento de ascenso. Neste momento, as ?forças acumuladas? não atuarão na perspectiva de ruptura?.
?Compreender esta conformação da esquerda não significa afirmar a tese sobre o fim da história, e dizer que não há o que fazer. Ao contrário, é preciso atuar na fragmentação da classe para retomar seu movimento na perspectiva de ruptura. Nos propomos a permanecer com a classe, buscando construir a luta contra o capital, seu Estado, o patriarcado, por uma sociedade sem classes?.
Os grifos são meus, e chamam a atenção para uma afirmação bem curiosa. Para que explicar isso? Do que estão culpados?
A teoria psicanalítica ensina que nos apressamos em desculpar daquilo que no fundo acreditamos.
Colocar-se diante de tarefas que a realidade não permite é uma forma de nos paralisar. Com seu equivoco, os signatários estão diante de três possibilidades:
Aglutinar-se em pequenas seitas doutrinárias, dotadas da única verdade, que brandem um discurso válido para qualquer tempo e espaço geográfico, sem interferir na luta política;
Abandonar tudo, assumindo exatamente o que se desculpam antecipadamente, pois ?não há nada a fazer?;
Ter a coragem de fazer uma autocrítica e compreender o equivoco cometido.
Será que os que romperam com o MST conseguirão construir outro movimento de luta na questão agrária, dotado da tal ?estratégia socialista??
E os que romperam com o MTD? Conseguirão organizar um movimento de desempregados que socialize as fábricas?
E o que rompeu com o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), será capaz de convencer esse importante segmento social para que socializem suas propriedades?
Agora já não estão mais protegidos pelos bonés dos movimentos que abandonaram. E, convenhamos, não faltam famílias sem terra, não faltam desempregados em nosso país, e podem muito bem testar sua teoria na realidade. Será que farão isso?
Será que assistiremos o nascimento de um novo movimento de luta pela terra, dotado de uma reivindicação socialista?
Agora já não seremos os culpados. Poderão provar o acerto e a correção de sua teoria.
Os próximos anos dirão...
Fátima Cristina Sandalhel ? Consulta Popular/SP


quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Carta de saída das nossas organizações(MST,MTD, Consulta Popular e Via Campesina) e do projeto estratégico defendido por elas o
É preciso considerar que vem se conformando uma ampla aliança política, consolidando um consenso que envolve as principais centrais sindicais e partidos políticos, MST, MTD, Via Campesina, Consulta Popular, em torno de um projeto de desenvolvimento para o Brasil, subordinado às linhas políticas do Governo, conformando assim uma esquerda pró-capital. Por 51 signatários
Primavera de 2011

São tempos de aparente melhoria das condições de vida da classe trabalhadora no Brasil, pelo menos até à próxima crise. Mas será que está tudo tão bem assim? O resultado do desenvolvimento e crescimento econômico dos últimos anos são migalhas para os trabalhadores e lucros gigantescos para o capital: aumenta a concentração da terra, os trabalhadores se endividam, intensifica-se a precarização do trabalho e a flexibilização de direitos, garantidos pela violência do aparelho repressivo do Estado.
Isto tem sido sustentado por um pacto de colaboração de classes, feito pelas organizações que representam os trabalhadores com o objetivo de contê-los.
O processo histórico que nos produziuDois acontecimentos são fundamentais para analisarmos a situação das atuais organizações de esquerda no Brasil: o impacto da queda do muro de Berlim, tão determinante quanto foi a referência da Revolução Russa no século passado, e a reestruturação produtiva do capital.
Nas décadas de 1950 e 60, a principal concepção da esquerda afirmava que para superar o capitalismo no país era fundamental completar o seu desenvolvimento. A ditadura militar interrompe estas lutas, que são retomadas nas décadas de 1970 e 80, diante de uma grande crise para a qual o regime militar não encontrou saída. Ressurgem greves, oposições sindicais e ocupações de terra num novo caráter, mas trazendo em boa medida heranças da estratégia do ciclo anterior.

Baseada na análise de que o capitalismo no Brasil era dependente dos países centrais, tendo como inimigo principal o capital internacional, e uma burguesia comprometida com as oligarquias rurais, que não realizou as tarefas típicas de uma revolução burguesa clássica (“tarefas em atraso”), esse bloco histórico construiu uma estratégia: o Projeto Democrático e Popular. Os trabalhadores organizados e em luta deveriam realizar essas reformas, utilizando a via eleitoral como acúmulo de forças para chegar ao Socialismo.
O PT se construiu como pólo aglutinador desse projeto, junto com outras organizações. As organizações de massa na cidade e no campo - CUT e MST - deveriam cumprir o papel de organizar e desenvolver estas lutas.
Ao crescerem e se desenvolverem, organizações que tinham na sua origem uma postura combativa e táticas radicais (como PT, CUT e MST) vão obtendo vitórias importantes, sobretudo conquistando espaços institucionais, mas também sindicatos, terras, escolas, cooperativas de produção, cooperativas de crédito, convênios com governos, políticas públicas e compensatórias. À medida que cresceram essas organizações, a luta institucional e os espaços institucionais tornaram-se centrais.
Neste cenário surge a Consulta Popular, criticando o PT por ter colocado a centralidade na luta institucional e eleitoral e cada vez menos nas lutas de massas. A CP se apresenta como alternativa na luta por uma Revolução Socialista. Surge também o MTD, a partir da Consulta Popular, inspirado no exemplo do MST, com a tarefa de ser uma ferramenta de luta e organização urbana.
As contradições desse processoAgora nossas organizações, cada uma a seu tempo e não sem contradições, estão dependentes do capital e seu Estado. As lutas de enfrentamento passaram a ameaçar as alianças políticas do pacto de classes, necessárias para manter os grandes aparelhos que conquistamos e construímos. O que em algum momento nos permitiu resistir e crescer se desenvolveu de tal maneira que se descolou da necessidade das famílias e da luta, adquirindo vida própria. O que viabilizou a luta hoje se vê ameaçado por ela: o que antes impulsionava a luta passa a contê-la.
O MST, até às eleições de 2002, caminhou desenvolvendo suas lutas e enfrentando grandes contradições relacionadas à hegemonia do agronegócio no campo. Nas últimas décadas, houve uma reformulação do papel do Brasil na divisão internacional do trabalho a partir da reestruturação produtiva do capital. O agronegócio promoveu no campo brasileiro mudanças estruturais, integrando latifúndio e indústria sob nova perspectiva de produtividade e o trabalho sob nova ótica de exploração. Este modelo inviabiliza a Reforma Agrária como possibilidade de organização produtiva dos trabalhadores para o campo brasileiro nos marcos do capital.
Com a expansão e o fortalecimento do agronegócio, evidenciaram-se os vínculos dos governos do PT com os setores estratégicos da classe dominante. Alguns elementos confirmam esta análise: a desigualdade de investimentos entre agronegócio e reforma agrária, a aprovação das sementes transgênicas, a expansão da fronteira agrícola e com isso a legalização da grilagem nas terras de até 1500 hectares, a permanência dos atuais índices de produtividade e as recentes alterações no novo código florestal. Nesse sentido, enfrentar as forças do agronegócio seria uma crítica direta ao governo petista, colocando por terra a tese do “governo em disputa”.

