quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sementes sequestradas

É necessário apostar em outro modelo de agricultura e alimentação que se baseia nos princípios da soberania alimentar e na agroecologia

Quem ouviu falar alguma vez do tomate lâmpada, da berinjela branca ou da alface língua de boi? Difícil. Trata-se de variedades locais e tradicionais que ficaram à margem dos canais habituais de produção, distribuição e consumo de alimentos. Variedades em perigo de extinção.
A nossa alimentação atual depende de algumas poucas variedades agrícolas e de gado. Apenas cinco variedades de arroz proporcionam 95% das colheitas nos maiores países produtores e 96% das vacas de ordenha no Estado Espanhol pertence a uma só raça, a frisona-holstein, a mais comum a nível mundial em produção leiteira. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), 75% das variedades agrícolas desapareceram ao longo do último século.
Mas esta perda de agrodiversidade não tem somente consequências ecológicas e culturais, mas implica, também, no desaparecimento de sabores, de princípios nutritivos e de conhecimentos gastronômicos, e ameaça a nossa segurança alimentar ao depender de algumas poucas espécies de cultivo e de gado. Ao longo dos séculos, o saber camponês foi melhorando as variedades, adaptando-as às diversas condições agroecológicas a partir de práticas tradicionais, como a seleção de sementes e cruzamentos para desenvolver cultivos.
As variedades atuais, em contrapartida, dependem do uso intensivo de produtos agrotóxicos, pesticidas e adubos químicos, com um forte impacto ambiental e que são mais vulneráveis às secas, a doenças e pragas. A indústria melhorou as sementes para adaptá-las aos interesses de um mercado globalizado, deixando em segundo lugar as nossas necessidades alimentares e nutritivas com variedades saturadas de químicos e tóxicos, como aborda o documentário ”Notre poison quotidien” (O nosso veneno diário) de Marie-Monique Robin, estreado recentemente na França.
Até cem anos atrás, milhares de variedades de milho, arroz, abóbora, tomate, batata… abundavam em comunidades camponesas. Ao longo de 12.000 anos de agricultura, manipularam cerca de 7.000 espécies de plantas e vários milhares de animais para a alimentação. Mas hoje, de acordo com dados da Convenção sobre a Diversidade Biológica, apenas quinze variedades de cultivos e oito de animais representam 90% da nossa alimentação.
A agricultura industrial e intensiva, a partir da Revolução Verde, nos anos 60, apostou em alguns poucos cultivos comerciais, variedades uniformes, com uma base genética estreita e adaptadas às necessidades do mercado (colheitas com máquinas pesadas, preservação artificial e transporte de longas distâncias, uniformização do sabor e da aparência). Políticas que impuseram sementes industriais com o pretexto de aumentar a sua rentabilidade e produção, desacreditando as sementes camponesas e privatizando o seu uso.
Desta maneira, e com o passar do tempo, foram emitidas patentes sobre uma grande diversidade de sementes, plantas, animais, etc., corroendo o direito camponês de manter as suas próprias sementes e ameaçando meios de subsistência e tradições. Através destes sistemas, as empresas se apropriaram de organismos vivos e, através, da assinatura de contratos, o campesinato passou a depender da compra anual de sementes, sem possibilidade de poder guardá-las após a colheita, plantá-las e/ou vendê-las na temporada seguinte. As sementes, que representavam um bem comum, patrimônio da humanidade, foram privatizadas, patenteadas e, finalmente, “sequestradas”.
A generalização de variedades híbridas - que não podem ser reproduzidas - e os transgênicos foram outros dos mecanismos utilizados para controlar a sua comercialização. Estas variedades contaminam as sementes tradicionais, condenando-as à extinção e impondo um modelo dependente da agro-indústria. O mercado mundial de sementes está extremamente monopolizado e apenas dez empresas controlam 70% desse mercado.
Como indica a Via Campesina - maior rede internacional de organizações camponesas - “somos vítimas de uma guerra pelo controle das sementes. Nossas agriculturas estão ameaçadas por indústrias que tentam controlar nossas sementes por todos os meios possíveis. O resultado desta guerra será determinante para o futuro da humanidade, porque das sementes dependemos todos e todas para nossa alimentação diária”.
Do dia 14 ao 18 de Março, foi realizada a quarta sessão do Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura, em Bali. Um tratado fortemente criticado por movimentos sociais como a Via Campesina, considerando que reconhece e legitima a propriedade industrial sobre as sementes. Embora o seu conteúdo reconheça o direito dos camponeses à venda, à troca e à semeadura, o Tratado, de acordo com os seus denunciantes, não impõe estes direitos e claudica perante os interesses industriais.
Hoje, mais do que nunca, num contexto de crise alimentar, é necessário apostar em outro modelo de agricultura e alimentação que se baseia nos princípios da soberania alimentar e na agroecologia, a serviço das comunidades e nas mãos do campesinato local. Manter, recuperar e trocar as sementes camponesas é um ato de desobediência e responsabilidade, a favor da vida, da dignidade e da cultura.
 
 Por:Esther Vivas
 é autora do livro “Do campo ao prato. Os circuitos de produção e distribuição de alimentos”. 

Traduzido ao português por Tárzia Medeiros
Brasil de Fato

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Encontro da Recid debate Juventude e Direitos Humanos na cidade de Chapecó

Aconteceu, neste final de semana, dias 08,09 e 10 de abril, na cidade de Chapecó, na sede do MMC Movimento das Mulheres Camponesas, o  Encontro  Micro  Reginal da RECID  Rede de Educação Cidadã  Talher-sc. Evento este, a cargo das educadoras populares, Carolina Bernardo e da colaboradora da rede Ana Zultanski, no encontro, estiveram presentes membros da rede dos três estados do sul, na pauta: Juventude e Direitos Humanos. No dia 09 participaram mais efetivamente das atividades, dois grupos da região, que são acompanhados pelo programa recid, um grupo de jovens de São Miguel do Oeste, que fizeram apresentações de percussão e outro da cidade sede do evento, o  coletivo MH2C  Movimento Hip-Hop Chapecó, que ao longo do dia, fez suas intervenções através da rima,dança e culminando com apresentação de documentário, produzido por eles próprios,  de direção do camarada Jesus.
Documentário que retrata as condições precárias de mobilidade urbana, no serviço de transporte público da cidade de Chapecó ( Breve disponibilizarei no blog) Parabéns a todos!!! O povo que ousa sonhar constrói o poder popular.

Para ver as fotos basta clickar
































sábado, 9 de abril de 2011

A Morte no Rio de Janeiro

 Todos nós estamos chocados pela tragédia da Escola Municipal Tasso Silveira no bairro popular do Realengo na Zona Oeste do Rio de Janeiro.Onde Wellington Menezes Oliveira de 24 anos,abriu fogo contra alunos menores de 12á 14 anos, que resultou em 12 mortos e feriu 20.
  O caso nos chama á vários questionamentos,em nossa sociedade,questões que só discutimos quando acontece tragédias desta magnitude e que depois são esquecidas ou empurradas pela barriga,até acontecer outra tragédia e assim sucessivamente até se tornar banalidade como é a violência diária e normativa que convivemos.
 O caso da Escola do Realengo nos apresenta vários fatores que devem ser analizados pela psicologia,filosofia,teologia,sociologia,direito e pela política. Caso este que só tem noticias na Inglaterra, Suécia,Noruega e Estados Unidos da América.
  Pela ação o criminoso agiu premeditadamente,como no caso de ter elaborado a ação,saber atirar bem,escrever uma carta,ter anunciado uma semana antes do crime no Orkut: " Não estou chorando,estou me preparando para um massacre que vou levar a cabo na escola onde fui bolinado.Em breve teremos um documentário estilo Columbine nas televisões nacionais. Esperem"(1)
  Ele chega e fala para uma professora que vai realizar uma palestra.Se a professora já conhecia o rapaz,o máximo que poderia fazer era chamar outras pessoas no local.Coisa que sabemos que não deu pois ação foi rápida e inesperada.
  Wellington ao entrar na escola estaria tentando acertar as contas com o seu passado e consigo mesmo.Ao atirar nas crianças,ele estava tentando na verdade executar ainda aquela criança,adolescente,que á dentro de si,traumatizada e usa de forma externa ao executar crianças inocentes que nada tiveram haver com os seus fracassos e insucessos ou com os problemas que passou naquela instituição.Os fantasmas que estão dentro de si e que não foram  estirpados.Na carta como era de se esperar usou uma linguagem religiosa e mostrou consciência de seus atos.Na qual demostra que sabia que estava fazendo ou que iria fazer de forma intencional.
  Ao mesmo tempo em que mostra as contradições da vida moderna e dos grandes centros urbanos,tenho acesso a internet,informação,mas não me relaciono com o vizinho do lado,não sei quem é,vivo numa redoma de vidro,onde quero me isolar e crio um mundo artificial e acabo caindo na angustia e depressão.Pois o ser humano consegue á viver sem relações sexuais,mas não consegue a viver sem afeto e relações com o outro e para isso que ele vive em sociedade e em comunidade.
  Outra questão é o armamento,podemos encontrar uma arma em qualquer esquina,sendo vendida ilegalmente,onde circula no Brasil em torno de 16 milhões de armas e destas 90% nas mãos da sociedade(2).Muitas destas armas usadas em crimes,como o da Escola Tasso Silveira,pertenciam á pessoas de bem,que cairam nas mãos de bandidos ou de pessoas desequilibradas psicologicamente.
   Se fala arma o cidadão e desarma o bandido,discurso este que fez que no dia 23 de outubro de 2005; 63,44% responderem Não no Plebiscito do desarmamento.Aqueles que levantaram a bandeira surrada do Não,hoje hipocritamente e cinicamente,vem defender o desarmamento.
  Se a sociedade tivesse votado pelo SIM ao desarmamento,nós não estariamos assistindo casos de violência cotidiana e nem massacres como do Realengo,em que gera cada vez mais insegurança na comunidade escolar como universitaria.Onde professores,estudantes e pais não tem sussego,se vou para a escola,universidade,não sei se venhop vivo ou se meu filho/a vai vir vivo para casa.Fora isso o trauma que fica nas crianças desta escola ou de qualquer escola do Brasil,onde o próprio rendimento escolar acaba sendo prejudicado por noticias como está,que são vinculadas pela mídia.
  Edmundo Bunk escrevia: " Todo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens de bem não fazem nada".Estamos impotentes diante de tal situação,mas somos convocados,como sociedade a agir de construir um mundo e uma cultura de paz. Repudiamos toda e qualquer forma de violência,reafirmamos a nossa solidariedade as vitimas,familiares das crianças,professores/as e funcionário/as e reafirmamos que só teremos segurança,quando houver de fato uma cultura de paz.
 Fazemos um minuto de silêncio,diante destes brasilerinhos,cujo sangue foi derramado e como o sangue de Abel clama aos céus.Rezamos em nossas comunidades,igrejas,religiões por estes inocentes do Realengo e de todo o mundo.
________________________
(1) www elpais.com/
(2) dados do Movimento Viva Rio, BBC Brasil.

:Por: Júlio Lázaro Torma

produto da mente: Visualizar "A Morte no Rio de Janeiro"

produto da mente: Visualizar "A Morte no Rio de Janeiro"

domingo, 3 de abril de 2011

Tim Maia

“Outro mundo é possível, e se chama: socialismo” Alan Woods no Brasil

Primeira conferência com Alan Woods no Brasil reúne mais de 150 pessoas na UFSC            


 

Ontem, 31 de março, na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, a conferência pública com Alan Woods com o tema ‘A revolução dos povos árabes e a crise capitalista mundial’ lotou o auditório do CFH.
 
Em seguida à sua recente visita à Bolívia e Argentina, Alan Woods começou a terceira e última etapa de seu giro por países latino-americanos com uma conferência muito bem sucedida na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, Brasil.

A atividade, co-organizada pela Esquerda Marxista (seção brasileira da CMI), foi sobre o tema da Revolução árabe e a crise mundial do capitalismo. Os 150 estudantes e professores que lotaram o auditório mostraram enorme interesse na discussão e nas idéias do marxismo.

O debate também contou com vários representantes da comunidade palestina local e do Comitê de Solidariedade à Palestina, incluindo um visitante de Ramala, da Palestina, que estava no Brasil. Os trabalhos foram abertos pelo companheiro Khader Othoman do Comitê de Solidariedade à Palestina, que manifestou seu entusiasmo pela onda revolucionária que varre o mundo árabe e deu as boas vindas a Alan Woods.

Em seu discurso, o camarada Alan enfatizou a conexão de causalidade entre os eventos no mundo árabe e a crise geral do capitalismo mundial. Ele enterrou a idéia de que a classe operária já não é mais uma força revolucionária, apontando para a onda de greves e manifestações na Europa e no maravilhoso movimento dos trabalhadores de Madison, Wisconsin, nos EUA.

Alan lembrou as palavras de Lênin, quando ele assinalou que na Rússia a corrente do capitalismo quebrou em seu elo mais fraco. Agora a história se repete na Revolução árabe. “A Revolução Árabe começou, mas ainda não terminou”, afirmou. “As massas não estão lutando pela democracia em abstrato, mas por criação de empregos, moradia e um padrão de vida decente. Mas nenhum governo burguês pode dar-lhes essas coisas. Eles não podem dar-lhes na Europa nem nos EUA, assim como não podem dar a eles no Egito. Portanto, a revolução continuará, com altos e baixos, durante um longo período. Cedo ou tarde a classe operária vai concluir que a única saída é tomar o poder”.

Foi dada a palavra ao plenário animado. A discussão incluiu perguntas sobre a Líbia, a revolução latino-americana e o papel do Brasil, a natureza do PT e a questão da direção.

Sobre a questão da Líbia, Alan disse que tinha começado como uma revolta popular genuína, mas degenerou em uma guerra civil na qual alguns elementos um tanto questionáveis se impuseram à frente. Estes incluíam vários ex-ministros de Khadafi, que exigiam a intervenção dos imperialistas. Esta foi uma posição reacionária que rejeitamos totalmente.