A questão que se coloca é: estas opções nos levarão a outro patamar de luta e organização para enfrentar o agronegócio, dado o grau de comprometimento destas organizações com a estratégia do Governo e do capital?
O MTD, no último período, se reduziu a reivindicar políticas compensatórias, como as Frentes de Trabalho ou Pontos Populares de Trabalho, fechando os olhos para a nova realidade do aumento de empregos e suas contradições. Mesmo quando colocado o desafio da organização sindical, ela não foi implementada, para não ameaçar as atuais alianças políticas e a sobrevivência imediata, reduzindo a pauta à reivindicação de programas de governo para qualificação profissional.
Ao abandonar as lutas de enfrentamento, embora sigamos fazendo mobilizações, nossas lutas passaram a servir para movimentar a massa dentro dos limites da ordem e para ampliar projetos assistencialistas dos governos, legitimando-os e fortalecendo-os. Agora o que as organizações necessitam é de administradores, técnicos e burocratas; e não de militantes que exponham as contradições e impulsionem a luta.
Não é de hoje que existem críticas ao rumo que tomaram estas organizações, não só externas, mas sobretudo críticas elaboradas internamente. E este processo não ocorreu sem resistências por parte da base, militantes e alguns dirigentes. As ações de enfrentamento ao capital que marcaram o último período expressam esse conflito, por exemplo: as ações contra a Vale no Pará, a ação de destruição da Cooperativa de Crédito (Crenhor) no RS e as ações das mulheres no 8 de março em diferentes estados.
Este último processo impulsionou um debate profundo sobre a relação entre o patriarcado e capitalismo, rompendo o limite da questão de gênero e da participação das mulheres nas organizações, e propondo o feminismo e o socialismo juntos como estratégia de emancipação da classe. Todas essas ações sofreram severas críticas internas e passaram a ser boicotadas política e financeiramente.
Estamos há anos fazendo lutas dessa natureza e elaborando essa crítica nas mais diferentes instâncias dos movimentos, e como essas ações não tiveram força nem de provocar o debate da estratégia, quanto menos modificá-la, acabaram por legitimar o rumo das organizações.
Mudança de rumo ou continuidade do projeto estratégico?A questão fundamental para nós não é só criticar a burocratização, institucionalização, o abandono das lutas de enfrentamento, a política de alianças, que aparecem como um problema nas organizações, mas sim identificar o processo que levou estas organizações políticas a assumirem essa postura. A crítica restrita ao resultado leva a refundar o mesmo processo, cometendo os mesmos erros.
O problema em questão não é que houve uma traição da direção ou um abandono/rebaixamento do projeto político; um erro na escolha das táticas ou dos aliados. A questão fundamental é a contradição entre o objetivo e os caminhos escolhidos para atingir tais objetivos: propúnhamos o Socialismo como objetivo, mas o projeto estratégico que traçamos ou ajudamos a trilhar não nos leva a esse objetivo.

A Consulta Popular foi sendo construída negando a experiência do PT: não só porque o PT se transformara em partido eleitoral, mas também pelas conseqüências que essa transformação causou em sua forma organizativa. No entanto, a Consulta Popular não nega o Programa Democrático Popular, sua crítica se limita ao “rebaixamento” do Programa.
Para nós, este é um governo Democrático e Popular. Não da forma idealizada como querem alguns, mas com as concessões necessárias para uma ampla aliança. O PDP deu nisto. Nesse sentido, nossas organizações foram vitoriosas quanto ao que se propuseram. E nós contribuímos com este processo, no entanto hoje percebemos que esta estratégia não leva ao Socialismo, ao contrário, transforma as organizações da classe em colaboradoras da expansão e acumulação do capital. O que se apresenta como uma vitória para nossas organizações, na perspectiva da luta de classe, é uma derrota.
Considerações finaisDiante desta crítica, concluímos que não seria coerente que em nome da luta continuássemos em nossas organizações, implementando um projeto de conciliação de classes.
Somos resultado deste processo histórico, nele constituímos nossa experiência de luta política e formação teórica, mesmo que em geral ativista e pragmática. A crítica no interior do pensamento socialista sempre cumpriu um papel revolucionário e por isto julgamos ser uma tarefa a produção de um pensamento crítico sobre este período de vida das nossas organizações e para isto a apropriação da teoria crítica marxista é urgente. Não podemos querer compreender profundamente nossas contradições dividindo as posições entre “reformistas e revolucionários”, entre “camponeses e urbanos” ou entre “socialistas já e socialistas nunca”, pois assim ajudamos a despolitizar o processo de reflexão.
É preciso considerar que vem se conformando uma ampla aliança política, consolidando um consenso que envolve as principais centrais sindicais e partidos políticos, MST, MTD, Via Campesina, Consulta Popular, em torno de um projeto de desenvolvimento para o Brasil, subordinado às linhas políticas do Governo, conformando assim uma esquerda pró-capital. O grau de comprometimento a que chegamos com o capital e o Estado nos levam a concluir que esse processo não tem volta.
Esse alinhamento político não ocorre sem conseqüências: operam-se mudanças decisivas nas formas organizativas e no plano de lutas das organizações, na formação da consciência de seus militantes e na postura que a organização tomará no momento de ascenso. Neste momento, as “forças acumuladas” não atuarão na perspectiva de ruptura.

Compreendemos que não estão geradas as organizações do próximo período, assim como sabemos que não haverá nunca se não houver militantes com iniciativa e dispostos à construí-las.
Os combates que travamos, o trabalho de base, os processos organizativos nos ensinaram muito e nos tornaram o que somos hoje, nos ensinaram a lutar. Seguiremos a partir dessa experiência, aprofundando a crítica e procurando ir além do que nos produziu.
”Aquele que conta ao povo falsas lendas revolucionárias, que o diverte com histórias sedutoras, é tão criminoso quanto o geógrafo que traça falsos mapas para os futuros navegadores”
(Hippolyte Lissagaray – Comuna de Paris)
“As Revoluções são impossíveis… até que se tornem inevitáveis.”
1. Ana Hanauer (MST e CP RS)(Hippolyte Lissagaray – Comuna de Paris)
“As Revoluções são impossíveis… até que se tornem inevitáveis.”