Alan denunciou a hipocrisia dos americanos, britânicos e franceses que apoiaram todas as ditaduras árabes reacionárias e agora alegam estar lutando pela democracia e os direitos do povo líbio: “Se eles tiverem êxito, a Líbia vai ser entregue aos imperialistas e as coisas vão ser ainda pior do que antes”, disse ele. Alan também criticou a chamada Organização das Nações Unidas, que é apenas um disfarce para o imperialismo: “Onde estava a proposta de uma zona de exclusão aérea quando Israel atacou Gaza”, questionou.

Alan salientou o fato de que os mesmos processos estavam ocorrendo em todo o mundo, com velocidades e intensidade que variam. No Brasil, também, houve o início de uma efervescência e greves. Ele ressaltou a importância da América Latina na luta mundial pelo socialismo. Ele ressaltou o caráter internacional da revolução.

“As revoluções não respeitam fronteiras e, menos ainda as fronteiras artificiais que foram impostas pelo colonialismo no Norte da África e no Oriente Médio, que dividem o corpo vivo da grande nação árabe. A principal tarefa da revolução árabe é a abolição dessas fronteiras e o estabelecimento de uma Federação Socialista que se estenda desde o Atlântico até o Eufrates.”

Ele terminou estabelecendo um paralelo entre esta questão e a América Latina, que tem sido balcanizada e subordinada ao imperialismo. “Eu não gosto da maneira sentimental de como as pessoas usam a palavra ‘sonho’ ao se referir à idéia de Simon Bolívar e Che Guevara. A unificação da América Latina não é um sonho, mas uma necessidade”.

“A burguesia teve 200 anos para mostrar do que eles são capazes na América Latina, e tudo que eles conseguiram é transformar o que deveria ser um paraíso terrestre em um inferno vivo para milhões de pessoas. A única maneira de desenvolver o potencial colossal do continente é pela via revolucionária - através da expropriação das oligarquias e da criação dos Estados Unidos Socialistas da América Latina, como o primeiro passo para a Federação Socialista Mundial”, disse ele.

“Outro mundo é possível, e se chama: socialismo”, concluiu Alan sob entusiasmados aplausos.

Esquerda Marxista



sexta-feira, 1 de abril de 2011

“HÉRCULES- QUASÍMODO”

O Brasil carrega as chagas de sua formação sócio-econômica incompleta e em grande medida deformada pela opção das classes dirigentes em manter a sociedade brasileira subordinada á esferas de decisão externas. A construção de um espaço nacional soberano, dotado de capacidade para enfrentar as deformações sociais crônicas do país, está em constante contradição com os interesses da classe dominante associada ao capital estrangeiro, que aceita a condição de sócia (nem sempre minoritária) da banca internacional. Essa subordinação impõe barreiras à elevação do estatuto social das massas populares e à superação do “apartheid social” imposto às maiorias. A 10° economia mundial convive em seus porões com a miséria econômica, cultural e política de uma parcela de brasileiros excluídos das garantias básicas ofertadas pela modernidade. O crescimento econômico dissociado de uma política de combate às deformações estruturais da nossa formação se demonstrou incapaz de incorporar as grandes maiorias da população a vida pública nacional. Esse é o pano de fundo que atribui sentido ao cenário político e econômico brasileiro em 2009, imerso na crise econômica, social e ambiental de escala planetária, cuja profundidade ainda são desconhecidas. A realidade nos impõe uma reflexão que deve ir além da atual crise, para que posteriormente possamos situá-la no contexto brasileiro, identificando que rotas estão em disputa no próximo período.

Veias Abertas

         Para uma breve análise do cenário político brasileiro em 2009 é necessário apontar as questões fundamentais da realidade nacional, que ao nosso olhar, merecem destaque, não por serem questões novas, mas pelo contrário, por possuírem certa continuidade em nossa história e em especial na última década, condicionando, por suposto, as movimentações conjunturais dos atores políticos em disputa. Vejamos:

1) A Concentração de Renda se coloca com uma das principais mazelas de nossa sociedade, os 10% mais ricos da população brasileira controlam 75% da riqueza nacional, sobrando aos 90% da população o controle de apenas 25% da riqueza do país. Como se não bastasse, apenas 5 mil famílias brasileiras acumulam 45% da renda e da riqueza nacional. A participação do rendimento da classe trabalhadora na renda nacional é de apenas de 39,1%. As altas taxas de juros garantidas pelo Governo Federal é entre outras coisas um mecanismo de transferência de riqueza da classe trabalhadora para a elite rentista que corresponde à cerca de 20 mil famílias (o país têm aproximadamente 65 milhões de famílias), anualmente são transferidos de 5 a 8% do PIB em forma de renda para a elite, enquanto apenas 0,5% do PIB é transferido para programa de renda mínima como o Fome Zero, que atende cerca de 10 milhões de famílias brasileiras. Repetido 8% do PIB vai parar nas mãos de 20 mil famílias na forma de juros enquanto 10 milhões de famílias disputam apenas 0,5% do PIB distribuídos pelo Fome Zero [1]

. Mais ainda não é tudo.

2) O Sistema Tributário brasileiro é fortemente regressivo, á margem do que é estabelecido pela Constituição Federal, os pobres pagam mais.

“Quem ganha até dois salários mínimos paga 49% dos seus rendimentos em tributos. Mas quem ganha acima de 30 paga apenas 26%.”[2]

 A razão desta situação está na forma como se estrutura a tributação no Brasil que prioriza os impostos indiretos, onerando os bens de consumo (ICMS) de massa como alimentos e produtos de primeira necessidade. Para se ter uma idéia da distribuição

da carga tributária brasileira atualmente apenas 4% da arrecadação não previdenciária recai sobre a propriedade, 26% sobre renda, 7% outras fontes e 63% os bens e serviços, este último sempre repassado para o preço das mercadorias. [3]

 O Imposto Sobre as Grandes Fortunas, previsto na Constituição de 88, até hoje não possui lei complementar. Para agravar a situação o projeto de reforma tributária em discussão no Congresso (PEC 233/2008) aponta para a restrição a efetivação dos direitos sociais, pois altera negativamente as fontes de financiamento exclusivas da seguridade social (saúde, previdência, e assistência social) e da educação.

3) As reformas democráticas como a agrária e a urbana estão fora da pauta dos governos, o latifúndio improdutivo e a especulação imobiliária são antes de tudo processo de concentração de poder. Atualmente existe um déficit habitacional de 10 milhões de moradias, enquanto existe uma parcela significativa de imóveis que não cumpre a função social. O Estatuto das Cidades, lei federal que prevê, entre outras medidas o IPTU progressivo, ainda não foi colocado em prática na maioria dos municípios. Um grande potencial produtivo no campo e na cidade está obstruído pela mesquinhez dos rentistas.

4) Existe no país uma Democracia de baixa intensidade, o que significa dizer que a maioria da população está alijada dos grandes debates nacionais. Os canais de participação instituídos (conselhos, conferências, etc.) não possuem caráter deliberativo, não vinculam as ações do poder público, o que esvazia seu sentido prático. A miséria econômica da população brasileira moldou um sujeito político raquítico, com pouca capacidade crítica, limitado à participação eleitoral.

Citamos 4 questões substantivas da realidade brasileira com o intuito de perceber as perspectivas do Brasil para 2009.

Brasil e a Crise Financeira

 Crises financeiras fazem parte do metabolismo do capital, que em seu processo de expansão se desloca da base econômica real, no caso da atual crise o processo se acentuou com a desregulação dos espaços econômicos nacionais em favor da especulação criando riqueza fictícia. Estima-se que os ativos financeiros movimentem uma riqueza dez vezes maior do que a riqueza real (material), a riqueza mundial é avaliada em algo em torno de 55 trilhões de dólares, em outubro de 2008 ocorre à perda de 27 trilhões em ativos em processo de desvalorização.
Diante de uma crise como esta proporção é inevitável que todas as regiões do planeta sofram em alguma medida seus impactos. Contudo esses impactos possuirão particularidades relativas à configuração econômica de cada país, o tamanho do seu mercado interno, o grau de controle da política econômica, etc. Vale a pena afirmar que mesmo reconhecendo a gravidade da crise é necessário afastar a idéia de colapso do sistema capitalista de produção em conseqüência da mesma. Por maior que seja as dificuldades de recomposição da “normalidade” das relações financeiras, elas são possíveis a partir da intervenção estatal. Somente o Estado é capaz estabelecer uma nova regulamentação acima dos interesses mesquinhos dos agentes econômicos. Porém é verdade que a geopolítica do capital irá sofrer alterações substantivas, a hegemonia norte-americana já questionada desde o começo da década agora é obrigada a ceder espaços para outros operadores geopolíticos, em especial a China. Porém o colapso do sistema do capital não está dado, uma vez que a superação do capitalismo é obra da luta de classes, portanto é eminentemente política. As possibilidades das crises econômicas gerarem crises políticas são reais, porém no momento ainda não estão dadas, devido à ausência de uma alternativa pós-capitalista que possua expressão de massas. A crise colocou em questão o neoliberalismo, a ideologia da desregulamentação da economia, etc., contudo ainda não foi capaz de criar uma situação de descontrole político dos blocos de poder nacionais.
No Brasil os impactos já começam a ser sentidos, calcula-se que são desempregados por dia 8.800 trabalhadores com carteira assinada, ainda não é possível calcular os números de informais que perderam suas colocações. O setor primário-exportador com certeza é o mais afetado diante a crise de investimentos no exterior, a exportações sofrerão diminuições substanciais. Demissões e férias coletivas em massa já estão acontecendo na Embraer e nas montadoras automobilísticas. O crescimento econômico previsto para 2009 não passará de 3,5% o que significa que o mercado de trabalho não absorverá a juventude que ingressa à população economicamente ativa. Os desdobramentos serão achatamento salarial, informalidade e precarização do trabalho.

Desafios brasileiros

A crise financeira demonstra as contradições da expansão do capital especulativa, abre caminho para uma discussão mais profunda em nosso país. Quais as perspectivas de enfretamento da crise? Ao nosso ver a crise pode abrir a oportunidade de colocar em prática medidas de fortalecimento da soberania nacional sobre a economia, uma vez que o enfraquecido os poderes externos condicionantes de nossa política, cria uma margem de manobra em termos geopolíticos que se explorados podem garantir um enfretamento dos problemas estruturais de nossa formação, porém esta perspectiva figura apenas no campo das possibilidades tendo em vista o posicionamento das organizações sociais e populares que ainda carecem de clareza estratégica e capacidade de mobilização com o intuito de colocar na agenda da sociedade propostas de superação do atual bloco de poder político e econômico, que opera sob hegemonia dos capitalistas financeiros.  As propostas de combate à crise não são isentas politicamente, existem diferentes propostas de enfretamento algumas de caráter conservador, que possui como estratégia a sustentação dos bancos e outras que aponta para a tentativa de reconfiguração da geometria do poder político e econômico;  até o momento prevalece a primeira posição.
Ao nosso juízo uma proposta de superação da crise deve procurar construir novas possibilidades para a nação brasileira, trazendo à esfera de discussão debates interrompidos pela onda neoliberal.
Em primeiro plano, figura no quadro de prioridades, a recomposição a densidade nacional, o que significa dizer que para superar as desigualdades estruturais é necessário lançar mão dos recursos nacionais próprios de maneira planejada e controle sobre a política econômica, onde da produção da riqueza encontre uma arquitetura jurídica desconcentradora, estabelecendo a distribuição dos resultados do desenvolvimento a maioria da população. Recompor a densidade nacional é um ato de soberania que implica em reafirmar o protagonismo do Estado sobre a econômica e o planejamento nacional. A ideologia liberal, difundida dentro de setores importantes da esquerda, menospreza o papel do Estado em um contexto de globalização, é, como toda ideologia, uma deformação da realidade. O Estado segue sendo um elo decisivo no processo de reprodução do capital seja através da criação de um marco institucional (materialização de uma política) que estabeleça uma determinada forma pela qual se dão as relações comerciais, laborais, tributárias, etc, seja pela inserção direta na economia através de suas empresas.
Fica claro que a densidade nacional será ampliada caso ocorra uma vontade política soberana que se expresse no controle do Estado e exerça hegemonia política na sociedade civil brasileira. Caso contrário qualquer nível de crescimento econômico preservará os privilégios das elites, reproduzindo desigualdades, concentrando riqueza, renda e poder, exemplo deste fato foi à recuperação econômica brasileira após 2004, que mesmo criando empregos formais não alterou a distribuição de renda nacional.
         Algumas medidas no momento podem contribuir para a recomposição da densidade nacional:

1 – Centralização do câmbio com o objetivo recuperar o controle público sobre a política monetária, o Estado deve ser o único agente responsável pela compra e venda de moedas estrangeiras com o intuito de enviar as retiradas de grandes porções de capitais do país. O controle do fluxo de capitais através da tributação das movimentações especulativas é fundamental para a defesa da economia nacional.

2 – A redução da taxa de juros para patamares civilizados é uma das medidas essenciais para criar condições de ampliação do investimento, consumo interno e produção. Atualmente a taxa de juros, em todo de 13,75% mantêm a dívida líquida do setor público em patamares muito elevados, é necessário procurar uma diminuição da taxa á exemplo de outras nações de periferia que praticam um taxa em torno de 5%.

3 - O investimento público substantivo em obras de infra-estrutura pode garantir a absorção de um grande contingente de trabalhadores no mercado de trabalho, combatendo o aumento do desemprego ao mesmo tempo em que melhora as condições de vida da população, significa investir mais em programas como o PAC, porém associado a um programa de reforma urbana nos termos do Estatuto das Cidades que enfrente a especulação imobiliária e construa um programa habitacional mais abrangente tendo em vistas as 10 milhões de famílias sem-teto do país. Hoje, o PAC possui um orçamento de 21 bilhões de reais, este orçamento é possível de ser ampliando, uma vez que os cofres públicos pagam aos setores rentistas, devido às altas taxas de juros, um montante superior a 100 bilhões de reais por ano, portanto é necessária uma inversão de prioridades orçamentária que tenha com objetivo o combate dos efeitos da crise nos setores majoritários da sociedade.