2. Bianca (MST RS)
3. Carmen Farias (MST SP)
4. Claudia Ávila (MST RS)
5. Claudia Camatti (MTD RS)
6. Claudio Weschenfelder (MPA SC)
7. Cleber (MTD RS)
8. Darlin (MTD RS)
9. Débora (MTD RS)
10. Eder (MST RS)
11. Ezequiel (MTD RS)
12. Fábio Henrique (MST SP)
13. Fernanda (MTD BSB)
14. Gilson (MST RS)
15. Greice (MTD RS)
16. Irma (MST RS)
17. João Campos (MST SP)
18. João Nélio (MST SP)
19. Jesus (MST RJ)
20. Juarez (MST RS)
21. Jussara (MST SP)
22. Letícia (MTD RS)
23. Lucianinha (MST RS)
24. Luís (MPA SC)
25. Marcia Merisse (MST SP)
26. Marcionei (MTD RS)
27. Maria Irany (MST AL)
28. Maurício do Amaral (MST SP)
29. Michel (MTD DF)
30. Micheline (MST RS)
31. Mila (MST e CP SC)
32. Neiva (MST RS)
33. Nina (MST e CP RS)
34. Oscar (MST RS)
35. Paulinho (MST SP)
36. Pedroso (MST RS)
37. Pincel (MST RS)
38. Portela (MTD RS)
39. Raquel (MST RS)
40. Ricardo Camatti (MTD RS)
41. Salete (MTD RS)
42. Socorro Lima (MST CE)
43. Soraia Soriano (MST SP)
44. Tatiana Oliveira (MST SP)
45. Telma (MST SP)
46. Telmo Moreira (MST RS)
47. Thiago (MTD BSB)
48. Valdir Nascimento (MST SP)
49. Vanderlei Moreira (MST CE)
50. Verinha (MST RS)
51. Zé da Mata (MST SP)
É importante ressaltar que alguns dos que assinam este documento já se afastaram ou foram expulsos das organizações de que faziam parte em 2009 e 2010 sem poderem expor seus motivos, o fazem agora nesta carta.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
Noam Chomsky no Roda Viva
Considerado por muitos como o maior pensador vivo do planeta, quase tudo o que Noam Chomsky há 15 anos, avisou que aconteceria, de fato se realizou. De fato esse Roda Viva parece ter sido gravado há poucos dias, de tão precisa as idéias desse catedrático do MIT. Por exemplo, que o Estado mínimo levaria a maximização da tirania privada. Ele já dizia que instrumentos como FMI, a OMC, a NAFTA e que esse tipo de globalização aumentariam a desigualdade social no mundo. A TV Cultura ainda nos anos 90, gozava ainda de uma autonomia que possibilitou trazer um dos maiores críticos em relação à mídia.
Manifesto dos Coletivos de Hip-Hop, em homeagem ao dia da consciência negra
Vinte de novembro é o chamado “Dia da Consciência Negra”. É um dia com shows de musica negra, milhares de capoeiristas demonstrando sua arte, são várias apresentações de dança-afro, inúmeros concursos de beleza negra etc. em diversos eventos que acontecem por todo Brasil. Essa data não foi escolhida por acaso. Foi em 20 de novembro de 1695 que Zumbi foi assassinado comandando a luta pela libertação do povo preto contra os senhores de escravos – a classe dominante de sua época. Quando esses senhores descobriram que era mais caro manter um escravo do que pagar salário, e que, com tantas revoltas escravas, a qualquer hora o povo preto poderia tomar o poder (como foi no Haiti em 1804), eles aboliram a escravidão. Mas é bom que se saiba que até 13 de maio de 1888 o Brasil era o único país a viver sob um sistema escravista. Por quase 400 anos não foi permitido ao nosso povo se desenvolver como seres humanos, até porque por todo esse tempo fomos vendidos, trocados, comprados, descartados... como coisas. Trezentos e dezesseis anos após a morte de Zumbi e 123 anos depois da lei áurea, vemos que o povo preto ainda não se libertou. Nosso povo ainda é escravo. Escravo das drogas, da TV, prisioneiro da pobreza e da miséria, do desemprego, do subemprego, do analfabetismo, da criminalidade, da violência policial e de todo tipo de atraso. Até hoje nosso povo está acorrentado à ideologia da classe dominante branca que faz com que nos sintamos inferiores em vários aspectos. Faz com que as pretas só se sintam belas se seus cabelos estiverem alisados ou “relaxados”, sem perceber que só quem ganha com essa mentira são, principalmente, os fabricantes dos produtos químicos que elas consomem. E o que é pior: muitos dos nossos irmãos não conseguem nem se reconhecerem como pretos ou negros.
Geralmente recorrem a termos intermediários como moreno/a, mulata/o, marrom bom-bom, entre outros mais esquisitos ainda. Porém, para os vigias que controlam as portas giratórias dos bancos, seguranças de shoppings e lojas de departamento, policiais e empregadores, não existe confusão. Eles sabem muito bem quem é quem. Por exemplo, vejamos o que nos revela pesquisa do IPEA de 2003 sobre a diferença entre os salários de trabalhadores/as preto/as e trabalhadores/as branco/as: O salário médio de um homem branco é de R$ 931,00, enquanto o salário médio do preto é de R$ 428,30. Acrescentando a essa discussão a questão de gênero, as coisas pioram. A mulher branca ganha em média R$ 554,60, ao passo em que as pretas ficam só com R$ 279,70. No país das desigualdades o homem branco ganha em média mais que o triplo que a mulher preta. Dos mais de 14 milhões de analfabet@s no país, 10 milhões são pret@s. Em 2002, segundo a ONU, o Brasil se colocava no 73º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Porém, se o país fosse dividido em dois – um preto e um branco – o Brasil branco estaria em 44º lugar, enquanto o Brasil preto cairia para 105º colocação.
A taxa de homicídios entre o povo preto é o dobro da registrada entre @s branc@s. Pesquisa realizada pelo sociólogo Ignácio Cano revela que do total de pessoas mortas pela policia do Rio de Janeiro – a policia que mais mata no mundo todo – 70,2% são pardas e negras. Em outras palavras, para cada mil pessoas que a policia fluminense mata 702 são afrodescendentes. Se você tem ou o cabelo crespo, ou o nariz espalhado, ou os lábios grossos, ou a pele escura, ou mais de uma dessas características e ainda não se considera preto ou preta, a burguesia, o Estado e o seu braço armado não têm a menor duvida. E se o ECA não resolveu os problemas de nossas crianças e adolescentes, nada podemos esperar desse Estatuto da Igualdade Racial – que inclusive se omitiu sobre as cotas raciais nas universidades. Também pouco podemos esperar das secretárias dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial. Basta lembrar que no casso das declarações racistas e homofóbicas dadas pelo deputado federal Jair Bolsonáro (PP-RJ) em um programa de TV, o que essas secretárias fizeram de mais relevante foi divulgar notinhas de repudio.
Em curso, temos os preparativos para os megaeventos esportivos que vem agindo de forma cruel e brutal nas cidades que os sediarão, impulsionando as remoções das favelas e mandando esses moradores para lugares longínquos, sem a infraestrutura adequada, tornando suas vidas ainda mais difíceis. E o Haiti – referencia histórica para o povo preto de todo o mundo por ter sido o primeiro país a ter posto fim ao escravismo colonial, através de uma revolta de escravos – hoje sofre uma violenta intervenção militar comandada pelo Brasil. E o massacre do povo preto haitiano (que o MV Bill escondeu no Faustão, quando da sua aparição no programa mostrando as “benesses” da missão militar naquele país), um compromisso assumido pelo governo Lula e mantido por Dilma, é a moeda com a qual nossos governantes querem pagar por uma cadeira no Conselho Permanente de Segurança da ONU. Isso tudo nos alerta sobre a necessidade de o povo preto estar mobilizado para a luta constantemente. Principalmente por que não podemos contar também com a totalidade da nossa esquerda, já que um amplo setor ou considera a nossa causa fragmentária para a luta de classes, ou dizem que a nossa bandeira é transversal/culturalista, ou temem pôr em risco os privilégios garantidos por suas brancuras, com relação ao povo preto. Zumbi teve sua cabeça cortada por Domingos Jorge Velho por que liderava o maior centro de resistência contra a escravidão. Para ele não bastava a garantia de que o quilombo não seria mais atacado – como rezava o acordo firmado entre a classe escravista e Ganga Zumba, antecessor de Zumbi na liderança de Palmares. A sua luta era pela libertação de todo o povo preto do Brasil. Ele não morreu só para que hoje pudéssemos tocar pagode, nem só para que pudéssemos dançar musica afro, nem só para termos o direito de fazer concursos de beleza negra. Ele morreu na luta pela nossa libertação, que não veio com a lei Áurea. Por isso, mais do que ser um dia de manifestarmos a nossa riqueza cultural, esse é um dia de manifestarmos nossos anseios de um mundo sem dominadores e dominados (motivo único pelo qual o homenageado foi morto).
Que as nossas manifestações artísticas sejam instrumentos de mobilização, e canais de propagação de uma proposta de luta por um mundo sem senhores, como prega o hino da classe trabalhadora, o hino d’A Internacional:
"Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional."
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional."
- PELAS COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
- PELA IMEDIATA RETIRADA DAS TROPAS BRASILEIRAS DO HAITI
- PELA TITULARIZAÇÃO DAS TERRAS DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS
- PELA REFORMA AGRÁRIA
- CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DE PRETOS E POBRES
- PELO FIM DAS REMOÇÕES E DESPEJOS DOS MORADORES DE HABITAÇÕS POPULARES
Assinam este manifesto:
Coletivo de Hip Hop LUTARMADA (RJ),
Hip Hop Fronteira (PR),
Movimento Hip Hop Aliados Pelo Verso (SE)
Movimento Hip Hop Chapecó (SC)
Movimento Hip Hop Livre (SP),
sábado, 19 de novembro de 2011
Justiça afasta do cargo Superintendente da Efapi e sua assessora
Decisão da Vara da Fazenda da Comarca de Chapecó, prolatada em Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina, determinou o afastamento do cargo de Dalmir Pelicioli e Salete Busnelo da Silva.
Conforme a ação do Ministério Público – Curadoria da Moralidade Administrativa –, os réus engendraram um esquema para agenciar fraudulentamente subvenções do Fundo Social do Estado de Santa Catarina em favor de diversas entidades, o que fizeram por diversas vezes entre o ano de 2009 e 2010.
Segundo a ação, as irregularidades decorriam de falsidade e superfaturamento nas prestações de contas, bem como, em desvio dos valores em proveito dos réus, deixando as entidades beneficiadas apenas com parte do dinheiro que lhe fora destinado.
O pedido de afastamento de Dalmir e Salete deu-se porque estes utilizavam do cargo na estrutura municipal para desenvolver atividade estranha a este, ou seja, cooptar recursos e promover a sua liberação e prestação de contas de forma ilegal.
A liminar também determinou a indisponibilidade de bens dos réus, para garantir a reparação dos prejuízos ao erário. Tal decisão determinando a impossibilidade de dispor de bens também abrangeu dois empresários que auxiliavam o esquema com notas falsas, EVANDRO CARLOS ZALESKI e IVANIR PAULO PELICIOLLI, irmão de Dalmir.
Para acompanhar o processo e ter acesso à decisão, acesse
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Revelada a rede capitalista que domina o mundo
Artigo imperdível no inovação tecnológica coloca o financismo no microscópio. "Além das ideologias" demonstra como 147 instituições financeiras dominam o capitalismo global e provavelmente agem em conluio para manutenção do status quo.
Além das ideologias
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos. Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.
A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."
Rede de controle econômico mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.
O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.
Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.
O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.
A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.
Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.
Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chipsnos mercados de ações.
Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.
E isso não é tudo.
Super-entidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.
E a maioria delas são bancos.
Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.
Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo. Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.
A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente. Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.
As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas
1. Barclays plc
2. Capital Group Companies Inc
3. FMR Corporation
4. AXA
5. State Street Corporation
6. JP Morgan Chase & Co
7. Legal & General Group plc
8. Vanguard Group Inc
9. UBS AG
10. Merrill Lynch & Co Inc
11. Wellington Management Co LLP
12. Deutsche Bank AG
13. Franklin Resources Inc
14. Credit Suisse Group
15. Walton Enterprises LLC
16. Bank of New York Mellon Corp
17. Natixis
18. Goldman Sachs Group Inc
19. T Rowe Price Group Inc
20. Legg Mason Inc
21. Morgan Stanley
22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
23. Northern Trust Corporation
24. Société Générale
25. Bank of America Corporation
26. Lloyds TSB Group plc
27. Invesco plc
28. Allianz SE 29. TIAA
29. Old Mutual Public Limited Company
30. Aviva plc
31. Schroders plc
32. Dodge & Cox
33. Lehman Brothers Holdings Inc*
34. Sun Life Financial Inc
35. Standard Life plc
36. CNCE
37. Nomura Holdings Inc
38. The Depository Trust Company
39. Massachusetts Mutual Life Insurance
40. ING Groep NV
41. Brandes Investment Partners LP
42. Unicredito Italiano SPA
43. Deposit Insurance Corporation of Japan
44. Vereniging Aegon
45. BNP Paribas
46. Affiliated Managers Group Inc
47. Resona Holdings Inc
48. Capital Group International Inc
49. China Petrochemical Group Company
Bibliografia:
The network of global corporate control Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston arXiv
19 Sep 2011
Fonte: http://www.fbes.org.br/
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Documentário propõe: para salvar o mundo é preciso voltar à idade da pedra
Abaixo, excelente análise de Helena Novais sobre “Surplus”:
Longe de ser apenas uma crítica ao consumismo ou a sistemas políticos, Surplus, documentário sueco, dirigido pelo italiano Erik Gandini em 2003, é um olhar sobre o jeito de ser e de viver da humanidade. Largamente divulgado pela Internet, este trabalho coloca em discussão não apenas a vida em sociedade e a ordem estabelecida, como também a própria essência humana.
As necessidades dos homens, as maneiras de reagir a elas e as formas de controle social acabam por comprometer todo o ecossistema terrestre, sem exceção às relações humanas. Nenhuma discussão está mais na ordem do dia do que o equilíbrio socioambiental e ainda antes de Davis Guggenheim e seu Uma Verdade Inconveniente (2006), Gandini levava o tema às últimas conseqüências. Surplus mostra que tanto no capitalismo, como no socialismo, os homens tomam parte de sistemas cuja existência os antecede, mas que estabelecem modos de viver e de pensar, mantendo-os atados, como peças de um jogo maior, cuja função é a manutenção da ordem estatal.