4 – Os gastos com a educação e seguridade social devem ser mantidos, dentro desta perspectiva devemos refutar a PEC 233/2008 (reforma tributária) em tramitação no Congresso, de autoria do Executivo que desmonta o sistema de financiamento destes setores.

5 – A Justiça Tributária figura com um instrumento importante na distribuição de renda no país, portanto é necessário reduzir os impactos dos tributos indiretos incidentes sobre o consumo (que onera os bens de consumo da classe trabalhadora) e edificar o sistema tributário priorizando os impostos diretos, como por exemplo, o Imposto de Renda e o Impostos sobre Grandes Fortunas (até hoje não regulamentado), o ITR e o IPTU, personalizando a cobrança dos tributos de acordo com a capacidade econômica do indivíduo.

         As medidas expostas acima não exigem nenhuma alteração na Constituição Brasileira, o que não vale para as propostas regressivas como a PEC 233/2008, contudo os interesses especulativos do capital nacional e internacional impõem um regime próprio, deslocado e sobre as disposições constitucionais. Também não é possível isentar os governos, como fazem alguns, da responsabilidade sobre o processo de desregulamentação do espaço econômico nacional. O governo federal ao manter e aprofundar uma política econômica que privilegia o setor especulativo do capital, tomou uma posição clara em relação aos projetos de sociedade em disputa, qualquer outra medida de caráter assistencial, muitas vezes necessárias, não isenta a opção pelos mais ricos que compromete a principal fatia orçamentária em favor do capital financeiro-especulativo.
 Desde as medidas emergências de caráter anticíclico até as mudança das estruturas sociais são expressões de uma vontade política que consiga aderência em vastos setores da sociedade e que tenha como pólo dinâmico à classe trabalhadora, esta vontade política se materializa em um bloco político que tenha como estratégia o controle estatal e a hegemonia na sociedade, ou seja, um sujeito coletivo que possua a capacidade e exercer o poder através da incorporação das massas não proprietárias e das classes que vivem do trabalho dentro de uma esfera nacional de debate político.
A “construção interrompida” do nosso sentido nacional, para usar a expressão de Celso Furtado, somente será superada com a produção de uma convergência política capaz recompor um pensamento teórico autônomo sobre a realidade brasileira e uma prática que seja capaz de capilarizar o debate político para os alicerces do edifício social, as classes que vivem do trabalho. Por sua condição geopolítica, base produtiva, oferta de recursos naturais e uma força de trabalho abundante, qualificada e capaz e criar um mercado de consumo interno contundente, coloca o Brasil em um patamar de importância de primeira grandeza, contudo, as imperfeições de sua formação ainda o condiciona a viver aquém das suas possibilidades enquanto civilização autônoma, com uma densidade nacional à altura do seu povo. Assim usando a expressão formulada Euclides da Cunha, citado por Faoro, o Brasil seria uma espécie de “Hércules- Quasímodo”, um gigante poderoso, porém limitado pela imperfeições, ou obstruções, de sua formação. Porém diferente do mito, na história nada é definitivo.

Belo Horizonte, março de 2009

Pedro Otoni
 



[1] POCHMANN, Márcio, O país dos desiguais, in Le Monde Diplomatique, Outubro de 2007
[2] KHAIR, Amir, Pela justiça tributária, in Le Monde Diplomatique, julho de 2008.
[3] SICSÚ, João, Controle de capitais ou liberalização financeira?, Caderno Liberdade para o Brasil, 2005.

domingo, 27 de março de 2011

Prefeito de Chapecó Claudio Caramori, recua, mas pressão do Fórum dos Movimentos Sociais continua.

O anúncio de que o preço da passagem  no transporte público de Chapecó,  passaria de R$ 2,30 para R$ 2,80 não agradou os trabalhadores, estudantes e diversos segmentos ligados aos movimentos sociais, sindicados, associações, movimeto Hip-Hop e pastorais.  Por conta disso, entidades se mobilizaram  sexta , 25/03 e final de semana, para panfletear as ruas e o terminal  urbano da cidade, na mesma onda já começam a se mobilizar para realizar um ato de protesto na praça central, ainda essa semana. Mesmo tendo havido, um recuo estratégico por parte do prefeito,  de forma que, não aguentando a pressão, se colocou contra o aumento de 24% pedido pelas duas empresas da cidade, e assim passando a impressão para a população, que ele era a vanguarda na defesa dos trabalhadores e estudantes afetados diretamente com o aumento abusivo.
 
"PREFEITO SE O POVO VAI PRA RUA, É POR CULPA SUA." "NÃO NOS CURVAREMOS AOS SENHORES DO TRANSPORTE."  

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quinta-feira, 24 de março de 2011

Governo brasileiro se curva ao imperialismo

A vinda de Obama ao Brasil foi um gesto forte que marcou, para o Brasil e o mundo, um claro movimento de estreitamento das relações entre os governos brasileiro e norte-americano. O governo Dilma aponta para a continuidade, em nova fase, das ações de defesa dos interesses do capitalismo brasileiro no exterior.
A agenda midiática da visita sinaliza claramente um realinhamento do Brasil ao imperialismo norte-americano. Obama, por decisão do novo governo, foi o primeiro estadista estrangeiro a visitar o Brasil após a posse de Dilma. Mas não foi uma visita qualquer.
O governo brasileiro montou um palanque de honra e um potente amplificador para Obama falar ao mundo, em especial à América Latina, para ajudar os EUA a recuperarem sua influência política e reduzir o justo sentimento antiamericano que nutre a maioria dos povos. Nem na ditadura militar, um presidente estadunidense teve uma recepção tão espalhafatosa como a que Dilma lhe ofereceu.
Os meios de comunicação burgueses do mundo todo anunciam hoje em suas manchetes “o carinho do povo brasileiro com Obama” e a “amizade Brasil/Estados Unidos”. Caiu a máscara de uma falsa esquerda que proclama a política externa brasileira como “antiimperialista”.
Em verdade, o Brasil esteve três dias sob intervenção do governo ianque, que decidiu tudo, desde os acordos bilaterais a serem assinados à agenda, à segurança, à repressão a manifestações, ao itinerário, ao alojamento, às visitas e até ao cardápio de Obama. No Rio de Janeiro, a diplomacia americana e a CIA destituíram o governador e o prefeito, que queriam surfar na visita ilustre, decidindo tudo a respeito da presença de Obama na capital do Estado. Até a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que fica na Cinelândia, foi obrigada a suspender suas atividades na sexta-feira. Foi ocupada por agentes norte-americanos e militares brasileiros para os preparativos do comício de domingo, que seria na praça em frente.
No caso da América Latina, foi um gesto de solidariedade aos EUA em sua luta contra os processos de mudança, sobretudo na Venezuela, Bolívia e no Equador e uma vista grossa ao bloqueio a Cuba Socialista e à prisão dos Cinco Heróis cubanos.
A moeda de troca para abrirmos mão de nossa soberania foi um mero aceno de apoio norte-americano à pretensão obsessiva do Estado burguês brasileiro de ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, um símbolo para elevar o Brasil à categoria de potência capitalista mundial. Tudo para expandir os negócios dos grandes grupos brasileiros no mercado norte-americano e mundial.
Enganam-se os que pensam que existe contradição entre a política externa do governo Lula e a de Dilma, ambas fundamentalmente a serviço do capital. Trata-se agora de uma inflexão pragmática. Após uma fase em que o Brasil expandiu e consolidou os interesses de seus capitalistas por novos “mercados” como América Latina, África, Ásia e Oriente Médio, a tarefa principal agora é dar mais atenção aos maiores mercados do mundo, para cuja disputa segmentos da burguesia brasileira se sentem mais preparados.
Vai no mesmo sentido a vergonhosa atitude de Dilma lavar as mãos para facilitar a extradição de Cesare Battisti ao governo italiano, dirigido pelo degenerado cafetão Berlusconi, entregando um militante de esquerda na bandeja do imperialismo europeu, no exato momento em que cresce na região a resistência dos trabalhadores.
O governo brasileiro, durante os três dias em que Obama presidiu o Brasil, não fez qualquer gesto ou apelo aos EUA, sequer de caráter humanitário, pelo fim do bloqueio a Cuba, o desmonte do centro de tortura em Guantánamo, a criação do Estado Palestino, o fim da intervenção militar no Iraque e no Afeganistão.
Debochando da soberania brasileira e da nossa Constituição - que define nosso país como amante da paz mundial e da autodeterminação dos povos -, Obama ordenou os ataques militares contra a Líbia a partir do território brasileiro, exatamente em Brasília, próximo à Praça dos Três Poderes, que se ajoelharam todos diante desta humilhação ao povo brasileiro. Não se deu ao trabalho de ir à Embaixada americana, para de lá ordenar a agressão militar. Fê-lo em meio a compromissos com seus vassalos, entre os quais ministros de Estado brasileiros que se deixaram passar pelo vexame de serem revistados por agentes da CIA.
O principal objetivo da vinda de Obama ao Brasil foi lançar uma ofensiva sobre as reservas petrolíferas brasileiras do pré-sal, uma das razões da reativação da IV frota naval americana nos mares da América Latina. No caso de alguns países, o imperialismo precisa invadi-los militarmente para se apoderar de seus recursos naturais. No Brasil, bastam três dias de passagem do garoto propaganda do estado terrorista norte-americano, espalhando afagos cínicos e discursos demagógicos.
Outro objetivo importante da visita tem a ver com a licitação para a compra de aviões militares, suspensa por Dilma no início do ano, justamente para recolocar no páreo os aviões norte-americanos. Além disso, os EUA garantiram outros bons negócios na agricultura, no setor de serviços, na maior abertura do mercado brasileiro e latino-americano em geral.
Obama só foi embora fisicamente. Mas deixou aqui fincada a bandeira de seu país, no coração do governo Dilma. Cada vez fica mais claro que, no caso brasileiro, o imperialismo não é apenas um inimigo externo a combater, mas um inimigo também interno, que se entrelaçou com os setores hegemônicos da burguesia brasileira. O pacto Obama/Dilma reforça o papel do Brasil como ator coadjuvante e sócio minoritário dos interesses do imperialismo norte-americano na América Latina, como tristemente já indicava a vergonhosa liderança brasileira das tropas militares de intervenção no Haiti.
O PCB, que participou ativamente das manifestações contra a presença de Obama no Brasil, denuncia o inaudito aparato repressivo no centro do Rio de Janeiro. Repudia a repressão exercida contra ativistas políticos e se solidariza de forma militante com os companheiros presos.
Desde a época da ditadura, nunca houve tamanha repressão e restrição à liberdade de expressão e ao direito de ir e vir. No domingo, o centro do Rio de Janeiro foi cercado por tropas e equipamentos militares. Uma passeata pacífica foi encurralada por centenas de militares armados, agentes à paisana, cavalaria e tropa de choque. Nunca houve tamanho aparato militar, mobilizado pelas três esferas de governo - Federal, Estadual e Municipal -, sob o comando da CIA e do Pentágono, em clara e desavergonhada submissão ao imperialismo.
A resistência do movimento popular teve uma vitória importante: a pressão exercida levou à suspensão de um comício de Obama em praça pública, na Cinelândia, local que simboliza as lutas democráticas e da esquerda brasileira. Obama fugiu do povo e falou em local fechado para convidados escolhidos a dedo, pelo consulado americano, a nata da burguesia carioca: falsos intelectuais, empresários associados, jornalistas de aluguel, artistas globais, políticos oportunistas, deslumbrados e emergentes, enfim, uma legião de puxa-sacos que se comportaram como claque de programa de auditório de mau gosto para o chefe dos seus chefes.


PCB (Partido Comunista Brasileiro)
Comitê Central – 20 de março de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Ambientalista de Ouro