Assim, saem de foco os sistemas político-econômicos em si. Os holofotes são direcionados para aquilo que os sustenta. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, Steve Ballmer e Bill Gates, executivos da Microsoft, aparecem defendendo a ideologia neoliberal, o capitalismo, o consumismo. Por outro lado, Gandini enfoca o modo de vida socialista, instalado em Cuba por Fidel Castro que surge defendendo sua ideologia não consumista. São dois sistemas opostos, porém ambos se utilizam dos meios de comunicação para divulgar mensagens que patronizam pensamentos, subjulgando corações e mentes, transformando indivíduos em parceiros que garantem a manutenção dos sistemas.
Fazendo analogia à influência da indústria cultural e à forma como é utilizada a linguagem midiática, Gandini adota o ritmo dos vídeo clips. Mescla cenas de palestras, discursos, entrevistas e reportagens jornalísticas em uma edição onde imagens se alternam em sintonia com a trilha sonora de sons eletrônicos. Imagem e ritmo se complementam em uma mistura que soa moderna e revela a intenção do diretor. Ele usa o próprio meio (áudio e vídeo) para chamar a atenção para o poder da mídia, disponível aos governos ou às corporações que ditam ideologias e comportamentos.
Por outro lado, se o discurso utilizado pelos capitalistas também sai da boca dos socialistas, tudo acaba no mesmo. E este “tudo” se refere à relação entre dominadores e dominados. A visão pessimista de Gandini se resume em: o homem é um ser de necessidades, na busca por satisfazê-las criou formas de organização social e, no interior delas, desenvolveu formas de dominação que mantém tudo e todos atrelados à ordem estabelecida, seja consciente ou inconscientemente. O sistema que exaure os recursos naturais, que beneficia os países desenvolvidos e cede aos países do terceiro mundo seus restos é criação dos homens e se mantém por cooperação deles. É um soco na boca do estômago de quem acha que não tem nada a ver com isso!
John Zerzan (o anarquista norte-americano que ganhou destaque a partir da década de 1980), e sua proposta fundamentada no retorno ao primitivismos caem no vazio diante da livre servidão humana a suas próprias necessidades. Gandini reafirma Freud que entende o homem como um ser “fadado à insatisfação”, pois está sempre buscando, sempre à procura sem nunca se complementar.
Ao retornar ao primitiviso o homem retomaria o anseio pelo desenvolvimento, e possivelmente, a sistemas de controle social, aos conflito de classes, ao consumo irracional de recursos naturais, à injustiça social, às relações entre dominadores e dominados. O que Gandini não oferece é a pista para uma saída segura. Assim, escapa à pretensão das soluções fáceis e coloca a solução do impasse sob a responsabilidade de cada um.
Os 1753 dias do governo Collor

Na foto (de Jorge Araújo, da Folha Imagem) vêem-se colloridos em confronto com lulistas. O candidato derrotado em 1989, Luis Inácio Lula da Silva, que a elite apontava como defensor de idéias ultrapassadas, era contrário às privatizações. Questionado no primeiro turno das eleições presidenciais pelo jornalista Apóllo Natali, da Agência Estado, em seu comitê da Vila Mariana, em São Paulo, o candidato do PT dizia acreditar que, “bem administradas, as estatais são viáveis”.
Por Apóllo Natali(*)
Quando assumiu a presidência da República, em 15 de março de 1990, Fernando Collor de Mello tinha pela frente uma inflação de 4.853%, registrada em um ano, de março 1989 a março de 1990. O país vivia verdadeiro flagelo social com cara de guerra civil, que havia passado por cima de quatro planos econômicos fracassados do governo anterior de José Sarney, fundados em congelamento de preços. Eram chamados de “pacotes econômicos”: ”¨Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano da política “Feijão com Arroz” do ministro Maílson da Nóbrega e Cruzado Novo.
A máquina do Estado com que Collor se deparou está inchada, centralizadora e ineficiente. A inflação não tem controle e a taxa de crescimento é negativa. Numa época de globalização da economia, o país mantém setores de produção oligopolizados e protegidos por barreiras alfandegárias retrógradas.
Dois dias antes da posse, Collor chora em Maceió e promete travar um combate sem tréguas à inflação, aos corruptos, aos sonegadores.
Em pleno furacão inflacionário, no final de 1989, Geraldo Forbes, membro do Conselho do Instituto de Estudos Avançados da USP, profetiza: “O desastre da hiperinflação é irrecorrível. A economia, e com ela as instituições, equilibram-se precariamente no fio da navalha.”
REINVENTANDO O PAÍS
Era preciso reinventar o país.
Em 30/1/1989, uma equipe de 30 técnicos da equipe de Collor reúne-se sigilosamente em Roma para sugerir medidas a serem executadas nos primeiros dias do novo governo. Na reunião, acaba prevalecendo a tendência por um ajuste moderado na economia, em lugar de um choque violento para combater a inflação. A futura ministra da economia, Zélia Cardoso de Mello, discute o plano com o empresário Daniel Dantas.A assessoria de Zélia faz circular a versão de que o programa de Dantas propõe um choque violento na economia. Dantas desmente.
Megainstituições econômicas e órgãos cooperativos do empresariado cancelam reuniões que discutiriam o assunto.
CHEGA O FURACÃO
O próprio Collor anuncia na televisão as medidas do seu plano Brasil Novo, ou Plano Collor I. O deputado Alysson Paulinelli pontua nas páginas da imprensa o estado de choque social causado: “Estamos como o sujeito que saltou do vigésimo andar. Estamos passando pelo décimo andar e, por enquanto, tudo bem. Apenas aquela brisa no rosto…”
“Isso já foi tentado antes e não deu certo”, proclama o presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, deputado Tonico Ramos. “O País está muito doente e remédio em excesso poderá matá-lo. É preferível que o país seja administrado por políticos e não por formulações econômicas”.
Intimidados pelas manchetes da imprensa anunciando a data de divulgação do Plano, os investidores fogem do over e dos fundos com medo do que estava por vir. Temiam rigor na taxação das aplicações. Na véspera da publicação, a previsão geral era de uma repetição das medidas do governo anterior, isto é, o mesmo congelamento de preços e salários, e não o que estava por vir, um furacão econômico. Começa um feriado bancário de três dias, em 13, 14 e 15 de março. Não cabe à imprensa espalhar o pânico. Então, as manchetes do dia 17 são comedidas: “Sai o Plano Collor”, diz “O Estado de S.Paulo”.
Em meio ao cumprimento da saraivada de medidas, pipocavam histórias de suicídios, de atos de desespero, de desastres nos negócios imobiliários, de separações de casais por conta da impossibilidade de tocar a vida. Houve quem jogou um veículo nas paredes e vidraças de uma agência bancária, fato divulgado com fotos na imprensa.
Aos pés das manchetes precavidas dos jornais, rádio e TV anunciando o plano, vai sendo exibida, na fria linguagem jornalística, toda a munição que seria empregada na guerra contra a situação insustentável que o país vivia.