Vladimir Ilich Ulianov " Lênin",escreveu no calor da revolução de outubro de 1917,um artigo contra Karl Kautsky,no qual se chamava " A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky" (1918),na qual Lênin denunciava a traição de Karl Kautsky,que atacava a jovem nação proletária soviética.
   No Brasil mais uma vez o movimento comunista,sofre uma forte traição,como em 1992,com o senhor Roberto Freire ( PPS/ PE),que destruiu o velho PCB ( Partido Comunista Brasileiro),de matiz soviética.Onde construiu um partido artificial e satélite de centro direita,dos direitistas neoliberais PSDB/ Democratas.
   O deputado Aldo Rebelo ( PC do B/ SP),mais uma vez trai os ideais marxistas-leninistas de Marx, Engels, Lênin, Stalin, Enver Hoxha, João Amazonas, Maurício Grabois,Pedro Pomar e de milhares de comunistas brasileiros e a nível mundial.
  Comunistas estes que preferiram tombar do que renegar os seus ideais ou se vender a burguesia,ao imperialismo e ao capitalismo mundial.
  O senhor Aldo Rebelo,que se declarava comunista e condenava,qualquer aliança com o capitalismo,latifundiários,banqueiros e transnacionais,chamava os outros partidos de revisionistas e traidores por fazer alianças com estes setores.
   Ele próprio se mostrou de quem é aliado,quando defende na tribuna do Congresso Nacional os interesses do agronegócio e da bancada ruralista,como a legalização do plantio de transgênico,o novo código florestas brasileiro e contra a demarcação da área indígena Rapouso Serra do Sol em Roraima.
   Aldo Rebelo,tem falado,que os contra a alteração do novo código florestal e defensores da demarcação da terra yanomani e das terras indígenas são contra a "soberania nacional ( Brasil)" e "que estão a serviço dos interesses estrangeiros" e "membros de ongs estrangeiras que não aceitam a independência nacional".
   Mas a final a quem o renegado e revisionista Rebelo defende?, A quem interessa as alterações no Código Florestal e a não demarcação das terras indígenas?, a legalização dos transgênicos?. O Senhor Aldo Rebelo recebeu para a sua campanha eleitoral de 2010,um total de R$ 2.177.724,19, de empresas ligadas ao agronegócio( mineradoras,celulose,química de venenos agrícolas) que  tem interesses nas mudanças do código florestal (1).
   Ele recebeu o prêmio, trofeu " Ambientalista de Ouro",dado pelo clube " Amigos da Terra",de Júlio de Castilhos( RS),organização de latifundiários da região central do estado,organizada para combater o MST ( Movimento Sem Terra),neste município,em final dos anos de 1990.Organização está que se orgulha de ter contrabandeado a soja transgênica da Argentina;ao mesmo tempo em que disseminaram a febre aftosa no noroeste do estado,que matou centenas de cabeça de gado nesta região no ano de 1999.
  Ou como fala o presidente da Sociedade Rural Brasileira ( SRB), " Aldo Rebelo é um dos nossos,nasceu em uma fazenda do estado de Alagoas e está defendendo os interesses da classe ruralista" (2).
   Eis que Rebelo,tem usado o partido do proletariado,para os seus interesses pessoais e paroquiais.Ele ingressou no PC do B,para usar contra os seus rivais e de sua familia no interior de Alagoas? O outrora PC do B, das lutas operárias,da ALN,da guerrilha do Araguaia,se converteu no Partido Capitalista do Brasil,como o seu irmão PCCH ( Partido Comunista Chinês),defensor de um comunismo de mercado.
  O PC do B de Rebelo se converteu hoje na correia de transmissão dos interesses e vontades de grandes empresas transnacionais,que tem interesses de aumentar a área de plantio,com o único interesse de incrementar seus lucros já bilionários. O PC do B,como o seu rival PPS ( Partido Popular Socialista) de Roberto Freire,de que de socialista e popular não tem nada,está caminhando para ser um partido defensor do comunismo de mercado,assim como aquele é do neoliberalismo.
  O PC do B, traiu o proletariado e a classe na qual fala que tanto defende em nome de alguns milhões que caem do bolso da burguesia e do imperialismo,pelos interesses mesquinhos e oportunistas do renegado Rebelo e aliados,que nada mais são do que lacaios da burguesia. A segunda feira 14 de Fevereiro de 2011,dia em que Aldo Rebelo,recebeu o trofeu dos ruralistas de Tupanciretã,é o dia em que foi sepultado de vez o socialismo e os ideais marxistas leninistas do PCdo B,que se converteu no partido de esquerda em que a burguesia e a direita gosta mas não vota.
  Será que foi este o sonho e o desejo  de milhares de comunistas que lutaram e derramaram o seu sangue na construção do Partido Comunista do Brasil nestes quase 90 anos de história?,de uma hora para outra ver o partido abraçado e aliado aos seus inimigos históricos e de classe, Será???
___________
 ( 1) www. tse.gov.br
 (2) Programa " Bancada Ruralista", Canal Rural do dia 05 de março de 2011.

Por: Júlio Lázaro Torma

terça-feira, 22 de março de 2011

Agua poderosa luta dos povos originários contra a mercantilização da natureza.


Abuela Grillo from Denis Chapon on Vimeo.

Esta é uma história que é contada milenarmente pelo povo Ayoreo, da Bolívia. Dizem eles que no principio havia uma avó, que era um grilo chamado Direjná. Esta avózinha era a dona da água e por onde quer que ela passasse com seu canto de amor, a água brotava. Um dia, os netos pediram que ela fosse embora e ela partiu, triste. Mas, na medida em que ia sumindo, também a água ia embora. Neste vídeo, a história se atualiza e na sua viagem para lugar nenhum a avó é encontrada pelos empresários que a aprisionam e fazem com que ela faça a água cair apenas nos seus caminhões pipa. Então, eles vendem a água. O povo passa necessidade e sofre. A avózinha também sofre. Até que um dia, o povo entende que é preciso lutar. Então….
Vale a pena ver essa beleza de desenho animado, que representa a poderosa luta dos povos originários contra a mercantilização da natureza.
A produção foi feita na Dinamarca, por The Animation Workshop, Nicobis, Escorzo, e pela Comunidade de Animadores Bolivianos. O trabalho de desenho foi realizado por oito animadores bolivianos, dirigido por um francês, com música da embaixadora da Bolívia na França, e a ajuda de um mexicano e uma alemã. Todo juntos na defesa dos recursos naturais.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A incorporação subalterna Brasileira ao capital-imperialismo

                                                                                                            
Virgínia FontesNeste texto – “visão extremamente sintética da segunda parte do seu livro O Brasil e o capital-imperialismo: Teoria e História” –, Virgínia Fontes ajuda-nos a “Compreender o processo brasileiro atual [o que] exige incorporar e ir além dos indicadores, averiguando a forma da política, isto é, a maneira pela qual se organizam, formulam e expressam as vontades socialmente organizadas, identificando os principais fulcros de luta social.” E conclui que “fermentam novas contradições [no Brasil], pois se traduzem numa ampliação vertiginosa da classe trabalhadora, contraposta a um punhado de grandes capital-imperialistas brasileiros e seus gigantes aliados de procedência externa, ainda que cercados de subservientes regressos do âmbito sindical. Assim como ao longo do século XX, tudo leva a crer que as exigências igualitárias retornarão, já tendo feito agora a experiência da democracia menor que o capital-imperialismo contemporâneo tem a oferecer.....

Carregue aqui para ver o artigo [PDF]http://www.odiario.info/b2-img/VIRGiNIA_CAPITALIMPERIALISMO_POR.pdf