O Jornal O Estado de S.Paulo, com o seu título nada bombástico “Sai o Plano Collor”, goteja as medidas:
-Congelamento de preços (tabelados e depois liberados, gradualmente);
-Cai a moeda Cruzado, chega o Cruzeiro, sem corte de zeros;
-Saques da poupança e depósitos em conta corrente limitados a 50 cruzeiros; o resto em conta fica retido por 18 meses, a ser devolvido em parcelas com juros de seis por cento ao ano. Quem prefere a restituição do dinheiro antes, pode ser retirado em leilão, com ágio.
-Saques do over e fundos a curto prazo limitados a 20%;
-Salários corrigidos pela inflação de fevereiro, de 72,78%;
-Correção salarial pré-fixada;
-Salário mínimo corrigido pela inflação efetiva.
-Extintos papéis ao portador;
-Cheques superiores a R$ 2.953,99 (100 BTNs-Bônus do Tesouro Nacional) têm de ser nominais;
-Câmbio flutuante com valores fixados pelo mercado;
-Instituições financeiras terão de aplicar parte do patrimônio em títulos de privatização;
-Aumento do IPI-Imposto de Produtos Industrializados;
-Macro setor agrícola taxado pesadamente;
-Fim dos incentivos à exportação;
-Fim dos benefícios que reduzem o Imposto de Renda de pessoas jurídicas;
-Aumenta o IOF-Imposto Sobre Operações Financeiras;
-Os crimes de abuso do poder econômico serão punidos com dois a mais anos de prisão e multa de 200 mil a 500 mil BTNs.
-Extinção de 24 estatais, 5 autarquias, 8 fundações, 3 empresas públicas, 8 sociedades de economia mista (Medida Provisória 151).
O novo governo anuncia cortes nos gastos públicos e redução da máquina do Estado também com a demissão de funcionários. O plano prevê a abertura do mercado interno, com a redução gradativa das alíquotas de importação.
A Folha de S.Paulo mancheteou: “Choque do Plano Collor é o maior de toda a História”. E, na linha fina: “Governo retém 80% do over e limita a 50 mil o saque bancário e da poupança”.
A reportagem anuncia o Plano e relata as primeiras palavras do presidente, que os leitores atordoados viam fora do contexto: “Estou cumprindo no primeiro dia do meu mandato meu compromisso de não pactuar com a injustiça desde o começo”. O jornalista Clóvis Rossi desvenda o mistério: presidente Fernando Collor baixou ontem um pacote econômico que mexerá com cerca de US$ 35 bilhões (10% do Produto Interno Bruto) e revoluciona toda a economia, a tal ponto que ninguém, exceto os membros da equipe econômica, tinha certeza de seus efeitos globais a médio e longo prazo”.
-Cai a moeda Cruzado, chega o Cruzeiro, sem corte de zeros;
-Saques da poupança e depósitos em conta corrente limitados a 50 cruzeiros; o resto em conta fica retido por 18 meses, a ser devolvido em parcelas com juros de seis por cento ao ano. Quem prefere a restituição do dinheiro antes, pode ser retirado em leilão, com ágio.
-Saques do over e fundos a curto prazo limitados a 20%;
-Salários corrigidos pela inflação de fevereiro, de 72,78%;
-Correção salarial pré-fixada;
-Salário mínimo corrigido pela inflação efetiva.
-Extintos papéis ao portador;
-Cheques superiores a R$ 2.953,99 (100 BTNs-Bônus do Tesouro Nacional) têm de ser nominais;
-Câmbio flutuante com valores fixados pelo mercado;
-Instituições financeiras terão de aplicar parte do patrimônio em títulos de privatização;
-Aumento do IPI-Imposto de Produtos Industrializados;
-Macro setor agrícola taxado pesadamente;
-Fim dos incentivos à exportação;
-Fim dos benefícios que reduzem o Imposto de Renda de pessoas jurídicas;
-Aumenta o IOF-Imposto Sobre Operações Financeiras;
-Os crimes de abuso do poder econômico serão punidos com dois a mais anos de prisão e multa de 200 mil a 500 mil BTNs.
-Extinção de 24 estatais, 5 autarquias, 8 fundações, 3 empresas públicas, 8 sociedades de economia mista (Medida Provisória 151).
O novo governo anuncia cortes nos gastos públicos e redução da máquina do Estado também com a demissão de funcionários. O plano prevê a abertura do mercado interno, com a redução gradativa das alíquotas de importação.
A Folha de S.Paulo mancheteou: “Choque do Plano Collor é o maior de toda a História”. E, na linha fina: “Governo retém 80% do over e limita a 50 mil o saque bancário e da poupança”.
A reportagem anuncia o Plano e relata as primeiras palavras do presidente, que os leitores atordoados viam fora do contexto: “Estou cumprindo no primeiro dia do meu mandato meu compromisso de não pactuar com a injustiça desde o começo”. O jornalista Clóvis Rossi desvenda o mistério: presidente Fernando Collor baixou ontem um pacote econômico que mexerá com cerca de US$ 35 bilhões (10% do Produto Interno Bruto) e revoluciona toda a economia, a tal ponto que ninguém, exceto os membros da equipe econômica, tinha certeza de seus efeitos globais a médio e longo prazo”.
TERRA ARRASADA
As empresas foram surpreendidas com o plano econômico e, sem liquidez, pressionam o governo. A ministra Zélia Cardoso de Mello faz a liberação gradativa do dinheiro retido, denominada de “operação torneirinha” para pagamento de taxas, impostos municipais e estaduais, folhas de pagamento e contribuições previdenciárias. O governo libera os investimentos dos grandes empresários e deixa retido somente o dinheiro dos poupadores individuais.
Com o dinheiro fora de circulação, a inflação foi reduzida no início do Plano Collor I. Iniciava-se, porém, a maior recessão que o Brasil já conheceu. Houve aumento do desemprego, muitas empresas fecharam as portas e a produção diminuiu consideravalmente, com queda de 26% em abril de 1990 em relação a abril de 1989. As empresas são obrigadas a reduzir a produção, a jornada de trabalho, os salários, e a demitir funcionários. Só em São Paulo nos primeiros seis meses de 1990, deixaram de existir 170 mil postos de trabalho. Foi o pior resultado desde a crise do início da década de 80. O Produto Interno Bruto-PIB diminuiu de US$ 453 bilhões em 1989 para US$ 433 bilhões em 1990.
Em 16 de agosto de 1990 o Programa Nacional de Estatização previsto no Plano Collor é regulamentado e a Usiminas é a primeira estatal a ser privatizada, através de um leilão, em outubro de 1991. Depois, mais 25 estatais foram privatizadas até o final de 1993, quando Itamar Franco já estava à frente do governo, com grandes transferências patrimoniais do setor público para o setor privado. O processo de privatização dos setores petroquímico e siderúrgico já estava praticamente concluído. Inicia-se em seguida a negociação do setor de telecomunicações e elétrico.
O HISTRIÃO
Enquanto isso, à parte a questão econômica do País, a imagem de histrião do presidente se alastrava. Mostrava-se como um super-homem, sempre aparecendo na mídia exibindo suas grifes caras, pilotando aeronave, fazendo caminhadas, praticando esportes. Mostrava a personalidade de um herói, forte, vaidoso, arrojado, combativo, moderno. Dizia que tinha “aquilo roxo”.
(Histrião: diz-se de um homem miserável e envilecido que se dá em espetáculo pela abjeção dos atos que pratica. – J.F.Caldas Aulete)
PLANO COLLOR II
A inflação entra em cena novamente, com um índice mensal de 19,39% em dezembro de 1990. O acumulado do ano chega a 1.198%. É decretado o Plano Collor II, em 3l de janeiro de 1991.
O Plano tinha como objetivo principal controlar a ciranda financeira. Extingue as operações de overnight e cria o Fundo de Aplicações Financeiras (FAF), que centraliza todas as operações de curto prazo. Acaba com o Bônus do Tesouro Nacional Fiscal (BTNf), que era usado pelo mercado para indexar preços, e que foi substituído por uma Taxa Referencial Diária (TRD), com juros prefixados. Aumenta o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). O governo pratica uma política de juros altos e faz um grande esforço para desindexar a economia. Tenta mais um congelamento de preços e salários. Um deflator é adotado para os contratos com vencimento após 1O. de fevereiro. O governo acreditava que aumentando a concorrência no setor industrial conseguiria segurar a inflação. Então cria um cronograma de redução das tarifas de importação, reduzindo a inflação de 1991 para 48l%.
SALTOS E SOBRESSALTOS
A recuperação da economia iniciou-se no final de 1992, após um grande processo de reestruturação interna das indústrias. Foi fundamental a abertura do mercado brasileiro para produtos importados. Isso obrigou a indústria nacional a investir alto na modernização do processo produtivo, qualidade e lançamento de novos produtos no mercado. Ficou célebre a frase de Collor denunciando que a indústria automobilística brasileira, sempre com as mesmas fábricas e produzindo os mesmos modelos, fabricava “carroças”.
As empresas que queriam permanecer no mercado tiveram que rever seus métodos administrativos e de organização, reduzindo os custos de gerenciamento. As atividades foram centralizadas, muitos setores foram terceirizados. As empresas são obrigadas a investir pesado na automação e a reduzir a hierarquia interna. O resultado foi o crescimento da produtividade.
Toda essa modernidade era considerada necessária para as empresas se tornarem mais competitivas, tanto no mercado interno quanto no mercado externo. O aumento de produtividade foi fundamental para a sobrevivência das empresas, mas para os trabalhadores significou perdas de postos de trabalho, e menos funcionários produzindo mais. Aumenta o desemprego dos brasileiros. Em 1993, só na Grande São Paulo, chega a um milhão e duzentos mil os trabalhadores desempregados.
O censo do IBGE DE 1991 indicava que a renda per capita do brasileiro caira 5,6% em relação a 1980. A política de salários vigente no país era tida como um dos fatores que contribuiu para a multiplicação da pobreza.
Segundo o IBGE, em 1990, das 67,2 milhões de pessoas com mais de dez anos que trabalhavam, apenas 5,8% ganhavam acima de dez salários mínimos. A maioria dos trabalhadores, 63%, recebia até três salários mínimos, sendo que 29,5% ganhava, no máximo, um salário. Um dos reflexos dessa situação foi o aumento da população favelada nas grandes cidades. Há 20 anos, apenas 1% da população paulistana vivia em favelas. No início dos anos 90, a população favelada da cidade subiu para 20% e representava cerca de 2 milhões de pessoas.
O IMPEACHEMENT
Collor pregava a moralidade e combate à corrupção, mas em seu governo foram denunciados vários casos de desvios de dinheiro. O empresário Paulo César Faria, o PC, quer era o seu arrrecadador de verbas para a campanha eleitoral, envolveu-se em esquema de corrupção dentro do próprio governo. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito-CPI, apurou que muito dinheiro foi para a conta corrente de Collor. Para se ter uma idéia da gastança em seu governo, apurou-se que só para as despesas pessoais do presidente foram consumidos US$ 10 milhões e 600 mil. Ministros foram denunciados de corrupção, embora não tenha havido condenações. Paulo César Farias chegou a ser preso, depois de uma rumorosa caçada policial que terminou na Indonésia, mas em pouco tempo ganhou a liberdade e foi curtir uma mansão na praia, onde foi encontrado morto. A polícia não conseguiu desvendar o crime, e a opinião do povo era de que teria sido uma queima de arquivo.
O Presidente da República foi substituído sem derramamento de sangue, golpe militar ou qualquer tipo de violência, pelo vice Itamar Franco, de tendência nacionalista e comedido quanto às privatizações. Foi um processo pela via legal, em votação no Congresso, depois de movimentos de protestos populares que receberam o nome de “caras pintadas”. O presidente pedira ao povo para apóia-lo, para não deixá-lo sozinho, mas aconteceu o contrário.
Foi a queda do primeiro governo civil brasileiro, eleito por voto direto desde 1960. Foi também o primeiro escolhido dentro das regras da Constituição de 1988, com plena liberdade partidária e eleição em dois turnos. Ex- governador de Alagoas, politico jovem e com amplo apoio das forças conservadores, Collor derrotara no segundo turno da eleição a Luiz Inácio Lula da Silva, migrante nordestino, ex-metalúrgico e destacado líder da esquerda.
Para as elites, Collor ofereceu a modernização econômica do país consoante a receita do neoliberalismo.
GRANDES SALTOS
Um comparativo da eficiência industrial no país mostra que a abertura do mercado pelo governo Collor foi benéfica para o setor produtivo, apesar da retração do PIB:
-Até 1989, o Brasil fabricava 1,5 milhão de televisores por ano. Para montar cada TV, era necessária 1 hora de 40 minutos. Depois da abertura de mercado, em 1990, a indústria brasileira passou a produzir 7 milhões de televisores por ano, sendo necessários 25 minutos para montagem de cada um;
-Em 1989, um televisor de 14 polegadas custava cerca de US$ 550. Depois da abertura de mercado, passou a custar o equivalente a US$ 300;
-Até 1989, a Sharp produzia 14 televisores por empregado. A empresa passou a produzir 70 televisores por funcionário;
-Até 1989, a Azaléia fabricava 10 mil pares de sapatos por dia. Comprando novas máquinas, passou a fabricar 120 mil pares por dia, sem aumentar o número de empregados;
-Até 1989, cada operário da indústria automobilística montava nove carros por ano. Após a abertura do mercado e a automação das linhas de montagem, cada operário passou a montar 20 carros por ano;
-Até 1989, uma bicicleta de 18 marchas custava US4 480. Passou a custar US$ 128;
-Até 1989, nenhuma empresa brasileira possuía o certificado de qualidade ISSO 9000, pois não enfrentavam competição internacional. Hoje milhares de empresas possuem esse certificado de qualidade mundial;
-Até 1989, os computadores disponíveis no mercado brasileiro eram quatro gerações atrasadas em relação aos utilizados no primeiro mundo. Com a abertura de mercado, os brasileiros passaram a ter acesso a computadores quase que simultaneamente ao mercado internacional;
-Em 1989, o gasto com a folha de pagamento do governo federal correspondia a 5,3% do PIB. No governo Collor, baixou para 3,7%.