domingo, 6 de março de 2011

LIBIA: O QUE A MÍDIA ESCONDE

Transcorridas duas semanas das primeiras manifestações em Benghazi e Tripoli, a campanha de desinformação sobre a Líbia semeia a confusão no mundo.
Antes de mais uma certeza: as analogias com os acontecimentos da Tunísia e do Egipto são descabidas. Essas rebeliões contribuíram, obviamente, para despoletar os protestos nas ruas do país vizinho de ambos, mas o processo líbio apresenta características peculiares, inseparáveis da estratégia conspirativa do imperialismo e daquilo que se pode definir como a metamorfose do líder.
Muamar Kadhafi, ao contrário de Ben Ali e de Hosni Mubarak, assumiu uma posição anti-imperialista quando tomou o poder em 1969. Aboliu uma monarquia fantoche e praticou durante décadas uma politica de independência iniciada com a nacionalização do petróleo. As suas excentricidades e o fanatismo religioso não impediram uma estratégia que promoveu o desenvolvimento económico e reduziu desigualdades sociais chocantes. A Líbia aliou-se a países e movimentos que combatiam o imperialismo e o sionismo. Kadhafi fundou universidades e industrias, uma agricultura florescente surgiu das areias do deserto, centenas de milhares de cidadãos tiveram pela primeira vez direito a alojamentos dignos.
O bombardeamento de Tripoli e Benghazi em l986 pela USAF demonstrou que Regan, na Casa Branca identificava no líder líbio um inimigo a abater. Ao país foram aplicadas sanções pesadas.
A partir da II Guerra do Golfo, Kadhafi deu uma guinada de 180 graus. Submeteu-se a exigências do FMI, privatizou dezenas de empresas e abriu o país às grandes petrolíferas internacionais. A corrupção e o nepotismo criaram raízes na Líbia.
Washington passou a ver em Kadhafi um dirigente dialogante. Foi recebido na Europa com honras especiais; assinou contratos fabulosos com os governos de Sarkozy, Berlusconi e Brown. Mas quando o aumento de preços nas grandes cidades líbias provocou uma vaga de descontentamento, o imperialismo aproveitou a oportunidade. Concluiu que chegara o momento de se livrar de Kadhafi, um líder sempre incómodo.
As rebeliões da Tunísia e do Egipto, os protestos no Bahrein e no Iémen criaram condições muito favoráveis às primeiras manifestações na Líbia.
Não foi por acaso que Benghasi surgiu como o pólo da rebelião. É na Cirenaica que operam as principais transnacionais petrolíferas; ali se localizam os terminais dos oleodutos e dos gasodutos.
A brutal repressão desencadeada por Kadhafi após os primeiros protestos populares contribuiu para que estes se ampliassem, sobretudo em Benghazi. Sabe-se hoje que nessas manifestações desempenhou um papel importante a chamada Frente Nacional para a Salvação da Líbia, organização financiada pela CIA. É esclarecedor que naquela cidade tenham surgido rapidamente nas ruas a antiga bandeira da monarquia e retratos do falecido rei Idris, o chefe tribal Senussi coroado pela Inglaterra após a expulsão dos italianos. Apareceu até um «príncipe» Senussi a dar entrevistas.
A solidariedade dos grandes media dos EUA e da União Europeia com a rebelião do povo da Líbia é, porem, obviamente hipócrita. O Wall Street Journal, porta-voz da grande Finança mundial, não hesitou em sugerir em editorial (23 de Fevereiro) que os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubar o regime de Kadhafi.»
Obama, na expectativa, manteve silêncio sobre a Líbia durante seis dias; no sétimo condenou a violência, pediu sanções. Seguiu-se a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e o esperado pacote de sanções.
Alguns dirigentes progressistas latino americanos admitiram como iminente uma intervenção militar da OTAN. Uma hipótese improvavel , porque tal iniciativa, perigosa e estúpida, produziria efeito negativo no mundo árabe, reforçando o sentimento anti-imperialista latente nas massas. E seria militarmente desnecessária porque o regime líbio aparentemente agoniza.
Kadhafi, ao promover uma repressão violenta, recorrendo inclusive a mercenários tchadianos (estrangeiros que nem sequer falam árabe), contribuiu para ampliar a campanha dos grandes media internacionais que projecta como heróis os organizadores da rebelião enquanto ele é apresentado como um assassino e um paranóico.
Os últimos discursos do líder líbio, irresponsáveis e agressivos, foram alias habilmente utilizados pelos media para o desacreditar e estimular a renúncia de ministros e diplomatas, distanciando Kadhafi cada vez mais do povo que durante décadas o respeitou e admirou.
Nestes dias é imprevisível o amanhã da Líbia, o terceiro produtor de petróleo da África, um país cujas riquezas são já amplamente controladas pelo imperialismo.
Vila Nova de Gaia, 28 de Fevereiro

Por Miguel Urbano Rodrigues

 Fontes: odiario e Brasil de Fato

Eduardo Galeano falando sobre os mais diversos assuntos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Internet e política

 



Hitler, Franklin Roosevelt e Getúlio Vargas, souberam como poucos usar o rádio enquanto instrumento político. Quando surgiu a TV, John Kennedy logo percebeu sua utilidade política. Com a Internet não foi diferente. Pouco a pouco os políticos descobriram as vantagens da comunicação virtual: ampliou-se o número de sites político-partidários, blogs, twitter, etc.. Em períodos eleitorais, a Internet transforma-se em mais um campo de disputa. Eles não hesitam em invadir nossos computadores com propaganda eleitoral muitos devem ter perdido votos por isso.

. Por que a Internet faz sucesso na política? Se levarmos em conta a composição social dos usuários temos a resposta: seu público é formador de opinião. O usuário da internet constitui uma elite sócio-econômica – da classe média às grandes empresas, incluindo um setor intermediário com pouco capital econômico mas com certo acúmulo de capital cultural e poder de influência. Isso explica a sua importância política. Por outro lado, o espectro ideológico na Internet é amplo. A pluralidade de idéias e informações circulando livre e democraticamente, aliado às facilidades da tecnologia, é um fator positivo; mas também negativo: imagine a potencialidade para a difusão de idéias racistas, nazistas, etc.. De qualquer forma, não é por acaso que o uso da Internet sofre restrições em países com governos ditatoriais.

A Internet, advogam os entusiastas, tem potencial para a construção da cidadania e o fortalecimento da democracia. De fato, a rede possibilita condições favoráveis ao acompanhamento e controle dos governantes. Na Internet, acreditam os mais otimistas, somos todos cidadãos. Para os espíritos mais arrebatados, ela é sinônimo de liberdade e a máxima expressão da democracia. Deslumbrados com as facilidades e possibilidades da rede, os novos jacobinos esquecem que a virtualidade não elimina a realidade social e econômica injusta e desigual. Na verdade, gostemos ou não, a Internet reflete a estrutura de classes e grupos sociais materializada no capitalismo realmente existente. Somos parte da elite que incorporou o computador ao cotidiano. Muitas vezes, o hábito ofusca a visão e sensibilidade sobre a realidade sócio-econômica. Irmanados em nossas ilhas virtuais, muitos de nós olvidamos um dado simples: a exclusão digital espelha o apartheid social que mantém milhões de pessoas à margem. Enquanto nos irritamos com a lentidão da conexão, com o entulho que recebemos por e-mail, ou com as discussões sobre o sexo dos anjos, os excluídos reais e virtuais tem que matar um tigre a cada dia para terem o direito de viver.
Não obstante, reconhecemos as potencialidades da Internet enquanto meio de ativismo político. Os zapatistas foram pioneiros no uso dessa tecnologia – mas também os grupos fundamentalistas cristãos e a Milícia Norte-Americana nos EUA. Contudo, o exemplo zapatista comprova que a militância virtual é conseqüente na medida em que se vincule.

É necessário refletirmos sobre o militantismo virtual e até mesmo sobre o significado de escrever e publicar na rede. Não duvido das boas intenções, mas devemos atentar para o auto-engano da supervalorização do meio eletrônico enquanto instrumento de militância. Desvinculada da realidade, a militância virtual pode até alimentar o ego, apaziguar consciências e gerar a ilusão de que convertermos os convertidos. É preciso, porém, reconhecer os limites do ativismo virtual e evitar a ingenuidade dos que imaginam revolucionar a sociedade através de e-mails ou textos publicados na rede. Para esse tipo de ativismo a revolução está literalmente no ar...

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