-Em 1989, o PIB atingiu a US$ 453 bilhões. Em 1990, foi para US$ 433 bilhões, uma queda de 4,4%.
-Em 1989, um televisor de 14 polegadas custava cerca de US$ 550. Depois da abertura de mercado, passou a custar o equivalente a US$ 300;
-Até 1989, a Sharp produzia 14 televisores por empregado. A empresa passou a produzir 70 televisores por funcionário;
-Até 1989, a Azaléia fabricava 10 mil pares de sapatos por dia. Comprando novas máquinas, passou a fabricar 120 mil pares por dia, sem aumentar o número de empregados;
-Até 1989, cada operário da indústria automobilística montava nove carros por ano. Após a abertura do mercado e a automação das linhas de montagem, cada operário passou a montar 20 carros por ano;
-Até 1989, uma bicicleta de 18 marchas custava US4 480. Passou a custar US$ 128;
-Até 1989, nenhuma empresa brasileira possuía o certificado de qualidade ISSO 9000, pois não enfrentavam competição internacional. Hoje milhares de empresas possuem esse certificado de qualidade mundial;
-Até 1989, os computadores disponíveis no mercado brasileiro eram quatro gerações atrasadas em relação aos utilizados no primeiro mundo. Com a abertura de mercado, os brasileiros passaram a ter acesso a computadores quase que simultaneamente ao mercado internacional;
-Em 1989, o gasto com a folha de pagamento do governo federal correspondia a 5,3% do PIB. No governo Collor, baixou para 3,7%.
-Em 1989, o PIB atingiu a US$ 453 bilhões. Em 1990, foi para US$ 433 bilhões, uma queda de 4,4%.
AS PRIVATIZAÇÕES
Acionando a alavanca das privatizações, Collor atrelava o País à tendência mundial de enxugamento do Estado. Ao mesmo tempo, pulverizava a mentalidade de casta que nelas imperava.
Na empresa mineradora Vale do Rio Doce, por exemplo, havia salários elevadíssimos, incompatíveis com a realidade do país, além de uma política de empreguismo. Seus funcionários recebiam até um 17O salário e seu plano de saúde era de causar inveja às mais altas camadas sociais de países desenvolvidos.
A aniquilação das estatais, principalmente bancos, em ocasiões posteriores, extinguia de vez o espírito de corrupção e uso político que dominava essas empresas.
*Apollo Natali é jornalista, formado aos 71 anos, depois de 4 décadas atuando na imprensa. É colaborador do “Quem tem medo da democracia?”,sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A Globo se protege
Assim, não pode causar espanto que existam por aí afora pessoas que sintam vontade de repudiar com mais veemência essa prática nefasta de mau jornalismo. Há os que fazem análises ácidas, mas se comportam de forma respeitosa. Há os que escracham, os que xingam, os que são bem deselegantes. Mas há também os que chutam o balde mesmo. Talvez porque tenham aprendido que no Brasil tentar fazer as coisas “por dentro da ordem” não dá muito resultado. Por isso, por aí andam esses que fazem aparições nos momentos em que os repórteres globais estão ao vivo.
Outro dia acabaram derrubando uma repórter e o caso virou notícia nacional através das redes sociais. Enfastiada, acabei lendo bastante coisa que saiu e não me surpreendeu que a maioria dos comentários fosse de repúdio aos manifestantes. Alguns chegaram a dizer que era um ataque ao jornalismo. Bueno, ainda com preguiça, resolvi entrar no assunto.
Lembrei de uma campanha salarial que fizemos em Santa Catarina na qual se desencadeou a “operação papagaio de pirata”. Nela, alguns colegas se postavam atrás dos repórteres da RBS que entrassem ao vivo, protestando, com cartazes, sobre os baixos salários no estado. Foi um momento histórico da luta dos jornalistas em Santa Catarina, até hoje lembrado com orgulho. Não era um ataque ao “jornalismo”, mas um ousado e criativo protesto contra a rede que mais explorava jornalistas naqueles dias. E não foram poucos os que condenaram a eficaz forma de luta dos jornalistas, alguns apelando para o que chamavam de “desrespeito aos colegas”. Ora, não era. Pelo contrário. Era amor pelos companheiros explorados.
Assim, vejo esses ataques que andam acontecendo junto aos repórteres da Globo como um saudável protesto contra os péssimo serviços da emissora. E, finalmente, um protesto que se pode ver, justamente pela radicalidade do grupo. Não os comparo com vândalos ou baderneiros. Devem ser criaturas que querem ser escutadas e encontraram nessa forma a mais eficaz. E vejo que tem dado certo.
Talvez isso leve os big boss da Globo a pensar um pouco sobre o que andam fazendo. Que tipo de jornalismo é esse que, num país democrático, precisa de segurança para se fazer? Não seria isso um sintoma claro de que algo está podre no reino da platinada? Perguntas que qualquer profissional sério se faria. Mas, qual! A primeira resposta da Globo foi, pasmem, demitir os trabalhadores que faziam a segurança da equipe. E a segunda atitude foi anunciar que agora os repórteres que entrarem ao vivo serão cercados por um aparato de proteção contra vândalos. Interessante isso! Mais uma trincheira impedindo a verdade de entrar.
Eu, aqui da periferia da periferia, no sul do sul, não tenho dúvidas. Esse povo aí não está agredindo as pessoas, nem o jornalismo. Estão protestando contra a mentira, a manipulação e ao descaso com a vida real. E quer saber? Gosto disso!
Elaine Tavares
Assinar:
Postagens (Atom)
Ao visitante
entre.
leia.
comente.
sugira.
não faça nada.
enfim, sinta-se a vontade.
leia.
comente.
sugira.
não faça nada.
enfim, sinta-se a vontade.
Postagens populares
-
Numa FOLHA qualquer a OPOSIÇÃO e o PIG escrevem um monte de asneiras E com uma VEJA qualquer é fácil incrementar o tamanho das besteiras Ai ...
-
“Não podemos entender a discussão do agronegócio sem primeiro compreender o que ele estabeleceu do ponto de vista produtivo e qual foi s...
-
A "História do Racismo" é um documentário produzido e realizado pela British Broadcasting Corporation (BBC) - que aborda o leg...
-
Combater o mito da genialidade, a perversidade dos pequenos poderes e os “donos de Foucault” é fundamental para termos uma universidade mel...
-
"Mais que uma aliança, um compromisso contínuo!" Quan do me pediram para escrever sobre o “anel preto”, meu Deus...
-
Como a substituição do ‘trabalhador’ pelo ‘empreendedor’ afeta a esquerda Discurso do PT passa por transformação profunda, com queda...
-
Entrevista com o economista e presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, Nildo Ouriques sobre a conjuntura econômica...
-
Na foto acima um dos navios da empresa transporta pelo oceano um gigantesco “bag” de água doce Navio tanque É assustador o tráfico de á...
-
Conferência de Virgínia Fontes, na Aula magna do IELA, em 24 de abril de 2017. Fonte: IELA